Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 3 de março de 2014

A Mente e os Sentidos

Conta a Tradição que certo dia, pela manhã, o Buda Gautama encontra seus discípulos, que discutiam o ensinamento do dia anterior. O discípulo Ananda se aproxima do Mestre, coloca suas mãos juntas, inclinando-se, diz:

"Tendo ouvido sobre o Dharma, eu ainda não entendo como liberar os nós. Eu só espero que sejais compassivo, e mais uma vez, oferecendo-nos a explicação do Dharma de lavar e enxaguar das contaminações profundamente enraizadas.”

- "Como denominas isto?" – pergunta o Buda, que, ao mesmo tempo, pega um pano de rara beleza, fazendo um nó e mostra para Ananda.

- "É o que denominamos de nó. " - Ananda e a grande assembléia responderam

E a cada laço que fazia, Siddarta perguntava a seus discípulos, que respondiam da mesma maneira até o Iluminado fazer o sexto: "Isso, também, é chamado de nó."

- "Quando eu primeiro amarrei o pano, você chamou-lhe um nó; este belo pano é, basicamente, uma única faixa como você poderia dar a mesma resposta para a segunda e terceira vez?" - O Buda pergunta novamente.

- "Mestre, este belo pano é apenas uma peça, mas quando fazeis um laço, é chamado um nó. Se fazeis uma centena de laços, que seria denominado de uma centena de nós. Assim agora que são exatamente seis nós, e não cinco ou sete foram amarrados no pano, por que permitais-me falar de um nó e não de dois ou três? " –pergunta o discípulo.

- "Você sabe que isso é um pano precioso, basicamente, uma tira, mas quando eu fiz seis laços nela, dissestes que existiam seis nós a considerar cuidadosamente, além da substância do pano; este pano permanece inalterado, exceto pelos nós. Identificastes o primeiro nó como número um; agora estou pronto para amarrar o sexto nó:podes também chamá-lo de número um? Por isso é que os seis nós não são idênticos. Considere a sua origem: eles são criados a partir de um pano e foram amarrados em uma determinada ordem. Seus seis órgãos dos sentidos também são assim. Pelo o que foi idêntico, surgem diferenças decisivas. (...)
Isso é também o que acontece quando os seis órgãos dos sentidos são liberados. Por causa do que não tem começo, toda vez que sua mente e natureza têm sido perturbadas, criam-se falsos conhecimentos e pontos de vista. Como essa falsidade continua a surgir sem descanso, a percepção torna-se cansada e surgem contaminações. " -explicou Siddarta.

O Tathagata pegou o pano atado, puxando suas extremidades esquerda e direita, perguntando se este era o caminho para desatá-los. Foi então, que Ananda, se aproximou e observando, afirmou que só poderia ser feito desatando os nós de seu centro.

- "Assim é, assim é. Se você quiser desfazê-las, tens que desatá-los a partir do centro. Portanto, Ananda, podes selecionar qualquer um dos seis órgãos dos sentidos; se os nós dos órgãos dos sentidos são removidos, então os fenômenos de profanação desaparecerem por si mesmos e toda ilusão deixa de existir. Se o que resta não é a verdade, então onde é que você espera encontrar a verdade? Agora eu pergunto, podem os seis nós do belo pano serem desatados simultaneamente e liberados de uma só vez?" O Buda disse a Ananda,

O discípulo afirmou que como os nós foram feitos originalmente em seqüência, agora eles devem ser desatados em seqüência; que a substância dos seis nós é a mesma, mas eles não foram feitos simultaneamente, e agora quando são desfeitos, teria de ser desatados paulatinamente.

-  "Liberar os seis órgãos dos sentidos é da mesma forma .
Quando o órgão do sentido começa a ser liberado, percebe-se o vazio das pessoas em primeiro lugar. Quando a natureza desse vazio é totalmente compreendido, então és liberado dos dharmas. Uma vez que és liberado a partir de dharmas, nem uma espécie de vazio irá surgir. O mesmo ocorre, ao desembaraçar as concepções dos seis sentidos, o desatar dos nós é um processo gradual, iniciando pelos nós dos cinco sentidos e depois o sexto nó, que é a mente perceptiva e discriminadora, que por si só se desfaz.” - disse o Buda.

Osho, em seu livro sobre o Zen, comenta a mesma história, nos mostrando que a melhor solução é perguntamos como entramos naquela situação: raiva, apego, possessividade, o que seja; ao invés de procurar solução em livros, nos outros ou responsabilizando os outros. Refere que a melhor solução seria perguntar a si mesmo como foi que você entrou neste caminho. Então, ele usa a figura de imagem de uma abelha ou um pássaro que entra em uma sala pela porta aberta, depois se debate porque não sabe como sair, por onde sair. São seres tidos como sem consciência, logo todos acham isto natural, mas em relação aos seres humanos, isto não acontece.

O discípulo nos indica que, primeiro, ver como você entra na raiva; se puder ver a entrada, ela é a mesma porta de saída. Sem analisar e conhecer a entrada, não se encontra a saída, fica-se cada vez mais e mais desesperado.

Porém, assim como o lenço antes de receber os nós, assim é a nossa mente, como nos explica Osho, sobre esta natureza da mente, como percebê-la:

“No primeiro momento da manhã,você se torna consciente que o sono se foi, há uma brecha de alguns segundos, nos quais a mente não existe – somente de alguns segundos. O sono não existe mais e o mundo ainda não começou a existir. A mente vai levar um pouco de tempo para começar. Há uma brecha, um intervalo, por alguns segundos. Se você for suficientemente alerta, você será capaz de ver como você entra todos os dias no mundo. Qual é o seu primeiro pensamento hoje? Você deve ter entrado, mas você não está absolutamente ciente. Nós vivemos tão mecanicamente. Cada momento é uma oportunidade.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no texto em inglês em uma das versões da primeira parte do Volume 5 do Shurangama Sutra e no livro Zen- A Transmissão Especial, de Osho.

4 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    Muchas gracias por compartir esta hermosa historia para reflexionar, intentaré a ver si logró captar ese primero momento por la mañana
    un abrazo

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    1. Buenas Noches, Carina,
      Realmente este Sutra es lleno de enseñanzas, esta es una pequeña parte.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Si nos empeñamos en ir hacia adelante muchas veces no habrá forma de avanzar. La mejor forma es volver atrás deshaciendo el camino y una vez en el principio volver a realizar el camino sin hacer nudos para poder percibir y disfrutar al máximo, Esto es lo que yo he entendido.

    Un abrazo Ricardo.

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    1. Buenos Días, Guillermo,
      Esto Sutra nos invita a no quedarnos atrapados a los sentidos y la mente egotista, él nos invita a que nos centramos en la possibillidade de experimentar la mente en su el estado natural.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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