Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Chinkon Kinshin no Ho

O método Chinkon Kinshin é considerado um Misogi, que é uma prática xintoista purificação baseado no poder universal do Ki em movimento; que foi incorporada em algumas artes marciais. Esta técnica era muito difundida pelo monge Kawatsura Bonji que foi visitado algumas vezes por Morihei Ueshiba O'Sensei; além de ser comum na Omoto Kyo. O significado de Chinkon seria auietar e acalmar o espirito, conforme escreveu John Stevens Sensei.

O método de Chinkon Kinshin é composto por várias práticas a saber:

- Furitama: Este é um exercício de vibração e purificação, que era e ainda é praticado nas cachoeiras, como em Iwama, que Ueshiba O'Sensei também inseriu na pratica dos treinos. Pode ser iniciado em seiza,quando no Dojo, se entoando o Norito Sojo; estando de pé, na posição vertical, os pés devem estar alinhados com os ombros, mão juntas ( alguns acham que se deve visualizar uma bola de energia entre o espaço vazio das mãos, que cresce). As mãos, que estão na altura do Hara, começam a ser agitadas, para que o corpo todo vibre, pois, teoricamente, esta energia ativada no Hara, alcançaria a coluna vertebral e se transmitiria pelo corpo inteiro.

- Ame Torifune ou Kogi-Fune-Undo, simula o ato de remar em pé, na maneira oriental de remar nos botes; servindo para educar o Ki a circular pelos canais de energia do corpo Em aikido, ele serve para educar o Ki e circulam por todo o corpo. De pé, quan do olhamos para a direita, avançar o pé direito; quando for para a esquerda, avançar o ppé esquerdo; porem sempre lembrando que o movimento começa à partir do Hara e dos quadris. Geralmente, se utilisa Kototamas, entoados de maneira forte (como Es-Sa Es-Sa); projetando os braços para frente dizer Es, ao recolher dizer Sa. Mestre Ueshiba costuma fazer este exercício, segundo John Stevens Sensei, entoando: I (braços para frente) Ku (recolhendo os braços) Mu (braços para frente) Su (recolhendo os braços) Bi (braços para frente). Em muitos dojos, se pratica pronunciando Ho ao projetar os braços e pronunciando Ei aos recolhê-los.

- Otakebi, também considerado a exclamação da vitória, é praticado ainda de pé, com as mãos nos quadris, exclamando as seguintes invocações por três vezes: Ikutama, Tarutama e Tama-Tama-Tamaru (ou Tama-Tomaru-Tama). Geralmente são seguidos pela invocação de divindades xintoístas. Ueshiba O'Sensei achava que esta invocação, acalmava o ambiente da prática.

- Okorobi, também considerado outro rito de purificação, com a mão esquerda no quadril e a mão direita em Mudra da Lança; fazendo o movimento de corte. Pode ser considerado como uma prática para harmonizar o ambiente.

- Ibuki Kokyu no Ho, que é a respiração profunda do corpo. Com os pés afastados na largura dos ombro, com as mãos ao longo do corpo, para baixo na postura de Chi no Kokyu (ou respiração da terra), ao mãos vão se dirigindo para a linha mediana do corpo, enquanto inspiramos, até tomar a posição de Gashô entre o Naka no Tandem e o laringe. Continuando lentamente elevando as mão, até ficarem unidas acima da cabeça em Ten no Kokyu (respiração do céu). Então, lentamente, comece a abaixar as mãos e expirar devagar, até retornar a postura inicial de Chi no Kokyu.

Boa Prática.

Oss.



Baseado em artigos de John Stevens Sensei, sobre Kawatsura Bonji, Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Caminhos de Espiritualidade de Mestre Ueshiba - Parte 3

Para ir ao Grande Santuário de Ise, utiliza-se a rota "Iseji". Esta rota liga Ise Jingū (Santuário de Ise), local sagrado que está fora da Província de Wakayama, com a Kumano Sanzan, que passou, após o século 17, tornou-se uma rota como parte da peregrinação Saikogu; o primeiro templo é Seiganto-ji, um templo que está intimamente relacionado com o Kumano Nachi Taisha.

Já Magose Toge forma a fronteira entre Miyama-cho e a cidade Owase. Um trajeto de pedra coberto de musgo se estende cerca de 2 km no belo floresta cipreste coberto com samambaias. Esta rota leva a Tengura-san com uma pedra enorme na ponta. Há um pequeno túnel logo abaixo da pedra onde você pode entrar, para se ter vista panorâmica da cidade de Owase. Magose-koen é um caminho conhecido por seu trecho das cerejeiras em flor, na época da Primavera.

Mestre Hikitsuchi diz se recordar que Ueshiba O'Sensei, além da prática do dois Furutama e o Amano Torifune, era comum nos anos 50, Okorobi, Ikubi no Ho, Otakebi ; exercicios relacionados ao Chinkon Kishin no Ho. Esta prática era associada ao monge Kawatsura Bonji (1862 - 1929), que se relata em artigos que foi visitado algumas vezes por Morihei Ueshiba O'Sensei. Este monge é o fundador da instituição religiosa Dainippon Sekaikyō Miitsukai ou, apenas, Miitsukai, grande estudioso das praticas do Misogi, como o Chinkon Kishin no Ho, exercícios estes já conhecidos desde o período que Nara era a capital do Japão; que devido aos esforços de várias pessoas, como Imaizumi Sadasuke, estas práticas do Misogi vieram a ser adotadas pela Jingū Hōsaikai (uma associação de devotos do Grande Santuários de Ise) e Taiseiyoku Sankai ( uma associação imperial).

Estes fatos nos ajudam a entender muito dos ensinamentos de Mestre Ueshiba, que, segundo relatos, aos 7 anos de idade foi enviado para um templo Shingon em Jizodera, aonde estudou a vertente Mikkyo, fundada por Kūkai. Sobre Kūkai, Mestre Ueshiba escreveu: " O Budismo Esotérico de Kūkai, é incomparavelmente muito mais complexo e avançado do que o Xintoísmo, apresentando com este último muitos pontos em comum. Entre eles, a idéia da unidade do homem e da natureza e da crença na eficácia mágica da palavra (Shingon no primeiro, Kototama no segundo). Era natural, portanto, que um dia Budismo esotérico está intimamente associado com o Xintoísmo."

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Hikitsuchi, Morihei Ueshiba O'Sensei e sobre os Caminhos de Kumano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Caminhos de Espiritualidade de Mestre Ueshiba - Parte 2

A rota "Kohechi", que tem um traçado interessante, indo de norte a sul, com cerca de 70 quilômetros, liga Koyasan à Kumano Sanzan. É o caminho mais curto para conectar Koyasan Kumano, mas é uma caminhada difícil, pois tem que atravessar locais com mais de 1.000 metros de altitude. Vai até uma região próxima do sul de Osaka, aonde encontramos o Monte Kōya, importante localidade na história do Budismo, e ao mesmo tempo das Artes Marcais (como Aikibudo, Aikido e Shin'ei Taido) por ter seu nome ligado ao célebre Monge Kūkai. Em 816, o Imperador Saga aceitou o pedido do Kūkai de estabelecer um refúgio espiritual em Kōya, para afastar-se de assuntos mundanos. O terreno foi oficialmente consagrada no meio do ano de 819 com rituais que duraram sete dias, mas de fato, o projeto só foi plenamente realizado depois da morte de Kūkai em 835. Este monte é conhecido como a sede mundial da seita Kōyasan Shingon do Budismo japonês; localizado à 800 metros de altura, em um vale entre oito picos da montanha.

A visão de Kūkai foi que Monte Kōya viria a se tornar uma representação dos dois mandalas que formam a base de Shingon Budismo: o planalto central como a Mandala Reino do Ventre, com os picos que cercam a área como pétalas de uma flor de lótus; e localizado no centro de esta seria a Mandala do Diamante na forma de um templo que ele chamou Kongobu-ji ou Templo do Pico do Diamante. No centro do complexo do templo encontra-se uma enorme estátua de Buda Mahavairocana que é a personificação da Realidade Última.

A região montanhasa de Kōya é o lar de os seguintes locais famosos:

Okunoin, o mausoléu de Kūkai, rodeado por um imenso cemitério (o maior no Japão)

Danjogaran, considerado como o coração do Monte Kōya.

Konpon Daitō, um pagode que, segundo a doutrina Shingon representa o ponto central de uma mandala que abrange não só este Monte, mas todo o Japão

Kongobu-ji, o templo chefe do Budismo Shingon Kōyasan.

Kōyasan chōishi-michi, a rota tradicional até a montanha

A Estela Nestoriana ou Pedra de Nestorian, que é uma estela chinesa da Dinastia Tang, erigida em 781 que documenta 150 anos do início do cristianismo na China, com texto em chinês e siríaco descrevendo a existência das comunidades cristãs em várias cidades do norte da China.

(Continua)

Baseado em artigos sobre Mestre Hikitsuchi, Morihei Ueshiba O'Sensei e sobre os Caminhos de Kumano.

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