Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 20 de dezembro de 2014

Kototama, Ki e Não-Dual – Parte 2

Kukai (Kobo Daishi) fez os estudos de Kototatama basedo no alfabeto Bonji (Shiddan que foi transliterado para o chinês), no século X, porem se atribui este princípio ser da época da Imperatriz Amaterasu. Na época do Reino de Yamato, a influência cultural da dinastia Tang sobre as ilhas japonesas era muito forte, com a presença do conceito de Tao (Dō) nos estudos de Kototama. Tao que representa o monismo-dual (não-dual), os opostos complementares yin-yang, que não seriam forças distintas, são apenas aspectos de uma mesma força, representando o espírito primordial, anterior à todas as coisas.Como nos explica Gleason Sensei, estes complementares constituem todas as coisas, porém não têm existência própria por si mesmos, sendo denominados os “não-nascidos primordiais”; sendo que yin-yang representam o próprio infinito do Cosmos, infinito este que é a fonte de todas as coisas, mas sem yin-yang, nenhuma partícula de energia poderia ser movimentada.

Através destes princípios de funcionamento de yin-yang, o Kototama (ou Ki Universal) manifesta-se continuamente no plano (ou mundo) material, com um intercâmbio dinâmico consistente destes aparentes opostos complementares, sendo o incessante vir a ser da tríplice realidade da manifestação de todas as coisas, como bem falava Inoue Doshu. Yin-Yang sempre renascendo na Unicidade Infinita, com o intercâmbio incessante entre si que regula a Energia Criadora do Universo, criando o princípio do Kototama, definido por Gleason Sensei como “Princípio de Aiki ou Harmonia Universal”.
Ueshiba O’Sensei, tinha como uma das fontes mais importantes de seus estudos o Man'yōshū, a coletânea mais antiga de poesias japonesas, que literalmente significa “A Coleção das Dez Mil Coisas”, com os poemas mais antigos datados do século IV de nossa era.


A crença, que vem dos primórdios do Japão, é de que as palavras criam a vida (Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes), e, como explica Shimada Sensei, o sino tem uma relação direta com o Kototama, por isso estarem presentes nos templos e santuários. Neste conceito ancestral, toda vibração é energia, que cria vida; logo o som e as palavras são vibrações que vão interagir com o ambiente a sua volta. A crença é de que a combinação das vogais com as consoantes criam 50 ritmos que criam vida; sendo que o estudo de Kototama, a vibração de cada ritmo produz um tipo de energia possível de afetar a realidade.

 O Japão também é conhecido como “Kototama no sakiwau kuni”, termo que está no  Man'yōshū, cuja tradução aproximada seria “a terra onde o misterioso funcionamento da linguagem traz felicidade” ou, para Gleason Sensei, “o país aonde floresce a alma da linguagem”; um país  que as práticas são ensinadas através de exemplos, nada de excesso de palavras ou de lógica. O Kototama tem sua existência percebida quando expressa forma, função e significado no mundo relativo, sendo expresso pelo movimento, pensamento e fala.

Este conceito também está presente nos Santuários Xintoístas, aonde o portal, Torii, representa o espaço entre o mundo manifesto e o mundo espiritual, tendo de cada lado estátuas de cães-leões (chamados shishi ou komainu), sendo que o da direita está de boca aberta representando o som A e o da esquerda, de boca fechada, representa som Un, formando o Kototama AUn (lembrar que a escrita no Japão é da direita para a esquerda). Nos Templos Budistas, estas imagens são trocadas pelos protetores de Buda (Kongo RiKishi, com a mesma representação do Kototama AUn)

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas e textos de Inoue Sensei, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kisshomaru Ueshiba Doshu, Kenjiro Kawanabe Sensei, Willian Gleason Sensei, John Stevens Sensei, Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes, Yoshito S. Hakeda Sensei


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Kototama, Ki e Não-Dual – Parte 1

Como vimos no artigo anterior, o estudo de Kototamas possuem um espaço importante nas Arte Marciais, principalmente nos ensinamentos de Morihei Ueshiba O’Sensei, que via o Kototama como a energia da criação, que dá a vida a tudo que existe neste plano. Já conhecemos a visão de parte dos estudos transmitidos por Inoue Sensei e Okuyama Sensei; neste texto, veremos os ensinamentos transmitidos por Ueshiba O’Sensei, com a analise de seu discípulo William Gleason Sensei, que realiza vários seminários sobre este assunto, inclusive aqui no Brasil.

Segundo nos transmitiu Mestre Ueshiba, esta energia é única e indivisível do Universo, que cria a forma e a função do Espírito Universal; ou4 seja, todos nós somos esta energia, somos apenas unidade, já que este Ki a tudo permeia.

Gleason Sensei escreveu que o campo de Ki (energia vital), é a própria sabedoria, que nenhuma pessoa tem mais ou menos Ki que a outra, que nenhuma vida é melhor ou pior que outra; que todos estes conceitos derivam do julgamento de nossa mente, que o modo como a “usamos” é que faz toda a diferença.

Mestre Morihei Ueshiba citava em seus ensinamentos: “Aikidō é o caminho supremo para a prática do Kototama. É o meio através do qual a pessoa realiza sua verdadeira natureza divina e encontra a liberdade definitiva.(...)

O fundamento do Aikidō está no interior, tornando-se vazio como o firmamento. Deste ponto de vista, nasce a liberdade de movimentos harmoniosos. Tornar-se vazio significa descartar todos os pensamentos ilusórios e idéias errôneas sobre o “eu”. A consciência mais elevada (gokui) do Aikidō é fundir o movimento da pessoa com o mundo invisível do espírito: o Kototama. Obtendo isto, todo o universo fica contido no Hara, o centro vital do qual nasce nova energia vital.”

Este ficar vazio, esvaziar a mente, como ensinava Ueshiba O’Sensei, esquecer todos os ensinamentos e técnicas, por mais paradoxal que pareça, é a base absoluta da realidade, segundo Gleason Sensei:

“Nessa realidade, não existe nenhuma separação entre o eu e o outro. Nas palavras do Mestre (do Zen) Dogen: 'Estudar o eu é esquecer o eu; esquecer o eu é ficar iluminado pelas dez mil coisas'.

O’Sensei descreveu este estado como 'não-mente', o Mushin – estar livre de todas as ilusões do ego que nos separam do coração e da mente do espírito criador do Universo, o Kototama Su. A vacuidade, desta maneira é unicidade com o Universo.Isso não é para ser compreendido olhando-se para o exterior de nós mesmos, mas sim permitindo que o mundo exterior venha até nós e prove nossa existência.”

O artigo de Gleason Sensei nos mostra os ensinamentos de Ueshiba O’Sensei, nos falam do Não-Dual, da não-mente, do não-julgamento, do não-'achar que eu sou'; pois o oposto são atributos do ego.

Kawanabe Sensei me falou que este estudo do Kototama, da impermanência e da mente-espirito, através do Budo, é Michi; numa referencia ao Kannagara no Michi, que poderia ser definido como a caminhada da tomada de consciência, que se manifesta através da evolução da mente humana. Este conceito é dos primórdios da sociedade japonesa, presente nos ensinamentos de Inoue Doshu e Ueshiba O’Sensei.

Fritjof Capra é citado por Gleason Sensei, porque este demonstra pela física, o que para nossa cultura ocidental, parece ser um grande vazio dos místicos orientais pode ser comparado facilmente ao campo quântico da física subatômica. (...)  Todos os nossos conceitos (inclusive os de espaço e tempo) são, simplesmente, criações da mente.”

Yoshito S. Hakeda Sensei, em seu livro sobre Kukai (Kukai and His Greats Works), dizia que “Ki é o fundamento ou fonte do mundo relativo, à semelhança dos átomos, que já foram considerados a substância básica da matéria. Assim, todas as manifestações da natureza, inclusive as qualidades mais sutis da emoção, mente e espírito, são produtos de Ki.”

Segundo escreveu o Doshu Kisshomaru Ueshiba, seu pai tinha o estudo do Kototama como base de pesquisa sobre a natureza do Ki da respiração, do ciclo contínuo que causava a geração do fluxo contínuo de Ki. Assim como o Kototama, O’Sensei tinha profundo interesse pela meditação, que era de caráter diário, inclusive antes dos treinamentos.  Os estudos de Kototama do Fundador, exprimiam um forte traço da cultura japonesa, além dos escritos de Kukai, estudava os ensinamentos de Motoori Norinaga, Kiohara Michihisa, entre outros autores.

Quando terminava o treinamento, contava o Doshu Kisshomaru, O’Sensei se sentava e entrava em profundo estado meditativo, geralmente emitindo o Kototama Su, U ou Aun, como extensão de sua respiração. Outras vezes ficava meditando, em frente ao Kamisa, em silêncio profundo.

O’Sensei também difundia o conceito das diversas formas da respiração, segundo sua palavras: “ o funcionamento maravilhoso do Ki, é devido às sutis variações da respiração, sendo este o Princípio Gerador.(...) Em concordância com a maravilhosa atuação do Ki, corpo e mente se tornam unidade. Quando o Aikido é praticado, as variações sutis da respiração fluem através do ser, permitindo que o praticante manifeste as técnicas com total liberdade.” (The Art of Aikido; principles and essential – translation John Stevens).

(C0ntinua)


Baseado em entrevistas e textos de Inoue Sensei, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kisshomaru Ueshiba Doshu, Kenjiro Kawanabe Sensei, Willian Gleason Sensei, John Stevens Sensei, Njoki Nathani Wane, Energy L. Manyimo, Eric J. Ritskes, Yoshito S. Hakeda Sensei

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Voz do Universo - Okuyama Sensei

Como podemos lembrar, Tadao Okuyama Sensei, foi um dos alunos mais proeminentes de Funakoshi O’Sensei e de seu filho Yoshitaka; que ingressou na Omoto Kyo, recebendo seus ensinamentos diretamente de Mestre Deguchi e Inoue Sensei. Chegou a ser guardas-costas de Deguchi Shihan,e retornando ao Dojo de Waseda, continua praticando sua prática com Inoue Sensei; sendo que Kawanabe Sensei designa ambos como seus Mestres (além de Funakoshi O’Sensei e Egami Sensei).

Este artigo sobre os Kototamas, está num texto relacionado à Okuyama Sensei, em japonês, o que nos leva a uma tradução mais apurada, já que alguns termos são muito próprios. Interessante lembrar, que tanto Inoue Sensei como Okuyama Sensei, depois de uma certa época, só lecionavam em seminários internos da Omoto Kyo ( Stanley Pranin Sensei nos conta este fato relacionado a Inoue Doshu).

Mestre Kawanabe, recebia em seu Dojo, a visita de Okuyama Sensei uma vez por ano, para treinarem, até o falecimento deste último.

Segundo o texto, Tadao Sensei escreve que todas as coisas foram criadas pelo Poder da Criação Universal, expresso pelos sons “Su-U-A-O-E-I”, de onde derivaram os Kototamas (ou Kotodamas ), literalmente palavra-espirito.

Se o praticante for capaz de aprender a função de cada Kotodama, acaba por incorporá-los na sua prática marcial; com o tempo, se desenvolve uma característica, que se assemelha à um navegador conduzindo nosso corpo humano.

Existem cerca de 50 Kototamas em nossa linguagem, sendo que existe uma forma de respirar diferente em cada um deles. Era dito por Okuyama Sensei que seria “ o poder original que onde derivam todas as coisas”. É dito que a prática com essas palavras provém desde os tempos antigos, tendo-se dito, através dos ensinamentos dos mais antigos, que há uma grande quantidade de força de impacto sobre todas as coisas.

O treinamento se focaria em respirar, como respirar, a força empregada na respiração, o propósito da respiração, assim atuando simultâneamente na unificação de mente-corpo, conforme Kawanabe Sensei cita em seus artigos e me mostrou na pagina de Kototamas que tem em seu Dojo.

A técnica é composta de uma dinâmica harmoniosa para o corpo a atuar numa movimentação com um desenho em "espiral" ( como nos ensinava Ueshiba O’Sensei).

Nesta prática, o Hara tem fundamental importância, como o ponto inicial para levar o Ki a ascender pela coluna até o tronco cerebral, refazendo a ligação com o divino.

Dentro desta visão, as Artes Marciais não são visam a luta e destruição, que sua prática através de uma filosofia que visa o desenvolvimento da espiritualidade, tem como finalidade criar a harmonia entre todas pessoas do mundo, levando a Paz Permanente. O esquecimento, por parte da humanidade, de que somos oriundos de uma única fonte, da força que tem o propósito de criar, é que levaria este mundo à turbulência.

Com esta prática, poderiamos conhecer o funcionamento natural do Universo, esta é também a prática de Harmonia que se integra com todas as coisas (como nos ensinava Inoue Sensei).

Kawanabe Sensei demonstra estes ensinamentos em sua Arte, Hachiriki, tanto o estudo dos Kototamas, da prática da respiração, bem como a movimentação do Hara e do corpo.

Termino com esta frase de Enami K. Sensei: “O Ki é a plenitude da Existência”.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas de Stanley Pranin Sensei, de Ueshiba O’Sensei, de Inoue Doshu, de Kawanabe Sensei, de Harada Sensei e de Kase Sensei; assim como textos sobre a prática do Kototama,

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

sábado, 8 de novembro de 2014

Ki-Kokyu-Hara e Inoue Sensei

A circulação de Ki, sempre foi um dos assuntos que Inoue Doshu não deixava de explicar aos seus alunos, o que notamos que foi muito marcante para os seus discípulos mais conhecidos: Okuyama Sensei, Kawanabe Sensei, Shigeru Egami Sensei e seu filho Masatake Egami, Aoki Sensei, entre outros.

Segundo suas palavras, devemos fazer o possível para não bloquear o fluxo de Ki, eu o conceito de forte e fraco, não tem a mínima importância, que é importante manter o foco nas particularidades de cada pessoa. Por exemplo, Inoue Sensei afirma que o Kokyu é diferente para cada pessoa, que não existe nem mais nem menos Ki, ele sempre esteve lá, o que varia vai ser como a pessoa vai “modular” o seu corpo, e isto é feito através da flexibilidade e do Kokyu (respiração).

Como afirma Kawanabe Sensei, o estudo da respiração e sua relação com o “poder’ de Ki era muito praticado por eles com Inoue Sensei. Outro fato peculiar, era a movimentação da coluna sacro-lombara, segundos os estudos de Inoue Sensei, chegando a explicar os movimentos dasvertebras segundo cada exercício, esta atuação sempre relacionada a respiração e ao Hara.

O Hara é como a raiz de uma árvore, vai absorver Ki, seja pelo ar que respiramos, pela cabeça,assim como pelos pés, estando tornozelos e joelhos relaxados. Segundo Kawanabe Sensei, as vértebras lombares, cada uma com a sua própria função: a primeira lombar (L1) movimentos laterais superiores de cima para baixo, L2 realiza movimentos só laterais, L3 realiza pequenos giros, L4 têm expansão-contração, e L5 deslocamento anteroposterior. Portanto dividindo a cintura significa fazer o melhor uso dessas faculdades em conformidade com as partes inferiores (tornozelo, joelho e musculares relacionadas). Inoue Sensei mencionava, para seus alunos que, quando a cintura pode mover idealmente, temos uma aparência de dignidade, a coluna e o corpo se aprumam.

Os exercícios em Suwari Waza são importantes, para fortalecer a cintura, pelve e Hara; mas sempre não se esquecendo dos exercícios de flexibilidade, que desobstruiria os possíveis bloqueios a circulação de Ki. A respiração, o corpo, punho e pés devem estar integrados, se movimentando ao mesmo tempo (Ki Ken Tai no ituchi – correspondência ou coincidente).

O circuito inalar-exalar, cria movimentação e ritmo em Ki mas o Hara é tido como a fonte que produz tudo, sendo que todas as técnicas são a expressão desta integração Kokyu (respiração)-corpo-Hara.

Existem dois termos em japonês que são muito interessantes: KIAI e KIAI MAKI.  O termo KIAI que significa unir, harmonizar, encontrar; então KIAI literalmente significa “união do KI” e sua tradução pode ser, também, grito, respiração, disposição, humor.  Já KIAIMAKI, temos MAKI que significa perder; literalmente "que perde a união de KI".

Se o intercâmbio de energia se faz em ambos os sentidos, entre KI universal e o “nosso” KI se fazendo constante, estamos saudáveis. Porem, se este intercâmbio se faz incorretamente, o fluxo de Ki desacelera e lentifica, trazendo, em seguida, os desequilíbrios.

Ao falarmos de Kokyu, já vem à mente o significado “força da respiração”, força da respiração que acompanha cada movimento e deve começar a partir do centro, aonde se enraizou, no Hara. Podemos facilmente definir o Kokyu como uma força da respiração abdominal, que coordenou com o KI, sendo a essência de todos os nossos movimentos. A palavra Kokyu, em si, já descreve o ciclo Expiração (Ko)- Inspiração (Kyu). Como no exercício em Aikido, primeiro expiramos, estando atentos, para que não exista resistência à expiração, mesmo que seja apenas na metade, pois esta atitude faz com que os ombros sejam imediatamente bloqueadas. Logo Kokyu, muito mais do que mero trabalho respiratório, é a harmonia entre todas as coisas, a relação harmoniosa entre o ser e o Universo.

Kokyu é nossa relação com o mundo, pois todos os seres vivos tem sua existência através da respiração. Autorers falam que sem um Kokyu harmonioso, nos movimentos perdem a sutileza, se tornam mecânicos e grosseiros.

Em suma, podemos dizer que o ensinamento quer nos mostar que é algo muito simples, expressado pela fórmula KI-Kokyu-Hara;, em total relaxamento, respirar concentrando-se no Hara, deixando a reriração se fazer nos dois sentidos, permitindo que KI se transportado pelo Kokyu livremente. Hara no Tandem se faz um centro ligação com o Ki Universal, onde estamos imersos, permitindo que tudo seja organizado ao seu redor.

Por isso Inoue Doshu alertava que se o fluxo de “Ki cessa, os resultados podem ser desastrosos”, para nós.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de N. Inoue Doshu, K. Kawanabe Sensei, K. G. Durckheim Sensei, M. Noro Sensei e S. Pranin Sensei.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Budo: Consciência e Paz Interior

Osho lançou um olhar muito interessante sobre a prática do budo, analisando os conceitos, que visam, segundo sua interpretação, através da prática, levar a Harmonização com o Universo e ao Despertar;ele percebe isto de uma maneira muito clara:

“Foi assim que, no Japão, o mundo Samurai saiu da meditação e todos os tipos de Artes Marciais se tornaram o Caminho para a Paz Interior. A relação entre o homem e a espada se tornou uma das coisas mais meditativas no Japão. Você tem que estar muito alerta, porque, um único momento de inconsciência, e você está acabado.

O verdadeiro esgrimista torna-se tão alerta que antes que o outro ataque, ele já sabe. Antes que o pensamento de ataque passe pela mente do inimigo, ele já se preparou. Ele está pronto. Seu estado de alerta se torna tão profundo que ele começa a ler os pensamentos do outro. É dito que quando dois verdadeiros Samurais lutam, ninguém pode vencer. A luta pode continuar, mas ninguém pode vencer porque ambos estarão lendo a mente um do outro. E antes que você ataque, o outro está pronto para defender.

A relação entre o homem e a espada tornou-se uma das maiores fontes de iluminação. Parece estranho, mas no Japão se tem feito muitas coisas estranhas. Da cerimônia do chá à utilização da espada, tudo se converteu em meditação. De fato, a vida pode ser transformada em meditação, porque meditação simplesmente significa tornar-se mais consciente.
Assim vá para dentro de si mesmo e esteja mais consciente. Um dia a vitória será sua – isto é absolutamente certo. Você só tem que cumprir a condição: esteja totalmente consciente. ”

Osho continua, mais adiante, falando sobre esta transmutação da mente através do Budo:

“Meditação pertence ao Coração, não a mente – não é lógica, está próxima ao Amor. (...)

É uma aptidão – você pode ter ou pode não ter. Uma aptidão não é uma ciência, não pode ser ensinada. Uma aptidão não é uma arte. Uma aptidão é a coisa mais misteriosa para a compreensão humana. (...)

Se o homem já não tiver algo em seu Coração – uma pequena semente – então é impossível para ele. Ele pode aprender a técnica, ele pode aprender a Arte. Mas se não existe aptidão, ele não vai ter sucesso. (...)

Todo Caminho é individual e pessoal. Assim, as experiências de uma outra pessoa não irão ajudá-lo; pelo contrário, talvez estejam prejudicando. (...)

Não faça da meditação um hábito. Deixe estar viva. (...)

A Meditação é um salto: da cabeça para o Coração, e por último, do Coração para o Ser. ”

Conta-se que Morihei Ueshiba O'Sensei, na presença de presença de Mestre Eguchi ,ensinava aos seus discípulos que o Caminho do Guerreiro tem como um dos propósitos, fazer cessae os distúrbios antes mesmo que comecem, superando os que se apresentam como adversários espiritualmente, fazendo-os perceber a loucura de sua ação; que o Caminho do Guerreiro é estabelecer a Harmonia.

Veio então um aluno, e questionou como seria este ensinamento no dia a dia, frente, ao que ele denominava, aos adversários. Ueshiba O’Sensei, olhando complascente, explicou em poucas palavras, ser uma concepção ilusória; só existie a unidade, dizendo:

“No Dojo, você se faz um comigo e eu sou um com você ".

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Osho, no “ Livro do Homem” e entrevistas sobre Morihei Ueshiba O’Sensei.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Despertar e Caminho da Paz - Morihei Ueshiba

No momento de sua Iluminação, Mestre Morihei Ueshiba teve a consciência que a fonte do Budo é o Amor de Deus - o espírito de proteção amorosa por todos os seres e que o desperto é desprovido de ódio e ganância. Ele deve seguir os princípios naturais e harmonizar o material com o espiritual.. Budo é aceitar o espírito do universo, manter a paz do mundo, corretamente produzir, proteger e cultivar todos os seres. Ueshiba O’Sensei sempre orientava seus discípulos ao caminho da concórdia e da paz, nos mostrando que a crença de existir um inimigo e um traço egóico, uma ilusão. O Caminho se centra no Coração, pois se não tivermos algo no Coração, se não desenvolvermos a Compaixão, então é impossível percorrer trilha do despertar.

O’Sensei nos mostrou que é possivel aprender a técnica mas sem este vinculo com o Universo, que se faz através da Compaixão, não se alcança o objetivo final sucesso; pois devemos ter consciência que todos são manifestações de uma mesma Realidade:

"O verdadeiro Budo é a Via do Amor Universal, da Compaixão e do desejo de proteger a todas as coisas (...)

“Ninguém precisa de prédios, dinheiro, poder ou status para praticar a Arte da Paz. O Céu é exatamente onde você está de pé, e que é o lugar para praticar.”

“No entanto, se o mal vem, devemos ser fortes o suficiente para varre-lo e proteger a Justiça.”

“Quando a vida é vitoriosa, há o nascimento. O verdadeiro guerreiro está sempre envolvido na luta pela paz.”

“O Caminho do Guerreiro é parar os distúrbios antes de começar. É para superar adversários espiritualmente, fazendo-os perceber a loucura de sua ação. O Caminho do Guerreiro é estabelecer a harmonia.”

“Devemos expulsar os demônios com a sinceridade da nossa respiração e não com uma espada.”

“A fim de estabelecer o paraíso na terra, precisamos de um Budo que é puro de espírito, que é desprovido de ódio e ganância. Ele deve seguir os princípios naturais e harmonizar o material com o espiritual”.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Morihei Ueshiba O’Sensei.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Teruo Nakatani Sensei e Uke Adler Sensei


Neste artigo, queria escrever sobre estas duas pessoas que participaram, também, na minha caminhada nas Artes Marciais. Tudo começou no segundo semestre de 1973, eu tive uma das mais importantes experiências de minha vida, quando convidado por amigos que já praticavam, fui participar de uma aula de Aikido, no Dojo da Rua Barata Ribeiro, Copacabana. Já tinha praticado Judô, e pude vivenciar uma técnica totalmente diferente, que não requeria participação de força física. Entusiasmado, como o Dojo era muito próximo de onde morava, treinava pela manhã, à tarde e algumas vezes à noite.

Esta era uma das academias de Teruo Nakatani Sensei, que chegou ao Brasil no ano de 1960, vindo ao Brasil, devido a situação econômica do Japão. Saiu de Santos, aonde chegou para o Rio de Janeiro, para trabalhar em uma firma japonesa, e é convidado, pelo Shihan de Judo Masami Ogino, para lecionar Aikido no Dojo do Hospital dos Servidores do Estado, que tinha cerca de 100 tatamis.

Nakatani Sensei estava quase um ano sem treinar, porém Ogino Shihan disse que rápidamente entraria em forma, como assim o foi. Antes de sair do Japão, Nakatani Sensei, tinha pedido permissão ao seu amigo e instrutor, Kisshomaru Ueshiba, para ensinar aqui no Brasil, caso houvesse oportunidade. O Doshu sempre escrevia para seu amigo Nakatani para saber como ele estava no Brasil, se estava passando bem, preocupação de amigo.

Nos tempos de Japão, Nakatani Sensei era muito amigo de Noro Sensei (seu amigo mais próximo. Kobayashi Sensei (ambos estudaram juntos na Universidade Meiji), Yamada Sensei, Tada Sensei, Tamura Sensei, entre outros, eram da mesma turma e tinha instrução com Koichi Tohei Sensei, ao mesmo tempo.

Segundo relato, de um jornal doa anos 60, por volta das cinco e meia da manhã, tinham treinamento com Ueshiba O’Sensei, que tinha uma parte filosófica importante; uma caracteristica era que O’Sensei não fazia aquecimento. Durante o dia, o treinamento era com Tohei Sensei e, posteriormente, com Kissomaru Doshu. Um ano antes de vir para o Brasil, chegou a treinar cerca de 12 horas por dia.

Foi convidado por George Mehdi Sensei, para dar aula de Aikido em sua Academia de Judô, e posteriormente abriu outra na Praça da Bandeira.

Quando Adélio Sensei, responsável pela academia de Copacabana, foi estagiar com Noro Shihan, em Paris, Nakatani Sensei ministrava mais aulas, quando pude sentir sua impressionante técnica e agilidade; não usava força e sua projeção de Ki era inigualável. Muitas vezes se deitava no chão, pedia para três ou quatro alunos o imobilizarem, mas parecia impossível fazermos tal coisa.

Tinha como Uke, Edward Adler Sensei (o “Eduardo”, seu terceiro Shodan, na época Nidan – Oswaldo “Guru” Simon e Carlos Infante foram os primeiros), que possuía uma técnica e projeção de Ki, muito impressionantes. Adler Sensei participava de todas as demonstrações e seminários fora das academias.

Devido a problemas e artrose no joelho, e muito trabalho na empresa que tinha montado, Nakatani Sensei pede a Kobayashi Shihan que lhe envie um de seus Uchideshi,e então veio, em 1975, Shikanai Sensei (atualmente 7º Dan, Shihan).

Eu treinava esporadicamente, a partir de 1976, devido ao horário integral da faculdade e, mais tarde, me mudei para Petropolis, treinando com outros Senseis (vindos do Rio e de Petrópolis), até encontrar, anos mais tarde, Adler Sensei, de quem gostaria de falar um pouco mais. Ele, que passou muitos anos em Nova York, retorna ao Brasil, vindo morar em Petrópolis e Salim Shihan nos informa sobre sua chegada. Passamos a treinar juntos por cerca de quatro anos, até o Mal de Parkinson, afastá-lo definitivamente dos treinos no inicio de 2008.

Quando treinávamos, reviviamos o estilo de Nakatani Sensei, treinos. de cerca de 3 horas seguidas, três vezes por semana, algumas vezes no sábado, e víamos que Adler Sensei melhorava muito de seus sintomas durante a prática. Filipe Sensei, na época Senpai, ajudou muito a Adler Sensei reaver seus diplomas do Honbu Dojo. Uma das características de Edward Sensei,assim como de Nakatani Sensei, era um Irimi Nage muito possante, com inúmeras variações, além de técnicas de Nikkyo e Shiro Nage muito rápidas e possantes, também.



Relembrando a visita do Doshu ao Rio de Janeiro, os amigos Nakatani e Kisshomaru, conversaram muito sobre os velhos tempos aqui em Petrópolis, em um almoço em Araras, no qual Kawai Shihan estava presente. Constantemente, tenho noticias de Nakatani Sensei por meus antigos amigos de Aikido e, esporadicamente, falo com ele por telefone.

Boa Semana a todos.

Oss.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Casa do Clã Samurai Nomura


Partilho com vocês uma das belezas do Japão, numa das cidades que podemos vislumbrar traços do passado feudal, convivendo com o moderno em perfeita harmonia. Em Kanazawa, cidade situada entre Kyoto e Takayama, a capital da província de Ishikawa conseguiu preservar parte da atmosfera de sua longa e rica história, que em 1583, Daimyo Maeda Toshiie, tomou o castelo de Kanazawa e fundou um período de paze prosperidade para o Clã Kaga, que durou séculos. Daimyo Maeda era seguidor de Toyotomi Hideyoshi, o senhor da guerra que foi finalmente capaz de unificar politicamente Japão sob seu governo; fazendo com que Kanazawa permaneceria no centro de um domínio feudal abençoado com uma prosperidade duradoura.

Nomura Denbei Nobusada era um dos vassalos se mais alto posto, sendo presenteado com um feudo de um mil Koku, que mais tarde chegou a 12 mil Koku, graças ao Daimyo Maeda.

Com a queda do regime feudal, muitas casas de Samurais foram destruídas: uma vendidas, outras viraram terreno de agricultura, etc.



O distrito Nagamachi recorda as grandiosas residências dos Samura, cedidas aos seus vassalos pelas gerações dos Maeda, lugares que uma vez cobriram vastas áreas da cidade. Podemos retornar no tempo, quando caminhamos pelas ruas de pedra, movendo-se entre as paredes de terra ocre de barro, aonde encontramos propriedades muito elegantes.
Podemos ver que a atmosfera de Kanazawa dos tempos feudais ainda permanece nesta área onde as casas antigas foram às ruas que pertenceram a Kaga Clã Samurais. A forma de T e becos em forma de L são características peculiares desta cidade feudal, e as portas de lama e portas das casas continuam como há 400 anos; as casas com janelas chamadas de “estilo samurai”, e as paredes de barro sob os telhados de madeira. O esteiras de palha "Komo" que protegem as paredes de barro de neve dá a verdadeira sensação de inverno em Kanazawa. Dentro da casa, encontramos um pequeno museu, o Ashigaru Shiryokan, que era uma casa que pertencia a um bushi do Clã Kaga.

O jardim da Casa tem árvores de mais de 400 anos de idade, bem como várias lanternas, que compõem a belíssima paisagem; que pode ser vista das salas da residência. Apenas o portão antigo e as paredes que cercam a propriedade, estão da maneira que eram. 




O Jyodan-no-ma, é uma sala de pintura com um bosque de ciprestes japoneses típicos, um local muito bonito de ficar contemplando, para esvaziarmos a mente. Dentro da sala, cada delicado papel de parede, possui uma grande paisagem de Sasaki Senkei, sendo altamente conceituado na Kano School. Devemos prestar atenção a uma porta em especial, que possui a gravura das tartarugas, chamada de Yuki no zu, um dos mais belos trabalhos feitos no Japão.



Depois de visitar o Museu, o Jardim e os cômodos, você pode se deliciar na típica casa de Chá ao lado, tomando um chá verde, contemplando o maravilhoso jardim, uma vez mais.

Compartilho com vocês algumas imagens deste belo local.

Oss.












terça-feira, 30 de setembro de 2014

O Caminho Zen por Monja Coen

Monja Coen escreveu estas belas palavras, nos transmitindo todo ensinamento de uma maneira sutil, direta e natural, que se interioriza sem relutância em nosso ser. Transcrevo parte deste texto:

“O Caminho Zen principia em você.

Aqui e agora.

Lendo este texto.

Como está sua respiração? Percebe a luz e a sombra?

E os batimentos cardíacos?

Calor/ Frio? Temperatura ambiente.

E lá fora? Há um lá fora?

Sem fora nem dentro.

Sem apegos e sem aversões.

O Caminho Zen está aberto.

Venha devagar, em plena atenção.

Não se apresse. A beleza do caminho está no caminhar.

Onde leva o Caminho Zen?

Talvez não leve a lugar algum.

A Terra do Nada?

Como é essa terra?

O que é o nada?

Vazio.

Vazio de intenções.

Vazio de uma identidade fixa e permanente.

No Caminho Zen há pedras e rochas, montanhas e rios.

Há cidades e vilas, crianças carentes e crianças fartas de tudo.

É preciso apenas abrir os canais da percepção.

Sem, sonora pequena palavra de uma só silaba, teve sua origem em Dhyana ou Jhana, do sânscrito, significando meditação.

O verbo meditar em português é transitivo direto, isto significa que exige um objeto.

Para meditar temos de ter um objeto de meditação.

Mas o Zen é sem objeto. Sem sujeito e sem objeto.

Como pode ser isso?

O objeto é o próprio sujeito.

A mente observa a própria mente.

Transcende.

Não se prende à ideia de “minha mente” separada da “grande mente”.

Somos a vida do universo em manifestação.

Não somos parte do todo.

Somos o todo, cada um de nós é o todo se manifestando em sua pluralidade de formas.

Forma é vazio.

Nada fixo, nada permanente.

Este livro, no momento, é um livro. Mas cada folha é uma árvore. Cada árvore é céu e terra, animais e insetos, minérios, água, fogo, vento. Num processo contínuo e ininterrupto.

Este livro é não livro.

Os ensinamentos são não ensinamentos. O Caminho Zen é o não Caminho. E o Zen é tudo que não é o Zen. Você pode me entender?

Isto é Zen?

Onde o Caminho Zen começa? Será que tem fim?

Caminhando. Cada passo é cada passo. Diferentes solos, texturas, plantas, oceanos, praias, espaços, diferentes fragrâncias, odores, fedores, belezas e horrores. Diferentes estamos também nós, a cada momento.

Fluindo, fluímos com o fluir da vida.

No tempo, somos o tempo.”

Boa reflexão.

Oss.

Texto de Monja Coen no livro “O Caminho Zen”, de Eugen Herrigel.

domingo, 21 de setembro de 2014

A Impermanência e o Canto de Iroha

Iroha -Uta ( ou Canto de Iroha) é um poema japonês, que nos fala da Impermanência e é usado como abecedário, para o aprendizado nas escolas. Interessante ver que desde cedo, as crianças convivem com este conceito de que nada é permanente. As notas musicais, também usam este sistema de hierarquização.

A origem deste poema é provavelmente do periodo Heian (entre 794-1179 A.D). É atribuído ao monge Kukai, fundador da seita esotérica do budismo Shingon no Japão. As pesquisas são controversas, quando baseadas na escrita, algumas a datam num período posterior a existência de Kukai, que seria escrita no período Heian, mas pode ser uma cópia do original (primeiro registro data de 1079).

É um perfeito pangrama (ou pantograma, que é uma frase com sentido em que são usadas todas as letras do alfabeto de determinada língua) (e ao ​​mesmo tempo um isogram ), contendo cada personagem do silabário japonês exatamente uma vez. Devido a isso, é também usada como uma encomenda para o silabário, da mesma maneira que o abecedário, tendo comparações com o alfabeto fenício e seus antecessores Semíticos .

Historiadores citam que a primeira versão do poema é em caracteres Man'yōgana, que é um antigo sistema de escrita que utiliza caracteres chineses para representar os sons da língua japonesa . Sua datação de aparecimento no Japão não é clara, mas estava em uso desde pelo menos meados do século VII, no período Nara, que usavam este sistema em suas poesias.

Estruturalmente, este poema segue o padrão normal de 7-5 da poesia japonesa, porem os alguns textos em hiragana antigos contém dois caracteres arcaicos, que ainda persistem em Okinawa.

Uma pesquisa feita pelo professor Hideo Komatsu revelou que a última sílaba de cada linha do original Man'yo-gana , quando colocados juntos, nos revelam uma frase oculta (toka ou toga]: nakute Shisu que significa "morrer sem injustiça". Os estudiosos, alegam, que pode ser uma menção ou elogio em louvor de ao Mestre Kukai, reforçando a noção de que este poema pode ter sido posterior ao falecimento do monge. É considerado, por outros, a tradução japonesa de um hino do Nirvana Sutra, sendo inspirados nos seguintes versos deste Sutra:

Shogyō Mujo Impermanencia

Zeshō meppō Essa é a lei de nascimento e morte.

Shōmetsu metsui Quando o ciclo de nascimento-morte é extinto

Jakumetsu iraku. O Silencio final (Nirvana) é a verdadeira bem-aventurança. 



Então o Canto de Iroha está escrito abaixo, em romanji; primeiramente na transliteração da época, depois com uma pronuncia mais atual, e ao fim, uma de suas propostas de tradução para nossa língua. 



Iro ha nihohe to (Iro wa nioedo) As cores são perfumadas ( flores desabrochando)
tirinuru wo (Chirinuru o ) ainda que se espalhem
Wa ka yo tare so (Waga yo tare zo) O quê no nosso mundo
tune naramu (Tsune naramu) mantêm-se imutavel?
Uwi no okuyama (Ui no okuyama ) A montanha de perigos (ilusões)
kehu koete (Kyō koete ) Hoje, vamos atravessá-las
Asaki yume misi (Asaki yume miji) nem tendo sonhos vãos
wehi mo sesu (Ei mo sezu) nem se iludindo.

Muitos autores, fazem suas versões falando da Sakura e a impermanência, inclusive Gleason Sensei, que atribue este poema ser um presente para a mítica princesa Akahitomeso ,da linhagem Fukiaezu, cujo pai compõe este poema para que ela possa se livrar do apego a seu passado, quando é enviada para a Mesopotâmia. Este pai, queria ajudar a sua filha a superar a tristeza profunda por ter de abandonar o seu lar.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Tradição Japonesa, sobre os períodos de Nara e Heian, e artigos de William Gleason Sensei.

domingo, 24 de agosto de 2014

Meditação, Zen e Não Dualidade

Mestre Shunryu Suzuki nos explica várias dúvidas que possamos ter sobre a mente, mas sempre nos convidando à prática da meditação. Em seu livro sobre a mente Zen, ele nos explica um pouco mais sobre a Não Dualidade, nos falando que a continuidade da prática do Zazen é o cerne do Zen.

Sobre a prática, ele escreveu que esvaziar a mente não significa cessar todas as atividades da mente, neste instante mente e corpo são um, tudo se torna um mudra. É uma forma de prática isenta da ideia de ‘ganhar’ ou ‘alcançar’ alguma coisa.

Embora a prática do Zazen seja baseada do Sutra do Coração, cujo o cerne é a afirmação é “Forma é vazio, vazio é forma”; Sensei nos alerta:

“Mas se você se apegar a tal afirmação, estará sujeito a se envolver em ideias dualistas: em um lado está você, forma; em outro, o vazio que você está procurando perceber através de sua própria forma.”

Persistir neste pensamento, ou outras ideais de visualizações, é dualismo, o que leva a dificuldade em esvaziar a mente, porém com a prática, progressivamente seremos unidade e a mente se esvazia, passamos ser “aquilo que observa”.

A mente plena acompanha a respiração, mas ao mesmo tempo, a respiração expressa a mente.

Suzuki Zenji nos alerta sobre outra armadilha do ego:

“Prática não quer dizer que qualquer coisa que você faça, até mesmo ficar deitado, seja Zazen. Prática é quando as restrições não o limitam. Se você diz ‘qualquer coisa que eu faça é de natureza búdica, portanto não importa o que eu faça e, assim, não há necessidade de praticar Zazen’, isto já é um entendimento dualista da nossa vida diária. Se de fato não importasse, nem sequer haveria necessidade de dizê-lo. Enquanto importar aquilo que se faz, haverá dualismo. Se você não estivesse realmente se importando com aquilo que está fazendo, não o mencionaria. Ao sentar-se, estará simplesmente sentando-se, nada mais. Ao comer estará apenas comendo. É só isso. Se você diz ‘não tem importância’, significa que está se justificando por fazer uma coisa à maneira da ‘mente pequena’. Significa que você está apegado à alguma ideia ou coisa em particular. Não é isso o que queremos dizer com ‘basta apenas sentar-se’ ou ‘qualquer coisa que você faça é Zazen’. Certamente, qualquer coisa que façamos é Zazen, mas se de fato é, não há necessidade de dizê-lo.”

Termino com um conselho do Mestre Suzuki, que pode parecer paradoxal, à primeira vista:
Mas, se você puser seu melhor esforço em continuar a prática, com todo o seu corpo e sua mente, sem nenhuma ideia de ganho, então, seja o que for que esteja fazendo, será prática verdadeira. Seu propósito deve ser o de manter a continuidade. Ao fazer algo, apenas fazê-lo deve ser seu único propósito. Forma é forma e você é você, e a realidade do vazio será alcançada em sua prática.”

Boa Prática.

Oss.

Baseado no Livro “Mente Zen, Mente de Principiante”, de Mestre Shunryu Suzuki.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A Não-Mente e Michi

Conforme tenho lido, e me explicou Mestre Kawanabe, Michi ou Do, é o Caminho, denominador comum entre todos as formas de Budo, estando muito além da técnica. Michi, tem de ser percorrido e vivenciado dia a dia, até o instante que o ego se dilui e o Ser se manifesta, isto pode ser alcançando quando mente e corpo se manifestam como uma unidade indivisível.

Kawanabe Sensei nos demonstra que a respiração se torna um dos métodos para esta “unificação”, pois ela expressa, fisicamente nosso estado mental, e, ao mesmo tempo, pode atuar sobre a mente. Através desta prática, a mente deixa de perseguir os pensamentos, se acalma e, gradativamente, passamos a perceber o fluxo natural, deixando ele se expressar.

Inoue Sensei ensinava que Michi é dádiva ou vontade do Universo, que está se manifestando a todo instante; basta apenas nos esvaziarmos para que o Fluxo aconteça. Ser observação, ser ação; é a ação que dá origem à Virtude, Verdade, Compaixão, Beleza, etc...; logo, a Natureza seria somente a manifestação de Musubi (Força Vivificante ou da Criação), principio fundamental do mundo que concede a vida, e é indiscutivelmente bom, segundo a crença geral.

Devemos relembrar o ensinamento de que o ser humano é colocado como o elo entre a Terra e o Céu (Universo), desta união da Via Celestial com a Via da Terra feita através do Ser Humano, resultando numa energia Ki ascendente, que purifica e harmoniza.

Não podemos excluir, como ensinava Inoue Doshu, que além da prática sincera, a oração é uma via para afastar a impureza do interior do ser humano, o que pode ser feito conjuntamente. Podemos associar a esta prática a meditação.

Está escrito no Dai Nippon Shin Ten, sobre o Michi:

“Antes de tudo, você deve compreender assim como praticar o principio e ação harmoniosa. Através do principio, a maneira correta de fazer as coisas é compreendida, A manifestação da lei natural em nossa vida diária resulta em harmonia e liberdade. Somente quando isso é conseguido é possível particar Michi, o modo de vida.

Aquele que quiser compreender Michi deve, primeiramente, entender o corpo. Isto requer uma capacidade elevada de discernimento e uma percepção intuitiva das leis e princípios da Natureza.”

Este próprio conceito de Michi, segundo alguns Mestres do Budo, não pode ser visto como “algo” a ser atingido, pois ele representa em estarmos fazendo o Caminho, quando nós e o Caminho somos uma só coisa. Porem, mesmo alcançando esta consciência, o praticante permanece igual às outras pessoas, pois seu ego se dissolveu, não existe mais a necessidade de dizer que alcançou algo ou tal objetivo; ele apenas é.

Então, vivenciamos o Akaki kiyoki kokoro, que significa estar com o coração leve e puro, estndo unificado à ordem e harmonia da Grande Natureza, a "sacralidade do total do Universo”; como ensinavan Ueshiba O’Sensei e Inoue Sensei. Neste estagio, quando o Ego se esvazia, passamos a ser apenas “observação”, vivendo a dimensão de Não-Mente.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Inoue Doshu, Morihei Ueshiba O’Sensei, Kawanabe Shihan, William Gleason Sensei, Eckhart Tolle e Dai Nippon Shin Ten.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ikkyo e Eterno Aprendizado

Saotome Shihan escreveu um texto muito interessante de como, de uma maneira geral, muitos praticantes “separam” as técnicas, elegendo uma forma e maneira como corretas, ao invés de perceber as similitudes, como está acontecendo a realização da técnica naquele momento e seu resultado filosófico.

Como O’Sensei tinha ensinado, Shihan nos mostra que não existe um Ikkyo perefeito, mas que todo Ikkyo seria perfeito a partir do instante que é executado de uma maneira sincera, espontânea, em harmonia com a situação que se apresenta e de musculatura relaxada ( como Inoue Doshu também ensinava).

Ele cita que não devemos tentar imitar a maneira ou a fora do instrutor, já que para o instrutor, a prática do Ikkyo é diferente a cada execução, por isto devemos ter esta percepção; já que a mesma forma não pode ser reproduzida com a mesma exatidão indefinidamente. A cada momento e circunstância, o grau de aplicação de Ki, o sentido do direcionamento de Ki, o psicológico, a forma física-muscular, o ambiente, a percepção de Nage sobre Uke, a sincronia e a estrutura atômica, não são as mesmas: tudo está em transformação continua; porem os princípios básicos não se alteram.

O’Sensei, muitas vezes, explicava que um novo Ikkyo era uma nova técnica, e seus ensinamentos se modificavam sutilmente de um dia para o outro, de ano para anos; explicava que um Ikkyo que parecia idêntico, quando realizava dez anos após, era complemente diferente. Ueshiba O’Sensei explicava que seu espírito, sua percepção, sua compreensão, sua mente e espírito, tinham modificado e aperfeiçoados; o treinamento é o dia a dia, é a vida que levamos, que estamos sempre em evolução quando mantemos o foco no momento presente.

Saotome Shihan diz que os estudantes necessitam desenvolver um olhar especial para perceberem e interpretarem os ensinamentos do instrutor, pois aqueles que se preocupam com a forma não conseguem perceber, tampouco permitem o crescimento e mudança interiores. Além da forma, deveriam vislumbram e perceber o Coração; por isso tantos mestres falam na via do Coração, do Kokoro, não existe via melhor para compreender o Kihon Waza; que isto representa o grande alicerce e o catalisador da evolução espiritual.

Por isso o treinamento tem que ser sincero, harmônico, com o foco no Hara e no Naka no Tandem (Tandem do Coração), como resultado mente e espírito estão desimpedidos; surge o movimento espontâneo e não existe mas espaço para a manifestação do ego.

Morihei Ueshiba O’Sensei dizia, quando perguntado sobre a prática: “Iriminage e Shihonage, 10 anos. Ikkyo é a vida toda.”



Então, vamos encontrar o termo Man’nen Sho Ho, que muitos traduzem como “Aprendizado Eterno” ou “Aprendiz para Sempre”. Man'nen está na Tradição japonesa, que também encontraremos ligado ao Budismo, expressando o significado de eternidade; já que significa 10.000 anos. No Oriente, na Antiguidade, o termo 10.000 coisas representava o Universo e 10.000 anos algo que seria para sempre.

Man’nen Sho Ho é composto pelos Kanjis Yorozu/ toshi /hatsu /Ho, e como nos ensina Mochizuki Hiroko Sensei, este termo nos transmite a sensação de que, em sua palavras, “é algo que é para sempre e para não se esquecer a sensação de quando eu comecei pela primeira vez.”

Termino com as palavras de Saotome Shihan de que “Ikkyo é o primeiro capítulo e o último.”

Boa Reflexão.

Oss.


Baseado no Livro de Mitsugi Saotome Shihan “Aikidō e a Harmonia da Natureza” e em entrevistas de Inoue Doshu.

sábado, 26 de julho de 2014

A Prática por Tamura Shihan

Nobuyoshi Tamura nasceu em Osaka em 02 de março de 1933, foi Uchideshi de Ueshiba O’Sensei e foi para França em 1964, aonde permaneceu ensinando até o seu falecimento em 09 de julho de 2010. Quando visitei Mestre Noro, este me falava de Tamura shihan, que seria um Mestre com uma técnica muito boa, outro grande amigo seu de Dojo, assim como Nakatani Sensei. Este vídeo resume os ensinamentos de Mestre Tamura; no qual podemos ver, ao final, Donovan Waite Sensei em um seminário com Shihan.

Boa Pratica.

Oss.




Para ver demosntração Kokyu Ho por Tamura Shihan -Clique Aqui

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Kokyu Ho por Tamura Shihan

Este video é muito didático, além de mostrar a técnica aprimorada do Kokyu Ryoku Tandem Ho de Tamura Shihan, que demonstra e ensina sobre se manter relaxado e de mente vazia durante a realização.

Boa Prática.

Oss.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Kokyu Ho, Hara e a Técnica

Mitsugi Saotome Shihan nos explica que o cerne do Aikidō é o Kokyu Ho, que deve ser sempre praticada, em pé ou em seiza, com ombros, braços e musculatura relaxada. O Kokyu Ho é a estrutura do poder de Musubi, sendo que sua movimentação constitui a base principal do Aikidō.

Shihan nos relata existir uma máxima no Budō que é proteger o “karma do adversário”, proteger aquele que nos ameaça, poir isso devemos aprimorar nossa técnica, que devemos transcender o ego e a energia agressiva, descobrindo assim o caminho positivo para a Harmonia. Cada ataque e cada defesa representariam a oportunidade Para uma profunda revolução espiritual. a movimentação é a aplicação intuitiva da energia universal, a fusão do espírito com o vazio: o praticante e o universo são um só, isto é katsu (despertar espiritual que abre o olho do espírito).

Tanto o físico como o espiritual, tem que estar em uníssono neste despertar, nesta abertura; não adiante um sem o outro. Seu parceiro é o seu espelho, que te auxilia no processo de polimento e purificação; aprendendo a utilizar os cinco sentidos, chegaremos os sexto e ao sétimo (Consciência Espiritual). Quando o ego é transcendido, descobrimos a mente universal.

Na execução da técnica, perceber que o Ki (energia) flui em direções diferentes em cada forma, logo o movimento tem que ser adaptado, sempre, mesmo que façamos a mesma técnica em seguida.

Devemos ter a mente vazia, jamais buscando lutar com a mente de Uke, pois este conflito pode “contaminar” o espírito (a mente). quando Uke age, uma movimentação física já tem início no Hara; se inicia um enlace da energia de Uke com a de Nage. Nage deve perceber, neste momento, isto em seu Hara, dando uma mesma direção à estas “duas energias” (que de fato é apenas uma única energia, aonde estamos todos imersos, porem, neste estágio, percebemos como duas), resultando em um único fluxo de Ki. Quando Nage começa a perceber que é a energia de Uke, não deve tentar desequilibra-lo com as mãos, e sim projetar o Hara, o corpo inteiro, redirecionando e orientado o Ki resultante através de uma mudança sutil e suave do movimento espiral.

Nage não deve limitar sua concepção de espaço apenas à área ocupada pelo seu corpo, também deve perceber a existência do espaço espiritual do Universo, já que está no centro do movimento da galáxia; Nage e Uke constituem o simbolismo vivo do Tao (Dō), são as energias complementares (yin e yang) finalmente unificadas e tomando uma única direção através do movimento em espiral.

Shihan nos lembra que toda a movimentação do Aikidō se condensa no Kokyu Ho, pois encerra todos os ensinamentos técnicos e tudo dele deriva.

Sobre isto, ensinava Ueshiba O’Sensei:

“Quando a dinâmica do movimento em espiral provocar uma mudança física, você viverá uma revolução espiritual. Então, você se tornará uno com o movimento Universal.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no Livro de Mitsugi Saotome Shihan “ Aikidō e a Harmonia da Natureza”.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Paz para o Mundo

Como sabemos, Morihei Ueshiba O’Sensei, após ter participado de várias guerras, percebe, em sua iluminação, que todos os seres fazem parte de uma mesma família, que o mundo deve ser de harmonia e concórdia. Nestes tempos de conflitos que estamos vendo, penso que deveríamos reler e meditar mais sobre os ensinamentos deste Grande Mestre, que denominou seu Budo como a Arte da Paz:

"A Arte da Paz é remédio para um mundo doente. Nós queremos curar o mundo da doença de descontentamento, a violência e a discórdia. Existe mal e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram de que emanam todas as coisas a partir de uma única Fonte. Retornar à Fonte e deixar para trás todos os pensamentos egoístas, desejos mesquinhos e raiva; pois aqueles que são possuídos por tudo isto, nada possuem."

Ele nos aconselha:

"Seja grato mesmo por dificuldades, contratempos, e pessoas más. Lidar com tais obstáculos é uma parte essencial da formação na arte da paz. "

"Assim se você se preocupar com " bom "e" ruim " a respeito de seus companheiros, você cria uma abertura em seu coração para a maldade entrar. Testar, concorrer e criticar os outros, esta atitude vai enfraquecer e derrotar você. "

Nos seu últimos dias, Ueshiba O’Sensei, falou aos seus discípulos:

“O Aikido é para o Mundo todo. Não serve a propósitos egoístas ou destrutivos. Treinem incessantemente para o bem de todos (os seres humanos).”

O’Sensei sempre nos convidava a refletir sobre a Paz e o Amor Universal, como escreveu neste poema, que relembra nossa missão:

“Cada um e cada mestre, independentemente da época ou lugar,

Ouviu o chamado e alcançou harmonia com o céu ea terra.

Há muitos caminhos que levam ao topo do Monte Fuji,

mas só há uma ápice que é o Amor.”

Boa Reflexão.

Oss.



Baseado livros sobre a vida de Morihei Ueshiba O’Sensei

domingo, 20 de julho de 2014

Aikibudo e Ueshiba O’Sensei

Encontrei vários artigos sobre a a prática de Budo de Ueshiba O’Sensei, nos mostrando que o nome da Arte, ainda em 1942 (outros afirmam que a edição era de 1946, porem a primeira data é que parece ser a mais correta), segundo um artigo publicado na Revista Shin Budo daquele ano era Aikibudo. O titulo era “Tenshin Ryu Aikibudo, por Moritaka Ueshiba Sensei”. A revista relata ser este uma prática marcial apropriada para os tempos que o Japão estava atravessando, durante guerra.

Na época, era denominado Aikibudo Tenshin Ryu por incorporar cinco técnicas, que O’Sensei afirmava ter estudado e incorporado, seriam elas: Daito-Ryu Jujutsu, Yagyu-Ryu Jujutsu, Aioi-ryu Heiho, Shinkage-ryu Heiho e Hozoin-ryu Sojutsu.

Podemos notar, que aos 61 anos, nome de O’Sensei ainda era Moritaka Ueshiba, cujo kanji é a associação de Mori – floresta com Takashi, sendo que este ultimo nos transmite um senso de um filho muito devoto e piedoso. Só mais tarde é que Ueshiba O’Sensei muda sei nome para Morihei, cujo o sentido seria de “Paz Abundante”.

O’Sensei dizia no artigo da revista Shin Budo:

“ Não existe kata em Aikibudo. Todos os fenômenos do mundo variam constantemente de acordo com as circunstancias particulares e não há duas situações são exatamente iguais. É ilógico treinar usando apenas um único kata, limitando assim a si mesmo. "

Podem ver algumas fotos neste vídeo abaixo 




Boa Prática.

Oss.



Baseado em artigos sobre Aikibudo e memórias de Ueshiba O'Sensei



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Budo e Kunigoshi Sensei – Parte 2

A jovem Takako, participa das práticas, logo após que foi instituido que os Dojos fariam parte Kodo Omoto (o nome anterior da Omoto Kyo, que significava o Caminho Imperial Omoto), criando-se a Showa Seigankai (Associação Juvenil Showa), e o Budo Senyokai ; a Arte passa a denominar-se Kobu Budo, não mais Daito Ryu; posteriormente, devido a não concordância do Imperador, o nome da Arte passa a ser Aiki Budo.

Foi, então, que surgiu o convite, por parte de Morihei Ueshiba, para ela ilustrar o livro que ele iria fazer. A jovem Takako recebeu o convite de Morihei Ueshiba como uma grande honra, e durante aproximadamente 1 ano (o livro ficou pronto em 1934), após os treinamentos diários, se dedicava a confeccionar minuciosa e cuidadosamente, as gravuras.

As figuras dos dois praticantes representados, de hakama preto e de hakama branco; o mais alto e o mais baixo eram Shigemi Yonekawa e Kaoru Funashi, respectivamente. Estes dois uchideshii ficavam na postura, enquanto o próprio O’Sensei os corrigia, assim como fazia correções nas gravuras, orientando a jovem desenhista. Cada detalhe, como da postura das mãos era revisado, com o intuito de ficar o mais próximo da realidade.

Todos os dias, logo após o treino, eles se reunião para começar a confecção de mais uma gravura, e assim até 1934. O’Sensei, se sentava com ela para ver as gravuras, e muitas vezes comentava: “Esta mão direita seria melhor assim”, ou “Melhor fazer deste modo”. Quando ele já achava que já estava bom, dizia, "Isso é o suficiente por hoje", e iam embora do Dojo.

Ainda assim, ela tinha tempo livre para participar dos treinos na casa do Almirante Takeshita, a quem descreve como um homem de uma personalidade e caráter maravilhosos, e só parou de frequentar estes treinos por volta de 1943, quando começaram a ter ameaças de bombardeios em Tóquio.

O Almirante tinha uma excelente técnica, e sempre que treinava com O’Sensei, fazia muitas anotações; mas preferia treinar a ensinar. Muitas vezes, relatava em seu Dojo, que o Imperador Hiroito tinha lhe perguntado se ele tinha praticado Aiki naquele dia, e ele dizia que sim (notar que a denominação ainda seria Aiki Budo naquela época).

Pessoas famosas frequentavam o Dojo do Almirante Takeshita, como o filho de Yoshinobu Tokugawa ( o ultimo Shogun dos Tokugawa, que tinha renunciado), Kazuo Koizumi (filho do famoso escritor americano de origem Greco-irlandesa Lafcadio Hearn, que no Japão se chamava Yakumo Koizumi), além de muitos universitários e militares da alta cúpula.

Takako Kunigoshi Sensei, que nasceu em 1911, em Takamatsu, Prefeitura de Shikoku, faleceu no ano de 2000.



Baseado em artigos e entrevistas de Stanley Pranin.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Budo e Kunigoshi Sensei – Parte 1

Takako Kunogoshi Sensei, filha de um militar do Exército Imperial Japonês, queria estudar e praticar Kembu (o que muitos denominam como arte da espada dançante), e tinha ouvido falar que existia um Dojo em Ushigome Wakamatsu–Cho, que tinha aulas desta Arte. Na verdade era o Kobukan Dojo, e quando, em janeiro de 1933, ele chaga acompanhada de seus amigos, ouve a informação de que se praticava uma modalidade de Aikijujtsu Daito Ryu, o Kobu Budo (talvez a similaridade sonora com Kembu é que tenha gerado a informação que levou os jovens ao dojo).

A jovem e seus amigos ficaram para ver uma aula, e quiseram praticar. Estes dados são provenientes de entrevistas de Takako Sensei, assim como outros Uchideshi deste Dojo,a Stanley Pranin. Aqui vamos ver como era o ambiente, como eram os primeiros dias de uma Arte, que anos mais tarde, daria origem ao Aikido e ao Shin’ei Taido. Vamos ver como foram os primeiros passos do famoso livro de Ueshiba O’Sensei, Budo Renshu, já que foi Takako quem fez a gravuras do livro, trabalhando junto com Morihei Ueshiba e seus Uchideshi por um ano.

As aulas começavam por volta das 6 horas da manhã, e podiam ir até as 10 horas da manhã, sendo que existiam outros três horários (tarde e noite), para quem trabalhava durante o dia. Os Uchideshii podiam participar de todos os treinos, já que moravam no Dojo e, como não havia quartos no inicio, dormiam no tatami, durante a noite. Mais tarde é que se construiram vestiários e outras dependências. As duas únicas moças do Dojo tinham que ir vestidas ou se vestirem em outro lugar, avisar que estavam entrando, pois muitas vezes os instrutores ainda dormiam. Os keikogi e roupas, geralmente ficavam pendurados nas paredes, bem acima dos praticantes. Todos usavam Hakama, iniciantes ou graduados, e a cores podiam ser branco ou preto. A jovem Takako escolheu branco, porem, depois tingiu seu Hakama de preto, pois a cor branca sujava muito. Os ukemi (rolamentos e quedas), eram adaptados e estudados, para cada pessoa, levando em conta a dinâmica corporal de cada um, principalmente das alunas, já que o centro de gravidade se desloca, dependendo da pélvis de cada um.

Quanto aos Uchideshii, sabemos que variavam entre 6 ou 7, já que Inoue Sensei, que era o instrutor Sênior, morou ali por um tempo, mas viajava muito para outros Dojos, a pedido de Ueshiba O’Sensei; foram citados os instrutores Yonekawa Sensei, Shirata Sensei, Funashi Sensei, Futaki Sensei e Yukama Sensei.

Quanto aos treinos, com O’Sensei, os jovens achavam muito interessante, que o Mestre, sempre dava a mesma resposta para as perguntas, muitas vezes não era compreendido, pois sempre falava das coisas espirituais,estando o significado daquelas palavras, muito além das próprias palavras, tudo precisava ser experimentado e vivenciado.

Muitas vezes os estudantes, perguntavam entre si: “o que o Mestre esta falando, que significado têm?”. Porem, O’Sensei continuava, sempre sem explicar a mecânica física das técnicas, apenas demonstrava; com toda paciência, quantas vezes fossem necessárias. Era comum ouvir as frases: “ – Você, faça o Ikkajo desta maneira.”; “Não coloque o Ki nesta direção. “.

Sempre atento, o Mestre ensinava e corrigia cada detalhe, pessoalmente, dos erros que os discípulos faziam.

Segundo Takako Sensei, na época se usava a denominação de kajo para as técnicas, além de não existir graduação por Dan; você recebia um certificado de estar apto a realizar e praticar as técnicas. Mais tarde ela soube que seu certificado, equivaleria ao terceiro Dan ( Ela só não esclarece a que época equivaleria; pois em determinada época, para todos as Artes Marciais, o quinto Dan era o máximo, como nos anos quarenta a cinquenta).

O ambiente do Dojo era muito familiar, era uma grande familia, tanto instrutores como alunos. Era comum, os alunos levarem comida de casa para repartir; muitas vezes a esposa de O’Sensei, fazia o almoço após o treino e todos comiam juntos. Era comum ajudarem financeiramente quem necessitava de dinheiro para fazer uma viagem ou curso. Não havia mensalidades ou taxas fixas (devemos lembrar que este Dojo vivia de contribuições de patronos, como o tio Koshiro Inoue de Inoue Sensei, entre outros), e isto fazia com que se tornassem muito próximos.

Muitos faziam arranjos florais para enfeitar o Dojo; e após os treinos, O’Sensei permitia que eles ficassem jogando Badminton por cerca de 2 horas, no tatami.

Mestre Deguchi, era quem dava a orientação espiritual, Mestre Ueshiba o considerava a fonte de energia, e o visitava frequentemente; numa das vezes levou a jovem Takako para tomar chá e conversar com Mestre Deguchi.

(Continua)



Baseado em artigos e entrevistas de Stanley Pranin.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Monte Kurama e Morihei Ueshiba – Parte 2

O mesmo Stanley Pranin Sensei, transcreve o relato de Tenryu sobre seus estudos com O’Sensei, no Monte Kurama:

“Sr. Shioda ainda era um estudante na Universidade de Takushoku e era a pessoa mais enérgica no dojo na época. Nós nos tornamos bons amigos. Depois de três meses, decidimos fazer uma viagem juntos para adicionar os toques finais para a minha formação. (...) Depois disso, visitamos a casa de Ueshiba Sensei, no sopé do Monte Kurama.

Enquanto estávamos em Osaka ocorreu o seguinte incidente. Eu tinha passado um tempo lá há cinco anos como chefe do Sumo Association Kansai e, portanto, tinha muitos conhecidos, que me convidavam para jantar. Eu tinho permissão de Ueshiba Sensei para sair com eles. Quando voltei um pouco mais tarde, ele já havia se recolhido; e eu também fui para a cama. Na manhã seguinte, quando eu o cumprimentei Sensei disse: "Tenryu, você voltou por volta das 10:30 da noite passada não foi?" Ele não era uma pessoa comum. Ele sabia de todas as coisas que aconteciam.

Acordamos às três horas da manhã seguinte e O’Sensei sugeriu que iriamos visitar o santuário lá no alto da montanha. O’Sensei usava sandálias e estávamos com os pés descalços, enquanto caminhávamos para as escadas que levam até a montanha. Há Sensei me disse: "Tenryu, você é jovem. Desde que eu sou um homem velho, que têm dificuldade em subir escadas, você me empurra."

Quando eu coloquei minha mão em suas costas, ele imediatamente se inclinou. Sr. Shioda me disse mais tarde que eu devo ter caído em um teste de O’Sensei então, e eu estava realmente muito machucado. Embora as escadas para o santuário principal não eram tão íngreme que eu estava pingando de suor. O’Sensei me disse: "A razão pela qual você está suando tanto é porque você estava preocupado com o pensamento de empurrar um homem velho como eu. É por isso que você está fora do ar. Se você anda pensando que não há nada na frente de você, você não vai suar ou ficar fora do ar. "

As escadas para o santuário interior de lá foram bastante íngreme e estreita. As pessoas raramente iam lá. Eu continuei a empurrá-lo, mas desta vez eu descobri que eu não estava lutando desde que eu tinha aprendido a respirar corretamente. Eu percebi que um pouco de prática do método de respiração correta pode fazer uma grande diferença no Aikido.

Finalmente, chegamos a um lugar aberto um pouco para a direita do santuário interior. Ueshiba Sensei disse: "Este é o lugar onde Ushiwakamaru ( Minamoto no Yoshitsune, famoso general do período Kamakura) treinou nos velhos tempos. A partir de amanhã vocês e eu levantaremos às três da manhã e praticaremos juntos aqui no escuro." 



Então, começando na manhã seguinte, levantou-se às três e caminhou até a clareira; com O’Sensei me empurrando para cima. Como era escuro como breu eu não conseguia ver nada. No entanto, O’Sensei podia ver bem. Ele disse: "Você provavelmente não pode me ver bem, mas agora você vai aprender a ver, mesmo em uma noite sem lua dentro de algumas horas ou dias." No começo eu praticava kata com ele nas noites sem lua. Na terceira noite eu disse a ele que eu podia ver. Ele respondeu: "Isso é muito rápido." Desta vez usamos bokken e praticamos vários movimentos e técnicas de pé. Eu acho que nós praticamos por cerca de cinco dias. Então ele me disse: "Não tenho mais nada para lhe ensinar.Você será capaz de lidar com qualquer um que vem para atacá-lo onde quer que vá. Não se preocupe. " Então, voltamos para Tóquio e foi para Iwama, onde o Santuário Aiki foi localizado.”

O Próprio Tenryu Sensei, contouy que em todas as ocasiões, seja nas demonstrações no Japãoe Mongólia,ou nos treinamentos, O'Sensei trazia Inoue Sensei, sempre que possível.


O local que eles treinavam, é no lado do pequeno Santuário, ao lado do Kinone Michi, lá no cume da montanha. Para se deslocar da casa de O'Sensei, no sopé da montanha, até lá, são muitos estágios de escadas, porém, acompanhados de  uma vista muito bonita. Pelo caminho, encontraremos pequenos Santuarios, além do Templo principal de Kurama Dera.

Bom treinamento.

Oss.

Baseados em textos e entrevistas de Tenryu (Saburo Wakuta) Sensei a Stanley Pranin Sensei.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Monte Kurama e Morihei Ueshiba – Parte 1

Na década de 1920, quando Morihei Ueshiba se mudou com sua família para Ayabe perto de Kyoto, e tornou-se um discípulo da religião Omoto e um membro do círculo interno em torno de seu líder carismático, Onisaburo Deguchi. O fundador do Aikido era conhecido por ter vários de seus melhores alunos com ele em longos retiros anuais semana ao Monte. Kurama se submeter a treinamento austero: a rotina diária começou às 5 da manhã com a oração, misogi (purificação), seguido por suburito , prática e exercícios de jogos de pernas. Alguns dias o treinamento não terminou até depois da meia-noite. Alguns desses alunos disseram que O'Sensei iria fazer um ponto de lembrá-los de que eles estavam treinando no mesmo lugar onde Sojobo ensinou Ushiwakamaru há 850 anos antes.

O’Sensei fazia questão de lembrar aos discípulos, que Minamoto no Yoshitsune permaneceu no Monte Kurama até que ele tinha 16 anos de idade. Durante esta década de estudo, quando ele não estava aprendendo as escrituras budistas, Minamoto no Yoshitsune passou o tempo de caminhada pelas trilhas íngremes pela floresta sagrada de pinheiros, cedros, ciprestes e outras árvores. Foi ali, nas montanhas, a alguma distância acima do templo, ele fez amizade com Sojobo, o lendário Rei Tengu de cabelos brancos do Monte Kurama, que o treinou em luta de espadas e estratégia militar. Também foi dito que Yoshitsune praticou seu jogo de pernas entre as raízes predominantes das árvores que ladeiam os caminhos até a montanha (Kinone Michi).

Morihei Ueshiba, levaria vários de seus melhores alunos com ele e que iriam viver com arroz, sopa de miso , ervas e etc.
Sua rotina era acordar as 05:00horas para rezar e fazer o Misogi; seguido por exercícios de movimentação de espadas pesadas por quinhentas vezes e, em seguida, mais jogo de movimentação de pernas. Das 10horas à meio-dia eles eram treinados em técnicas corporais. Das 15 as 17 horas; os alunos se revezam atuando como parceiro de Morihei Ueshiba; série após série de técnicas.
Durante as noite os alunos reveriam o treinamento físico e espiritual do dia, com uma sessão de treino à meia-noite a cada três noites. Mestre Ueshiba morava, durante este período, numa casa no sopé do Monte Kurama, e muitos habitantes da região, diziam que ele parecia estar possuído pelo Tengu, quando treinava; isto devido ao seu possante Kiai e seu treinamento incansável.

Morihei Ueshiba, dizia ser necessário,se obter a capacidade, de entrar em contato com os reinos extra-dimensionais, incluindo a quarta ea quinta dimensões, estados que ainda têm de ser explicado pelo nosso conhecimento científico atual. Tem sido frequentemente especulado que poderia haver uma dimensão que é academicamente obscura e diferente da nossa. Para expressá-lo na linguagem da religião, o ser humano em nosso mundo material pode alcançar um estado em que é possível viajar dentro e fora do mundo espiritual ou o mundo divino, como a ocasião exige, com a permissão do kami. Só aqueles que têm em suas naturezas para atingir um alto nível de desenvolvimento e que eles mesmos suficientemente treinados são capazes de fazê-lo.



Quanto as praticas marciais, havia uma moita de bambu ao longo de um lado da casa de O’Sensei e, também um grande bosque de bambu na oitava estação da montanha. Onisaburo Deguchi, que ficava muitas vezes em retiro no cume do Monte, desceu certa vez à meia-noite; ele gritava, "Ueshiba! Ueshiba! ". O’Sensei atendeu ao chamado de Mestre Deguchi e subiu a montanha para encontrá-lo. Apesar do fato de a noite estava tão escura e ele não podia ver até mesmo um centímetro à frente, Onisaburo trouxe Morihei Ueshiba para uma moita de bambu. Ele mostrou e explicou a O’Sensei como cortar bambu com a espada, para cortar com “aiki",segundo o artigo de Pranin Sensei.

(Continua)

Baseados em textos e entrevistas de Tenryu (Saburo Wakuta) Sensei a Stanley Pranin Sensei.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Arte da Espada de Sasaki Kojirō – Parte 2

Sobre a lenda, conta-se que Mushashi, propositalmente demorou mais de 2 horas, da hora marcada para chegar ao local do duelo, dizendo que esculpia um remo como ken (espada de madeira), para ser esta um pouco maior que a nodachi do adversário, e ao desembarcar na praia, com vestes e cabelos desarrumados, com uma Ken recém esculpida numa mão e um cobertor na outra, parecia estar querendo humilhar o adversário. O próprio Musashi diria mais tarde, que foi o duelo mais difícil de sua vida, por isso usou de artimanhas: desceu na praia com o sol nas costas, e esperou Kojirō Sensei, na areia dura perto do mar, obrigando-o correr na sua direção pela areia fofa, para cansa-lo.

Kojirō utilizou seu golpe supremo, "Tsubame Gaeshi", conhecido como o "vôo rasante da andorinha" e cortou uma fita que estava amarrada no pescoço de Musashi, passando apenas a poucos milímetros da sua jugular. o povo disse ao ver isso que o espírito de Kojirō ainda estava lutando contra Musashi e ele teve que gritar para que o espírito de Kojirō se dissipasse.

Apesar da lenda, algo aconteceu psicologicamente com Musashi, pois após este duelo, ou batalha (se tiveram outros participantes, como acham alguns autores) se retirou para cavernas nas montanhas, para escrever o chamado "o livro dos cinco anéis", alegando ter alcançado o despertar. Musashi nunca mais lutaria.

A lenda possui alguns enganos práticos e históricos, sendo que Harada Mukashi e alguns outros estudiosos acreditam que Musashi, talvez a pedido do senhor feudal, matou Mestre Sasaki com o auxilio de seus alunos, já que o clã Sasaki ao que parece era um obstáculo político ao Senhor Hosokawa, e o fato da derrota de Kojirō seria um retrocesso político para os seus adversários políticos e religiosos deste clã. O embate teria sido na ilha, talvez por sugestão do senhor feudal, para os seguidores de Mestre Sasaki não estarem presentes e nada testemunharem.

Sasaki Kojirō era extremamente veloz, sua técnica preferida era tanto respeitado e temido em todo o Japão feudal. O "Tsubame Gaeshi" foi assim chamado porque ele imitou o movimento de uma cauda de andorinha durante o voo de caça, por fazer mudanças bruscas de direção. Comentava-se que o corte era tão rápido e preciso, que poderia derrubar um pássaro em pleno voo. Não há descrições detalhadas sobre esta técnica, mas era comparada à técnicas do Itto-ryu Kinshi Cho Ohkene e do Ganryū Kosetsu To: dois cortes fortes e rápidos, para baixo e logo em seguida para cima. Mestre Sasaki criou esta técnica por volta do ano de 1605.

Sua vida é o tema de Genzō Murakami livro que leva seu nome, e existem relatos de que, embora pouco conhecida esta obra deste renomado autor japonês, é historicamente mais preciso em dados do que o romance sobre Musashi de Eiji Yoshikawa (esta última obra parece que concedeu mais destaque, mesmo sendo romanceado). Creio que todas as vertentes tem seus defensores, mas o mais importante é que ambos são personagens de grande importância na história

Boa Prática.

Oss.


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

Baseado em textos sobre a vida de Mestre Sasaki Kojirō

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