Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 20 de dezembro de 2014

Kototama, Ki e Não-Dual – Parte 2

Kukai (Kobo Daishi) fez os estudos de Kototatama basedo no alfabeto Bonji (Shiddan que foi transliterado para o chinês), no século X, porem se atribui este princípio ser da época da Imperatriz Amaterasu. Na época do Reino de Yamato, a influência cultural da dinastia Tang sobre as ilhas japonesas era muito forte, com a presença do conceito de Tao (Dō) nos estudos de Kototama. Tao que representa o monismo-dual (não-dual), os opostos complementares yin-yang, que não seriam forças distintas, são apenas aspectos de uma mesma força, representando o espírito primordial, anterior à todas as coisas.Como nos explica Gleason Sensei, estes complementares constituem todas as coisas, porém não têm existência própria por si mesmos, sendo denominados os “não-nascidos primordiais”; sendo que yin-yang representam o próprio infinito do Cosmos, infinito este que é a fonte de todas as coisas, mas sem yin-yang, nenhuma partícula de energia poderia ser movimentada.

Através destes princípios de funcionamento de yin-yang, o Kototama (ou Ki Universal) manifesta-se continuamente no plano (ou mundo) material, com um intercâmbio dinâmico consistente destes aparentes opostos complementares, sendo o incessante vir a ser da tríplice realidade da manifestação de todas as coisas, como bem falava Inoue Doshu. Yin-Yang sempre renascendo na Unicidade Infinita, com o intercâmbio incessante entre si que regula a Energia Criadora do Universo, criando o princípio do Kototama, definido por Gleason Sensei como “Princípio de Aiki ou Harmonia Universal”.
Ueshiba O’Sensei, tinha como uma das fontes mais importantes de seus estudos o Man'yōshū, a coletânea mais antiga de poesias japonesas, que literalmente significa “A Coleção das Dez Mil Coisas”, com os poemas mais antigos datados do século IV de nossa era.


A crença, que vem dos primórdios do Japão, é de que as palavras criam a vida (Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes), e, como explica Shimada Sensei, o sino tem uma relação direta com o Kototama, por isso estarem presentes nos templos e santuários. Neste conceito ancestral, toda vibração é energia, que cria vida; logo o som e as palavras são vibrações que vão interagir com o ambiente a sua volta. A crença é de que a combinação das vogais com as consoantes criam 50 ritmos que criam vida; sendo que o estudo de Kototama, a vibração de cada ritmo produz um tipo de energia possível de afetar a realidade.

 O Japão também é conhecido como “Kototama no sakiwau kuni”, termo que está no  Man'yōshū, cuja tradução aproximada seria “a terra onde o misterioso funcionamento da linguagem traz felicidade” ou, para Gleason Sensei, “o país aonde floresce a alma da linguagem”; um país  que as práticas são ensinadas através de exemplos, nada de excesso de palavras ou de lógica. O Kototama tem sua existência percebida quando expressa forma, função e significado no mundo relativo, sendo expresso pelo movimento, pensamento e fala.

Este conceito também está presente nos Santuários Xintoístas, aonde o portal, Torii, representa o espaço entre o mundo manifesto e o mundo espiritual, tendo de cada lado estátuas de cães-leões (chamados shishi ou komainu), sendo que o da direita está de boca aberta representando o som A e o da esquerda, de boca fechada, representa som Un, formando o Kototama AUn (lembrar que a escrita no Japão é da direita para a esquerda). Nos Templos Budistas, estas imagens são trocadas pelos protetores de Buda (Kongo RiKishi, com a mesma representação do Kototama AUn)

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas e textos de Inoue Sensei, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kisshomaru Ueshiba Doshu, Kenjiro Kawanabe Sensei, Willian Gleason Sensei, John Stevens Sensei, Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes, Yoshito S. Hakeda Sensei


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

4 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,

    Muchas gracias por compartir esta hermosa reflexión y que bonita la frase " el país donde las flores alma del lenguaje ".
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Carina,
      Si, és verdad, son bellas enseñanzas de la tradición japonesa.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Excelente fin de.
      Abrazo.

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  2. Muy interesante también la segunda parte Ricardo. Me ha gustado aprender sobre el significado de las cosas en los templos japoneses, así como la reflexión sobre el yin y el yang, que no existen por si mismos pero forman parte de todas las cosas, hay mucho sobre lo que meditar en esa afirmación...

    Un abrazo.

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    1. Hola, Guillermo,
      Realmente son muy interesantes las enseñazas de la Tradición japonesa.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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