Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

O Caminho Zen por Monja Coen

Monja Coen escreveu estas belas palavras, nos transmitindo todo ensinamento de uma maneira sutil, direta e natural, que se interioriza sem relutância em nosso ser. Transcrevo parte deste texto:

“O Caminho Zen principia em você.

Aqui e agora.

Lendo este texto.

Como está sua respiração? Percebe a luz e a sombra?

E os batimentos cardíacos?

Calor/ Frio? Temperatura ambiente.

E lá fora? Há um lá fora?

Sem fora nem dentro.

Sem apegos e sem aversões.

O Caminho Zen está aberto.

Venha devagar, em plena atenção.

Não se apresse. A beleza do caminho está no caminhar.

Onde leva o Caminho Zen?

Talvez não leve a lugar algum.

A Terra do Nada?

Como é essa terra?

O que é o nada?

Vazio.

Vazio de intenções.

Vazio de uma identidade fixa e permanente.

No Caminho Zen há pedras e rochas, montanhas e rios.

Há cidades e vilas, crianças carentes e crianças fartas de tudo.

É preciso apenas abrir os canais da percepção.

Sem, sonora pequena palavra de uma só silaba, teve sua origem em Dhyana ou Jhana, do sânscrito, significando meditação.

O verbo meditar em português é transitivo direto, isto significa que exige um objeto.

Para meditar temos de ter um objeto de meditação.

Mas o Zen é sem objeto. Sem sujeito e sem objeto.

Como pode ser isso?

O objeto é o próprio sujeito.

A mente observa a própria mente.

Transcende.

Não se prende à ideia de “minha mente” separada da “grande mente”.

Somos a vida do universo em manifestação.

Não somos parte do todo.

Somos o todo, cada um de nós é o todo se manifestando em sua pluralidade de formas.

Forma é vazio.

Nada fixo, nada permanente.

Este livro, no momento, é um livro. Mas cada folha é uma árvore. Cada árvore é céu e terra, animais e insetos, minérios, água, fogo, vento. Num processo contínuo e ininterrupto.

Este livro é não livro.

Os ensinamentos são não ensinamentos. O Caminho Zen é o não Caminho. E o Zen é tudo que não é o Zen. Você pode me entender?

Isto é Zen?

Onde o Caminho Zen começa? Será que tem fim?

Caminhando. Cada passo é cada passo. Diferentes solos, texturas, plantas, oceanos, praias, espaços, diferentes fragrâncias, odores, fedores, belezas e horrores. Diferentes estamos também nós, a cada momento.

Fluindo, fluímos com o fluir da vida.

No tempo, somos o tempo.”

Boa reflexão.

Oss.

Texto de Monja Coen no livro “O Caminho Zen”, de Eugen Herrigel.

domingo, 21 de setembro de 2014

A Impermanência e o Canto de Iroha

Iroha -Uta ( ou Canto de Iroha) é um poema japonês, que nos fala da Impermanência e é usado como abecedário, para o aprendizado nas escolas. Interessante ver que desde cedo, as crianças convivem com este conceito de que nada é permanente. As notas musicais, também usam este sistema de hierarquização.

A origem deste poema é provavelmente do periodo Heian (entre 794-1179 A.D). É atribuído ao monge Kukai, fundador da seita esotérica do budismo Shingon no Japão. As pesquisas são controversas, quando baseadas na escrita, algumas a datam num período posterior a existência de Kukai, que seria escrita no período Heian, mas pode ser uma cópia do original (primeiro registro data de 1079).

É um perfeito pangrama (ou pantograma, que é uma frase com sentido em que são usadas todas as letras do alfabeto de determinada língua) (e ao ​​mesmo tempo um isogram ), contendo cada personagem do silabário japonês exatamente uma vez. Devido a isso, é também usada como uma encomenda para o silabário, da mesma maneira que o abecedário, tendo comparações com o alfabeto fenício e seus antecessores Semíticos .

Historiadores citam que a primeira versão do poema é em caracteres Man'yōgana, que é um antigo sistema de escrita que utiliza caracteres chineses para representar os sons da língua japonesa . Sua datação de aparecimento no Japão não é clara, mas estava em uso desde pelo menos meados do século VII, no período Nara, que usavam este sistema em suas poesias.

Estruturalmente, este poema segue o padrão normal de 7-5 da poesia japonesa, porem os alguns textos em hiragana antigos contém dois caracteres arcaicos, que ainda persistem em Okinawa.

Uma pesquisa feita pelo professor Hideo Komatsu revelou que a última sílaba de cada linha do original Man'yo-gana , quando colocados juntos, nos revelam uma frase oculta (toka ou toga]: nakute Shisu que significa "morrer sem injustiça". Os estudiosos, alegam, que pode ser uma menção ou elogio em louvor de ao Mestre Kukai, reforçando a noção de que este poema pode ter sido posterior ao falecimento do monge. É considerado, por outros, a tradução japonesa de um hino do Nirvana Sutra, sendo inspirados nos seguintes versos deste Sutra:

Shogyō Mujo Impermanencia

Zeshō meppō Essa é a lei de nascimento e morte.

Shōmetsu metsui Quando o ciclo de nascimento-morte é extinto

Jakumetsu iraku. O Silencio final (Nirvana) é a verdadeira bem-aventurança. 



Então o Canto de Iroha está escrito abaixo, em romanji; primeiramente na transliteração da época, depois com uma pronuncia mais atual, e ao fim, uma de suas propostas de tradução para nossa língua. 



Iro ha nihohe to (Iro wa nioedo) As cores são perfumadas ( flores desabrochando)
tirinuru wo (Chirinuru o ) ainda que se espalhem
Wa ka yo tare so (Waga yo tare zo) O quê no nosso mundo
tune naramu (Tsune naramu) mantêm-se imutavel?
Uwi no okuyama (Ui no okuyama ) A montanha de perigos (ilusões)
kehu koete (Kyō koete ) Hoje, vamos atravessá-las
Asaki yume misi (Asaki yume miji) nem tendo sonhos vãos
wehi mo sesu (Ei mo sezu) nem se iludindo.

Muitos autores, fazem suas versões falando da Sakura e a impermanência, inclusive Gleason Sensei, que atribue este poema ser um presente para a mítica princesa Akahitomeso ,da linhagem Fukiaezu, cujo pai compõe este poema para que ela possa se livrar do apego a seu passado, quando é enviada para a Mesopotâmia. Este pai, queria ajudar a sua filha a superar a tristeza profunda por ter de abandonar o seu lar.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Tradição Japonesa, sobre os períodos de Nara e Heian, e artigos de William Gleason Sensei.

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