Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 24 de agosto de 2014

Meditação, Zen e Não Dualidade

Mestre Shunryu Suzuki nos explica várias dúvidas que possamos ter sobre a mente, mas sempre nos convidando à prática da meditação. Em seu livro sobre a mente Zen, ele nos explica um pouco mais sobre a Não Dualidade, nos falando que a continuidade da prática do Zazen é o cerne do Zen.

Sobre a prática, ele escreveu que esvaziar a mente não significa cessar todas as atividades da mente, neste instante mente e corpo são um, tudo se torna um mudra. É uma forma de prática isenta da ideia de ‘ganhar’ ou ‘alcançar’ alguma coisa.

Embora a prática do Zazen seja baseada do Sutra do Coração, cujo o cerne é a afirmação é “Forma é vazio, vazio é forma”; Sensei nos alerta:

“Mas se você se apegar a tal afirmação, estará sujeito a se envolver em ideias dualistas: em um lado está você, forma; em outro, o vazio que você está procurando perceber através de sua própria forma.”

Persistir neste pensamento, ou outras ideais de visualizações, é dualismo, o que leva a dificuldade em esvaziar a mente, porém com a prática, progressivamente seremos unidade e a mente se esvazia, passamos ser “aquilo que observa”.

A mente plena acompanha a respiração, mas ao mesmo tempo, a respiração expressa a mente.

Suzuki Zenji nos alerta sobre outra armadilha do ego:

“Prática não quer dizer que qualquer coisa que você faça, até mesmo ficar deitado, seja Zazen. Prática é quando as restrições não o limitam. Se você diz ‘qualquer coisa que eu faça é de natureza búdica, portanto não importa o que eu faça e, assim, não há necessidade de praticar Zazen’, isto já é um entendimento dualista da nossa vida diária. Se de fato não importasse, nem sequer haveria necessidade de dizê-lo. Enquanto importar aquilo que se faz, haverá dualismo. Se você não estivesse realmente se importando com aquilo que está fazendo, não o mencionaria. Ao sentar-se, estará simplesmente sentando-se, nada mais. Ao comer estará apenas comendo. É só isso. Se você diz ‘não tem importância’, significa que está se justificando por fazer uma coisa à maneira da ‘mente pequena’. Significa que você está apegado à alguma ideia ou coisa em particular. Não é isso o que queremos dizer com ‘basta apenas sentar-se’ ou ‘qualquer coisa que você faça é Zazen’. Certamente, qualquer coisa que façamos é Zazen, mas se de fato é, não há necessidade de dizê-lo.”

Termino com um conselho do Mestre Suzuki, que pode parecer paradoxal, à primeira vista:
Mas, se você puser seu melhor esforço em continuar a prática, com todo o seu corpo e sua mente, sem nenhuma ideia de ganho, então, seja o que for que esteja fazendo, será prática verdadeira. Seu propósito deve ser o de manter a continuidade. Ao fazer algo, apenas fazê-lo deve ser seu único propósito. Forma é forma e você é você, e a realidade do vazio será alcançada em sua prática.”

Boa Prática.

Oss.

Baseado no Livro “Mente Zen, Mente de Principiante”, de Mestre Shunryu Suzuki.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A Não-Mente e Michi

Conforme tenho lido, e me explicou Mestre Kawanabe, Michi ou Do, é o Caminho, denominador comum entre todos as formas de Budo, estando muito além da técnica. Michi, tem de ser percorrido e vivenciado dia a dia, até o instante que o ego se dilui e o Ser se manifesta, isto pode ser alcançando quando mente e corpo se manifestam como uma unidade indivisível.

Kawanabe Sensei nos demonstra que a respiração se torna um dos métodos para esta “unificação”, pois ela expressa, fisicamente nosso estado mental, e, ao mesmo tempo, pode atuar sobre a mente. Através desta prática, a mente deixa de perseguir os pensamentos, se acalma e, gradativamente, passamos a perceber o fluxo natural, deixando ele se expressar.

Inoue Sensei ensinava que Michi é dádiva ou vontade do Universo, que está se manifestando a todo instante; basta apenas nos esvaziarmos para que o Fluxo aconteça. Ser observação, ser ação; é a ação que dá origem à Virtude, Verdade, Compaixão, Beleza, etc...; logo, a Natureza seria somente a manifestação de Musubi (Força Vivificante ou da Criação), principio fundamental do mundo que concede a vida, e é indiscutivelmente bom, segundo a crença geral.

Devemos relembrar o ensinamento de que o ser humano é colocado como o elo entre a Terra e o Céu (Universo), desta união da Via Celestial com a Via da Terra feita através do Ser Humano, resultando numa energia Ki ascendente, que purifica e harmoniza.

Não podemos excluir, como ensinava Inoue Doshu, que além da prática sincera, a oração é uma via para afastar a impureza do interior do ser humano, o que pode ser feito conjuntamente. Podemos associar a esta prática a meditação.

Está escrito no Dai Nippon Shin Ten, sobre o Michi:

“Antes de tudo, você deve compreender assim como praticar o principio e ação harmoniosa. Através do principio, a maneira correta de fazer as coisas é compreendida, A manifestação da lei natural em nossa vida diária resulta em harmonia e liberdade. Somente quando isso é conseguido é possível particar Michi, o modo de vida.

Aquele que quiser compreender Michi deve, primeiramente, entender o corpo. Isto requer uma capacidade elevada de discernimento e uma percepção intuitiva das leis e princípios da Natureza.”

Este próprio conceito de Michi, segundo alguns Mestres do Budo, não pode ser visto como “algo” a ser atingido, pois ele representa em estarmos fazendo o Caminho, quando nós e o Caminho somos uma só coisa. Porem, mesmo alcançando esta consciência, o praticante permanece igual às outras pessoas, pois seu ego se dissolveu, não existe mais a necessidade de dizer que alcançou algo ou tal objetivo; ele apenas é.

Então, vivenciamos o Akaki kiyoki kokoro, que significa estar com o coração leve e puro, estndo unificado à ordem e harmonia da Grande Natureza, a "sacralidade do total do Universo”; como ensinavan Ueshiba O’Sensei e Inoue Sensei. Neste estagio, quando o Ego se esvazia, passamos a ser apenas “observação”, vivendo a dimensão de Não-Mente.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Inoue Doshu, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kawanabe Shihan, William Gleason Sensei, Eckhart Tolle e Dai Nippon Shin Ten.

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