Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei - Video Histórico

Este vídeo nos mostra a história de Mestre Hikitsuchi, com relato do próprio Mestre, assim como sua prática e ensinamentos.

Boa prática.

Oss.




sábado, 24 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei - Parte 2

Quando O'Sensei, ia visitar Shingu, ficava sempre junto de Michio Hikitsuchi, conversando sobre as divindades, sobre s livros da Tradição; o que seria o tema do inicio de todas as aulas; sempre usando uma linguagem derivada do Xintoísmo antigo, expressa no dialeto da região da antiga Kishu, atual Wakayama.

Um aspecto desta região, é que no passado, as três grandes montanhas que têm o nome de Kumano Sanzan, tem uma lenda que essas montanhas foram a morada de três deuses e há três grandes santuários: o Kumano Hongu Taisha, o Kumano no Nachi e o Hayatama Jinja em Shingu; sendo que nos três santuários se reverencia Susani no kami ouTakebayashi, o irmão de Amatersu Omikami.

Ueshiba O'Sensei, considerava de gande impotância o estudo dos nomes das divindades, pois eram recitados por ele em todas as suas invocações, o que resultou na prática do Kototama, já que o nome de cada kami teria uma grande ressonância no ambiente em que era entoado. O Fundador afirmava praticar o Kototama era praticar Aikido, já que os sons entoados do Kototama, atuariam sobre o corpo, ativando o fluxo energético.

O'Sensei gostava muito de região do Dojo de Hikitsuchi Sensei, pois embora nascido em Tanabe, tem um fato que liga seu nascimento à Kumano: seus pais, só tinham tido três filhas meninas, e era um grande desejo da familia ter um filho hoomem. Foi então, que o senhor Yoroku Ueshiba fez uma peregrinação ao Grande Santuário Kumano Hongu e ficou orando por 21 dias. Logo após este fato, a senhora Ueshiba deu a luz aofilho homem, em 14 de dezembro de 1883.

Quando no Dojo de Shingu, o Fundador falava com seu discipulo Michio: "Eu sou a criança enviada pelo kami de Kumano"; ou ainda: "Aikido é a manifestação do Sopro Divino das divindades de Kumano"

O Fundador visitava Shingu toda vez que a oportunidade surgia, sempre instruindo e guiando Michio Hikitsuchi, tanto no Kumano Juku Dojo como na sua espiritualidade; em troca este se dedicou de coração a Ueshiba Sensei, levando-o a orar centenas de vezes no Grande Santuário Kumano Hongu.

É relatado, por Mestre Hikitsugi, que O'Sensei ira na cascata próxima do Santuário de Kumano no Nachi, para ficar contemplando e para rituais de Misogi.

Em janeiro de 1969, três meses antes de sua morte, Mestre Ueshiba faz sua ultima visita ao Dojo de Shingu, quando interrompe uma aula, e diz a Hikitsuchi Sensei, em frente aos praticantes, segundo é dito em vários artigos:

"Eu te dei tudo Michio San. Hoje eu lhe dou o 10º dan." O Fundador disse que a partir daquele instante, Hikitsuchi Sensei devia apresentar-se como quem recebeu diretamente o Décimo Dan do Mestre Ueshiba.

Hikitsuchi-Sensei, após a morte de Morihei Ueshiba, considerou que sua missão era levar a palavra do Fundador ao mundo; foi por isso que ele foi para a França em 1984. Suas aulas e seminários, eram muito claros graças às suas explicações, apresentando as técnicas simples com uma energia bastante surpreendente e uma alta precisão. Demonstrava os princípios do Fundador, fazendo questão de recitar as orações todas as manhãs antes da aula começar, diante da foto do Fundador, e parecia purificar o lugar da prática,com tais exercícios como Shinkon Kishin no Ho , que dizia que método era para acalmar a alma e voltarnos para Deus; o que era muito conhecido de quem prativava Aikido, em parte, com exercícios de Torifune e Furotama.

Mestre Michio Hikitsuchi, faleceu em 02 de fevereiro de 2004, ficando como instrutor chefe do Kumano Juku Dojo participando das aulas, até o final dos seus dias. Sempre fez questão de manter viva as palavras do Fundador de "ensinar aikido era certamente à sua maneira uma forma de aliviar o sofrimento das pessoas, pois o Aikido foi criado para o mundo inteiro se tornar uma grande família e isto é certo que, se essa utopia penetrar no coração dos seres humanos."

Termino com um ensinamento de Mestre Hikitsuchi:

" O Verdadeiro Aikido acontece em um instante, no instante em que ele pensa em me atacar, ele é levado para um lugar aonde ele próprio é atingido.Isso nunca acontece se ele me agarra primeiro, após isto é que eu começo a descobrir o que fazer. No momento em que ele pensa para me atacar, a questão é decidida".

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Michio Hikitsuchi e entrevistas do Mestre

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei - Parte 1

Hikitsuchi Michio Sensei era o instrutor chefe do Kumano Juku Dojo, da cidade de Shingu, Prefeitura de Wakayama, por 15 anos. Nasceu em 14 de julho de 1923, pequena cidade de Shingu, provincia de Kishu, situada na península de Kii, no seio de uma famila de descendencia Samurai ficando; porém, ficando órfão aos 7 anos de idade, passa a ser criado por sua avó. Esta senhora, tinha a maestria no manejo de naginata, e o inica na prática marcial. Sua educação e treinamento serão rígidos, para trabalhar tanto o espirito como o corpo; o jovem devia dedicar-se plenamente aos exercícios corporais, visando amadurecê-lo e colocá-lo apto à enfrentar adversidade, o mais cedo possível. Aos 9 anos de idade inicia a prática de Kendo, e, por anos, teria praticado Jujutsu, Kenjutsu, Jukendo, Iaido, Karetê-Do, Bojutsu; sempre sob os olhos de sua avó.

Aos 14 anos de idade, em 1936 (lembrar que antigmente no Japão, o periodo de gestação contava como mais um ano na idade), o jovem é apresentado à Morihei Ueshiba Sensei, por sua avó, já que este era amigo dela; na época era necessário ter mais idade para treinar com o Mestre Ueshiba,porém ele abriu uma exceção para Michio. Michio se tornou discípulo de Morihei Ueshiba por 40 anos, recebendo do Mestre a permissão por escrito para transmitir a Técnica de Manejo do Bastão Longo (Masakatu Bojutsu) e da Técnica do Manejo do Sabre (Choshokubai no ken).

Mestre Hikitsuchi dedica grande parte de sua vida ao estudo da mitologia e tradições japonesas, além dos rituais de purificação (misogi, harai) assim como dos estudos de epiritualidade xintoista, com suas orações. Quando mais velho, celebra cerimonias, utilizando um shaku, como fazia seu Mestre Ueshiba. Lembrar que o shaku é uma tradição do período de Nara, tido como um simbolo dos sacerdotes.

Hikitsuchi Sensei decide, em 1949, dedicar-se apenas ao Budo do Mestre Ueshiba, ao Budo do Amor, como ele e o Fundador, assim designavam, abando nando todas as outras. Ele irá, a pedido do próprio Morihei Ueshiba, construir um dojo em Shingu; aonde registrará todas as explicações do Fundador durante suas aulas que ele profevessava em Shingu sobre cada dois meses, porque Hikitsuchi Sensei queria compreender tudo o que era dito por O'Sensei.

O estudo do Kojiki, passou a ser primordial, quando Mestre Ueshiba que era necessário estudá-lo para entender o Aikido.

De acordo com Clint George, um dos peimeiros discipulos de Mestre Hikitsuchi, que treinou em seu Dojo em Shingu por 15 anos a técnica denominada de "Shingu bojutsu" consistia de quatro níveis:

• Ikkyo - estudo das formas fundamentais

• Nikyo - estudo das formas, que explora o movimento circular

• Sankyo - estudo das formas que explora a tridimensionalidade e o movimento esférico

• yonkyo - Jiyuwaza - livre circulação de movimento, sem movimentos esteriotipados ou coreografados.

Hikitsuchi impressionava os outros professores em Shingu por causa de sua capacidade de recitar quase textualmente os discursos Ueshiba O'Sensei. Ele também tinha conhecimento extensivo do xintoísmo Norito (cantando) e dos ensinamentos espirituais do Kojiki; cuja reverência de para com Morihei Ueshiba e sua mensagem, era total.

Quando o Japão perde a guerra, o comando das tropas americanas de ocupação, proibe a prática de Artes Marciaisem 1945, que só foram liberadas em 1951; o Aikido foi a primeira a Arte a ser liberada, segundo Hikitsuchi Sensei, sendo que o primeiro local a ter o retorno da prática foi Kumano;por isso ser considerado um dos berços desta Arte Marcial por muitos.

(Continua)

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Michio Hikitsuchi e entrevistas do Mestre.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Prática Fura-mai de Ueshiba O'Sensei

Como lemos anteriormente, Homma Sensei relatou que Mestre Morihei Ueshiba praticava o movimento Jo-no-mai, pela manhã, após a cerimônia matinal no santuário, o que despertava muita atenção. Embora muitos atribuam este fato ao Kagura ( ou Kagura-mai), designado como a Dança dos Deuses, Hikitsuchi Michio Sensei (que foi Uchideshi de O'Sensei, por cerca de 40 anos), relatava que O'Sensei designava esta prática como Fura-mai.

A Tradição do Teatro Noh apresenta os seguintes tipo de Mai: Chu-no-mai, Jo-no-mai (Movimento de tempo lento), Otoko-mai, Kami-mai (Dança dos Deuses), Gaku e Kagura. Porém esta prática é típica dos Santuários Xintoístas.

Kagura é a contração de Kami no Kura, que significa "aonde se recebe a divindade ou kami"; é também uma tradição Yamabushi.

Segundo a tradição, nos tempos imemoriais, Amaterasu Omikami (Divindade do Sol) escondeu-se em uma caverna, depois de brigar com seu irmão, Susano-o. a luz do Sol sumiu, e as outras divindades ficaram no frio e no escuro; o que os levou à dançar em volta da caverna para atrair a atenção de Amaterasu Omikami, para que ela saísse do esconderijo. assim,curiosa para ver o que acontecia, ela saiu da caverna e o sol voltou a brilhar; esta seria a origem do Kagura, porém existem diversas Mai

Podemos citar a Yama no Kami Mai, (Dança do Deus da Montanha), que é uma Hayachine no Kagura, dedicada ao irmão de Amaterasu Omikami, Oyamatsumi, que reina nas montanhas, nos mares e na guerra; na primavera é tido como o deus da agricultura. É durante a pratica da dança que ele exorciza os maus espíritos do ambiente, através dos gestos das mãos, conforme afirma a tradição. Esta cerimônia se realiza no Santuário de Hayachine, Prefeitura de Iwate.

Assim como existe a Kagura das Espadas, que comemora a vitória de Hoori Hoori no mikoto, também conhecido como Hikohohodemi no Mikoto, que na mitologia japonesa é o terceiro e mais jovem filho do kami Ninigi-no-Mikoto com a princesa Konohanasakuya-hime. Ele é um dos antepassados ​​dos Imperadores do Japão. Ele também é chamado Hohodemi e é mais frequentemente conhecido comoYamasachihiko ou o príncipe da montanha da fortuna.

Como Ueshiba O'Sensei incorporou vários elementos na sua prática, passou a denominar Fura-mai.

O'Sensei considerava o fator estético importante porém secundário, já que a finalidade seria a integração com a divindade e a harmonização com o movimento do Universo; por isso o movimento ser circular, reproduzindo o movimento circular que encontramos no Cosmos e na Natureza; que ele afirmava ser um processo interligado com a prática do Aikido, pois é o ápice de um processo iniciado pela prática do próprio Aikido.

Segundo a Tradição, quando consultamos o Kojiki, um dos livros mais antigos do Japão, Kagura seria a mais antiga forma de dança no Japão, cuja origem nos levaria às raízes das nas danças míticos baseadas na cosmogonia japonesa.

Segundo Hikitsuchi Michio Sensei, Fura Mai (ou Kagura Mai) poderia ser definida como uma dança inspirada e de movimento circular, que através desta movimentação, se cria o fluxo de energia. Esta movimentação, traria uma harmonização com o movimento do Universo, como escreve Stanley Pranin Sensei, citando o próprio Fundador. Hikitsuchi Michio Sensei afirmava que Mestre Ueshiba dava suma importância para a esta prática, afirmando ser necessária a harmonia entre os praticantes, falando de uma dança tanto espontânea como geométrica: a bela ordem de Kagura-mai ou Fura -mai, surge não só da forma de círculo, mas também aos do quadrado e do triângulo, é o ato de não-cálculo e não-vontade consciente, mas um gesto "instintivo e intuitivo já implementado no inconsciente ".

Philippe Herr Sensei, define a prática do Fura-mai, executada pelo Fundador, como "Dança da Energia"

Artigos citam que o que vemos como um kata de Jo, na prática diária de O'Sensei, poderia ser a prática do Fura-mai, principalmente se tivermos uma das extremidades do Jo com a ponta aparada, semelhante a uma lança.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre as tradições xintoístas e yamabushi japonesas, artigos sobre Hikitsuchi Michio Sensei e Ueshiba O'Sensei.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 3

Na parte da tarde, o Fundador se engajava outras atividades diferentes. Na primavera, ele, com sua esposa Hatsu, gostava de plantar amendoins na horta. A Senhora Hatsu, mesmo com sua idade avançada, que lhe acometia a coluna vertebral, adquiria uma postura que parecia estar quase dobrada ao meio, e mostrava toda sua habilidade no manuseio da enxadada, fazendo fileiras para o plantio habilmente , muito rápidamente; enquanto o jovem Homma adicionava adubo fresco nas fileiras de covas, para torná-las mais férteis para o plantio. O Fundador colocava, logo em seguida os amendoins frescos precisamente dentro da terra com seu polegar e o indicador. Gaku Homma Sensei atribui esta habilidade do Mestre da época de Hokkaido e dos anos, ele coordenou o plantio de hortas e as colheitas com a Omoto Kyo.

À noite, O'Sensei tambem dirigia práticas, fazendo questão que o jovem comparecesse, alegando que devia aproveiar todos os ensinamentos com ele, pois não ficaria para sempre.

Geralmente, uma vez por mês, o Fundador fazia uma visitar Hombu Dojo em Tóquio, porem não deixava de fazer a cerimônia matutina, que terminava mais cedo para poder viajar. As visitas mais demoradas, quando muito, demoravam quatro ou cinco dias. Gostava de na primavera, de colher folhas de daikon, nanohana, nira e shungiku, para sua viagem. Muito metódico, tomava o desjejum, pegava um táxi para chegar, em média, uma hora antes do trem estar na estação.

Segundo Homma Sensei, no Hombu Dojo, nos três ultimos anos da vida de O'Sensei, os Uchidedeshii que lá ficavam, eram os discípulos de Kisshomaru Ueshiba Doshu, além do Senhor Mitsuo Tsunoda, que o zelador e quem fazia toda a manutenção; porém este não praticava Aikido.

Um relato curioso no artigo, é que o autor nos conta que algumas vezes, quando estava em Tóquio, à caminho do Hombu Dojo, Mestre Ueshiba caminhava lentamente e quase debilmente; ao contrário do que acontecia em Iwama, aonde apresentava passos fortes e decididos, com um caminhar muito elegante e vigoroso. Parece que o tempo que o Fundador dedicava na preparação e participação em suas cerimônias no Santuário Aiki de Iwama era muito especial, pois Homma Sensei, relata em outro artigo, que as ações do Mestre sempre precisas e cheias de vigor. Morihei Ueshiba O'Sensei parecia demonstrar que as suas atividades no santuário Aiki traziam muita alegria ao seu coração e à sua alma.

Mesmo no Hombu Dojo, O'Sensei mantinha sua rotina; quando era cerca das seis horas da manhã, subia para a cobertura descampada, na época com três andares, para fazer suas orações para Amaterasu O Kami.

Penso, que a cada dia, sabemos um pouco mais sobre a vida de O'Sensei que nos faz compreender sua obra e Arte Marcial; cada etiqueta e técnicas tem todo uma história, que chega até nós.

Bom fim de semana à todos.

Oss.

 Baseado em artigos de Gaku Homma Sensei, como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 2

Habitualmente, toda manhã, o kimono e o hakama formais do Fundador, sempre estavam devidamente prontos, esperando por ele, assim que terminasse seu banho. Também era dever de Homma Sensei ajudá-lo a se vestir para a cerimônia que se seguia. Chovesse ou fizesse sol, o Fundador realizava sua cerimônia matinal diária. Se estivesse chovendo, Kikuno e Homma iriam segurar um guarda-chuva para ele andar debaixo. Ambos os jovens, não tinham guarda-chuvas. Segurando um pequeno tabuleiro chamado de 'sambo' carregado com três pequenos pratos; um contendo sal, um contendo arroz e um contendo água, o Fundador caminhava energicamente para o caminho do Aiki Shrine. Seu passo era seguro e vigoroso, seu equilíbrio era perfeito enquanto ele segurava o 'sambo' diante dele. O'Sensei se alinhava impecável em sua caminhada; era difícil acreditar em momentos como este que ele tinha 85 anos de idade.

À medida que o Fundador se aproximava do Santuário Aiki, ele passaria sob o portão de santuário ou tori.  Kikuno e Homma não eram autorizados  passar diretamente sob o portão para que pudessems caminhar ao redor da porta para a direita e deviam estar à frente, para abrir o santuário. Deveriam abrir a porta santuário no lado direito da Honden (edifício principal), entrar, e rápidamente, abrir silenciosamente as portas deslizantes para tranquilamente para o Fundador entrar tranquilamente. Uma vez que ele tinha entrado no Honden,  silenciosamente fechavam a porta atrás dele. Na parede oposta, atrás do santuário havia outra porta de correr que quando aberta revelava a visão do okuden, que era uma estrutura menor que abrigava o santuário principal. Antes dos jovens encontrarem seus lugares perto da entrada do santuário, deviam acender as velas. O Fundador, geralmente, ficava cerca de 25 minutos orando nessa cerimônia matinal. Uma vez por mês havia uma cerimônia especial chamada Tsukinami Sai. Essa cerimônia durava até uma hora, e o santuário era adornado com oferendas de frutas, legumes, alimentos secos e peixes. Nenhum produto animal fora jamais utilizado como parte desta oferta especial. 

Durante a cerimônia diária os dois jovens ficavam em seiza, com ascabeças inclinadas sem tocar o chão. Esta posição era dolorosa para os joelhos e bastante cansativo para mantê-la. As orações recitadas pelo Fundador, e depois usava um Jo, como na cerimônia de oferenda de Jo no mai (ou Movimento Jo)*

O Jo que ele usava, segundo o relato, era de comprimento regular, porem uma das extremidades tinha sido afiada. Parecia um comprimento de uma lança que tinha sido cortada diagonalmente com uma espada. Se ele não usava um Jo, ele às vezes usava um shaku, que é um instrumento de madeira em forma de pá usada em cerimônias Xintoístas. realizando movimentos como se fosse um Tsurugi (a Espada dos Deuses de acordo com a tradição Xinto). Depois que o Fundador terminava sua oração da manhã no Santuário Aiki, voltava para o jardim da frente do dojo, para rezar em um hokora (pequeno santuário) dedicado ao deus Ushitora no Konjin. Esse deus era um deus pessoal do Fundador, que sempre carregava com ele, segundo o relato. Em suas viagens para Hokkaido, O'Sensei dedicou um novo templo chamado Kami Shirataki Jinja, que fundou na aldeia de Shiratake. Homma Sensei acreditava que o Fundador carregava com ele o espírito da divindade. Para concluir sua cerimônia matinal, o Fundador, em seguida, ficava ereto, segurando o seu shaku, e olhava diretamente para o sol. Não importa se era um dia claro, ou o sol estava obscurecido por nuvens, ele levantava seu rosto em direção ao sol e olhava diretamente para ele. Ele iria oferecer orações para Amaterasu O Kami, a deusa Xinto do sol. Seus discipulos acreditavam que o olhar poderoso que o Fundador possuía viera deste ritual diário continuo.

Hoje, no Iwama dojo, um estacionamento, e a cozinha dos Uchideshi, ficam aonde era a horta do Fundador. Este jardim foi plantado para o consumo familiar e tratavam com muito cuidado. Depois de terminar sua cerimônia matinal o Fundador, ainda vestido com seu traje formal de kimono e hakama, se dirigia para o jardim. Em abril, brotavam os novos nira, nanohana, daikon e kabu prontos para serem colhidos. O Fundador iria examinar cuidadosamente as verduras e dizer quais poderiam ser utilizadas como acompanhamentos nos pratos daquele dia. O'Sensei orientava quais as mudas que necessitavam de atenção, que necessitavam de podas, para crescerem com força; ensinava que após a poda do nira, deve-se pisar os pés de nira remanescentes e, em seguida, molhar com água que sobrou da lavagem do arroz. Isso garantiria um novo crescimento saudável. O café da manhã consistia principalmente de congee (um mingau de arroz suave) com mochi (bolo de arroz moído). Os pratos de acompanhamento consistiam de vegetais, com folhas frescas recem colhidas da horta e preparados de forma muito simples. O Fundador não retirava seus trajes formais antes de tomar seu café da manhã. Para ele, realizar essa refeição era parte de sua cerimônia da manhã. Depois do desjejum, era o momento de atribuir tarefas matinais para os discipulos realizarem enquanto o Fundador descansava. À poucos quarteirões do dojo,o Fundador possuía uma horta de arroz.
Como Homma Sensei não sabia quando o Fundador chamaria à ele e Kikuno para a prática do Aikido, sempre usava a parte de cima do meu keiko-gi com minhas calças de trabalho, prontos para treinar.

Nos dias de tempo bom e clima agradável, às vezes o Fundador costumava se sentar perto de uma janela aberta e lía o seu jornal no calor do sol da manhã. Ou, pedia para abrirem
as portas do dojo, e deitavasse na esteira do dojo, sem o seu hakama, e repousava ao sol. Em Iwama, eu sabia que o Fundador que cochilava ao sol como um homem idoso normal; ao contrário de quando estava em Tóquio.
Quando O'Sensei estava se sentindo bem, chamava os jovens para a prática de Aikido, ele gostava especialmente de praticar suwarewaza - shomen uchi ikkyo, e, em pé, ai hanmi katatetori iriminage omote.

* O termo Jo-n0-mai está relacionado com a "Dança dos Deuses" ou Kagura, que é uma forma de teatro e dança característicos do Xintoísmo e que se realiza em cerimônias e festas importantes; cujas origens são muito antigas e estão ligadas as raízes do Teatro Noh. Originalmente era realizada no palácio do Imperador por sacerdotisas, representando o mito da divindade do sol, Amaterasu. O termo mai, pode ser considerado uma dança, porem é uma movimentação quetem uma significação abrangente e pode ser chamado de a fundação do forma. Jo-no-mai é uma "dança" extremamente lenta, pois o termo Jo, aqui, significa "o inicio". Mai significa "dança", uma movimentação corporal típica da representação das divindades no Kagura e Noh).

(Continua)


 Baseado em artigos de Gaku Homma Sensei  como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

sábado, 10 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 1

Este relato de Gaku Homma Sensei nos conta, como é estar junto de Ueshiba O'Sensei, relembrando fatos de abril de 1968, em Iwama. É uma descrição repletas de detalhes, talvez desconhecidos pela maioria das pessoas. O texto é longo,por isso foi dividido em várias etapas, devido a riqueza de fatos, é como estar junto do Mestre Morihei Ueshiba. A tradução, foi feita atenciosamente, com adaptações para a lingua portuguesa, para não perdermos nenhum detalhe da rotina diária de Mestre Ueshiba.  


Em 1968, com a idade de 85 anos , o Fundador habitava em uma nova adição à Iwama Dojo. Sua esposa Hatsu dormia no quarto ao lado. Fora da sala principal para um lado foi uma pequena sala onde Kikuno dormia. Exceto pelos quatro, ninguém vivia alí naquele período. Ao contrário de Iwama Dojo de hoje, havia poucos Gasshukus (acampamentos de Aikido) para encher o dojo com uma multidão de estudantes de olhos brilhantes que vinham de longe. Saito Shihan e sua família morava em outra casa ao lado. Naquela época, a família de Saito Shihan não possuia um restaurante ou outras empresas, apenas uma lavanderia de gerência familiar. Naqueles dias,era convenção o encanamento ser externo e a dependência sanitária das famílias ficava adjacente à casa. Situado externamente à esta dependência, existia um makiwara (um poste envolto com um acolchoado usado por karatekas para o treinamentos de golpes). Durante um seminário Saito Shihan realizou em Denver, ele nos disse que, quando era jovem, ele costumava praticar karate. Em 1968, a terra entre a estação de trem de Iwama e o dojo foi reflorestada com castanheiros e moitas de bambu.Em abril os castanheiros entrariam em floração, lançando um forte cheiro de castanhas no ar. Bambus de até quatro polegadas de diâmetro iriam brotar em todos os lugares, às vezes no meio de ruas lotaadas de terra. Nativos da região, também foram pessegueiros, cujas flores decoravam a primavera. Hoje, casas e comércios substituíram muitos dos castanheiros e florestas de bambu.

Quando o Fundador estava em Iwama, ele dirigia a maioria das aulas noturnas no dojo. Prática noturna começava às 19 horas. que ele iniciava depois de jantar, por volta das 17 horas. O fundador geralmente não tomava seu banho à noite; seu banho era, normalmente, pela manhã, na maioria das vezes, da manhã. Por causa de sua idade, a dieta do Fundador era simples. Ele sempre fazia suas refeições junto com sua esposa Hatsu. O casal parecia apreciar suas refeições em conjunto, e o Fundador era, algumas vezes, brincalhão. Com seus pauzinhos ele iria pegar um bocado de comida e colocá-lo no prato de sua esposa. "Omahan tabe yoshi" (aqui, você coma isso) ele iria provocar em seu dialeto local de Kishu. Ela, de brincadeira, pegava o bocado e colocava de volta no prato dele, exclamando, "Não, você coma isso". Era uma brincadeira doce entre os dois. Mesmo que a dieta do Fundador fosse simples, ele também, ocasionalmente, comia os alimentos "modernos", como arroz com curry. O Fundador costumava comentar que o curry era muito bom, e feito para um movimento intestinal saudável. O Fundador e sua esposa faziam suas refeições em um quarto localizado diretamente atrás do altar do Dojo. O quarto era pequeno, com um piso de madeira. Uma pequena mesa de cerca de três pés por dois pés com pernas dobráveis
​​de dez polegadas foi feita para cada refeição. Todos os quatro comiam as refeições juntos. Em um canto da sala pequena tinha uma pequena pia sobre dois pés por um pé de largura. A pia tinha uma única torneira que correu apenas água fria; a única água quente nos quartos, era aquecida com a mão antes de servir.O Fundador também usava esta pia para lavar o rosto e escovar os dentes. As acomodações eram simples em Iwama, a única pia de água fria servindo tanto como pia da cozinha e lavatório. Ao lado da pia havia um pequeno queimador de gás propano onde foram preparadas as refeições simples. Nos velhos tempos, não havia, claro, televisão ou rádio. O Fundador, geralmente, se retirava para dormir antes das 21 horas, cada noite. Em abril, as noites eram por vezes frias, mas o Fundador se recusava a usar um cobertor elétrico. Após entrar no futon, O'Sensei pedia ao jovem Homma para ler em voz alta para ele um texto da Omoto Kyo: Rei Kai Monogatari.

O Fundador acordava toda manhã antes das 6 horas. Se ele não tomava um banho completo, ele lavava seu rosto no lavatório, usando água temperada de água fria da torneira com água fervida. Se o Fundador era tomar um banho completo na manhã seguinte, meu dia começava de forma diferente. Em dias de banho, às 5 horas da manhã. para acendiam o fogo da lenha, que aquecía a água para o banho. O local de banho consistia em um ambiente fechado, com uma plataforma de madeira elevada, equipado com um grande vasilhame de ferro que era preenchido com água fria. Uma fogueira era acesa do lado de fora da casa de banhos diretamente sob o pote. Como a água aquecida, o fundo da panela se tornaria demasiado quente para alguém pegar. O pote tinha uma estrutura de madeira flutuante que era utilizado para se levantar, ou usariam geta (sapatos de madeira) para o banho! Em japonês essas banheiras de metal eram chamadas de "goemonburo". Originalmente, a palavra se refere a um ladrão famoso chamado Goemon Ishikawa que foi cozinhado vivo em um pote de metal como punição por seus crimes. Mesmo na década de 1960, o goemonburo eram comuns na maioria dos lares. Para suavizar a água, a Kikuno iria entrar na banheira primeiro para a "massagem ou amassar a água". Isso é chamado de yumomi, em japonês.

Enquanto o fogo ardia, o jovem deveria varrer os caminhos em frente ao dojo e do santuário com uma grande vassoura de bambu. Geralmente no meio para o final de março, o caminho para o Santuário seria coberto com flores de cerejeira caídas. Quando as flores caíam, o jovem não varria o caminho, a fim de não perturbar a beleza natural das flores espalhadas. Como o Fundador fazia o seu caminho até a via recém-varrida, suas pegadas eram as únicas a serem vistas. Simbolicamente era importante varrer todas as manhãs para limpar um pouco de sorte má ou maus espíritos antes do Fundador começar a sua cerimônia matinal de orações. "

(Continua)


Baseado em  artigos de Gaku Homma Sensei  como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

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