Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Kototama, Ki e Não-Dual – Parte 1

Como vimos no artigo anterior, o estudo de Kototamas possuem um espaço importante nas Arte Marciais, principalmente nos ensinamentos de Morihei Ueshiba O’Sensei, que via o Kototama como a energia da criação, que dá a vida a tudo que existe neste plano. Já conhecemos a visão de parte dos estudos transmitidos por Inoue Sensei e Okuyama Sensei; neste texto, veremos os ensinamentos transmitidos por Ueshiba O’Sensei, com a analise de seu discípulo William Gleason Sensei, que realiza vários seminários sobre este assunto, inclusive aqui no Brasil.

Segundo nos transmitiu Mestre Ueshiba, esta energia é única e indivisível do Universo, que cria a forma e a função do Espírito Universal; ou4 seja, todos nós somos esta energia, somos apenas unidade, já que este Ki a tudo permeia.

Gleason Sensei escreveu que o campo de Ki (energia vital), é a própria sabedoria, que nenhuma pessoa tem mais ou menos Ki que a outra, que nenhuma vida é melhor ou pior que outra; que todos estes conceitos derivam do julgamento de nossa mente, que o modo como a “usamos” é que faz toda a diferença.

Mestre Morihei Ueshiba citava em seus ensinamentos: “Aikidō é o caminho supremo para a prática do Kototama. É o meio através do qual a pessoa realiza sua verdadeira natureza divina e encontra a liberdade definitiva.(...)

O fundamento do Aikidō está no interior, tornando-se vazio como o firmamento. Deste ponto de vista, nasce a liberdade de movimentos harmoniosos. Tornar-se vazio significa descartar todos os pensamentos ilusórios e idéias errôneas sobre o “eu”. A consciência mais elevada (gokui) do Aikidō é fundir o movimento da pessoa com o mundo invisível do espírito: o Kototama. Obtendo isto, todo o universo fica contido no Hara, o centro vital do qual nasce nova energia vital.”

Este ficar vazio, esvaziar a mente, como ensinava Ueshiba O’Sensei, esquecer todos os ensinamentos e técnicas, por mais paradoxal que pareça, é a base absoluta da realidade, segundo Gleason Sensei:

“Nessa realidade, não existe nenhuma separação entre o eu e o outro. Nas palavras do Mestre (do Zen) Dogen: 'Estudar o eu é esquecer o eu; esquecer o eu é ficar iluminado pelas dez mil coisas'.

O’Sensei descreveu este estado como 'não-mente', o Mushin – estar livre de todas as ilusões do ego que nos separam do coração e da mente do espírito criador do Universo, o Kototama Su. A vacuidade, desta maneira é unicidade com o Universo.Isso não é para ser compreendido olhando-se para o exterior de nós mesmos, mas sim permitindo que o mundo exterior venha até nós e prove nossa existência.”

O artigo de Gleason Sensei nos mostra os ensinamentos de Ueshiba O’Sensei, nos falam do Não-Dual, da não-mente, do não-julgamento, do não-'achar que eu sou'; pois o oposto são atributos do ego.

Kawanabe Sensei me falou que este estudo do Kototama, da impermanência e da mente-espirito, através do Budo, é Michi; numa referencia ao Kannagara no Michi, que poderia ser definido como a caminhada da tomada de consciência, que se manifesta através da evolução da mente humana. Este conceito é dos primórdios da sociedade japonesa, presente nos ensinamentos de Inoue Doshu e Ueshiba O’Sensei.

Fritjof Capra é citado por Gleason Sensei, porque este demonstra pela física, o que para nossa cultura ocidental, parece ser um grande vazio dos místicos orientais pode ser comparado facilmente ao campo quântico da física subatômica. (...)  Todos os nossos conceitos (inclusive os de espaço e tempo) são, simplesmente, criações da mente.”

Yoshito S. Hakeda Sensei, em seu livro sobre Kukai (Kukai and His Greats Works), dizia que “Ki é o fundamento ou fonte do mundo relativo, à semelhança dos átomos, que já foram considerados a substância básica da matéria. Assim, todas as manifestações da natureza, inclusive as qualidades mais sutis da emoção, mente e espírito, são produtos de Ki.”

Segundo escreveu o Doshu Kisshomaru Ueshiba, seu pai tinha o estudo do Kototama como base de pesquisa sobre a natureza do Ki da respiração, do ciclo contínuo que causava a geração do fluxo contínuo de Ki. Assim como o Kototama, O’Sensei tinha profundo interesse pela meditação, que era de caráter diário, inclusive antes dos treinamentos.  Os estudos de Kototama do Fundador, exprimiam um forte traço da cultura japonesa, além dos escritos de Kukai, estudava os ensinamentos de Motoori Norinaga, Kiohara Michihisa, entre outros autores.

Quando terminava o treinamento, contava o Doshu Kisshomaru, O’Sensei se sentava e entrava em profundo estado meditativo, geralmente emitindo o Kototama Su, U ou Aun, como extensão de sua respiração. Outras vezes ficava meditando, em frente ao Kamisa, em silêncio profundo.

O’Sensei também difundia o conceito das diversas formas da respiração, segundo sua palavras: “ o funcionamento maravilhoso do Ki, é devido às sutis variações da respiração, sendo este o Princípio Gerador.(...) Em concordância com a maravilhosa atuação do Ki, corpo e mente se tornam unidade. Quando o Aikido é praticado, as variações sutis da respiração fluem através do ser, permitindo que o praticante manifeste as técnicas com total liberdade.” (The Art of Aikido; principles and essential – translation John Stevens).

(C0ntinua)


Baseado em entrevistas e textos de Inoue Sensei, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kisshomaru Ueshiba Doshu, Kenjiro Kawanabe Sensei, Willian Gleason Sensei, John Stevens Sensei, Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes, Yoshito S. Hakeda Sensei

4 comentários:

  1. Me ha gustado mucho la frase "ninguna vida es mejor o peor que otra". Muchas gracias por compartir este texto, ha sido un placer leerlo y aprender un poco más sobre Kotodama.

    Un abrazo y buen fin de a tod@s!

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    1. Buenos Dias, Guillermo,
      Me gusta mucho el pensamiento no-dual, y Ueshiba O'Sensei nos habla mucho en relación à esto. Christian Graham Sensei tiene la misma linea de pensamiento.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Buenos días Ricardo,
    Realmente interesante tu texto y es cierto Graham Sensei todos los días publica algo en Facebook, se puede aprender mucho.
    Muchas gracias, buen finde y un abrazo

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    Respostas
    1. Buenos Dias, Carina,
      Es verdad, textos no dualidad son bellisimos, me alegro de que cada vez más se están sendo conocidos y vistos.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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