Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 28 de março de 2014

Ki e Toate – Morihei Ueshiba O’Sensei

Muito interessante este vídeo de Ueshiba O’Sensei , já o vi diversas vezes e impressiona gestos tão suaves terem um impacto muito forte em Uke. Certa vez, em um treinamento, Adler Sensei nos confirmou que seu Shihan tinha-lhe dito que é realmente um impacto muito forte.



Embora este termo Toate tenha sido muito utilizado por Egami Sensei, a partir de 1957, em entrevistas, Kase Sensei faz referencia destas técnicas nos anos 50, logo pode ser que este termo tenha sido utilizado anteriormente na pratica de Aikibudo; é algo ainda a se pesquisar qual a origem desta terminologia.


Artigos de vários autores, como E. J. Harrison,  relatam  que esta proeza era conhecida nas escolas de Kenjutsu como "toate-no-jutsu", ou "a arte de golpear à distância." Kaze Arashi Ryu é um desses sistemas que engloba o estudo de várias artes, como o Toate no Jutsu, descrito como a arte de afetar fisicamente e mentalmente o adversário para colocá-lo em um estado de desequilíbrio. Isto inclui métodos para se conectar ou comunicar a intenção e as posições que enfraquecem o corpo do oponente. O Kiai é considerado como uma das práticas de Toate.

Boa Pratica.

Oss.


Baseado em artigos sobre Kenjutsu, Toate-no-jutsu, Egami Sensei, Kase Sensei e Aoki Sensei.

domingo, 23 de março de 2014

Hanami e Taki Sakura

Nesta época do ano, no Japão, existe um costume tradicional de apreciar a beleza transitória de flores, o Hanami que literalmente é “Ver as flores ou a flor", neste caso, quase sempre significando flores de cerejeira ("sakura") ou flores da ameixeira ("ume"). O periodo de observação, geralmente é do final de março ao início de maio.

A Taki Sakura de Miharu ou Miharu Taki Sakura, é uma das cinco cerejeiras maiores cerejeiras do Japão, tendo cerca de 1000 anos de existência. Seu nome significa literalmente “Cascata de Flores de Cerejeira”, está situada em Miharu na prefeitura de Fukushima, no norte do Japão. Geralmente floresce durante a segunda quinzena de abril, e flores rosa brilhante nos galhos espalhados em todas as direções, dando a impressão de uma cascata de flores de onde tira o seu nome.

Este vídeo abaixo é para que possamos apreciar este belo presente da natureza, que, com o cuidado do ser humano, está preservado até hoje.

Boa Observação.

Oss.



quarta-feira, 12 de março de 2014

Koan e Consciência

Mestre Thich Nhat Hanh, escreve sobre a natureza do Koan, nossa natureza, a consciência e o despertar. Ele nos mostra que se vemos o Koan como um desafia ao intelecto, algo para ser analisado pela mente, ele deixa de ser um Koan. Podemos ler, abaixo, suas belas palavras:

Um Koan (gong an em chinês, e cong an em vietnamita) é um enigma Zen, uma espécie de quebra-cabeça que pode ser resolvido pelo intelecto , mas únicamente através da prática da consciência plena, concentração e visão profunda. Um Koan pode ser contemplado e praticado coletivamente ou individualmente. Até que seja resolvido, nós não sabemos para onde ir, não estamos em paz nem felizes. Um Koan é como uma flecha que nos trespassa, e se não é retirada, não podemos estar em paz. Mas esta flecha não vem do exterior. Ela não é um acidente. Ela nos oferece, ao contrário, a oportunidade de olhar em profundidade as questões que nos atormentam, para transcender a ansiedade e confusão. Um Koan nos obriga a enfrentar as grandes questões sobre o sentido da vida, sobre o futuro do nosso país, sobre a felicidade verdadeira.

Entre os Koan mais famosos, podemos citar "Olhar o cipreste no pátio ", " Se tudo retorna ao um, para onde um retorna ? " " O cão tem a natureza de Buda? "e" Quem recita o nome de Buda? " Grandes reis e governantes vietnamitas têm praticado há muito tempo a arte do Koan , e muitos entre eles têm composto esses enigmas. O Mestre Zen Tuê Trung, irmão do famoso Trân Hung Dao que havia repelido a invasão de Gengis Khan, ofereceu o poderoso koan: "Todos os fenômenos são impermanentes , todos estão sujeitos ao nascimento e à morte. O que é que nasce e morre ? "

Um Koan não pode ser resolvido através de um raciocínio lógico ou argumento, nem por debates sobre a mente e a matéria. Isto só pode ser feito pela energia de plena consciência e concentração. Uma vez que o Koan está compreendido, estamos em paz, não havendo nem medo nem tormento. Nós vemos o nosso caminho, e alcançamos a paz interior.

Se você acredita que a pergunta "O cão tem a natureza de Buda?" é apenas um problema para o cão, ou apenas outra questão filosófica, então não é um Koan. Se você acredita que “para onde um retorna?" refere-se apenas a movimentos em uma realidade objetiva, então ele não é mais um Koan também. Se você acredita que Bat Nha é um problema para 400 monges e monjas no Vietnã somente, apenas um problema a ser resolvido de "forma adequada e racional", Bat Nha não é mais um Koan . Bat Nha só se torna realmente um koan quando você compreendê-lo como o seu próprio problema , quando você ver que ele está diretamente relacionado com a sua felicidade, o seu sofrimento, o seu futuro como o do seu país e do seu povo, desde que você não o tenha resolvido, você não consegue dormir, comer ou trabalhar em paz - só então Bat Nha se torna um verdadeiro Koan.

"Estar em plena consciência" significa voltar a ser e estar presente. Presente para o Koan, trazendo-o em seu coração em cada momento da sua vida diária, para poder compreendê-lo em profundidade, não negligenciando-o jamais, não deixando de lado um só instante.

A consciência plena deve ser constante, ininterrupta. Quando se come, se veste, se vai ao toillet para as necessidades, se bebe chá ou se toma uma ducha, o praticante deve estar consciente do Koan, para ser capaz de olhá-lo em profundidade.

Quem é o Buda, cujo nós devemos recitar o nome? E quem é essa pessoa que recita o nome do Buda? Quem sou eu? Você deve descobri-lo. E enquanto você não esclareceu a questão, também você não vai ter resolvido o mistério, você não vai realmente despertar, você não terá verdadeiramente compreendido.”

Termino com este conselho deste Grande Mestre do Zen:

“Não procurei o que quereis ver,

pois seria em vão.

Não busqueis nada, mas dais uma chance para a visão profunda

de se manifestar por si mesma.

Ela vos ajudará a libertar-vos.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Mestre Thich Nhat Hahn


Texte en Français

segunda-feira, 10 de março de 2014

Inter-Ser ou Interdependência

Se a mente é comum a todos os seres, tudo o que vivenciamos é apenas uma parte de um todo interdependente, que podemos perceber através de nossos sentidos. Tudo está conectado, quebre-se um dos elos desta teia, e talvez não tenhamos esta existência como a conhecemos. Separadamente, cada elo não tem existência independente. Mestre Thich Nhat Hanh, escreveu:

“Se você for um poeta, verá claramente uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem nuvem, não haveria chuva, sem chuva, as árvores não crescem, e sem árvores, não podemos fazer papel. A nuvem é essencial para o papel que está aqui diante de nós. Sem a nuvem, não há papel. Assim, é possível afirmar que a nuvem e a folha de papel "inter-são". A palavra "inter-ser" ainda não está no dicionário, mas combinando o prefixo " inter" e do verbo "ser" , temos um novo verbo , inter- ser. Sem nuvem, não temos papel, por isso podemos dizer que a nuvem e o papel inter- são .

Olhando mais em profundidade esta folha de papel, também vemos o sol. Sem o sol, a floresta não poderia crescer. Na verdade, nada poderia crescer, nós não poderíamos desenvolver. Portanto, nós também percebemos a presença do sol neste papel.

Papel e sol inter-são.

Continuando a observar, descobrimos também o lenhador que cortou a árvore e trouxe-a para a fábrica de papel. E vemos o trigo que nós sabemos que esse homem não poderia viver sem o seu pão de cada dia. É por isso que o trigo foi usado para fazer o pão que nutre o lenhador, está presente neste trabalho. E o pai a mãe são também o lenhador. Se olharmos desta forma, percebemos que sem todos esses elementos, esta folha de papel não poderia existir.

Observando ainda mais profundamente,

Também descobriremos ali a nossa presença.

Não é difícil ver que , quando olhamos para esta folha, ele faz parte de nossa percepção. Sua mente está lá e a minha também. Portanto, podemos dizer que tudo está presente nesta folha de papel. Você não será capaz de me mostrar uma coisa que não está lá - tempo, espaço, terra, chuva, os minerais do solo, o sol, a nuvem, o rio, o calor. . . Tudo coexiste com esta folha de papel. É por isso que eu acho que a palavra "inter-ser" deveria estar no dicionário.

"Ser, é inter-ser".

Você não pode "ser" apenas por si mesmo.

Você deve necessariamente inter-ser com todas as outras coisas.

Esta folha de papel é, porque todo o resto é. Suponha que tentou devolver um desses elementos à sua fonte. Suponha que reenviar a sua luz para o sol. Você acha que a existência desta folha de papel seja, então, possível?

Não, sem a luz do sol, nada pode existir. Se o lenhador retornasse à sua mãe, não teríamos mais o papel. O fato é que esta folha é composta unicamente de elementos "não-papel" e que se devolvermos estes elementos "não-papel" para suas respectivas fontes , não haveria mais papel, de maneira alguma. Sem estes elementos "não-papel" , como a mente, o lenhador , luz solar, etc . , não há papel. Ainda que esta folha seja fina, ela contém em si todo o universo."

Para termos acesso a esta consciência de não sermos partes separadas de um todo, é importante silenciar a mente: neste instante não existe mais a ilusão da separação. É neste instante que passamos ser observação."

Termino com esta frase de Timothy Freke:“Mas quando a mente está silenciosa, a realidade é vivida como vazia de toda separação. Não-eu. Não-você. Não-algo. Isto é o Zen.”

Boa Reflexão.


Oss.

Baseado no livro Le Coeur de la Compréhension de Thich Nhat Hanh e Zen-Palavras Básicas de Timothy Freke.


Texte en Français

sábado, 8 de março de 2014

Budo e Espiritualidade

Relendo entrevistas de pessoas de conviveram com Morihei Ueshiba O’Sensei, achei interessante os relatos de muitos dos uchideshi e alunos, que afirmaram ter a oportunidade de testemunhar a sua natureza verdadeira, sem serem influenciados pelos outros; atestando que sua Arte era tão sublime como divina.

É descrito que se tratavam de técnicas e princípios considerados por muitos divinos, quando viam aquele pequeno homem, um ser humano como todos os outros, que respirava o mesmo ar, muitas vezes apresentando sintomas de sua doença, porém, que chegava ao Dojo, e demonstrava um dinamismo e ténicas, tanto sublimes como poderosas.

Muito alegam que, em parte, isso deve à pratica dedicada do Budo, assim como sua prática espiritual que ele perseguiu avidamente desde de jovem. Muitos entrevistados por Stanley Pranin Sensei acreditavam que O’Sensei apresentava esta natureza espiritual desde seu nascimento. Muitos o consideravam um iluminado, dizendo perceber uma aura de espiritualidade muito forte que sempre cercou sua pessoa e a sua prática de Budo.

Todas as pessoas têm um lado espiritual, porém o fato de viverem seu dia a dia focado no mundo material, focados na tridimensionalidade e estimulados a crer que tudo é realizado através do nosso ego, faz com que a maioria das pessoas tenda a entorpecer esse sentido espiritual consideravelmente. Posso dizer que a nossa vida humana tem uma abundância de materiais. Mesmo após as nossas necessidades foram atendidas, tendemos a achar que não há o suficiente. Quando nos voltamos para nós mesmos o espírito humano, a nossa atenção deve se afastar para o excessivamente materialista.

Muitos consideram um grande Mestre capaz de representar um poder divino e místico, porem é seu campo que está tão harmonizado, que, quando estamos em sua presença, passamos a perceber melhor esta “dimensão” em que vivem.

No caso de Ueshiba O’Sensei, a transmissão dos ensinamentos de sua Arte, era feita de uma maneira tão sublime, que propiciava à seus discípulos expressarem a espiritualidade que é inerente a todo ser humano, podendo compreender que cada instante, pessoas, coisas e seres vivos são expressões do divino.

Mariye Takahashi Sensei, que foi discípula de Morihei Ueshiba por muitos anos, até ir para os estados Unidos, relatou esta convivência diária dos alunos com O’Sensei:

“A compreensão do Caminho, de O-Sensei através do Aikido, se mostra ser um curso muito natural dos eventos. Ele próprio tinha uma personalidade tão simples e pura que poderia quase ser considerado encantadoramente infantil. Eu o conheci depois que ele tinha experimentado, uma união espiritual mística entre Deus e o homem e tornar-se uma pessoa cada vez mais espiritualizada, então eu entendi que O-Sensei vinha a ser muito diferente das pessoas comuns. Uma das coisas que eu vi no Aikido de O-Sensei foi pontencializar a capacidade das pessoas de compreender algo mais nobre do que é normalmente acessível a eles. Até que ponto uma pessoa que pratica Aikido hoje pode ir em direção a nível desta realização (tanto tecnicamente e filosoficamente falando) de O’Sensei, será diferente para cada pessoa, vai depender em grande parte do potencial venha desde o nascimento deste indivíduo.(...)

Dessa forma O-Sensei era extremamente polido, muito delicado, ou talvez eu deva dizer que ele tem uma combinação de verdadeira pureza de espírito com a sinceridade de todo o coração. (...)

O’Sensei era uma pessoa com uma conexão com o mundo espiritual. Ele era alguém que podia perceber as ondas espirituais que emanam do mundo divino. Certamente, a sua capacidade de entrar em união com o divino fez dele um indivíduo extraordinário.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas a Stanley Pranin Sensei

segunda-feira, 3 de março de 2014

A Mente e os Sentidos

Conta a Tradição que certo dia, pela manhã, o Buda Gautama encontra seus discípulos, que discutiam o ensinamento do dia anterior. O discípulo Ananda se aproxima do Mestre, coloca suas mãos juntas, inclinando-se, diz:

"Tendo ouvido sobre o Dharma, eu ainda não entendo como liberar os nós. Eu só espero que sejais compassivo, e mais uma vez, oferecendo-nos a explicação do Dharma de lavar e enxaguar das contaminações profundamente enraizadas.”

- "Como denominas isto?" – pergunta o Buda, que, ao mesmo tempo, pega um pano de rara beleza, fazendo um nó e mostra para Ananda.

- "É o que denominamos de nó. " - Ananda e a grande assembléia responderam

E a cada laço que fazia, Siddarta perguntava a seus discípulos, que respondiam da mesma maneira até o Iluminado fazer o sexto: "Isso, também, é chamado de nó."

- "Quando eu primeiro amarrei o pano, você chamou-lhe um nó; este belo pano é, basicamente, uma única faixa como você poderia dar a mesma resposta para a segunda e terceira vez?" - O Buda pergunta novamente.

- "Mestre, este belo pano é apenas uma peça, mas quando fazeis um laço, é chamado um nó. Se fazeis uma centena de laços, que seria denominado de uma centena de nós. Assim agora que são exatamente seis nós, e não cinco ou sete foram amarrados no pano, por que permitais-me falar de um nó e não de dois ou três? " –pergunta o discípulo.

- "Você sabe que isso é um pano precioso, basicamente, uma tira, mas quando eu fiz seis laços nela, dissestes que existiam seis nós a considerar cuidadosamente, além da substância do pano; este pano permanece inalterado, exceto pelos nós. Identificastes o primeiro nó como número um; agora estou pronto para amarrar o sexto nó:podes também chamá-lo de número um? Por isso é que os seis nós não são idênticos. Considere a sua origem: eles são criados a partir de um pano e foram amarrados em uma determinada ordem. Seus seis órgãos dos sentidos também são assim. Pelo o que foi idêntico, surgem diferenças decisivas. (...)
Isso é também o que acontece quando os seis órgãos dos sentidos são liberados. Por causa do que não tem começo, toda vez que sua mente e natureza têm sido perturbadas, criam-se falsos conhecimentos e pontos de vista. Como essa falsidade continua a surgir sem descanso, a percepção torna-se cansada e surgem contaminações. " -explicou Siddarta.

O Tathagata pegou o pano atado, puxando suas extremidades esquerda e direita, perguntando se este era o caminho para desatá-los. Foi então, que Ananda, se aproximou e observando, afirmou que só poderia ser feito desatando os nós de seu centro.

- "Assim é, assim é. Se você quiser desfazê-las, tens que desatá-los a partir do centro. Portanto, Ananda, podes selecionar qualquer um dos seis órgãos dos sentidos; se os nós dos órgãos dos sentidos são removidos, então os fenômenos de profanação desaparecerem por si mesmos e toda ilusão deixa de existir. Se o que resta não é a verdade, então onde é que você espera encontrar a verdade? Agora eu pergunto, podem os seis nós do belo pano serem desatados simultaneamente e liberados de uma só vez?" O Buda disse a Ananda,

O discípulo afirmou que como os nós foram feitos originalmente em seqüência, agora eles devem ser desatados em seqüência; que a substância dos seis nós é a mesma, mas eles não foram feitos simultaneamente, e agora quando são desfeitos, teria de ser desatados paulatinamente.

-  "Liberar os seis órgãos dos sentidos é da mesma forma .
Quando o órgão do sentido começa a ser liberado, percebe-se o vazio das pessoas em primeiro lugar. Quando a natureza desse vazio é totalmente compreendido, então és liberado dos dharmas. Uma vez que és liberado a partir de dharmas, nem uma espécie de vazio irá surgir. O mesmo ocorre, ao desembaraçar as concepções dos seis sentidos, o desatar dos nós é um processo gradual, iniciando pelos nós dos cinco sentidos e depois o sexto nó, que é a mente perceptiva e discriminadora, que por si só se desfaz.” - disse o Buda.

Osho, em seu livro sobre o Zen, comenta a mesma história, nos mostrando que a melhor solução é perguntamos como entramos naquela situação: raiva, apego, possessividade, o que seja; ao invés de procurar solução em livros, nos outros ou responsabilizando os outros. Refere que a melhor solução seria perguntar a si mesmo como foi que você entrou neste caminho. Então, ele usa a figura de imagem de uma abelha ou um pássaro que entra em uma sala pela porta aberta, depois se debate porque não sabe como sair, por onde sair. São seres tidos como sem consciência, logo todos acham isto natural, mas em relação aos seres humanos, isto não acontece.

O discípulo nos indica que, primeiro, ver como você entra na raiva; se puder ver a entrada, ela é a mesma porta de saída. Sem analisar e conhecer a entrada, não se encontra a saída, fica-se cada vez mais e mais desesperado.

Porém, assim como o lenço antes de receber os nós, assim é a nossa mente, como nos explica Osho, sobre esta natureza da mente, como percebê-la:

“No primeiro momento da manhã,você se torna consciente que o sono se foi, há uma brecha de alguns segundos, nos quais a mente não existe – somente de alguns segundos. O sono não existe mais e o mundo ainda não começou a existir. A mente vai levar um pouco de tempo para começar. Há uma brecha, um intervalo, por alguns segundos. Se você for suficientemente alerta, você será capaz de ver como você entra todos os dias no mundo. Qual é o seu primeiro pensamento hoje? Você deve ter entrado, mas você não está absolutamente ciente. Nós vivemos tão mecanicamente. Cada momento é uma oportunidade.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no texto em inglês em uma das versões da primeira parte do Volume 5 do Shurangama Sutra e no livro Zen- A Transmissão Especial, de Osho.

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