Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Chinkon Kinshin no Ho

O método Chinkon Kinshin é considerado um Misogi, que é uma prática xintoista purificação baseado no poder universal do Ki em movimento; que foi incorporada em algumas artes marciais. Esta técnica era muito difundida pelo monge Kawatsura Bonji que foi visitado algumas vezes por Morihei Ueshiba O'Sensei; além de ser comum na Omoto Kyo. O significado de Chinkon seria auietar e acalmar o espirito, conforme escreveu John Stevens Sensei.

O método de Chinkon Kinshin é composto por várias práticas a saber:

- Furitama: Este é um exercício de vibração e purificação, que era e ainda é praticado nas cachoeiras, como em Iwama, que Ueshiba O'Sensei também inseriu na pratica dos treinos. Pode ser iniciado em seiza,quando no Dojo, se entoando o Norito Sojo; estando de pé, na posição vertical, os pés devem estar alinhados com os ombros, mão juntas ( alguns acham que se deve visualizar uma bola de energia entre o espaço vazio das mãos, que cresce). As mãos, que estão na altura do Hara, começam a ser agitadas, para que o corpo todo vibre, pois, teoricamente, esta energia ativada no Hara, alcançaria a coluna vertebral e se transmitiria pelo corpo inteiro.

- Ame Torifune ou Kogi-Fune-Undo, simula o ato de remar em pé, na maneira oriental de remar nos botes; servindo para educar o Ki a circular pelos canais de energia do corpo Em aikido, ele serve para educar o Ki e circulam por todo o corpo. De pé, quan do olhamos para a direita, avançar o pé direito; quando for para a esquerda, avançar o ppé esquerdo; porem sempre lembrando que o movimento começa à partir do Hara e dos quadris. Geralmente, se utilisa Kototamas, entoados de maneira forte (como Es-Sa Es-Sa); projetando os braços para frente dizer Es, ao recolher dizer Sa. Mestre Ueshiba costuma fazer este exercício, segundo John Stevens Sensei, entoando: I (braços para frente) Ku (recolhendo os braços) Mu (braços para frente) Su (recolhendo os braços) Bi (braços para frente). Em muitos dojos, se pratica pronunciando Ho ao projetar os braços e pronunciando Ei aos recolhê-los.

- Otakebi, também considerado a exclamação da vitória, é praticado ainda de pé, com as mãos nos quadris, exclamando as seguintes invocações por três vezes: Ikutama, Tarutama e Tama-Tama-Tamaru (ou Tama-Tomaru-Tama). Geralmente são seguidos pela invocação de divindades xintoístas. Ueshiba O'Sensei achava que esta invocação, acalmava o ambiente da prática.

- Okorobi, também considerado outro rito de purificação, com a mão esquerda no quadril e a mão direita em Mudra da Lança; fazendo o movimento de corte. Pode ser considerado como uma prática para harmonizar o ambiente.

- Ibuki Kokyu no Ho, que é a respiração profunda do corpo. Com os pés afastados na largura dos ombro, com as mãos ao longo do corpo, para baixo na postura de Chi no Kokyu (ou respiração da terra), ao mãos vão se dirigindo para a linha mediana do corpo, enquanto inspiramos, até tomar a posição de Gashô entre o Naka no Tandem e o laringe. Continuando lentamente elevando as mão, até ficarem unidas acima da cabeça em Ten no Kokyu (respiração do céu). Então, lentamente, comece a abaixar as mãos e expirar devagar, até retornar a postura inicial de Chi no Kokyu.

Boa Prática.

Oss.



Baseado em artigos de John Stevens Sensei, sobre Kawatsura Bonji, Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Caminhos de Espiritualidade de Mestre Ueshiba - Parte 3

Para ir ao Grande Santuário de Ise, utiliza-se a rota "Iseji". Esta rota liga Ise Jingū (Santuário de Ise), local sagrado que está fora da Província de Wakayama, com a Kumano Sanzan, que passou, após o século 17, tornou-se uma rota como parte da peregrinação Saikogu; o primeiro templo é Seiganto-ji, um templo que está intimamente relacionado com o Kumano Nachi Taisha.

Já Magose Toge forma a fronteira entre Miyama-cho e a cidade Owase. Um trajeto de pedra coberto de musgo se estende cerca de 2 km no belo floresta cipreste coberto com samambaias. Esta rota leva a Tengura-san com uma pedra enorme na ponta. Há um pequeno túnel logo abaixo da pedra onde você pode entrar, para se ter vista panorâmica da cidade de Owase. Magose-koen é um caminho conhecido por seu trecho das cerejeiras em flor, na época da Primavera.

Mestre Hikitsuchi diz se recordar que Ueshiba O'Sensei, além da prática do dois Furutama e o Amano Torifune, era comum nos anos 50, Okorobi, Ikubi no Ho, Otakebi ; exercicios relacionados ao Chinkon Kishin no Ho. Esta prática era associada ao monge Kawatsura Bonji (1862 - 1929), que se relata em artigos que foi visitado algumas vezes por Morihei Ueshiba O'Sensei. Este monge é o fundador da instituição religiosa Dainippon Sekaikyō Miitsukai ou, apenas, Miitsukai, grande estudioso das praticas do Misogi, como o Chinkon Kishin no Ho, exercícios estes já conhecidos desde o período que Nara era a capital do Japão; que devido aos esforços de várias pessoas, como Imaizumi Sadasuke, estas práticas do Misogi vieram a ser adotadas pela Jingū Hōsaikai (uma associação de devotos do Grande Santuários de Ise) e Taiseiyoku Sankai ( uma associação imperial).

Estes fatos nos ajudam a entender muito dos ensinamentos de Mestre Ueshiba, que, segundo relatos, aos 7 anos de idade foi enviado para um templo Shingon em Jizodera, aonde estudou a vertente Mikkyo, fundada por Kūkai. Sobre Kūkai, Mestre Ueshiba escreveu: " O Budismo Esotérico de Kūkai, é incomparavelmente muito mais complexo e avançado do que o Xintoísmo, apresentando com este último muitos pontos em comum. Entre eles, a idéia da unidade do homem e da natureza e da crença na eficácia mágica da palavra (Shingon no primeiro, Kototama no segundo). Era natural, portanto, que um dia Budismo esotérico está intimamente associado com o Xintoísmo."

Bom fim de semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Hikitsuchi, Morihei Ueshiba O'Sensei e sobre os Caminhos de Kumano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Caminhos de Espiritualidade de Mestre Ueshiba - Parte 2

A rota "Kohechi", que tem um traçado interessante, indo de norte a sul, com cerca de 70 quilômetros, liga Koyasan à Kumano Sanzan. É o caminho mais curto para conectar Koyasan Kumano, mas é uma caminhada difícil, pois tem que atravessar locais com mais de 1.000 metros de altitude. Vai até uma região próxima do sul de Osaka, aonde encontramos o Monte Kōya, importante localidade na história do Budismo, e ao mesmo tempo das Artes Marcais (como Aikibudo, Aikido e Shin'ei Taido) por ter seu nome ligado ao célebre Monge Kūkai. Em 816, o Imperador Saga aceitou o pedido do Kūkai de estabelecer um refúgio espiritual em Kōya, para afastar-se de assuntos mundanos. O terreno foi oficialmente consagrada no meio do ano de 819 com rituais que duraram sete dias, mas de fato, o projeto só foi plenamente realizado depois da morte de Kūkai em 835. Este monte é conhecido como a sede mundial da seita Kōyasan Shingon do Budismo japonês; localizado à 800 metros de altura, em um vale entre oito picos da montanha.

A visão de Kūkai foi que Monte Kōya viria a se tornar uma representação dos dois mandalas que formam a base de Shingon Budismo: o planalto central como a Mandala Reino do Ventre, com os picos que cercam a área como pétalas de uma flor de lótus; e localizado no centro de esta seria a Mandala do Diamante na forma de um templo que ele chamou Kongobu-ji ou Templo do Pico do Diamante. No centro do complexo do templo encontra-se uma enorme estátua de Buda Mahavairocana que é a personificação da Realidade Última.

A região montanhasa de Kōya é o lar de os seguintes locais famosos:

Okunoin, o mausoléu de Kūkai, rodeado por um imenso cemitério (o maior no Japão)

Danjogaran, considerado como o coração do Monte Kōya.

Konpon Daitō, um pagode que, segundo a doutrina Shingon representa o ponto central de uma mandala que abrange não só este Monte, mas todo o Japão

Kongobu-ji, o templo chefe do Budismo Shingon Kōyasan.

Kōyasan chōishi-michi, a rota tradicional até a montanha

A Estela Nestoriana ou Pedra de Nestorian, que é uma estela chinesa da Dinastia Tang, erigida em 781 que documenta 150 anos do início do cristianismo na China, com texto em chinês e siríaco descrevendo a existência das comunidades cristãs em várias cidades do norte da China.

(Continua)

Baseado em artigos sobre Mestre Hikitsuchi, Morihei Ueshiba O'Sensei e sobre os Caminhos de Kumano.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Caminhos de Espiritualidade de Mestre Ueshiba - Parte 1

Como sabemos, a Wakayama, é um local que possui uma forte tradição de espiritualidade, tanto xintoísta como budista, por muitos séculos, sendo que a cidade natal de Ueshiba O'Sensei, Tanabe, fica situada nesta região, Província aonde se situa, também, Shingu. O'Sensei nasceu, foi criado e viveu imerso nestas tradições religiosas, sendo a sua concepção associada ao fato de seu pai fazer uma peregrinação ao Grande Santuário Kumano Hongu e ficou orando por 21 dias; fato este, que segundo os Ueshiba, fez com que fosse concedido a gestação e o nascimento do único filho varão da família. Podemos aventar que muitas das tradições desta região devem estar presentes na história e na prática do Mestre Ueshiba.

A cidade de Tanabe está localizada na região costeira e cercada por montanhas, sendo o ponto de partida da Kumano Kodo, que é uma série de antigas rotas de peregrinação que cruzam a Kii Hanto, a maior península do Japão. Essas trilhas sagradas ainda são usadas ​​para a peregrinação ao local sagrado "Kumano Sanzan" ou a três grandes santuários de Kumano: Kumano Hongu Taisha, Kumano Nachi Taisha e Kumano Taisha Hayatama. As rotas de peregrinação Kumano Kodo podem ter três sub-rotas: "Kiji", "Kohechi" e "Iseji". São considerados "Locais sagrados e peregrinação da Rota das Montanhas Kii" (patrimônio mundial pela Unesco), compreendendo Kumano Kodo, Kumano Sanzan, Koyasan, Yoshino e Omine.
 O'Sensei fazia constantemente peregrinações por estas localidades, geralmente aonde encontraria templos para orar e cachoeiras para meditar (ou para suas práticas de purificação).

A rota "Kiji" corre ao longo da costa oeste da península da cidade de Tanabe, onde se bifurca em duas rotas: Nakahechi e Ohechi. Se seguirmos por Nakahechi, vamos para as montanhas do interior, em direção à Kumano Hongu Taisha. Se seguirmos por Ohechi, continuaremos para o sul ao longo da costa. Nakahechi era a rota mais popular para peregrinações de Kyoto, a antiga capital do Japão. Os primeiros registros da utilização desta rota data do início do século 10, que começa no Takijiri-oji que é considerado o ponto de entrada para a área sagrada de Kumano; cerca de 40 km de região montanhosa antes de chegar à mística Kumano Hongu Taisha. A maioria das peregrinações duram dois dias de caminhada, devido ao tipo de terreno. Em Chikatsuyu-oji é o local que a maioria das pessoas passam a noite, para continuar no dia seguinte a sua peregrinação.

Em Hongu, os peregrinos costumavam fazer rituais de purificação em Yunomine Onsen; aonde podemos encontrar Tsuboyu (uma pequena cabana de madeira), que fica ao lado do riacho que atravessa esta vila. No interior desta cabana, encontramos uma banheira natural escavada na pedra, que no período de estações mais quentes, quando a água límpida do riacho não está gelada, é possível banhar-se, seja para rituais de purificação ou procurar os efeitos curativos lendários. O Kumano Kodo rota Dainichi-goe liga Kumano Hongu Taisha com Yunomine.

A partir de Kumano Hongu Taisha a maioria dos peregrinos percorre de barco o rio Kumano para Kumano Taisha Hayatama na cidade costeira de Shingu. Esta seção 40 km do Kumano Kodo é também Patrimônio Mundial e o único rio como rota de peregrinação do mundo considerado Patrimônio Mundial da UNESCO. Há também uma rota terrestre que liga Kumano Hongu Taisha com Kumano Nachi Taisha. A maioria dos peregrinos levam dois dias para completar esta caminhada, podendo ficar na pequena cidade de Koguchi. O trecho entre Hongu e Koguchi é chamado de Kogumotori-goe e a seção entre Koguchi e Kumano Nachi Taisha é chamado Okumotori-goe.

(Continua)

Baseado em artigos sobre Mestre Hikitsuchi, Morihei Ueshiba O'Sensei e sobre os Caminhos de Kumano.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei - Video Histórico

Este vídeo nos mostra a história de Mestre Hikitsuchi, com relato do próprio Mestre, assim como sua prática e ensinamentos.

Boa prática.

Oss.




sábado, 24 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei - Parte 2

Quando O'Sensei, ia visitar Shingu, ficava sempre junto de Michio Hikitsuchi, conversando sobre as divindades, sobre s livros da Tradição; o que seria o tema do inicio de todas as aulas; sempre usando uma linguagem derivada do Xintoísmo antigo, expressa no dialeto da região da antiga Kishu, atual Wakayama.

Um aspecto desta região, é que no passado, as três grandes montanhas que têm o nome de Kumano Sanzan, tem uma lenda que essas montanhas foram a morada de três deuses e há três grandes santuários: o Kumano Hongu Taisha, o Kumano no Nachi e o Hayatama Jinja em Shingu; sendo que nos três santuários se reverencia Susani no kami ouTakebayashi, o irmão de Amatersu Omikami.

Ueshiba O'Sensei, considerava de gande impotância o estudo dos nomes das divindades, pois eram recitados por ele em todas as suas invocações, o que resultou na prática do Kototama, já que o nome de cada kami teria uma grande ressonância no ambiente em que era entoado. O Fundador afirmava praticar o Kototama era praticar Aikido, já que os sons entoados do Kototama, atuariam sobre o corpo, ativando o fluxo energético.

O'Sensei gostava muito de região do Dojo de Hikitsuchi Sensei, pois embora nascido em Tanabe, tem um fato que liga seu nascimento à Kumano: seus pais, só tinham tido três filhas meninas, e era um grande desejo da familia ter um filho hoomem. Foi então, que o senhor Yoroku Ueshiba fez uma peregrinação ao Grande Santuário Kumano Hongu e ficou orando por 21 dias. Logo após este fato, a senhora Ueshiba deu a luz aofilho homem, em 14 de dezembro de 1883.

Quando no Dojo de Shingu, o Fundador falava com seu discipulo Michio: "Eu sou a criança enviada pelo kami de Kumano"; ou ainda: "Aikido é a manifestação do Sopro Divino das divindades de Kumano"

O Fundador visitava Shingu toda vez que a oportunidade surgia, sempre instruindo e guiando Michio Hikitsuchi, tanto no Kumano Juku Dojo como na sua espiritualidade; em troca este se dedicou de coração a Ueshiba Sensei, levando-o a orar centenas de vezes no Grande Santuário Kumano Hongu.

É relatado, por Mestre Hikitsugi, que O'Sensei ira na cascata próxima do Santuário de Kumano no Nachi, para ficar contemplando e para rituais de Misogi.

Em janeiro de 1969, três meses antes de sua morte, Mestre Ueshiba faz sua ultima visita ao Dojo de Shingu, quando interrompe uma aula, e diz a Hikitsuchi Sensei, em frente aos praticantes, segundo é dito em vários artigos:

"Eu te dei tudo Michio San. Hoje eu lhe dou o 10º dan." O Fundador disse que a partir daquele instante, Hikitsuchi Sensei devia apresentar-se como quem recebeu diretamente o Décimo Dan do Mestre Ueshiba.

Hikitsuchi-Sensei, após a morte de Morihei Ueshiba, considerou que sua missão era levar a palavra do Fundador ao mundo; foi por isso que ele foi para a França em 1984. Suas aulas e seminários, eram muito claros graças às suas explicações, apresentando as técnicas simples com uma energia bastante surpreendente e uma alta precisão. Demonstrava os princípios do Fundador, fazendo questão de recitar as orações todas as manhãs antes da aula começar, diante da foto do Fundador, e parecia purificar o lugar da prática,com tais exercícios como Shinkon Kishin no Ho , que dizia que método era para acalmar a alma e voltarnos para Deus; o que era muito conhecido de quem prativava Aikido, em parte, com exercícios de Torifune e Furotama.

Mestre Michio Hikitsuchi, faleceu em 02 de fevereiro de 2004, ficando como instrutor chefe do Kumano Juku Dojo participando das aulas, até o final dos seus dias. Sempre fez questão de manter viva as palavras do Fundador de "ensinar aikido era certamente à sua maneira uma forma de aliviar o sofrimento das pessoas, pois o Aikido foi criado para o mundo inteiro se tornar uma grande família e isto é certo que, se essa utopia penetrar no coração dos seres humanos."

Termino com um ensinamento de Mestre Hikitsuchi:

" O Verdadeiro Aikido acontece em um instante, no instante em que ele pensa em me atacar, ele é levado para um lugar aonde ele próprio é atingido.Isso nunca acontece se ele me agarra primeiro, após isto é que eu começo a descobrir o que fazer. No momento em que ele pensa para me atacar, a questão é decidida".

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Michio Hikitsuchi e entrevistas do Mestre

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Hikitsuchi Sensei e Ueshiba O'Sensei - Parte 1

Hikitsuchi Michio Sensei era o instrutor chefe do Kumano Juku Dojo, da cidade de Shingu, Prefeitura de Wakayama, por 15 anos. Nasceu em 14 de julho de 1923, pequena cidade de Shingu, provincia de Kishu, situada na península de Kii, no seio de uma famila de descendencia Samurai ficando; porém, ficando órfão aos 7 anos de idade, passa a ser criado por sua avó. Esta senhora, tinha a maestria no manejo de naginata, e o inica na prática marcial. Sua educação e treinamento serão rígidos, para trabalhar tanto o espirito como o corpo; o jovem devia dedicar-se plenamente aos exercícios corporais, visando amadurecê-lo e colocá-lo apto à enfrentar adversidade, o mais cedo possível. Aos 9 anos de idade inicia a prática de Kendo, e, por anos, teria praticado Jujutsu, Kenjutsu, Jukendo, Iaido, Karetê-Do, Bojutsu; sempre sob os olhos de sua avó.

Aos 14 anos de idade, em 1936 (lembrar que antigmente no Japão, o periodo de gestação contava como mais um ano na idade), o jovem é apresentado à Morihei Ueshiba Sensei, por sua avó, já que este era amigo dela; na época era necessário ter mais idade para treinar com o Mestre Ueshiba,porém ele abriu uma exceção para Michio. Michio se tornou discípulo de Morihei Ueshiba por 40 anos, recebendo do Mestre a permissão por escrito para transmitir a Técnica de Manejo do Bastão Longo (Masakatu Bojutsu) e da Técnica do Manejo do Sabre (Choshokubai no ken).

Mestre Hikitsuchi dedica grande parte de sua vida ao estudo da mitologia e tradições japonesas, além dos rituais de purificação (misogi, harai) assim como dos estudos de epiritualidade xintoista, com suas orações. Quando mais velho, celebra cerimonias, utilizando um shaku, como fazia seu Mestre Ueshiba. Lembrar que o shaku é uma tradição do período de Nara, tido como um simbolo dos sacerdotes.

Hikitsuchi Sensei decide, em 1949, dedicar-se apenas ao Budo do Mestre Ueshiba, ao Budo do Amor, como ele e o Fundador, assim designavam, abando nando todas as outras. Ele irá, a pedido do próprio Morihei Ueshiba, construir um dojo em Shingu; aonde registrará todas as explicações do Fundador durante suas aulas que ele profevessava em Shingu sobre cada dois meses, porque Hikitsuchi Sensei queria compreender tudo o que era dito por O'Sensei.

O estudo do Kojiki, passou a ser primordial, quando Mestre Ueshiba que era necessário estudá-lo para entender o Aikido.

De acordo com Clint George, um dos peimeiros discipulos de Mestre Hikitsuchi, que treinou em seu Dojo em Shingu por 15 anos a técnica denominada de "Shingu bojutsu" consistia de quatro níveis:

• Ikkyo - estudo das formas fundamentais

• Nikyo - estudo das formas, que explora o movimento circular

• Sankyo - estudo das formas que explora a tridimensionalidade e o movimento esférico

• yonkyo - Jiyuwaza - livre circulação de movimento, sem movimentos esteriotipados ou coreografados.

Hikitsuchi impressionava os outros professores em Shingu por causa de sua capacidade de recitar quase textualmente os discursos Ueshiba O'Sensei. Ele também tinha conhecimento extensivo do xintoísmo Norito (cantando) e dos ensinamentos espirituais do Kojiki; cuja reverência de para com Morihei Ueshiba e sua mensagem, era total.

Quando o Japão perde a guerra, o comando das tropas americanas de ocupação, proibe a prática de Artes Marciaisem 1945, que só foram liberadas em 1951; o Aikido foi a primeira a Arte a ser liberada, segundo Hikitsuchi Sensei, sendo que o primeiro local a ter o retorno da prática foi Kumano;por isso ser considerado um dos berços desta Arte Marcial por muitos.

(Continua)

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre Mestre Michio Hikitsuchi e entrevistas do Mestre.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Prática Fura-mai de Ueshiba O'Sensei

Como lemos anteriormente, Homma Sensei relatou que Mestre Morihei Ueshiba praticava o movimento Jo-no-mai, pela manhã, após a cerimônia matinal no santuário, o que despertava muita atenção. Embora muitos atribuam este fato ao Kagura ( ou Kagura-mai), designado como a Dança dos Deuses, Hikitsuchi Michio Sensei (que foi Uchideshi de O'Sensei, por cerca de 40 anos), relatava que O'Sensei designava esta prática como Fura-mai.

A Tradição do Teatro Noh apresenta os seguintes tipo de Mai: Chu-no-mai, Jo-no-mai (Movimento de tempo lento), Otoko-mai, Kami-mai (Dança dos Deuses), Gaku e Kagura. Porém esta prática é típica dos Santuários Xintoístas.

Kagura é a contração de Kami no Kura, que significa "aonde se recebe a divindade ou kami"; é também uma tradição Yamabushi.

Segundo a tradição, nos tempos imemoriais, Amaterasu Omikami (Divindade do Sol) escondeu-se em uma caverna, depois de brigar com seu irmão, Susano-o. a luz do Sol sumiu, e as outras divindades ficaram no frio e no escuro; o que os levou à dançar em volta da caverna para atrair a atenção de Amaterasu Omikami, para que ela saísse do esconderijo. assim,curiosa para ver o que acontecia, ela saiu da caverna e o sol voltou a brilhar; esta seria a origem do Kagura, porém existem diversas Mai

Podemos citar a Yama no Kami Mai, (Dança do Deus da Montanha), que é uma Hayachine no Kagura, dedicada ao irmão de Amaterasu Omikami, Oyamatsumi, que reina nas montanhas, nos mares e na guerra; na primavera é tido como o deus da agricultura. É durante a pratica da dança que ele exorciza os maus espíritos do ambiente, através dos gestos das mãos, conforme afirma a tradição. Esta cerimônia se realiza no Santuário de Hayachine, Prefeitura de Iwate.

Assim como existe a Kagura das Espadas, que comemora a vitória de Hoori Hoori no mikoto, também conhecido como Hikohohodemi no Mikoto, que na mitologia japonesa é o terceiro e mais jovem filho do kami Ninigi-no-Mikoto com a princesa Konohanasakuya-hime. Ele é um dos antepassados ​​dos Imperadores do Japão. Ele também é chamado Hohodemi e é mais frequentemente conhecido comoYamasachihiko ou o príncipe da montanha da fortuna.

Como Ueshiba O'Sensei incorporou vários elementos na sua prática, passou a denominar Fura-mai.

O'Sensei considerava o fator estético importante porém secundário, já que a finalidade seria a integração com a divindade e a harmonização com o movimento do Universo; por isso o movimento ser circular, reproduzindo o movimento circular que encontramos no Cosmos e na Natureza; que ele afirmava ser um processo interligado com a prática do Aikido, pois é o ápice de um processo iniciado pela prática do próprio Aikido.

Segundo a Tradição, quando consultamos o Kojiki, um dos livros mais antigos do Japão, Kagura seria a mais antiga forma de dança no Japão, cuja origem nos levaria às raízes das nas danças míticos baseadas na cosmogonia japonesa.

Segundo Hikitsuchi Michio Sensei, Fura Mai (ou Kagura Mai) poderia ser definida como uma dança inspirada e de movimento circular, que através desta movimentação, se cria o fluxo de energia. Esta movimentação, traria uma harmonização com o movimento do Universo, como escreve Stanley Pranin Sensei, citando o próprio Fundador. Hikitsuchi Michio Sensei afirmava que Mestre Ueshiba dava suma importância para a esta prática, afirmando ser necessária a harmonia entre os praticantes, falando de uma dança tanto espontânea como geométrica: a bela ordem de Kagura-mai ou Fura -mai, surge não só da forma de círculo, mas também aos do quadrado e do triângulo, é o ato de não-cálculo e não-vontade consciente, mas um gesto "instintivo e intuitivo já implementado no inconsciente ".

Philippe Herr Sensei, define a prática do Fura-mai, executada pelo Fundador, como "Dança da Energia"

Artigos citam que o que vemos como um kata de Jo, na prática diária de O'Sensei, poderia ser a prática do Fura-mai, principalmente se tivermos uma das extremidades do Jo com a ponta aparada, semelhante a uma lança.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos sobre as tradições xintoístas e yamabushi japonesas, artigos sobre Hikitsuchi Michio Sensei e Ueshiba O'Sensei.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 3

Na parte da tarde, o Fundador se engajava outras atividades diferentes. Na primavera, ele, com sua esposa Hatsu, gostava de plantar amendoins na horta. A Senhora Hatsu, mesmo com sua idade avançada, que lhe acometia a coluna vertebral, adquiria uma postura que parecia estar quase dobrada ao meio, e mostrava toda sua habilidade no manuseio da enxadada, fazendo fileiras para o plantio habilmente , muito rápidamente; enquanto o jovem Homma adicionava adubo fresco nas fileiras de covas, para torná-las mais férteis para o plantio. O Fundador colocava, logo em seguida os amendoins frescos precisamente dentro da terra com seu polegar e o indicador. Gaku Homma Sensei atribui esta habilidade do Mestre da época de Hokkaido e dos anos, ele coordenou o plantio de hortas e as colheitas com a Omoto Kyo.

À noite, O'Sensei tambem dirigia práticas, fazendo questão que o jovem comparecesse, alegando que devia aproveiar todos os ensinamentos com ele, pois não ficaria para sempre.

Geralmente, uma vez por mês, o Fundador fazia uma visitar Hombu Dojo em Tóquio, porem não deixava de fazer a cerimônia matutina, que terminava mais cedo para poder viajar. As visitas mais demoradas, quando muito, demoravam quatro ou cinco dias. Gostava de na primavera, de colher folhas de daikon, nanohana, nira e shungiku, para sua viagem. Muito metódico, tomava o desjejum, pegava um táxi para chegar, em média, uma hora antes do trem estar na estação.

Segundo Homma Sensei, no Hombu Dojo, nos três ultimos anos da vida de O'Sensei, os Uchidedeshii que lá ficavam, eram os discípulos de Kisshomaru Ueshiba Doshu, além do Senhor Mitsuo Tsunoda, que o zelador e quem fazia toda a manutenção; porém este não praticava Aikido.

Um relato curioso no artigo, é que o autor nos conta que algumas vezes, quando estava em Tóquio, à caminho do Hombu Dojo, Mestre Ueshiba caminhava lentamente e quase debilmente; ao contrário do que acontecia em Iwama, aonde apresentava passos fortes e decididos, com um caminhar muito elegante e vigoroso. Parece que o tempo que o Fundador dedicava na preparação e participação em suas cerimônias no Santuário Aiki de Iwama era muito especial, pois Homma Sensei, relata em outro artigo, que as ações do Mestre sempre precisas e cheias de vigor. Morihei Ueshiba O'Sensei parecia demonstrar que as suas atividades no santuário Aiki traziam muita alegria ao seu coração e à sua alma.

Mesmo no Hombu Dojo, O'Sensei mantinha sua rotina; quando era cerca das seis horas da manhã, subia para a cobertura descampada, na época com três andares, para fazer suas orações para Amaterasu O Kami.

Penso, que a cada dia, sabemos um pouco mais sobre a vida de O'Sensei que nos faz compreender sua obra e Arte Marcial; cada etiqueta e técnicas tem todo uma história, que chega até nós.

Bom fim de semana à todos.

Oss.

 Baseado em artigos de Gaku Homma Sensei, como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 2

Habitualmente, toda manhã, o kimono e o hakama formais do Fundador, sempre estavam devidamente prontos, esperando por ele, assim que terminasse seu banho. Também era dever de Homma Sensei ajudá-lo a se vestir para a cerimônia que se seguia. Chovesse ou fizesse sol, o Fundador realizava sua cerimônia matinal diária. Se estivesse chovendo, Kikuno e Homma iriam segurar um guarda-chuva para ele andar debaixo. Ambos os jovens, não tinham guarda-chuvas. Segurando um pequeno tabuleiro chamado de 'sambo' carregado com três pequenos pratos; um contendo sal, um contendo arroz e um contendo água, o Fundador caminhava energicamente para o caminho do Aiki Shrine. Seu passo era seguro e vigoroso, seu equilíbrio era perfeito enquanto ele segurava o 'sambo' diante dele. O'Sensei se alinhava impecável em sua caminhada; era difícil acreditar em momentos como este que ele tinha 85 anos de idade.

À medida que o Fundador se aproximava do Santuário Aiki, ele passaria sob o portão de santuário ou tori.  Kikuno e Homma não eram autorizados  passar diretamente sob o portão para que pudessems caminhar ao redor da porta para a direita e deviam estar à frente, para abrir o santuário. Deveriam abrir a porta santuário no lado direito da Honden (edifício principal), entrar, e rápidamente, abrir silenciosamente as portas deslizantes para tranquilamente para o Fundador entrar tranquilamente. Uma vez que ele tinha entrado no Honden,  silenciosamente fechavam a porta atrás dele. Na parede oposta, atrás do santuário havia outra porta de correr que quando aberta revelava a visão do okuden, que era uma estrutura menor que abrigava o santuário principal. Antes dos jovens encontrarem seus lugares perto da entrada do santuário, deviam acender as velas. O Fundador, geralmente, ficava cerca de 25 minutos orando nessa cerimônia matinal. Uma vez por mês havia uma cerimônia especial chamada Tsukinami Sai. Essa cerimônia durava até uma hora, e o santuário era adornado com oferendas de frutas, legumes, alimentos secos e peixes. Nenhum produto animal fora jamais utilizado como parte desta oferta especial. 

Durante a cerimônia diária os dois jovens ficavam em seiza, com ascabeças inclinadas sem tocar o chão. Esta posição era dolorosa para os joelhos e bastante cansativo para mantê-la. As orações recitadas pelo Fundador, e depois usava um Jo, como na cerimônia de oferenda de Jo no mai (ou Movimento Jo)*

O Jo que ele usava, segundo o relato, era de comprimento regular, porem uma das extremidades tinha sido afiada. Parecia um comprimento de uma lança que tinha sido cortada diagonalmente com uma espada. Se ele não usava um Jo, ele às vezes usava um shaku, que é um instrumento de madeira em forma de pá usada em cerimônias Xintoístas. realizando movimentos como se fosse um Tsurugi (a Espada dos Deuses de acordo com a tradição Xinto). Depois que o Fundador terminava sua oração da manhã no Santuário Aiki, voltava para o jardim da frente do dojo, para rezar em um hokora (pequeno santuário) dedicado ao deus Ushitora no Konjin. Esse deus era um deus pessoal do Fundador, que sempre carregava com ele, segundo o relato. Em suas viagens para Hokkaido, O'Sensei dedicou um novo templo chamado Kami Shirataki Jinja, que fundou na aldeia de Shiratake. Homma Sensei acreditava que o Fundador carregava com ele o espírito da divindade. Para concluir sua cerimônia matinal, o Fundador, em seguida, ficava ereto, segurando o seu shaku, e olhava diretamente para o sol. Não importa se era um dia claro, ou o sol estava obscurecido por nuvens, ele levantava seu rosto em direção ao sol e olhava diretamente para ele. Ele iria oferecer orações para Amaterasu O Kami, a deusa Xinto do sol. Seus discipulos acreditavam que o olhar poderoso que o Fundador possuía viera deste ritual diário continuo.

Hoje, no Iwama dojo, um estacionamento, e a cozinha dos Uchideshi, ficam aonde era a horta do Fundador. Este jardim foi plantado para o consumo familiar e tratavam com muito cuidado. Depois de terminar sua cerimônia matinal o Fundador, ainda vestido com seu traje formal de kimono e hakama, se dirigia para o jardim. Em abril, brotavam os novos nira, nanohana, daikon e kabu prontos para serem colhidos. O Fundador iria examinar cuidadosamente as verduras e dizer quais poderiam ser utilizadas como acompanhamentos nos pratos daquele dia. O'Sensei orientava quais as mudas que necessitavam de atenção, que necessitavam de podas, para crescerem com força; ensinava que após a poda do nira, deve-se pisar os pés de nira remanescentes e, em seguida, molhar com água que sobrou da lavagem do arroz. Isso garantiria um novo crescimento saudável. O café da manhã consistia principalmente de congee (um mingau de arroz suave) com mochi (bolo de arroz moído). Os pratos de acompanhamento consistiam de vegetais, com folhas frescas recem colhidas da horta e preparados de forma muito simples. O Fundador não retirava seus trajes formais antes de tomar seu café da manhã. Para ele, realizar essa refeição era parte de sua cerimônia da manhã. Depois do desjejum, era o momento de atribuir tarefas matinais para os discipulos realizarem enquanto o Fundador descansava. À poucos quarteirões do dojo,o Fundador possuía uma horta de arroz.
Como Homma Sensei não sabia quando o Fundador chamaria à ele e Kikuno para a prática do Aikido, sempre usava a parte de cima do meu keiko-gi com minhas calças de trabalho, prontos para treinar.

Nos dias de tempo bom e clima agradável, às vezes o Fundador costumava se sentar perto de uma janela aberta e lía o seu jornal no calor do sol da manhã. Ou, pedia para abrirem
as portas do dojo, e deitavasse na esteira do dojo, sem o seu hakama, e repousava ao sol. Em Iwama, eu sabia que o Fundador que cochilava ao sol como um homem idoso normal; ao contrário de quando estava em Tóquio.
Quando O'Sensei estava se sentindo bem, chamava os jovens para a prática de Aikido, ele gostava especialmente de praticar suwarewaza - shomen uchi ikkyo, e, em pé, ai hanmi katatetori iriminage omote.

* O termo Jo-n0-mai está relacionado com a "Dança dos Deuses" ou Kagura, que é uma forma de teatro e dança característicos do Xintoísmo e que se realiza em cerimônias e festas importantes; cujas origens são muito antigas e estão ligadas as raízes do Teatro Noh. Originalmente era realizada no palácio do Imperador por sacerdotisas, representando o mito da divindade do sol, Amaterasu. O termo mai, pode ser considerado uma dança, porem é uma movimentação quetem uma significação abrangente e pode ser chamado de a fundação do forma. Jo-no-mai é uma "dança" extremamente lenta, pois o termo Jo, aqui, significa "o inicio". Mai significa "dança", uma movimentação corporal típica da representação das divindades no Kagura e Noh).

(Continua)


 Baseado em artigos de Gaku Homma Sensei  como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

sábado, 10 de outubro de 2015

Ueshiba O'Sensei Iwama 1968 - Parte 1

Este relato de Gaku Homma Sensei nos conta, como é estar junto de Ueshiba O'Sensei, relembrando fatos de abril de 1968, em Iwama. É uma descrição repletas de detalhes, talvez desconhecidos pela maioria das pessoas. O texto é longo,por isso foi dividido em várias etapas, devido a riqueza de fatos, é como estar junto do Mestre Morihei Ueshiba. A tradução, foi feita atenciosamente, com adaptações para a lingua portuguesa, para não perdermos nenhum detalhe da rotina diária de Mestre Ueshiba.  


Em 1968, com a idade de 85 anos , o Fundador habitava em uma nova adição à Iwama Dojo. Sua esposa Hatsu dormia no quarto ao lado. Fora da sala principal para um lado foi uma pequena sala onde Kikuno dormia. Exceto pelos quatro, ninguém vivia alí naquele período. Ao contrário de Iwama Dojo de hoje, havia poucos Gasshukus (acampamentos de Aikido) para encher o dojo com uma multidão de estudantes de olhos brilhantes que vinham de longe. Saito Shihan e sua família morava em outra casa ao lado. Naquela época, a família de Saito Shihan não possuia um restaurante ou outras empresas, apenas uma lavanderia de gerência familiar. Naqueles dias,era convenção o encanamento ser externo e a dependência sanitária das famílias ficava adjacente à casa. Situado externamente à esta dependência, existia um makiwara (um poste envolto com um acolchoado usado por karatekas para o treinamentos de golpes). Durante um seminário Saito Shihan realizou em Denver, ele nos disse que, quando era jovem, ele costumava praticar karate. Em 1968, a terra entre a estação de trem de Iwama e o dojo foi reflorestada com castanheiros e moitas de bambu.Em abril os castanheiros entrariam em floração, lançando um forte cheiro de castanhas no ar. Bambus de até quatro polegadas de diâmetro iriam brotar em todos os lugares, às vezes no meio de ruas lotaadas de terra. Nativos da região, também foram pessegueiros, cujas flores decoravam a primavera. Hoje, casas e comércios substituíram muitos dos castanheiros e florestas de bambu.

Quando o Fundador estava em Iwama, ele dirigia a maioria das aulas noturnas no dojo. Prática noturna começava às 19 horas. que ele iniciava depois de jantar, por volta das 17 horas. O fundador geralmente não tomava seu banho à noite; seu banho era, normalmente, pela manhã, na maioria das vezes, da manhã. Por causa de sua idade, a dieta do Fundador era simples. Ele sempre fazia suas refeições junto com sua esposa Hatsu. O casal parecia apreciar suas refeições em conjunto, e o Fundador era, algumas vezes, brincalhão. Com seus pauzinhos ele iria pegar um bocado de comida e colocá-lo no prato de sua esposa. "Omahan tabe yoshi" (aqui, você coma isso) ele iria provocar em seu dialeto local de Kishu. Ela, de brincadeira, pegava o bocado e colocava de volta no prato dele, exclamando, "Não, você coma isso". Era uma brincadeira doce entre os dois. Mesmo que a dieta do Fundador fosse simples, ele também, ocasionalmente, comia os alimentos "modernos", como arroz com curry. O Fundador costumava comentar que o curry era muito bom, e feito para um movimento intestinal saudável. O Fundador e sua esposa faziam suas refeições em um quarto localizado diretamente atrás do altar do Dojo. O quarto era pequeno, com um piso de madeira. Uma pequena mesa de cerca de três pés por dois pés com pernas dobráveis
​​de dez polegadas foi feita para cada refeição. Todos os quatro comiam as refeições juntos. Em um canto da sala pequena tinha uma pequena pia sobre dois pés por um pé de largura. A pia tinha uma única torneira que correu apenas água fria; a única água quente nos quartos, era aquecida com a mão antes de servir.O Fundador também usava esta pia para lavar o rosto e escovar os dentes. As acomodações eram simples em Iwama, a única pia de água fria servindo tanto como pia da cozinha e lavatório. Ao lado da pia havia um pequeno queimador de gás propano onde foram preparadas as refeições simples. Nos velhos tempos, não havia, claro, televisão ou rádio. O Fundador, geralmente, se retirava para dormir antes das 21 horas, cada noite. Em abril, as noites eram por vezes frias, mas o Fundador se recusava a usar um cobertor elétrico. Após entrar no futon, O'Sensei pedia ao jovem Homma para ler em voz alta para ele um texto da Omoto Kyo: Rei Kai Monogatari.

O Fundador acordava toda manhã antes das 6 horas. Se ele não tomava um banho completo, ele lavava seu rosto no lavatório, usando água temperada de água fria da torneira com água fervida. Se o Fundador era tomar um banho completo na manhã seguinte, meu dia começava de forma diferente. Em dias de banho, às 5 horas da manhã. para acendiam o fogo da lenha, que aquecía a água para o banho. O local de banho consistia em um ambiente fechado, com uma plataforma de madeira elevada, equipado com um grande vasilhame de ferro que era preenchido com água fria. Uma fogueira era acesa do lado de fora da casa de banhos diretamente sob o pote. Como a água aquecida, o fundo da panela se tornaria demasiado quente para alguém pegar. O pote tinha uma estrutura de madeira flutuante que era utilizado para se levantar, ou usariam geta (sapatos de madeira) para o banho! Em japonês essas banheiras de metal eram chamadas de "goemonburo". Originalmente, a palavra se refere a um ladrão famoso chamado Goemon Ishikawa que foi cozinhado vivo em um pote de metal como punição por seus crimes. Mesmo na década de 1960, o goemonburo eram comuns na maioria dos lares. Para suavizar a água, a Kikuno iria entrar na banheira primeiro para a "massagem ou amassar a água". Isso é chamado de yumomi, em japonês.

Enquanto o fogo ardia, o jovem deveria varrer os caminhos em frente ao dojo e do santuário com uma grande vassoura de bambu. Geralmente no meio para o final de março, o caminho para o Santuário seria coberto com flores de cerejeira caídas. Quando as flores caíam, o jovem não varria o caminho, a fim de não perturbar a beleza natural das flores espalhadas. Como o Fundador fazia o seu caminho até a via recém-varrida, suas pegadas eram as únicas a serem vistas. Simbolicamente era importante varrer todas as manhãs para limpar um pouco de sorte má ou maus espíritos antes do Fundador começar a sua cerimônia matinal de orações. "

(Continua)


Baseado em  artigos de Gaku Homma Sensei  como " Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba, abril 1968 ", publicado em nippon-kan.org.

sábado, 15 de agosto de 2015

Encontros Eternos - Thich Nhat Hahn

Este belo texto de Thicht Nhat Hahn, com estas imagnes e música, nos convida à esvaziar a mente e refletir.

Boa Reflexão.

Oss.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Arte do Amor Universal

Palavras de Morihei Ueshiba O'Sensei:

"Para praticar Aikido você deve acalmar sua mente, voltar à fonte, purificar o corpo ea mente, a remoção de toda a malícia, o egoísmo e desejo. (...)

Aikido é uma arte de respirar, por isso, a respiração ... No princípio era a força original, nós o chamamos Ki. (...) O segredo do Aikido está na unidade de espírito, mente e corpo. (...)

A energia, a Ki nunca deve ser usado para atacar ou defender. (...) Você não entende que você se torna invencível em todas as áreas, se você deixar no ki em seu lugar. (...)

Não olhe para os olhos de seu oponente, poderia absorver você. (...)

O segredo do Aiki é simples, basta estar presente no presente. (...)

Se você está presente neste, você percebe a espontaneidade total da ação. (...)

O gesto espontâneo pode ser adquirido pelo não-fazer e não-querer. Sua ação deve reproduzir a ordem do cosmos, que pode manifestar-se na ausência de todo o pensamento. (...)

A confusão ocorre quando o Ki estagnação. (...)

Aikido é remédio para um mundo doente. (...) O segredo do Aikido não é da maneira que você move seus pés, é a capacidade de obter a sua mente, eu não te ensinar técnicas marciais eu te ensinar a não-violência . (...)

Aikido não é uma técnica para lutar ou derrotar um inimigo. Este é o caminho da reconciliação do mundo, o caminho da reconciliação de extremos. (...) Significa vencer: conquistar a mente de discórdia em si mesmo. Então você aceitar o grande poder da unidade com a natureza. (...)

Aikido é a realização do amor. Aqueles que procuram estudar, deve entender que não existe uma forma ou estilo, porque seus movimentos são aqueles do universo cuja verdade é profunda e infinita. (...)

O verdadeiro Budo é o caminho do amor universal (...) Como Ai-Harmonia, é comum à Ai-Amor, eu decidi nomear o meu Budo ; Aikido (...).

Se você não unir o vazio absoluto, você nunca vai entender completamente o Caminho do Aiki. (...) Eu sou esvaziado de mim mesmo.

Aikido é uma forma de oração "

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Morihei Ueshiba O'Sensei.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Conto Zen - EU é Ilusão

Certo dia, o Imperador, soube que um grande sábio estava perto de seu palácio e mandou chamá-lo. Assim que o Mestre chegou, foi levado à presença do Imperador, e este fez-lhe uma pergunta:

"Mestre, aonde fica localizado o Eu? Como o senhor definiria o Eu?"

O sábio olhou a sua volta e pediu ao Imperador para irem às portas do Palácio, para poder exemplificar; lá chegando, disse:

"Por favor, peça para trazerem aquela carroça que está lá ao fundo."

Quando a carroça chegou, puxada pelos cavalos, o Mestre perguntou:
"Venerável Imperador, me diga, o que é isso?"

"Uma carroça, é claro." - respondeu o Imperador.

O mestre pediu, então, que retirassem os cavalos que estavam atrelados à carroça; feito isto perguntou: "Os cavalos são a carroça?"

O Imperador respondeu que não, são apenas cavalos. O mestre, agora, pediu que as rodas fossem retiradas, e perguntou:
"Venerável Imperador, as rodas são a carroça?"

Novamente o Imperador disse que não. Pedindo para retirarem os assentos, o monge pergunta: "Me diga, meu Imperador, estes assentos agora são a carroça?"

Mais uma vez, o Imperador disse que não. Retirado o eixo, o Mestre pergunta: "Este eixo seria a carroça?"

Mais uma vez o Imperador, diz que não e já começa a ficar impaciente com o sábio. Quando o monge pergunta se o que restou é ainda uma carroça, o Imperador respondeu: "Claro que não, retiradas todas as partes, a carroça não existe mais."

"Então, da mesma forma, a carroça estava perante nós, ela existia para nós, porém, bastou separar as suas partes, que ainda estão diante de nós, para não reconhecermos com o que chamávamos de carroça. o Eu, da mesma maneira, não pode ser definido por suas partes; não está aqui, não está lá. O Eu não pode ser encontrado em parte alguma. Ele não existe, é apenas uma ilusão; uma aparência. " - explicou o Mestre.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos de contos Zen.

domingo, 31 de maio de 2015

A Prática e o Not-Self

Muga no Kyochi (o reino do não-self), como dizia O'Sensei, é um termo que é derivado do Budismo, que nos evoca os estado de mente vazia (Muga Mushin) durante qualquer prática, seja Marcial ou do Zen. Morihei Ueshiba O'Sensei ensinava à seus discipulos, principalmente aos Uchideshii que esta estado era muito importante, a prática dos principios Aiki são para, pouco à pouco, dissolvermos o Ego, retornando à fonte.

O termo é composto pelos Kanjis:

Mu que significa "sem, ausência", GA que signifiga "eu", logo este termo significa "sem eu, sem-ego". NO é a particula de ligação (de), sendo o proximo termo composto de dois Kanjis KYOUCHI- estado ou situação.

Este estado é que facilita nossa harmonização com o Universo, como a gota de água se unificando com o Oceano, sendo este um grande ensinamento de O'Sensei.

A meditação nos ajuda nesta prática, até o instante que passamos a executar a prática marcial de mente vazia, no estado do não-eu. Foco na respiração e no Hara, e pouco a pouco, com o tempo se torna automático.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos de de Stanley Pranin Sensei, Inoue Sensei e Cristopher Li Sensei; outras fontes de consulta podem ser vistas nos seguintes sites  shoshin.overblog.com ; .aikiweb.com/forums ; .aikiweb.com/forums






sexta-feira, 29 de maio de 2015

Poema de Thich Nhat Hanh

Este é um belo poema "Regando Nossa Floração", que este grande Mestre nos presenteia:

"Todos nós, crianças e adultos, são belas flores.

Nossas pálpebras são exatamente como pétalas de rosa, especialmente quando nossos olhos estão fechados.

Nossos ouvidos são como glórias da manhã ouvindo o som dos pássaros.

Nossos lábios formam uma flor bonita cada vez que sorrir.

E nossas duas mãos são uma flor de lótus com cinco pétalas.

A prática é manter a nossa "floração" viva e presente,

não apenas para o nosso próprio benefício, mas para a felicidade de todos."

Boa reflexão.

Oss.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mestre Hakuin e o Samurai

Este conto teve várias edições, porem a origem foi o encontro de Mestre Hakuin, que foi chamado à presença de um Daimyo para explicar o significado entre o Céu e o Inferno.

Ao ouvir a pergunta, o monge Zen simplemente desviou o olhar e ficou olhando para o lado quieto Após um periodo de templo de silêncio na sala, o Samurai, começou a ficar irritado com a falta de educação do monge.

"Como pode fazer tal insulto, vai explicar ou não?" - disse o Daimyo

"Explicar o quê? Não adianta falar para uma pessoa teimosa e de pouco conhecimento, para isto, não tem o que falar para você." - retrucou o monge.

O senhor guerreiro ficava cada vez mais irrado, com seu rosto vermelho de tanta raiva, seus lábios tremiam ao dizer:

"Já que é assim, vais morrer por minha espada, cão insolente."

Calmamente, quando a espada se aproximava de seu pescoço, Mestre Hakuin falou serenamente:

"Isto é o Inferno, você está nele."

O Samurai parou prontamente o movimento, e seu rosto se iluminou por compreender que o Inferno estaria dentro da mente, seu corpo teve várias reações advindas da raiva, que ele aceitou quando achava que o monge estava fazendo escárnio dele.

"Ah! Que bom Mestre, sinto-me aliviado; muito agradecido pela lição." - disse o Samurai.

"Agora estás vivenciando o Céu." - disse Mestre Hakuin e se foi.

Nesta parábola, Mestre Hakuin percebeu que não tinha como explicar por palavras situações que só podem ser vivenciadas, ele apenas apontou e o Samurai é que percebeu cada situação por si próprio.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Mestre Hakuin e contos do Zen.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A Caminhada e o Zen

O Zen nos proporciona uma jornada muito interessante, se ingressa numa busca e num caminho cujo resultado, ao final de tudo, é percebermos que não existe "eu" ou "você" ou "jornada" ou "caminho"; percebemos que não existe ninguém, tampouco observador, só existe observação.

A dita "Iluminação" ou "Despertar", não trará beneficio algum para o Ego, ao contrário, ele tenderá a se dissolver, por mais contraditório que pareça, o esforço, assim mesmo a experiencia não são as metas do Zen. Tudo irá acontecer de uma maneira natural, a seu tempo, sem muito esforço.

O Mestre Zen Foyan, comparava a tomada de consciência, como se fosse "encontrar nosso pai", que não viamos há muito tempo, é algo tão natural e conhecido, que não tem o que falar ou perguntar, é um reconhecimento instântaneo. A mente se torna "limpa" de toda confusão, havendo a possibilidade para a serenidade.

Para, então, transcender o Ego, o caminho é através do Coração como nos ensinava Sidarta Gautama e os grandes Mestres; nos possibilitante a se unificar com a Grande Mente. Um dos instrumentos para isto é a meditação Zazen, como também praticava Ueshiba O'Sensei e Koichi Tohei Shihan.

Como escreveu Mestre Hui-neng:

"Estando confusos pelos pensamentos,

Vivemos a dualidade nesta vida.

Desvencilhados das idéias,

Vemos a Realidade única."

Termino com esta frase de Mestre Dogen:

"Se você não consegue encontrar a verdade exatamente onde você está, onde mais você espera encontrá-la?"

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre o Zen, entrevistas de Tohei Shihan a Stanley Pranin Sensei e no livro Zen - Palavras Básicas

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Aritomo Murashige Shihan

Muito do que se sabe sobre o papel do desenvovimento do Aikido na Bélgica, se deve aos relatos de Perpete, Jean Lindebrings, André Jean, Jean-Daniel Cauhépé e Jean-Pierre Paillard, discipulos do mestre das artes marciais Aritomo Murashige (1895-1964, Aritoshi, seu nome no Japão), descendente de uma familia de samurais, Aritomo começou o estudo do Budo aos 13 anos de idade, praticando Kendo, aos 19 anos ingressa na Dai Nippon Butokukai Kyoto. Aos 20 anos, é aluno de Judo do Mestre Jigoro Kano, e treina Katori Shinto-Ryu com Minoru Mochizuki Sensei, sendo que ambos são enviados para estudar Aikibudo com Mestre Ueshiba em 1931. Mestre Ueshiba faz com ele conheça e se torne membro da Omoto-kyo, sendo introduzido à arte de sons, do Kototama e encantamentos (Ho-jutsu).

Enquanto isto, na Bélgica, no ano de 1946, Mestre Kawaishi , cria um núcleo de Judo (Liga Belga de Judo), tendo como seu representante Jean De Herdt, agrupando varios faixas-pretas do método Kawaishi (Perpete, Cardon, Vishoff, Lindebrings, Naessens, Barzin, etc.). Em 1951, Jean De Herdt informa aos seus colegas, que no Dojo de Mestre Kawaishi em Paris, que Abe Sensei ensinará regularmente uma outra Arte Marcial.

A primeira aula de Aikido na Bélgica por iniciativa do Jean Lindebrings Sensei, em 28 de novembro de 1953; porém, as outras aulas com Abe Sensei, obrigariam a Perpete Sensei e Lindebrings Sensei irem à Paris para aperfeiçoar seus conhecimentos de Aikido; sendo que 4 de junho de 1954 que Abe Sensei realiza o primeiro exame de Aikido para belgas, aonde Jean Lindebrings Sensei obtém o seu primeiro Dan Aikikai ( certificado numero 166), assim como outros colegas. Neste mesmo exame, já teriam exames de Kyu, também, já que eram cerca de 80 praticantes.

Jean Lindebrings Sensei torna-se segundo Dan em 1958, André Jean Sensei, em 1960, quando Abe Sensei retorna para o Japão, deixando a responsibilidade do ensino na Bélgica, a cargo de André Nocquet Sensei, quarto Dan Aikikai e que tinha sido aluno direto de Morihei Ueshiba de 1951 a 1955.

Lindebrings Sensei, que juntamente com André Jean Sensei, descobrem que Murashige Sensei, está em Gand, cidade na região flamenga da Bélgica. Ambos farão os arranjos necessários para que Murashige Sensei aceite coordenar as aulas na Bélgica, solicitando que ele venha a lecionar em Bruxelas, em diferentes Dojos. Murashige Shihan, durante os anos de 1953 a 1960 lecionando em Myanmar, recebe o nono Dan em 1960, e era representante pessoal do Fundador do Aikido; não era um delegado da Aikikai, mas sim um emissário enviado pelo próprio Morihei Ueshiba.

Primeiramente, os dois alunos seriam Jean Lindebrings Sensei segundo Dan e André Jean Sensei, no Dojo de T. Thielemans

Indo para Bruxellas, aonde pretende se instalar, a convite, também, de George Ohsawa ( criador da Macrobiótica, seu amigo e de O'Sensei) Murashige Sensei mudou-se, primeiramente, para o "Riz Doré", de Mademoiselle Cuylits, aonde e encontra o Grupo da Macrobiótica. As aulas, em Bruxelas, eram todas as quarta-feiras, e Murashige Shihan, solicitava aos alunos mais prática de Suwari Waza, pois notou que muitos alunos mostravam dificuldade nesta prática.

Em 24 de dezembro de 1961, Murashige Sensei realiza um seminário, no qual, após um exame, exameconcede o grau de terceiro Dan, sob o número 49 da Aikikai, à Jean Lindebrings Sensei. Neste periodo, chega à Paris, Mestre Noro, que vai substituir Abe Sensei como delegado da Aikikai na Europa, sendo que alguns discípulos vão seguir os ensinamentos deste, enquanto Lindebrings, André Jean, George Schiffelers, continuarão ao lado de Murashige Shihan. Nesta época, André Nocquet Sensei é promovido à graduação de quinto Dan.

Em 20 de abril de 1962, o Fundador O'Sensei Ueshiba concede a autorização para a criação da primeira federação belga denominada Aikikai So Honbu com Murashige Sensei como diretor técnico e como fundadores: Lindebrings, Perpete e Toussaint. Foi publicado oficialmente no Moniteur belge de 15 de novembro de 1961, sob o número 4293.

Em primeiro de setembro de 1962, ocorre a inauguração do Dojo de Murashige Sensei, na Via de Vleurgat, 286, à Ixelles, no quintal situados ao fundo do prédio, aonde seus alunos reformaram dois pequenos apartamentos com mezzanino, com esta finalidade.

Em março de 1964, depois de uma demonstração (uns artigos citam que ele estava retornando de Liège, outroscitam que seria em Bruxelas), Murashige Shihan sofre um grave acidente automobilístico, aonde fica sériamente ferido: é ejetado do veículo e sua mão direita é decepada, vindo a falecer no dia 24 do mesmo mês. Antes de morrer, ele pede à Jean Lindebrings Sensei para continuar sua obra, dentro do espírito do Aikido, tal como definido por O'Sensei (Jean Lindebrings foi, então, promovido ao quinto Dane, posteriormente, André Nocquet Sensei foi elevado ao sexto Dan).

Os alunos diziam que Murashigue Sensei era muito rápido, impossivel de pegá-lo e imobilizá-lo; tentar pegá-lo era a mesma coisa que tentar segurar "poucas partículas de poeira numa corrente de ar".

Segundo Michel Bécart Sensei, Mestre Noro falava muito bem de Murashige Shihan, descrevendo que seu estilo era bastante marcial.

Bom treinamento

Oss.

Baseado em artigos sobre Aritomo Murashige Sensei ( La Vie de Maître Murashige Aritomo,  Murashige AritomoUnion Belge d'AïkidoAikido JournalYamato Damashi Ryu )

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Matsuo Bashô - Poemas Primavera

O grande Mestre Bashô é muito conhecido por seus poemas referentes à natureza, muito citado em textos referentes ao Zen; seus versos nos brindam com as belas imagens transmitidas pelo Mestre, de uma maneira única.

Na antiga lagoa
Um sapo pula -
Um baque na água.

Aqui apresento outro poemas referentes à primavera,
Na primavera que se vai
Pássaros gritam -
Lágrimas nos olhos dos peixes.

No néctar das orquídeas
A borboleta
Perfuma suas asas.

O dia sobre as flores
Declina e já escure
À sombra dos cedros.

O carvalho
Sua mina indiferente
Diante das cerejeiras floridas.

Brotos de bambu
Os dias da minha infância
Divertia-me à desenhar.

De qual árvore em flor?
Eu não sei -
Mas que perfume!

Do coração da peônia
A abelha sai -
Com tal arrependimento!

Perante ao relâmpago
Sublime é isto
Ninguém nada sabe!

Boa Reflexão.

Oss.

Tradução baseada em textos sobre Matsuo Bashô.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Iwama 1946 - Prática Jo e Bokken

Como sabemos, Saito Sensei, começou a treinar com Mestre Morihei Ueshiba, em Iwama no verão de 1946, e deu entrevistas para Stanlei Pranin, explicando como eram os treinamentos naquele periodo, tanto de Jo como de Ken, além do Taijutsu. A praticas eram matinais, logo que acordavam, já que a noite não era permitido. Inicialmente ficavam diante do kamisama em seiza durante 40 minutos e, em seguida, a prática que era para uchideshi apenas, mas uma exceção foi feita para o jovem Saito, que passou a ser colega de Abe, Tohei, Kasuga, Ishihara, Kisshomaru e Yamaguchi.

Ueshiba O'Sensei explicava que o Aikido O’Sensei era composto de Taijutsu (técnicas corporais) assim como técnicas de Ken e Jo, sendo todas a mesma coisa; e o Mestre sempre começava sua explicação de Aikido usando o Ken como visto em seus filmes. No início da prática com o Ken, O-Sensei apenas pedia para golpeá-lo, e, avaliava o estagio em que se encontrava o discipulo conforme o ataque feito.

A prática com o Ken começou a partir daí, e, como o jovem Saito tinha praticado kendo desde pequeno, ele podia de alguma forma lidar com a situação que se apresentava. Então, um dia o Mestre Ueshiba pediu-lhe para preparar um suporte para fazer o Tan-renuchi (treinamento para golpear). Assim que o jovem Saito, com pedaços de madeira pequenos, fez o suporte; o mestre Ueshiba demonstrou irritação e partiu-o com o seu bokken, dizendo: "Este tipo de madeira não me serve!"

Agora o jovem discípulo corta dois grandes pedaços de madeira, utiliza pregos para fixá-los muito bem; recebendo elogios de O’Sensei. Menos de uma semana, foi o tempo que este suporte durou, já que golpeavam em todos os lugares possíveis. Novamente, depois de uma semana o jovem corta mais madeira para fazer outro suporte para treinar golpes com Bokken. Este é o treinamento que visa os quadris e braços, assim como para Uchikomi (golpes de potência). Saito Sensei, em sua entrevista revela que foi ele próprio que deu a designação “Tan-renuchi”, indicando que anteriormente não existia tal denominação. O-Sensei praticava o Tan-renuchi com muita freqüência, dizendo: "Bata mais 100 vezes".

Mestre Ueshiba morava do outro lado do templo, em uma casa cerca de 200 metros de distância do dojo, mas esta casa não existe mais. Pela manhã, todos os dias, os discípulos deviam golpear o suporte e se não emitissem um Kiai alto o suficiente, mestre Ueshiba os repreendia.

Como o treino era demasiadamente forte, conforme os alunos iam ficando cansados, e aproveitando o fato de muitas vezes o mestre estava distante, eles apenas gritavam sem golpear; parecia que estavam treinando. Saito Sensei diz a Pranin que é inteiramente verdade, devido a intensidade dos golpes.

No treinamento avançado, o Mestre ensinava o que hoje é denominado de "Ichi no Tachi" (primeira prática de espada em duplas), fazendo isto por cerca de 3 ou 4 anos e nada mais. Este treinamento era bater até estarem completamente exausto e começavam a tremer. Quando chegavam ao ponto em que não conseguia mover-se mais, O’Sensei fazia um sinal de que já era o suficiente e deixava os discípulos irem; era a prática cotidiana da manhã. Nos últimos anos desta fase, conta Saito Sensei, que os treinamentos eram como aulas com particulares, já que os outros deshii tiveram que ir para sua casas.

Para a prática de Jo, O’Sensei movia seu bastão tão rapidamente , que os alunos só conseguiam imitá-lo. Quando pediam uma explicação, era dito que "se você olhar com cuidado você vai entender!". Em seguida, o Mestre mostrava o movimento novamente, porém mais rápido, sendo ainda mais difícil de entender. Em seguida, O’Sensei dizia novamente, "se você olhar com cuidado você vai entender!", e fazia tudo ainda mais rápido. Ele empunhava o Jo de várias maneiras ao demonstrar os movimentos, explicando que cada empunhadura e movimento, assim como a técnica utilizada, dependia do tipo de ataque.

As técnicas podiam ser executadas com ou sem parceiro, sendo que O’Sensei preferia fazer sozinho, dizendo que basta imaginar que tinha um inimigo na frente dele e rapidamente mostrava técnicas para várias situações, conforme o ataque.

Quando interrogado se Ueshiba O-Sensei dava nomes aos movimentos com o Jo, Mestre Saito afirmou que não tinha nomes as técnica, só muito mais tarde que ele próprio (Saito) que começou a denominar as técnicas, organizando tudo em 20 movimentos básicos; o agora denominado "Suburi" incluia o Tski, Uchikomi, hassogaeshi, tornando-se assim mais fácil para os alunos praticarem.

Novos alunos começaram a chegar à Iwawa vindos de Universidades, como Kanagawa, Tokohu Gakuin e Ibaragi; sendo que O'Sensei repreendia aos alunos que treinavam con Jo ou Ken, dentro do Dojo (o treino para estes novatos só era permitido em frene ao Santuário, sendo conduzido por Saito Sensei). Não havia Kata, apenas a repetição do movimento de quem ministrava a aula, com o ritmo de "um-dois-três"; porem o jovem Saito foi codificando, pouco a pouco foi de um, para 13, depois 24 e finalmente 31 movimentos; justificava ele que era muito mais dificil fazer o Kumitachi sem praticar o Suburi anteriormente.

De todos os modos, seja em Taijutsu ou com Jo/Ken, não era esquecido a importância do fluxo de Ki, que é o principio que rege a Arte Marcial, sendo que Ueshiba O'Sensei se baseava em um manuscrito antigo que versava sobre Katas, aonde estavam escritos os termos " Riari Tokuri"; sendo mais tarde denominados como estilo Aiki ou de Ueshiba, segundo disse Saito Sensei à Pranin Sensei, em uma entrevista.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em entrevistas de Saito Sensei e nas entrevistas à Stanley Pranin (Artigo em espanhol ou Artigo em Inglês)

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Mestre e A Flor da Consciência

Osho tem um texto muito interessante sobre o papel do Mestre que nos indica o caminho para a consciência e a unicidade, e reproduz um conto sobre um mestre que cultiva “gloria-da- manhã” (Ipomea nil) ou Asago em japonês, natural do Sul da China, introduzida no Japão por volta do século nove, porém, no Período Edo (1603 – 1867), torna-se popular como planta ornamental, devido às suas flores, sendo desenvolvidas inúmeras variantes; hoje em dia chega a mais de mil espécies. Abaixo reproduzo o texto:

“O Mestre auxilia a conscientizar-se da sua total e definitiva solidão. A palavra “solidão” não é boa porque carrega em si uma tristeza – por sua causa, não por causa da palavra. Por causa das velhas associações, você sempre se sente triste quando está sozinho.

No Japão, aconteceu uma vez o seguinte: Havia um Mestre Zen que era um grande jardineiro, um amante da jardinagem. Até o rei tinha ciúmes do seu jardim. Um dia, alguém chegou ao rei e lhe disse: “você deve ir ver agora.”

Os japoneses têm uma verdadeira admiração pela “glória-da-manhã”. E o homem falou para o rei: “Eu nuca vi tantas “glórias-da-manhã” – milhões delas, o jardim inteiro do Mestre Zen está repleto delas. E a fragrância – uma beleza! Não deixe de ir! Você precisa ver.”

Era demais para o rei ver o jardim desse pobre homem: ele tinha um jardim enorme no seu próprio palácio – centenas de acres de estufas, centenas de jardineiros trabalhando.

Mas o homem lhe disse: “Isso pode não acontecer outra vez.”

Assim, o rei resolveu ir. Ele disse: “Vá e informe que eu irei amanhã cedo.”

O Mestre foi informado e na manhã seguinte o rei apareceu com sua corte, seus generais, a rainha e os príncipes. Toda a capital foi paralisada; milhões de pessoas reuniram-se ao redor do mosteiro. O rei foi, olhou em torno e disse: ‘ Como! Eu fui informado que havia milhões de flores e estou vendo apenas uma “glória-da-manhã” no jardim.”

O Mestre Zen disse: “Sim, havia milhões, mas durante a noite nós as removemos, porque acreditamos no Um. Esta é a mais bela flor de todas – na multidão o senhor poderia não vê-la; assim, nós removemos todas as outras. Apenas a melhor, a mais bela, foi conservada para o senhor.”

O rei ficou um pouco triste e disse: “Ela parece tão solitária!”

O Mestre Zen riu e disse: “Ela não é solitária. Ela é só.”

Lembre-se disto: quando você chega no âmago do seu centro, você não estará solitário, estará só! Essa solidão não é um vazio – é um preenchimento. Essa solidão não é vazia, é transbordante. Essa solidão não é um vácuo, é o Todo.

Tudo o que o Mestre pode fazer é torná-lo alerta para este fato – que já existe. Ele não pode lhe dar algo novo. Ele lhe dá apenas o que você já tem, o que você já é, o que você já está carregando consigo, mas para o qual nunca esteve alerta. Ele apenas o torna consciente do fato – da solidão do seu ser. Ele apenas o acorda para a verdade: - o tesouro está escondido aí – e você nunca olhou para ele.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no texto do livro de Osho “Nem Água, Nem Lua”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Iwama no Uchideshii - 1945 à anos 50

Graças ao artigo de Mario Coutinho Jr, a quem agradeço uma vez mais, e as nossas trocas de informações, fiquei querendo saber mais sobre com quem Kenjiro Kasuga teria treinado e como seriam os treinamentos na sua época. Como já lemos anteriormente, em 1991, em Vitória, no Espírito Santo, Wagner Bull Shihan encontra Kasuga Kenjiro Sensei, fazendo uma entrevista muito interessante, pois este seria o primeiro Uchideshi de Ueshiba O-Sensei em terras brasileiras em 1955, como também lemos no artigo de Mario Coutinho Jr.

Lendo a entrevista de Kasuga Sensei e as entrevistas de Saito Sensei a Stanley Pranin (1987), a revista Arts et Combats (1996) e a revista Ceinture Noire (1999), podemos ter idéia que os praticantes em Iwama, na época, não eram muitos, no máximo nove. Naquela ápoca, imediatamente a rendição do Japão, muitos discípulos tiveram que suspender os treinamentos pois tinham que trabalhar para sustentar suas famílias. Os que tinham empregos fixos com bons salários ou uma condição familiar mais confortável, podiam participar dos seminários de Iwama com Morihei Ueshiba O’Sensei.

Kasuga, que tinha dado baixa na Marinha Mercante com o posto de tenente, foi convidado pelo seu amigo Tadashi Abe em 1945, para participar de um seminário de uma semana em Iwama; já que Kenjiro era segundo Dan de Judô e Kendô, alem de ter o primeiro Kyu de Sumô.

Saito Sensei, cita que em 1946,os Uchideshii eram Abe Sensei, Kasuga Sensei, Ishihara Sensei e Tohei Sensei. Como Sotodeshii teríamos em número de 5 à seis. Nos treinos participavam o jovem Kisshomaru, o jovem Saito e Minoru Mochizuki Sensei( este ficava um curto período de tempo).

A prática começava cedo, às seis horas da manhã com uma Cerimonia Xintoista e a recitação do Norito, ficavam em Seiza 40 minutos diante do Kamisama, terminando as sete horas. Depois começavam um treinamento intenso e pesado, que incluía o treino com Bokken e Jo, também ( o treinamento com armas não tinha nome de técnicas, mais tarde Saito Sensei é que cria a classificação e denominação). Segundo Saito Sensei, Mestre Ueshiba ensinava que a prática do taijutsu assim como com as armas, eram por ele considerados como a mesma coisa. Paravam as 08:30 horas para o desjejum e iam para as atividades de agriculturas com o Fundador, só parando meio-dia para almoçar. Retornavam ao pomar e trabalhavam até as 18 horas. Após um jantar frugal, mai uma hora de treinamento. Após isto, leitura de tetos xintoístas até a hora de dormir.

As vezes eles seguiam treinando por mais um mês, como Kenjiro; e segundo Saito Sensei, já utilizavam as posturas em Hanmi, que na época O’Sensei denominava como “roppo”, muito parecida com a movimentação do teatro Kabuki, porem a postura dos pés era diferente, como no Sumô e Judô o Hanmi tem uma postura mais alta. A postura de “roppo” de O’Sensei permitia fazer o pivot mais rápidamente, em 180 graus, além de ter uma base sólida triangular.

O grupo se manteve junto, treinando por cerca de 4-5 anos, se juntando a eles Yamaguchi Sensei, e algumas vezes, Tohei Sensei trazia seus alunos. Como Tohei Sensei se casou, assim como Kisshomaru Ueshiba, ambos passaram a ter mais compromissos familiares, e no caso de Kisshomaru, tinha que atender as necessidades da firma em que trabalhava em Tóquio, o que dificultava aos dois comparecerem com mais freqüência.

Kasuga Sensei nos conta que continuava treinando com O’Sensei e, em 1949, este o convida para participar primeiro em um seminário para polícia de Osaka, e depois, em outro, de uma semana, para a polícia de Quioto.

Kenjiro Kasugo treinou com Abe Sensei até 1952, quando seu amigo parte para França para divulgar o Aikido na Europa e fundar Dojos.

Boa Semana a Todos.

Oss.

Bibliografia:

Bull, Wagner J. Aikido: - O Caminho da Sabedoria; volume Dobun - História e Cultura ; editora Pensamento, 10a edição (páginas 287 e 288);

Coutinho Jr., Mario, “Chega ao Brasil o primeiro praticante de Aikido que se tem notícia, Kenjiro Kasuga”, publica no Facebook em 15 de fevereiro de 2015; neste blog reproduzido como “Primeiro Aikidoísta Chegar ao Brasil” ;


Paoli, Jean,Entretien avec Morihiro Saito Sensei , Revista « Arts et Combats » numéro 30 - Juin 1996;

Le Maître d’Iwama, Entretien avec Morihiro Saito Sensei, Revista « Ceinture Noire » , numéro 3 - Octobre 1999;

Pranin, Stanley, Interview with Morihiro Saito, Aiki News numero 74, abril 1987

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Primeiro Aikidoísta a Chegar no Brasil

Este post é uma grande contribuição de Mario Coutinho Jr. para a História do Aikido no Brasil, através de uma pesquisa muito ética, quem muita dedicação e necessária uma grande doação de tempo em pesquisa em arquivos e documentos. Agradeço ao autor, que gentilmente aceitou o meu convite para aqui publicar seu excelente texto, que reproduzo na integra, abaixo :


"O primeiro Aikidoista a Chegar no Brasil (título sugerido por Ricardo Amorim)

Eu estava procurando um assunto no Google Books e "esbarrei"  noutro que me chamou atenção. Trata-se do seguinte parágrafo de um livro de Wagner Bull:

"... Embora Kenjiro Kasuga tenha sido o primeiro aluno do Fundador a chegar ao Brasil em 1955,..., ele não chegou a ensinar... O leitor não deve jamais aceitar tudo o que aqui foi dito como verdade incontestável..." (*1)

Então resolvi pesquisar mais na Internet, já que não tenho o livro em mãos,  e o seguinte texto nasceu.

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"O crítico inimigo é também um colaborador." -- Gregório Marañón (médico, cientista, historiador, escritor e filósofo espanhol).
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1955 : Chega no Brasil o primeiro praticante de Aikido que se tem notícia: Kenjiro Kasuga

Kasuga teria sido aluno do Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba. Ele chegou no  Brasil quase 2 anos antes de Toshio (Reishin) Kawai e quase 6 anos antes de Teruo Nakatani.

Nenhum desses três teria vindo ao Brasil com o intuito primário de ensinar Aikido mas, posteriormente, por motivos diversos, Nakatani e Kawai, começaram a ensinar Aikido.

Kawai chegou no Brasil, com 26 anos e 7 meses de idade, em Outubro de 1957 (*2), com quase 6 anos da sua chegada no Brasil, Kawai começou a ensinar Aikido regularmente ao abrir sua primeira academia em Janeiro de 1963 (*3).  Na inauguração da academia Kawai estava com 31 anos e 11 meses de idade.

Nakatani teria começado a dar aula de Aikido no Rio de Janeiro, a convite de Ogino Sensei (*4) aos 29 anos de idade, um pouco mais de 1 ano do seu desembarque no Brasil (*5).

Um japonês chamado Kenjiro Kasuga (30 anos de idade) imigrou com a qualificação profissional de "operário cerâmica" (*6) em 6 de Dezembro de 1955, desembarcando no porto de Santos, oriundo de Kobe no navio Tegelberg (*7).

Não se tem notícia que Kasuga tenha ensinado Aikido formalmente em território nacional e nem que tenha sido enviado pela Aikikai para esse propósito, pois a expansão internacional do Aikido começou pela Europa e Havaí (EUA) no inicio da década de 50 e 60, respectivamente (*8). O dojo central no Japão, Hombu Dojo, foi criado em 1931 (*9) e a Aikikai foi oficialmente reconhecida pelo o governo japonês em 1940 (*10).

Não se descarta a possibilidade de outros aikidoistas chegando mais cedo, já que a migração japonesa para o Brasil começou em 1908 (*11), 47 anos antes da chegada de Kasuga.

Morihei Ueshiba teria recebido a iluminação espiritual para o Aikido em 1925 (*12), época que podemos considerar o nascimento do Aikido (ou Aikibudo, como era chamado inicialmente).

Assim, em teoria, de 1926 a 1954, em um período de 28 anos, teria sido possível que algum japonês, estudante de Ueshiba, tenha imigrado para o Brasil, contudo, até o momento, Kenjiro Kasuga permanece o mais antigo aikidoista japonês a desembarcar em território nacional (6 de Dezembro de 1955), mesmo não tendo lecionado formalmente. Assim supõem-se.

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"Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema." -- Ezra Pound (poeta, músico e crítico que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX)
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notas
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Durante a pesquisa sobre o assunto e a confecção do presente texto não foi possível falar com Wagner Bull pois estava indisponível devido a questão de saúde.

Por isso, este texto tomou como ponto de partida a informação contida na página 313 do referido livro.

A foto que ilustra este texto é oriunda da Ficha Consular de Qualificação arquivada no site FamilySearch.(*7)

Até a publicação deste texto não foram encontradas outras referências de aikidoistas japoneses desembarcando no Brasil anterior a 1955. Quem tiver por favor manifeste-se.

São bem-vindas quaisquer contribuições críticas, fundamentadas, divergentes ou não, como, por exemplo, a contribuição de Ricardo Amorim (*13).

Obrigado.

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referências
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(*1) Link para página 313 do livro: BULL, Wagner J. Aikido: O Caminho Da Sabedoria – Dobun História e Cultura. São Paulo: Pensamento-Cultrix. 11ª ed., 2004. : https://books.google.ca/books?id=f-QUAAQdaiUC&pg=PA287&dq=kenjiro+kasuga&hl=pt-BR&sa=X&ei=PybiVM2LKO_lsAT3t4DACQ&ved=0CCAQ6AEwAA#v=onepage&q=313&f=false

(*2) site do Museu da Imigração - SP : Lista de Passageiros: http://museudaimigracao.org.br/acervodigital/upload/listas/BR_APESP_MI_LP_005879.pdf#page=38

(*3) Breve Biografia de Kawai Shihan : http://aikidoaabb.blogspot.ca/2010/01/breve-biografia-de-kawai-shihan.html

(*4) Entrevista com Nakatani Sensei : realizada no ano de 2009, quando Nakatani Sensei (77 anos) estava em Brasília-DF, por ocasião da entrega do 6o. Dan para Martins Sensei. Entrevistador:  João Henrique Gaeschlin Rêgo. Também estava presente o cinegrafista italiano Giampiero Mandaio.

(*5). "Nakatani Sensei no Brasil" : http://nakatanidojo.com/blog/2015/02/07/nakatani-sensei-no-brasil

(*6) site do Museu da Imigração - SP : Lista de Passageiros : http://museudaimigracao.org.br/acervodigital/upload/listas/BR_APESP_MI_LP_005789.pdf#page=5

(*7) Ficha Consular de Qualificação de Kenjiro Kasuga (origem da foto neste texto) :https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-1942-22435-44551-90?cc=1932363

(*8) A propagação do aikido no exterior, em poucas palavras -"The spread of aikido abroad in a nutchsll", by Stanley Pranin : http://blog.aikidojournal.com/2013/08/25/the-spread-of-aikido-abroad-in-a-nutshell-by-stanley-pranin/

(*9) sobre o Hombu Dojo. http://www.aikikai.or.jp/eng/information/index.html

(*10) sobre a Fundação Aikikai. http://www.aikikai.or.jp/eng/about/index.html

(*11) Wikipédia: "A imigração japonesa no Brasil teve início oficialmente em 18 de junho de 1908" :http://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_japonesa_no_Brasil

(*12) Wikipédia: "Morihei Ueshiba" : http://en.wikipedia.org/wiki/Morihei_Ueshiba

(*13) Contribuição de Ricardo Amorim : Nas paginas 287 e 288 do livro de Wagner Bull há outras fotos de Kenjiro Kasuga. Em uma dela aparece Wagner Bull juntamente com Kenjiro Kasuga. Confira em: BULL, Wagner J. Aikido: - O Caminho da Sabedoria; volume Dobun - História e Cultura ; editora Pensamento, 10a edição (páginas 287 e 288)"
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Sobre o autor: Mario Coutinho Jr. é natural de São Luís - MA, graduado em Educação Física (UnB), é 2o. Dan de Aikido (FIA) e 4o. Dan de Iaido (AJKF). Atualmente reside em Montreal, Canadá.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ukemi - Donovan Waite Shihan

Desde os 14 anos de idade, no ano de 1969, que Donovan Waite Shihan pratica Aikido em 1969, recebendo seu primeiro Dan de seu mestre Ralph Reynolds Sensei, cujo Dojo se Birmingham (Inglaterra) era afiliado a Chiba Shihan. Após muitos anos de prática e profundo estudo, em 1984, começa a treinar com Yoshimitsu Yamada Shihan, presidente da Federação dos Estados Unidos Aikido e instrutor-chefe do New York Aikikai.

Após muitos anos de estudos sobre o Ukemi clássico, proveniente do Judo, Donovan Shihan, começa estudar a biodinâmica das quedas, para que o Ukemi causasse menos traumas corporais e que, no momento de ergue-se, Uke o fizesse de uma forma mais rápida e eficaz, não se expondo a outros golpes.

É muito interessante, esta técnica, que a conheci, participando de treinamentos com Alexandre Salim Sensei, que nos mostrou como esta técnica nos trás mais segurança, diminuindo muito traumatismos no momento da queda.

Este vídeo abaixo nos demonstra os ensinamentos de Donovan Shihan.

Bom Semana a todos.


Oss.



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