Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Afinidade e Harmonia - Shinwaryoku

O termo Shinwaryoku significa o estudo sobre o poder da afinidade, através do qual, passamos a compreender como é possível a afinidade com o meio ambiente, através da utilização de mente e do Ki natural (Energia), para formar um espaço vivo que está em harmonia com a ecologia. Este termo é composto pelos Kanjis:

Shin - Pais, intimidade, familiaridade

Wa - harmonia; estilo japonês; paz; flexibilidade; Japão

Ryoku ou Chicara - energia, força, poder, forte, tensão; agüentar; exercer.








Geralmente, segundo análise de Stanley Pranin Sensei, traduzimos o termo Budo como Arte Marcial, porem, conformes sua conclusão após encontrar Inoue Sensei, seria melhor o termo “Via Marcial”, pois implicaria numa disciplina de desenvolvimento da força do caráter e da espiritualidade, durante toda uma vida.

Segundo Kawanabe Shihan, o estudo de Shinwaryoku, que teve com Inoue Sensei, nos fornece uma conexão com o mundo espiritual, é como se alguém que pudesse receber ondas espirituais que emanam do mundo divino. Certamente, esta possibilidade de entrar em união com o divino nos concede uma grande modificação.

Inoue Sensei nos dizia, que por mais que se valorize o poder e a força, nada disso tem importância, que devemos prestar atenção para o que está presente todo o tempo e não está aparente, para os nossos olhos: mesmo sendo pessoas diferentes, vivendo em lugares diferentes, estamos todos imersos na emanação do Ki do Universo. Esta é a fonte única, que permeia a tudo e a todos os seres vivos, ele é indivisível: a divisão é algo aparente; é como a nossa mente pode compreender o mudo. Este ki é um só, e todas as coisas estão imersas nele, tudo e todos têm a mesma natureza divina.

Inoue Sensei nos dizia que esta energia criadora está sempre em movimento, por isso sendo importante na prática flexibilidade e a respiração, pois ambas expressam a nossa mente, assim como atuam sobre esta, simultaneamente. O Mestre indicava, que durante a prática, podemos perceber, se existirem 10 pessoas, teremos 10 técnicas diferentes; e que, por mais que pensemos assim, o Kokyu não é tudo,e sim parte de um todo. (Observar que os termos Kokyu, Ki e Iki, podem o mesmo significado de respiração).

Segundo o seu aprendizado da vida toda, Inoue Doshu afirmava, que através da mente vazia conseguimos acessar todos os tipos de formas ou kata, que tudo está em nosso interior, basta apenas praticar para estas técnicas se expressarem. Estas técnicas seriam expressão dos complementares Yin e Yang, as duas polaridades de uma mesma energia, assim como seria Uke e Tori, duas expressões da mesma unicidade.

Ele termina uma entrevista dizendo que devíamos ser sempre gratos as Divindades, que concedem a graça da vida à todos os seres viventes, além da criação incessante de todas as coisas:

“ Todos nós estamos vivendo, todos nós, devido à um Iki único. (...)

Não são os seres vivos que nos concedem a substância de Iki. Kamisama (divindades) nos concedem tudo isto, incluindo montanhas, rios, grama, arvores, pássaros e feras, insetos e peixes. É por isso que podemos viver em igualdade, graças aos Kamisama. Nós somos irmãos e irmãs porque respiramos o mesmo Iki. Nós estamos unidos através deste Iki único e de uma técnica única; é isto, um único mundo é criado. (...)

Eu ficaria muito grato se vocês compreendessem que o verdadeiro Budo do Japão repousa na substancia da Afinidade do Grande Universo.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Doshu a Stanlei Pranin e relatos de Kawanabe Shihan.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Além da Forma e das Palavras

Lendo textos sobre Morihei Ueshiba O’Sensei, encontrei referencias em que ele mencionava que toda a sua técnica provem do espírito, do interior da mente e do coração; a forma á algo puramente secundário, pois o espírito é livre e vazio.

 Se o indivíduo se foca no corpo e no formato da técnica, existe limitação, pois a mente egoica tenta aprisionar o espírito, que é livre. Quando se atinge um estado em que a mente está vazia e não-presente, ensinava O’Sensei, as mãos se dirigem para as áreas vitais e exatas para o momento, executando-se a técnica com perfeição. 

O Mestre Ueshiba estimulava seus discípulos a criarem e desenvolverem sua técnicas afirmando que “não se deve simplesmente copiar e repetir técnicas antigas”, que com a unificação do espírito com o corpo, obteremos a capacidade de realizar e gerar técnicas “vivas”; “técnicas com formas criadas pela mente apresentam componentes não- naturais (...) quando uma situação planejada acontece, as formas pré-concebidas irão falhar.(...) 

Quando capturados e acorrentados pela forma pré-concebida, coração e mente falham em progredir. Liberte-se das formas antigas e elabore novas formas. Continuamente permita o nascimento de nova foma, gerada de acordo com a situação que se apresenta.” 

Transmitiu a seu discípulo Sunadomari Sensei que devemos adotar a postura mental em que tomamos o Ki do Amor como mentalidade primordial:

 “O Aiki do qual os artistas marciais falam, e, o Aiki do qual eu falo, são fundamentalmente diferente, ambos, em essência e substância. É espero sinceramente que vocês possam refletir profundamente. (...) 

Esta é a Via do Servir, que atua através do espirito do Amor de Deus e da Harmonia do Universo, para a realização da função que cabe a cada um de nós. Essa via é o caminho do Universo; praticar Aiki é praticar as técnicas divinas. Ponha isso em prática e o poder do Universo irá surgir e vocês estarão em sintonia com o Universo.”

O’Sensei sempre transmitia seus ensinamentos durante as práticas, muitos deles pela demonstração; quando perguntado porque o fazia desta maneira ele respondeu: 

“Não importa quantas palavras são escritas, não importa quantas palavras são ditas, este Budo está além da descrição.” 

Boa Reflexão. 

Oss. 

Baseado nos textos dos livros “Aikidō no kokoro : Kokyū-ryoku” e “Aikidō de satoru” de Kanshu Sunadomari Sensei.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Eterna Gratidão

Li um artigo muito interessante que citava as palestras de Kanshu Sunadomari Sensei sobre o porquê de ser grato a todo instante, uma conduta considerada estranha pelas novas gerações. Sensei usa o exemplo das pessoas que raramente apreciam a presença de seus pais, muitas vezes ignoram, até o momento em que eles fazem falta (seja por morte, doença ou outros motivos). O mesmo ocorre quando a pessoa vive numa condição confortável ou em um local de muita paz, porém banaliza esta condição até perdê-la (seja por crises econômicas, distúrbios sociais, guerras, etc...). Estas pessoas, parecem só perceber e privilegiar os estímulos que venham de fora, eventos extraordinários; sejam interpretados como bons ou como ruins.

Como sabemos, a palavra Gratidão, em japonês, é Kansha, que é a associação de dois Kanjis:

1- o primeiro kanji é Kan, que significa percepção e sentimento, quando passamos a perceber tudo que nos cerca, muitas vezes só acordamos para os fatos nos períodos de dificuldades;

2- o segundo kanji é Sha , que significa pedir desculpas e agradecer, e isto acontece quando percebemos o verdadeiro valor e passamos a ter uma nova apreciação da vida, do cotidiano.

Esta expressão de gratidão, também pode ser expressa através de atitudes, assim como da prática marcial, conforme indicavam Ueshiba O’Sensei e Inoue Sensei, através da prática sincera, não-egoica. No livro Aikido de Satoru, encontramos as seguintes palavras de Ueshiba O’Sensei:

“Vocês devem se libertar das formas definidas: criem, gerem e evoluam. Takemusu é tanto vasto como sutil. (...)

Todas as coisas na Terra são uma função do Amor Universal , portanto, a verdadeira unificação e harmonia de todas as coisas é o espírito do Universo. Cada um de nós deve esforçar-se para perceber e realizar esta missão.

Aikido é o caminho que leva a ser concretizado o verdadeiro espírito da harmonia universal e é a única via para manter o universo em harmonia. (...)

A realização técnica em harmonia e em conformidade com os princípios do Universo é essencial. Isto não é nada além de fomentar um espírito sincero.

Progresso e avanço no treinamento Budo vai deixar de vir, se a pessoa permanece egocêntrica, se baseando apenas na o ego. Esta forma de Budo é equivocada e, inevitavelmente, voltar-se sobre si mesmo, traz infortúnio.

Em vez disso, deve-se formar uma conexão sincera e harmoniosa com o Ki do Universo (Ki- musubi), não ficando preso no sentimento de preocupação para a vitória ou a derrota imediata. Quando os sentimentos e intenções permanecem amarrados no corpo físico, não há renascimento e não regeneração.

As coisas primeiro chegam à vida através da união harmoniosa. Através desta unificação harmoniosa, sentimentos e intenções para transformar o poder divino e todas as coisas tornam-se claras (...)

Este Budo é um caminho que todos devem seguir "

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em Aikido de Satoru (Enlightenment through Aikido) de Kanshu Sunadomari Sensei, no dicionário tuttle Japanese Kanji and Kana.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Folhas ao Vento - Poema do Imperador Meiji

O quarto poema do Imperador Meiji, nos traz à mente, a beleza da floração da arvore de Bordo (Acer), típica do outono, com suas belas cores; ao mesmo tempo nos remete ao poema clássico de Mestre Ryōkan e ao sétimo capítulo do clássico Genji Monogatari (Momiji no Ga – Sob as flores do Outono), da escritora Musadaki Shikibu.

Acer ou Bordo é uma árvore típica do outono japonês, e no Genji Monogatari, é descrito a beleza das cores daquela estação. As folhas vermelhas do Bordo, também nos sinalizam a Impermanência e o outono da vida. Mestre Ryōkan escreveu em seu poema:

“Momijiba no - As folhas vermelhas do bordo

nishiki no aki ya - como um brocado outono

karagoromo - qual um robe chinês (dos Tang)”









Este rico Haiku nos dá a ideia das cores do Outono (Aki) , graças ao Momiji, fazendo correlação com o trabalho artístico de uma vestimenta chinesa típica dos Tang. É nesta estação do ano que temos o Kō yō Gari, festival muito esperado, celebrada no Japão, tanto quanto a estação das Sakuras. Está é a arte de observar e apreciar as Momiji (Folhas Vermelhas) e as Amarelas do Outono, iniciando no final de setembro em Hokkaido. Os dois kanjis de Kō yō (o primeiro significa Vermelho e o segundo folhas), também pode ser pronunciado Momiji, as folhas do outono.

Podemos encontrar outra citação sobre as folhas do Bordo, na peça clássica do Teatro Shûgen-Nō, denominada “Tsurukame” ou “Gekkyōden”, nome de um pavilhão budista do Palácio Imperial Chinês, dedicado à lua. Esta peça aonde o personagem (o Imperador Chinês) recebe seus convidados da corte para comemorar o Ano Novo, discute-se sobre a longevidade e a Impermanência:

“Aki wa shigure no momiji no ha so de (su): O orvalho (garoa) de outono é o pai da folha de bordo”.










Então, lendo o quarto poema do Imperador Meiji, poderemos encontrar todos estes belos elementos, a partir do original:

“Amata tabi - Ainda se faz necessário

Shigurete someshi - O orvalho (garoa) do outono para

Momijiba Wo - A cor perfeita das folhas de bordo

Tada hitokaze no - uma única rajada de vento

Chirashinuru kana - as flores são varridas para longe.

Ochibakaze- O Vento que Desfolha.”











Boa Reflexão.

Oss.

Texto baseado em monografias sobre os Poemas do Imperador Meiji, do Mestre Ryôkan e sobre o Terceiro Capítulo do Geiji monogatari, além de textos sobre Tsurukame.


Para Ler Coração e Consciência - Clique Aqui

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