Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 21 de setembro de 2014

A Impermanência e o Canto de Iroha

Iroha -Uta ( ou Canto de Iroha) é um poema japonês, que nos fala da Impermanência e é usado como abecedário, para o aprendizado nas escolas. Interessante ver que desde cedo, as crianças convivem com este conceito de que nada é permanente. As notas musicais, também usam este sistema de hierarquização.

A origem deste poema é provavelmente do periodo Heian (entre 794-1179 A.D). É atribuído ao monge Kukai, fundador da seita esotérica do budismo Shingon no Japão. As pesquisas são controversas, quando baseadas na escrita, algumas a datam num período posterior a existência de Kukai, que seria escrita no período Heian, mas pode ser uma cópia do original (primeiro registro data de 1079).

É um perfeito pangrama (ou pantograma, que é uma frase com sentido em que são usadas todas as letras do alfabeto de determinada língua) (e ao ​​mesmo tempo um isogram ), contendo cada personagem do silabário japonês exatamente uma vez. Devido a isso, é também usada como uma encomenda para o silabário, da mesma maneira que o abecedário, tendo comparações com o alfabeto fenício e seus antecessores Semíticos .

Historiadores citam que a primeira versão do poema é em caracteres Man'yōgana, que é um antigo sistema de escrita que utiliza caracteres chineses para representar os sons da língua japonesa . Sua datação de aparecimento no Japão não é clara, mas estava em uso desde pelo menos meados do século VII, no período Nara, que usavam este sistema em suas poesias.

Estruturalmente, este poema segue o padrão normal de 7-5 da poesia japonesa, porem os alguns textos em hiragana antigos contém dois caracteres arcaicos, que ainda persistem em Okinawa.

Uma pesquisa feita pelo professor Hideo Komatsu revelou que a última sílaba de cada linha do original Man'yo-gana , quando colocados juntos, nos revelam uma frase oculta (toka ou toga]: nakute Shisu que significa "morrer sem injustiça". Os estudiosos, alegam, que pode ser uma menção ou elogio em louvor de ao Mestre Kukai, reforçando a noção de que este poema pode ter sido posterior ao falecimento do monge. É considerado, por outros, a tradução japonesa de um hino do Nirvana Sutra, sendo inspirados nos seguintes versos deste Sutra:

Shogyō Mujo Impermanencia

Zeshō meppō Essa é a lei de nascimento e morte.

Shōmetsu metsui Quando o ciclo de nascimento-morte é extinto

Jakumetsu iraku. O Silencio final (Nirvana) é a verdadeira bem-aventurança. 



Então o Canto de Iroha está escrito abaixo, em romanji; primeiramente na transliteração da época, depois com uma pronuncia mais atual, e ao fim, uma de suas propostas de tradução para nossa língua. 



Iro ha nihohe to (Iro wa nioedo) As cores são perfumadas ( flores desabrochando)
tirinuru wo (Chirinuru o ) ainda que se espalhem
Wa ka yo tare so (Waga yo tare zo) O quê no nosso mundo
tune naramu (Tsune naramu) mantêm-se imutavel?
Uwi no okuyama (Ui no okuyama ) A montanha de perigos (ilusões)
kehu koete (Kyō koete ) Hoje, vamos atravessá-las
Asaki yume misi (Asaki yume miji) nem tendo sonhos vãos
wehi mo sesu (Ei mo sezu) nem se iludindo.

Muitos autores, fazem suas versões falando da Sakura e a impermanência, inclusive Gleason Sensei, que atribue este poema ser um presente para a mítica princesa Akahitomeso ,da linhagem Fukiaezu, cujo pai compõe este poema para que ela possa se livrar do apego a seu passado, quando é enviada para a Mesopotâmia. Este pai, queria ajudar a sua filha a superar a tristeza profunda por ter de abandonar o seu lar.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Tradição Japonesa, sobre os períodos de Nara e Heian, e artigos de William Gleason Sensei.

4 comentários:

  1. Muy interesante lo que nos propones hoy Ricardo, me ha encantado el post, creo que las religiones han utilizado este tipo de sistemas para "dar un poco de cultura básica" al pueblo llano.

    Un abrazo.

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    1. Buenos Dias, Guillermo,
      En este caso, me encanta lo significado intrínseco (y oculto) de las palabras, que para nosotros, seria apenas un silabário . Aqui, el texto nos remite a las Sakuras, que son el símbolo de la impermanencia . Vi esto en diversos textos y entrevistas. Muy interesante, también, es el estudio arqueológico de la lengua y la escritura; en este caso, a través de los hallazgos en excavaciones: este texto podría ser (con la escritura antigua Man'yōgana), del periodo Nara (o incluso antes).
      Es muy interesante como el aspecto de la impermanencia,es un hecho normal para esta cultura en el dia-a-dia desde niños; hecho de que se evita en nuestra cultura occidental, que se ve como una pérdida y dolor.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Buenas noches Ricardo,

    Muy buena tu explicación en el artículo, me gusta mucho el poema del Monje Kukai y que los niños en Japón aprendan el concepto de la impermanencia para poder valorar más el momento presente ,muchas gracias y un abrazo
    Carina

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    Respostas
    1. Buenas Noches, Carina,
      Muy buena tu observación, creo que es esto mismo que se pasa.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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