Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

Seguidores

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 2

Habitualmente, toda manhã, o kimono e o hakama formais do Fundador, sempre estavam devidamente prontos, esperando por ele, assim que terminasse seu banho. Também era dever de Homma Sensei ajudá-lo a se vestir para a cerimônia que se seguia. Chovesse ou fizesse sol, o Fundador realizava sua cerimônia matinal diária. Se estivesse chovendo, Kikuno e Homma iriam segurar um guarda-chuva para ele andar debaixo. Ambos os jovens, não tinham guarda-chuvas. Segurando um pequeno tabuleiro chamado de 'sambo' carregado com três pequenos pratos; um contendo sal, um contendo arroz e um contendo água, o Fundador caminhava energicamente para o caminho do Aiki Shrine. Seu passo era seguro e vigoroso, seu equilíbrio era perfeito enquanto ele segurava o 'sambo' diante dele. O'Sensei se alinhava impecável em sua caminhada; era difícil acreditar em momentos como este que ele tinha 85 anos de idade.

À medida que o Fundador se aproximava do Santuário Aiki, ele passaria sob o portão de santuário ou tori.  Kikuno e Homma não eram autorizados  passar diretamente sob o portão para que pudessems caminhar ao redor da porta para a direita e deviam estar à frente, para abrir o santuário. Deveriam abrir a porta santuário no lado direito da Honden (edifício principal), entrar, e rápidamente, abrir silenciosamente as portas deslizantes para tranquilamente para o Fundador entrar tranquilamente. Uma vez que ele tinha entrado no Honden,  silenciosamente fechavam a porta atrás dele. Na parede oposta, atrás do santuário havia outra porta de correr que quando aberta revelava a visão do okuden, que era uma estrutura menor que abrigava o santuário principal. Antes dos jovens encontrarem seus lugares perto da entrada do santuário, deviam acender as velas. O Fundador, geralmente, ficava cerca de 25 minutos orando nessa cerimônia matinal. Uma vez por mês havia uma cerimônia especial chamada Tsukinami Sai. Essa cerimônia durava até uma hora, e o santuário era adornado com oferendas de frutas, legumes, alimentos secos e peixes. Nenhum produto animal fora jamais utilizado como parte desta oferta especial. 

Durante a cerimônia diária os dois jovens ficavam em seiza, com ascabeças inclinadas sem tocar o chão. Esta posição era dolorosa para os joelhos e bastante cansativo para mantê-la. As orações recitadas pelo Fundador, e depois usava um Jo, como na cerimônia de oferenda de Jo no mai (ou Movimento Jo)*

O Jo que ele usava, segundo o relato, era de comprimento regular, porem uma das extremidades tinha sido afiada. Parecia um comprimento de uma lança que tinha sido cortada diagonalmente com uma espada. Se ele não usava um Jo, ele às vezes usava um shaku, que é um instrumento de madeira em forma de pá usada em cerimônias Xintoístas. realizando movimentos como se fosse um Tsurugi (a Espada dos Deuses de acordo com a tradição Xinto). Depois que o Fundador terminava sua oração da manhã no Santuário Aiki, voltava para o jardim da frente do dojo, para rezar em um hokora (pequeno santuário) dedicado ao deus Ushitora no Konjin. Esse deus era um deus pessoal do Fundador, que sempre carregava com ele, segundo o relato. Em suas viagens para Hokkaido, O'Sensei dedicou um novo templo chamado Kami Shirataki Jinja, que fundou na aldeia de Shiratake. Homma Sensei acreditava que o Fundador carregava com ele o espírito da divindade. Para concluir sua cerimônia matinal, o Fundador, em seguida, ficava ereto, segurando o seu shaku, e olhava diretamente para o sol. Não importa se era um dia claro, ou o sol estava obscurecido por nuvens, ele levantava seu rosto em direção ao sol e olhava diretamente para ele. Ele iria oferecer orações para Amaterasu O Kami, a deusa Xinto do sol. Seus discipulos acreditavam que o olhar poderoso que o Fundador possuía viera deste ritual diário continuo.

Hoje, no Iwama dojo, um estacionamento, e a cozinha dos Uchideshi, ficam aonde era a horta do Fundador. Este jardim foi plantado para o consumo familiar e tratavam com muito cuidado. Depois de terminar sua cerimônia matinal o Fundador, ainda vestido com seu traje formal de kimono e hakama, se dirigia para o jardim. Em abril, brotavam os novos nira, nanohana, daikon e kabu prontos para serem colhidos. O Fundador iria examinar cuidadosamente as verduras e dizer quais poderiam ser utilizadas como acompanhamentos nos pratos daquele dia. O'Sensei orientava quais as mudas que necessitavam de atenção, que necessitavam de podas, para crescerem com força; ensinava que após a poda do nira, deve-se pisar os pés de nira remanescentes e, em seguida, molhar com água que sobrou da lavagem do arroz. Isso garantiria um novo crescimento saudável. O café da manhã consistia principalmente de congee (um mingau de arroz suave) com mochi (bolo de arroz moído). Os pratos de acompanhamento consistiam de vegetais, com folhas frescas recem colhidas da horta e preparados de forma muito simples. O Fundador não retirava seus trajes formais antes de tomar seu café da manhã. Para ele, realizar essa refeição era parte de sua cerimônia da manhã. Depois do desjejum, era o momento de atribuir tarefas matinais para os discipulos realizarem enquanto o Fundador descansava. À poucos quarteirões do dojo,o Fundador possuía uma horta de arroz.
Como Homma Sensei não sabia quando o Fundador chamaria à ele e Kikuno para a prática do Aikido, sempre usava a parte de cima do meu keiko-gi com minhas calças de trabalho, prontos para treinar.

Nos dias de tempo bom e clima agradável, às vezes o Fundador costumava se sentar perto de uma janela aberta e lía o seu jornal no calor do sol da manhã. Ou, pedia para abrirem
as portas do dojo, e deitavasse na esteira do dojo, sem o seu hakama, e repousava ao sol. Em Iwama, eu sabia que o Fundador que cochilava ao sol como um homem idoso normal; ao contrário de quando estava em Tóquio.
Quando O'Sensei estava se sentindo bem, chamava os jovens para a prática de Aikido, ele gostava especialmente de praticar suwarewaza - shomen uchi ikkyo, e, em pé, ai hanmi katatetori iriminage omote.

* O termo Jo-n0-mai está relacionado com a "Dança dos Deuses" ou Kagura, que é uma forma de teatro e dança característicos do Xintoísmo e que se realiza em cerimônias e festas importantes; cujas origens são muito antigas e estão ligadas as raízes do Teatro Noh. Originalmente era realizada no palácio do Imperador por sacerdotisas, representando o mito da divindade do sol, Amaterasu. O termo mai, pode ser considerado uma dança, porem é uma movimentação quetem uma significação abrangente e pode ser chamado de a fundação do forma. Jo-no-mai é uma "dança" extremamente lenta, pois o termo Jo, aqui, significa "o inicio". Mai significa "dança", uma movimentação corporal típica da representação das divindades no Kagura e Noh).

(Continua)


 Baseado em artigos de Gaku Homma Sensei  como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

4 comentários:

  1. Buenas tarde Ricardo,
    Muy interesante también esta segunda parte sobre el día a día del Fundador,
    muchas gracias por compartirlo
    un abrazo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. BuenasTardes, Carina,
      Es verdad, Carina, son aspectos que enseñan un poco más a nosotros.
      Muchas por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir
  2. Ésta segunda parte del texto nos revela a Ueshiba como una persona tremendamente espiritual, parece ser que sus fuertes creencias le otorgaban una voluntad de hierro en la rutina diaria. Muchas gracias Ricardo!

    Un abrazo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Es verdad, Guillermo, un hombre con mucha determinación,
      Muchas gracias por tu comentario.
      Abrazo.

      Excluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails