Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 1 de julho de 2014

Budo e Kunigoshi Sensei – Parte 1

Takako Kunogoshi Sensei, filha de um militar do Exército Imperial Japonês, queria estudar e praticar Kembu (o que muitos denominam como arte da espada dançante), e tinha ouvido falar que existia um Dojo em Ushigome Wakamatsu–Cho, que tinha aulas desta Arte. Na verdade era o Kobukan Dojo, e quando, em janeiro de 1933, ele chaga acompanhada de seus amigos, ouve a informação de que se praticava uma modalidade de Aikijujtsu Daito Ryu, o Kobu Budo (talvez a similaridade sonora com Kembu é que tenha gerado a informação que levou os jovens ao dojo).

A jovem e seus amigos ficaram para ver uma aula, e quiseram praticar. Estes dados são provenientes de entrevistas de Takako Sensei, assim como outros Uchideshi deste Dojo,a Stanley Pranin. Aqui vamos ver como era o ambiente, como eram os primeiros dias de uma Arte, que anos mais tarde, daria origem ao Aikido e ao Shin’ei Taido. Vamos ver como foram os primeiros passos do famoso livro de Ueshiba O’Sensei, Budo Renshu, já que foi Takako quem fez a gravuras do livro, trabalhando junto com Morihei Ueshiba e seus Uchideshi por um ano.

As aulas começavam por volta das 6 horas da manhã, e podiam ir até as 10 horas da manhã, sendo que existiam outros três horários (tarde e noite), para quem trabalhava durante o dia. Os Uchideshii podiam participar de todos os treinos, já que moravam no Dojo e, como não havia quartos no inicio, dormiam no tatami, durante a noite. Mais tarde é que se construiram vestiários e outras dependências. As duas únicas moças do Dojo tinham que ir vestidas ou se vestirem em outro lugar, avisar que estavam entrando, pois muitas vezes os instrutores ainda dormiam. Os keikogi e roupas, geralmente ficavam pendurados nas paredes, bem acima dos praticantes. Todos usavam Hakama, iniciantes ou graduados, e a cores podiam ser branco ou preto. A jovem Takako escolheu branco, porem, depois tingiu seu Hakama de preto, pois a cor branca sujava muito. Os ukemi (rolamentos e quedas), eram adaptados e estudados, para cada pessoa, levando em conta a dinâmica corporal de cada um, principalmente das alunas, já que o centro de gravidade se desloca, dependendo da pélvis de cada um.

Quanto aos Uchideshii, sabemos que variavam entre 6 ou 7, já que Inoue Sensei, que era o instrutor Sênior, morou ali por um tempo, mas viajava muito para outros Dojos, a pedido de Ueshiba O’Sensei; foram citados os instrutores Yonekawa Sensei, Shirata Sensei, Funashi Sensei, Futaki Sensei e Yukama Sensei.

Quanto aos treinos, com O’Sensei, os jovens achavam muito interessante, que o Mestre, sempre dava a mesma resposta para as perguntas, muitas vezes não era compreendido, pois sempre falava das coisas espirituais,estando o significado daquelas palavras, muito além das próprias palavras, tudo precisava ser experimentado e vivenciado.

Muitas vezes os estudantes, perguntavam entre si: “o que o Mestre esta falando, que significado têm?”. Porem, O’Sensei continuava, sempre sem explicar a mecânica física das técnicas, apenas demonstrava; com toda paciência, quantas vezes fossem necessárias. Era comum ouvir as frases: “ – Você, faça o Ikkajo desta maneira.”; “Não coloque o Ki nesta direção. “.

Sempre atento, o Mestre ensinava e corrigia cada detalhe, pessoalmente, dos erros que os discípulos faziam.

Segundo Takako Sensei, na época se usava a denominação de kajo para as técnicas, além de não existir graduação por Dan; você recebia um certificado de estar apto a realizar e praticar as técnicas. Mais tarde ela soube que seu certificado, equivaleria ao terceiro Dan ( Ela só não esclarece a que época equivaleria; pois em determinada época, para todos as Artes Marciais, o quinto Dan era o máximo, como nos anos quarenta a cinquenta).

O ambiente do Dojo era muito familiar, era uma grande familia, tanto instrutores como alunos. Era comum, os alunos levarem comida de casa para repartir; muitas vezes a esposa de O’Sensei, fazia o almoço após o treino e todos comiam juntos. Era comum ajudarem financeiramente quem necessitava de dinheiro para fazer uma viagem ou curso. Não havia mensalidades ou taxas fixas (devemos lembrar que este Dojo vivia de contribuições de patronos, como o tio Koshiro Inoue de Inoue Sensei, entre outros), e isto fazia com que se tornassem muito próximos.

Muitos faziam arranjos florais para enfeitar o Dojo; e após os treinos, O’Sensei permitia que eles ficassem jogando Badminton por cerca de 2 horas, no tatami.

Mestre Deguchi, era quem dava a orientação espiritual, Mestre Ueshiba o considerava a fonte de energia, e o visitava frequentemente; numa das vezes levou a jovem Takako para tomar chá e conversar com Mestre Deguchi.

(Continua)



Baseado em artigos e entrevistas de Stanley Pranin.

4 comentários:

  1. Buenas tarde Ricardo,
    Muy interesante los comienzos del entrenamiento de aikido, muchas gracias por compartirlo. Lo de la hakama me recuerda a el yudansha que llevaba la voz cantante en el Hombu Dojo cuando fuimos, el que avisaba antes de que entre el Doshu y el que sacaba la aspiradora para limpiar, llevaba la hakama rota de tanto uso
    un abrazo

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    1. Hola, Carina,
      Nos maestros venidos de Japón, en los años 60, nos dijeron todos portaban la Hakama, Kohai o Senpai, y de variados colores. Solamente despues del final de la guerra, como los precios eram muy altos, fueron liberados los mas nuevos de utilizar la Hakama.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Después de leer tu texto he cerrado y los ojos y he conseguido imaginar por un momento como sería la vida en aquel Dojo. Muchas gracias por un maravilloso viaje al pasado Ricardo.

    Un abrazo.

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    1. Hola, Guillermo,
      Si, tu estas correcto, era maravilloso; como podemos ver, era un ambiente sencillo y muy amable, donde todo el mundo se ayudaba. En aquellos días, no había reglas de una institución; al igual que la vez que conocí el Aikido. Acerca de las graduaciones cuando O'Sensei creía que eras listo, era emitido un certificado único; ya era capaz de enseñar; no había exámenes de kyu o dan.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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