Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ikkyo e Eterno Aprendizado

Saotome Shihan escreveu um texto muito interessante de como, de uma maneira geral, muitos praticantes “separam” as técnicas, elegendo uma forma e maneira como corretas, ao invés de perceber as similitudes, como está acontecendo a realização da técnica naquele momento e seu resultado filosófico.

Como O’Sensei tinha ensinado, Shihan nos mostra que não existe um Ikkyo perefeito, mas que todo Ikkyo seria perfeito a partir do instante que é executado de uma maneira sincera, espontânea, em harmonia com a situação que se apresenta e de musculatura relaxada ( como Inoue Doshu também ensinava).

Ele cita que não devemos tentar imitar a maneira ou a fora do instrutor, já que para o instrutor, a prática do Ikkyo é diferente a cada execução, por isto devemos ter esta percepção; já que a mesma forma não pode ser reproduzida com a mesma exatidão indefinidamente. A cada momento e circunstância, o grau de aplicação de Ki, o sentido do direcionamento de Ki, o psicológico, a forma física-muscular, o ambiente, a percepção de Nage sobre Uke, a sincronia e a estrutura atômica, não são as mesmas: tudo está em transformação continua; porem os princípios básicos não se alteram.

O’Sensei, muitas vezes, explicava que um novo Ikkyo era uma nova técnica, e seus ensinamentos se modificavam sutilmente de um dia para o outro, de ano para anos; explicava que um Ikkyo que parecia idêntico, quando realizava dez anos após, era complemente diferente. Ueshiba O’Sensei explicava que seu espírito, sua percepção, sua compreensão, sua mente e espírito, tinham modificado e aperfeiçoados; o treinamento é o dia a dia, é a vida que levamos, que estamos sempre em evolução quando mantemos o foco no momento presente.

Saotome Shihan diz que os estudantes necessitam desenvolver um olhar especial para perceberem e interpretarem os ensinamentos do instrutor, pois aqueles que se preocupam com a forma não conseguem perceber, tampouco permitem o crescimento e mudança interiores. Além da forma, deveriam vislumbram e perceber o Coração; por isso tantos mestres falam na via do Coração, do Kokoro, não existe via melhor para compreender o Kihon Waza; que isto representa o grande alicerce e o catalisador da evolução espiritual.

Por isso o treinamento tem que ser sincero, harmônico, com o foco no Hara e no Naka no Tandem (Tandem do Coração), como resultado mente e espírito estão desimpedidos; surge o movimento espontâneo e não existe mas espaço para a manifestação do ego.

Morihei Ueshiba O’Sensei dizia, quando perguntado sobre a prática: “Iriminage e Shihonage, 10 anos. Ikkyo é a vida toda.”



Então, vamos encontrar o termo Man’nen Sho Ho, que muitos traduzem como “Aprendizado Eterno” ou “Aprendiz para Sempre”. Man'nen está na Tradição japonesa, que também encontraremos ligado ao Budismo, expressando o significado de eternidade; já que significa 10.000 anos. No Oriente, na Antiguidade, o termo 10.000 coisas representava o Universo e 10.000 anos algo que seria para sempre.

Man’nen Sho Ho é composto pelos Kanjis Yorozu/ toshi /hatsu /Ho, e como nos ensina Mochizuki Hiroko Sensei, este termo nos transmite a sensação de que, em sua palavras, “é algo que é para sempre e para não se esquecer a sensação de quando eu comecei pela primeira vez.”

Termino com as palavras de Saotome Shihan de que “Ikkyo é o primeiro capítulo e o último.”

Boa Reflexão.

Oss.


Baseado no Livro de Mitsugi Saotome Shihan “Aikidō e a Harmonia da Natureza” e em entrevistas de Inoue Doshu.

sábado, 26 de julho de 2014

A Prática por Tamura Shihan

Nobuyoshi Tamura nasceu em Osaka em 02 de março de 1933, foi Uchideshi de Ueshiba O’Sensei e foi para França em 1964, aonde permaneceu ensinando até o seu falecimento em 09 de julho de 2010. Quando visitei Mestre Noro, este me falava de Tamura shihan, que seria um Mestre com uma técnica muito boa, outro grande amigo seu de Dojo, assim como Nakatani Sensei. Este vídeo resume os ensinamentos de Mestre Tamura; no qual podemos ver, ao final, Donovan Waite Sensei em um seminário com Shihan.

Boa Pratica.

Oss.




Para ver demosntração Kokyu Ho por Tamura Shihan -Clique Aqui

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Kokyu Ho por Tamura Shihan

Este video é muito didático, além de mostrar a técnica aprimorada do Kokyu Ryoku Tandem Ho de Tamura Shihan, que demonstra e ensina sobre se manter relaxado e de mente vazia durante a realização.

Boa Prática.

Oss.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Kokyu Ho, Hara e a Técnica

Mitsugi Saotome Shihan nos explica que o cerne do Aikidō é o Kokyu Ho, que deve ser sempre praticada, em pé ou em seiza, com ombros, braços e musculatura relaxada. O Kokyu Ho é a estrutura do poder de Musubi, sendo que sua movimentação constitui a base principal do Aikidō.

Shihan nos relata existir uma máxima no Budō que é proteger o “karma do adversário”, proteger aquele que nos ameaça, poir isso devemos aprimorar nossa técnica, que devemos transcender o ego e a energia agressiva, descobrindo assim o caminho positivo para a Harmonia. Cada ataque e cada defesa representariam a oportunidade Para uma profunda revolução espiritual. a movimentação é a aplicação intuitiva da energia universal, a fusão do espírito com o vazio: o praticante e o universo são um só, isto é katsu (despertar espiritual que abre o olho do espírito).

Tanto o físico como o espiritual, tem que estar em uníssono neste despertar, nesta abertura; não adiante um sem o outro. Seu parceiro é o seu espelho, que te auxilia no processo de polimento e purificação; aprendendo a utilizar os cinco sentidos, chegaremos os sexto e ao sétimo (Consciência Espiritual). Quando o ego é transcendido, descobrimos a mente universal.

Na execução da técnica, perceber que o Ki (energia) flui em direções diferentes em cada forma, logo o movimento tem que ser adaptado, sempre, mesmo que façamos a mesma técnica em seguida.

Devemos ter a mente vazia, jamais buscando lutar com a mente de Uke, pois este conflito pode “contaminar” o espírito (a mente). quando Uke age, uma movimentação física já tem início no Hara; se inicia um enlace da energia de Uke com a de Nage. Nage deve perceber, neste momento, isto em seu Hara, dando uma mesma direção à estas “duas energias” (que de fato é apenas uma única energia, aonde estamos todos imersos, porem, neste estágio, percebemos como duas), resultando em um único fluxo de Ki. Quando Nage começa a perceber que é a energia de Uke, não deve tentar desequilibra-lo com as mãos, e sim projetar o Hara, o corpo inteiro, redirecionando e orientado o Ki resultante através de uma mudança sutil e suave do movimento espiral.

Nage não deve limitar sua concepção de espaço apenas à área ocupada pelo seu corpo, também deve perceber a existência do espaço espiritual do Universo, já que está no centro do movimento da galáxia; Nage e Uke constituem o simbolismo vivo do Tao (Dō), são as energias complementares (yin e yang) finalmente unificadas e tomando uma única direção através do movimento em espiral.

Shihan nos lembra que toda a movimentação do Aikidō se condensa no Kokyu Ho, pois encerra todos os ensinamentos técnicos e tudo dele deriva.

Sobre isto, ensinava Ueshiba O’Sensei:

“Quando a dinâmica do movimento em espiral provocar uma mudança física, você viverá uma revolução espiritual. Então, você se tornará uno com o movimento Universal.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no Livro de Mitsugi Saotome Shihan “ Aikidō e a Harmonia da Natureza”.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Paz para o Mundo

Como sabemos, Morihei Ueshiba O’Sensei, após ter participado de várias guerras, percebe, em sua iluminação, que todos os seres fazem parte de uma mesma família, que o mundo deve ser de harmonia e concórdia. Nestes tempos de conflitos que estamos vendo, penso que deveríamos reler e meditar mais sobre os ensinamentos deste Grande Mestre, que denominou seu Budo como a Arte da Paz:

"A Arte da Paz é remédio para um mundo doente. Nós queremos curar o mundo da doença de descontentamento, a violência e a discórdia. Existe mal e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram de que emanam todas as coisas a partir de uma única Fonte. Retornar à Fonte e deixar para trás todos os pensamentos egoístas, desejos mesquinhos e raiva; pois aqueles que são possuídos por tudo isto, nada possuem."

Ele nos aconselha:

"Seja grato mesmo por dificuldades, contratempos, e pessoas más. Lidar com tais obstáculos é uma parte essencial da formação na arte da paz. "

"Assim se você se preocupar com " bom "e" ruim " a respeito de seus companheiros, você cria uma abertura em seu coração para a maldade entrar. Testar, concorrer e criticar os outros, esta atitude vai enfraquecer e derrotar você. "

Nos seu últimos dias, Ueshiba O’Sensei, falou aos seus discípulos:

“O Aikido é para o Mundo todo. Não serve a propósitos egoístas ou destrutivos. Treinem incessantemente para o bem de todos (os seres humanos).”

O’Sensei sempre nos convidava a refletir sobre a Paz e o Amor Universal, como escreveu neste poema, que relembra nossa missão:

“Cada um e cada mestre, independentemente da época ou lugar,

Ouviu o chamado e alcançou harmonia com o céu ea terra.

Há muitos caminhos que levam ao topo do Monte Fuji,

mas só há uma ápice que é o Amor.”

Boa Reflexão.

Oss.



Baseado livros sobre a vida de Morihei Ueshiba O’Sensei

domingo, 20 de julho de 2014

Aikibudo e Ueshiba O’Sensei

Encontrei vários artigos sobre a a prática de Budo de Ueshiba O’Sensei, nos mostrando que o nome da Arte, ainda em 1942 (outros afirmam que a edição era de 1946, porem a primeira data é que parece ser a mais correta), segundo um artigo publicado na Revista Shin Budo daquele ano era Aikibudo. O titulo era “Tenshin Ryu Aikibudo, por Moritaka Ueshiba Sensei”. A revista relata ser este uma prática marcial apropriada para os tempos que o Japão estava atravessando, durante guerra.

Na época, era denominado Aikibudo Tenshin Ryu por incorporar cinco técnicas, que O’Sensei afirmava ter estudado e incorporado, seriam elas: Daito-Ryu Jujutsu, Yagyu-Ryu Jujutsu, Aioi-ryu Heiho, Shinkage-ryu Heiho e Hozoin-ryu Sojutsu.

Podemos notar, que aos 61 anos, nome de O’Sensei ainda era Moritaka Ueshiba, cujo kanji é a associação de Mori – floresta com Takashi, sendo que este ultimo nos transmite um senso de um filho muito devoto e piedoso. Só mais tarde é que Ueshiba O’Sensei muda sei nome para Morihei, cujo o sentido seria de “Paz Abundante”.

O’Sensei dizia no artigo da revista Shin Budo:

“ Não existe kata em Aikibudo. Todos os fenômenos do mundo variam constantemente de acordo com as circunstancias particulares e não há duas situações são exatamente iguais. É ilógico treinar usando apenas um único kata, limitando assim a si mesmo. "

Podem ver algumas fotos neste vídeo abaixo 




Boa Prática.

Oss.



Baseado em artigos sobre Aikibudo e memórias de Ueshiba O'Sensei



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Budo e Kunigoshi Sensei – Parte 2

A jovem Takako, participa das práticas, logo após que foi instituido que os Dojos fariam parte Kodo Omoto (o nome anterior da Omoto Kyo, que significava o Caminho Imperial Omoto), criando-se a Showa Seigankai (Associação Juvenil Showa), e o Budo Senyokai ; a Arte passa a denominar-se Kobu Budo, não mais Daito Ryu; posteriormente, devido a não concordância do Imperador, o nome da Arte passa a ser Aiki Budo.

Foi, então, que surgiu o convite, por parte de Morihei Ueshiba, para ela ilustrar o livro que ele iria fazer. A jovem Takako recebeu o convite de Morihei Ueshiba como uma grande honra, e durante aproximadamente 1 ano (o livro ficou pronto em 1934), após os treinamentos diários, se dedicava a confeccionar minuciosa e cuidadosamente, as gravuras.

As figuras dos dois praticantes representados, de hakama preto e de hakama branco; o mais alto e o mais baixo eram Shigemi Yonekawa e Kaoru Funashi, respectivamente. Estes dois uchideshii ficavam na postura, enquanto o próprio O’Sensei os corrigia, assim como fazia correções nas gravuras, orientando a jovem desenhista. Cada detalhe, como da postura das mãos era revisado, com o intuito de ficar o mais próximo da realidade.

Todos os dias, logo após o treino, eles se reunião para começar a confecção de mais uma gravura, e assim até 1934. O’Sensei, se sentava com ela para ver as gravuras, e muitas vezes comentava: “Esta mão direita seria melhor assim”, ou “Melhor fazer deste modo”. Quando ele já achava que já estava bom, dizia, "Isso é o suficiente por hoje", e iam embora do Dojo.

Ainda assim, ela tinha tempo livre para participar dos treinos na casa do Almirante Takeshita, a quem descreve como um homem de uma personalidade e caráter maravilhosos, e só parou de frequentar estes treinos por volta de 1943, quando começaram a ter ameaças de bombardeios em Tóquio.

O Almirante tinha uma excelente técnica, e sempre que treinava com O’Sensei, fazia muitas anotações; mas preferia treinar a ensinar. Muitas vezes, relatava em seu Dojo, que o Imperador Hiroito tinha lhe perguntado se ele tinha praticado Aiki naquele dia, e ele dizia que sim (notar que a denominação ainda seria Aiki Budo naquela época).

Pessoas famosas frequentavam o Dojo do Almirante Takeshita, como o filho de Yoshinobu Tokugawa ( o ultimo Shogun dos Tokugawa, que tinha renunciado), Kazuo Koizumi (filho do famoso escritor americano de origem Greco-irlandesa Lafcadio Hearn, que no Japão se chamava Yakumo Koizumi), além de muitos universitários e militares da alta cúpula.

Takako Kunigoshi Sensei, que nasceu em 1911, em Takamatsu, Prefeitura de Shikoku, faleceu no ano de 2000.



Baseado em artigos e entrevistas de Stanley Pranin.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Budo e Kunigoshi Sensei – Parte 1

Takako Kunogoshi Sensei, filha de um militar do Exército Imperial Japonês, queria estudar e praticar Kembu (o que muitos denominam como arte da espada dançante), e tinha ouvido falar que existia um Dojo em Ushigome Wakamatsu–Cho, que tinha aulas desta Arte. Na verdade era o Kobukan Dojo, e quando, em janeiro de 1933, ele chaga acompanhada de seus amigos, ouve a informação de que se praticava uma modalidade de Aikijujtsu Daito Ryu, o Kobu Budo (talvez a similaridade sonora com Kembu é que tenha gerado a informação que levou os jovens ao dojo).

A jovem e seus amigos ficaram para ver uma aula, e quiseram praticar. Estes dados são provenientes de entrevistas de Takako Sensei, assim como outros Uchideshi deste Dojo,a Stanley Pranin. Aqui vamos ver como era o ambiente, como eram os primeiros dias de uma Arte, que anos mais tarde, daria origem ao Aikido e ao Shin’ei Taido. Vamos ver como foram os primeiros passos do famoso livro de Ueshiba O’Sensei, Budo Renshu, já que foi Takako quem fez a gravuras do livro, trabalhando junto com Morihei Ueshiba e seus Uchideshi por um ano.

As aulas começavam por volta das 6 horas da manhã, e podiam ir até as 10 horas da manhã, sendo que existiam outros três horários (tarde e noite), para quem trabalhava durante o dia. Os Uchideshii podiam participar de todos os treinos, já que moravam no Dojo e, como não havia quartos no inicio, dormiam no tatami, durante a noite. Mais tarde é que se construiram vestiários e outras dependências. As duas únicas moças do Dojo tinham que ir vestidas ou se vestirem em outro lugar, avisar que estavam entrando, pois muitas vezes os instrutores ainda dormiam. Os keikogi e roupas, geralmente ficavam pendurados nas paredes, bem acima dos praticantes. Todos usavam Hakama, iniciantes ou graduados, e a cores podiam ser branco ou preto. A jovem Takako escolheu branco, porem, depois tingiu seu Hakama de preto, pois a cor branca sujava muito. Os ukemi (rolamentos e quedas), eram adaptados e estudados, para cada pessoa, levando em conta a dinâmica corporal de cada um, principalmente das alunas, já que o centro de gravidade se desloca, dependendo da pélvis de cada um.

Quanto aos Uchideshii, sabemos que variavam entre 6 ou 7, já que Inoue Sensei, que era o instrutor Sênior, morou ali por um tempo, mas viajava muito para outros Dojos, a pedido de Ueshiba O’Sensei; foram citados os instrutores Yonekawa Sensei, Shirata Sensei, Funashi Sensei, Futaki Sensei e Yukama Sensei.

Quanto aos treinos, com O’Sensei, os jovens achavam muito interessante, que o Mestre, sempre dava a mesma resposta para as perguntas, muitas vezes não era compreendido, pois sempre falava das coisas espirituais,estando o significado daquelas palavras, muito além das próprias palavras, tudo precisava ser experimentado e vivenciado.

Muitas vezes os estudantes, perguntavam entre si: “o que o Mestre esta falando, que significado têm?”. Porem, O’Sensei continuava, sempre sem explicar a mecânica física das técnicas, apenas demonstrava; com toda paciência, quantas vezes fossem necessárias. Era comum ouvir as frases: “ – Você, faça o Ikkajo desta maneira.”; “Não coloque o Ki nesta direção. “.

Sempre atento, o Mestre ensinava e corrigia cada detalhe, pessoalmente, dos erros que os discípulos faziam.

Segundo Takako Sensei, na época se usava a denominação de kajo para as técnicas, além de não existir graduação por Dan; você recebia um certificado de estar apto a realizar e praticar as técnicas. Mais tarde ela soube que seu certificado, equivaleria ao terceiro Dan ( Ela só não esclarece a que época equivaleria; pois em determinada época, para todos as Artes Marciais, o quinto Dan era o máximo, como nos anos quarenta a cinquenta).

O ambiente do Dojo era muito familiar, era uma grande familia, tanto instrutores como alunos. Era comum, os alunos levarem comida de casa para repartir; muitas vezes a esposa de O’Sensei, fazia o almoço após o treino e todos comiam juntos. Era comum ajudarem financeiramente quem necessitava de dinheiro para fazer uma viagem ou curso. Não havia mensalidades ou taxas fixas (devemos lembrar que este Dojo vivia de contribuições de patronos, como o tio Koshiro Inoue de Inoue Sensei, entre outros), e isto fazia com que se tornassem muito próximos.

Muitos faziam arranjos florais para enfeitar o Dojo; e após os treinos, O’Sensei permitia que eles ficassem jogando Badminton por cerca de 2 horas, no tatami.

Mestre Deguchi, era quem dava a orientação espiritual, Mestre Ueshiba o considerava a fonte de energia, e o visitava frequentemente; numa das vezes levou a jovem Takako para tomar chá e conversar com Mestre Deguchi.

(Continua)



Baseado em artigos e entrevistas de Stanley Pranin.

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