Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Teruo Nakatani Sensei e Uke Adler Sensei


Neste artigo, queria escrever sobre estas duas pessoas que participaram, também, na minha caminhada nas Artes Marciais. Tudo começou no segundo semestre de 1973, eu tive uma das mais importantes experiências de minha vida, quando convidado por amigos que já praticavam, fui participar de uma aula de Aikido, no Dojo da Rua Barata Ribeiro, Copacabana. Já tinha praticado Judô, e pude vivenciar uma técnica totalmente diferente, que não requeria participação de força física. Entusiasmado, como o Dojo era muito próximo de onde morava, treinava pela manhã, à tarde e algumas vezes à noite.

Esta era uma das academias de Teruo Nakatani Sensei, que chegou ao Brasil no ano de 1960, vindo ao Brasil, devido a situação econômica do Japão. Saiu de Santos, aonde chegou para o Rio de Janeiro, para trabalhar em uma firma japonesa, e é convidado, pelo Shihan de Judo Masami Ogino, para lecionar Aikido no Dojo do Hospital dos Servidores do Estado, que tinha cerca de 100 tatamis.

Nakatani Sensei estava quase um ano sem treinar, porém Ogino Shihan disse que rápidamente entraria em forma, como assim o foi. Antes de sair do Japão, Nakatani Sensei, tinha pedido permissão ao seu amigo e instrutor, Kisshomaru Ueshiba, para ensinar aqui no Brasil, caso houvesse oportunidade. O Doshu sempre escrevia para seu amigo Nakatani para saber como ele estava no Brasil, se estava passando bem, preocupação de amigo.

Nos tempos de Japão, Nakatani Sensei era muito amigo de Noro Sensei (seu amigo mais próximo. Kobayashi Sensei (ambos estudaram juntos na Universidade Meiji), Yamada Sensei, Tada Sensei, Tamura Sensei, entre outros, eram da mesma turma e tinha instrução com Koichi Tohei Sensei, ao mesmo tempo.

Segundo relato, de um jornal doa anos 60, por volta das cinco e meia da manhã, tinham treinamento com Ueshiba O’Sensei, que tinha uma parte filosófica importante; uma caracteristica era que O’Sensei não fazia aquecimento. Durante o dia, o treinamento era com Tohei Sensei e, posteriormente, com Kissomaru Doshu. Um ano antes de vir para o Brasil, chegou a treinar cerca de 12 horas por dia.

Foi convidado por George Mehdi Sensei, para dar aula de Aikido em sua Academia de Judô, e posteriormente abriu outra na Praça da Bandeira.

Quando Adélio Sensei, responsável pela academia de Copacabana, foi estagiar com Noro Shihan, em Paris, Nakatani Sensei ministrava mais aulas, quando pude sentir sua impressionante técnica e agilidade; não usava força e sua projeção de Ki era inigualável. Muitas vezes se deitava no chão, pedia para três ou quatro alunos o imobilizarem, mas parecia impossível fazermos tal coisa.

Tinha como Uke, Edward Adler Sensei (o “Eduardo”, seu terceiro Shodan, na época Nidan – Oswaldo “Guru” Simon e Carlos Infante foram os primeiros), que possuía uma técnica e projeção de Ki, muito impressionantes. Adler Sensei participava de todas as demonstrações e seminários fora das academias.

Devido a problemas e artrose no joelho, e muito trabalho na empresa que tinha montado, Nakatani Sensei pede a Kobayashi Shihan que lhe envie um de seus Uchideshi,e então veio, em 1975, Shikanai Sensei (atualmente 7º Dan, Shihan).

Eu treinava esporadicamente, a partir de 1976, devido ao horário integral da faculdade e, mais tarde, me mudei para Petropolis, treinando com outros Senseis (vindos do Rio e de Petrópolis), até encontrar, anos mais tarde, Adler Sensei, de quem gostaria de falar um pouco mais. Ele, que passou muitos anos em Nova York, retorna ao Brasil, vindo morar em Petrópolis e Salim Shihan nos informa sobre sua chegada. Passamos a treinar juntos por cerca de quatro anos, até o Mal de Parkinson, afastá-lo definitivamente dos treinos no inicio de 2008.

Quando treinávamos, reviviamos o estilo de Nakatani Sensei, treinos. de cerca de 3 horas seguidas, três vezes por semana, algumas vezes no sábado, e víamos que Adler Sensei melhorava muito de seus sintomas durante a prática. Filipe Sensei, na época Senpai, ajudou muito a Adler Sensei reaver seus diplomas do Honbu Dojo. Uma das características de Edward Sensei,assim como de Nakatani Sensei, era um Irimi Nage muito possante, com inúmeras variações, além de técnicas de Nikkyo e Shiro Nage muito rápidas e possantes, também.



Relembrando a visita do Doshu ao Rio de Janeiro, os amigos Nakatani e Kisshomaru, conversaram muito sobre os velhos tempos aqui em Petrópolis, em um almoço em Araras, no qual Kawai Shihan estava presente. Constantemente, tenho noticias de Nakatani Sensei por meus antigos amigos de Aikido e, esporadicamente, falo com ele por telefone.

Boa Semana a todos.

Oss.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Casa do Clã Samurai Nomura


Partilho com vocês uma das belezas do Japão, numa das cidades que podemos vislumbrar traços do passado feudal, convivendo com o moderno em perfeita harmonia. Em Kanazawa, cidade situada entre Kyoto e Takayama, a capital da província de Ishikawa conseguiu preservar parte da atmosfera de sua longa e rica história, que em 1583, Daimyo Maeda Toshiie, tomou o castelo de Kanazawa e fundou um período de paze prosperidade para o Clã Kaga, que durou séculos. Daimyo Maeda era seguidor de Toyotomi Hideyoshi, o senhor da guerra que foi finalmente capaz de unificar politicamente Japão sob seu governo; fazendo com que Kanazawa permaneceria no centro de um domínio feudal abençoado com uma prosperidade duradoura.

Nomura Denbei Nobusada era um dos vassalos se mais alto posto, sendo presenteado com um feudo de um mil Koku, que mais tarde chegou a 12 mil Koku, graças ao Daimyo Maeda.

Com a queda do regime feudal, muitas casas de Samurais foram destruídas: uma vendidas, outras viraram terreno de agricultura, etc.



O distrito Nagamachi recorda as grandiosas residências dos Samura, cedidas aos seus vassalos pelas gerações dos Maeda, lugares que uma vez cobriram vastas áreas da cidade. Podemos retornar no tempo, quando caminhamos pelas ruas de pedra, movendo-se entre as paredes de terra ocre de barro, aonde encontramos propriedades muito elegantes.
Podemos ver que a atmosfera de Kanazawa dos tempos feudais ainda permanece nesta área onde as casas antigas foram às ruas que pertenceram a Kaga Clã Samurais. A forma de T e becos em forma de L são características peculiares desta cidade feudal, e as portas de lama e portas das casas continuam como há 400 anos; as casas com janelas chamadas de “estilo samurai”, e as paredes de barro sob os telhados de madeira. O esteiras de palha "Komo" que protegem as paredes de barro de neve dá a verdadeira sensação de inverno em Kanazawa. Dentro da casa, encontramos um pequeno museu, o Ashigaru Shiryokan, que era uma casa que pertencia a um bushi do Clã Kaga.

O jardim da Casa tem árvores de mais de 400 anos de idade, bem como várias lanternas, que compõem a belíssima paisagem; que pode ser vista das salas da residência. Apenas o portão antigo e as paredes que cercam a propriedade, estão da maneira que eram. 




O Jyodan-no-ma, é uma sala de pintura com um bosque de ciprestes japoneses típicos, um local muito bonito de ficar contemplando, para esvaziarmos a mente. Dentro da sala, cada delicado papel de parede, possui uma grande paisagem de Sasaki Senkei, sendo altamente conceituado na Kano School. Devemos prestar atenção a uma porta em especial, que possui a gravura das tartarugas, chamada de Yuki no zu, um dos mais belos trabalhos feitos no Japão.



Depois de visitar o Museu, o Jardim e os cômodos, você pode se deliciar na típica casa de Chá ao lado, tomando um chá verde, contemplando o maravilhoso jardim, uma vez mais.

Compartilho com vocês algumas imagens deste belo local.

Oss.












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