Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Impermanência, Sakura e o Poema 17 do Imperador Meiji

Vejo, cada vez mais, como é importante o estudo dos poemas do Imperador Meiji, no estudo do Budo, como bem me apontou Kawanabe Shihan.

Muitos escritores citam que a figura de imagem que ilustra a comparação que o Samurai gostava de fazer sobre seu dever, sua maneira de ser, falava sobre a Impermanência e estava num poema escrito no Hahakure:

"Como a flor de cerejeira, pronto para morrer no primeiro sopro da brisa da manhã.”

O conceito de Budo (Caminho do Guerreiro), assumiu uma nova dimensão, após o Periodo Kamakura (1192 - 1333), este termo herdado da China, cuja cultura Tang influenciava muito o Japão, designava como administrar os assuntos civis e militar. Esta noção foi enriquecida com uma dimensão ética e, portanto, o significado do Budo foi acrescido de obediência irrestrita ao código e a aquisição de virtudes em vigor nas classes Bushi e Samurai, tendo influência de várias correntes religiosas. Na verdade, o Código do Samurai baseou-se em vários princípios éticos religiosos propensos a ajudá-lo a fortalecer a sua alma. Com o ideal de serenidade do Samurai, a confiança no destino, a aceitação tranquila do evento inevitável; transcendendo, sobretudo, a morte e ao medo: o chamado transcender o ego.

Inoue Sensei, segundo Kawanabe Shihan, ensinava o chamado Budo da “Flor de Cerejeira caindo flutuando no Vento” (Sakura ga kaze ni fuyū rakka): conceituava que o Michi (Do) é a dádiva e vontade do Universo, que está sendo manifesta a todo instante; basta apenas nos esvaziarmos para que o Fluxo aconteça. Ser observação, ser ação; é a ação que dá origem à Virtude, Verdade, Compaixão, Beleza, etc...




Observar “As Flores de Cerejeira caindo que flutuam ao Vento”, este ensinamento nos mostra que elas caem e flutuam sem pensar; e é sem pensar que nos tornamos velozes e leves. Esta é a mentalidade quando se atinge a “Maestria no Movimento ou Ação”. Estas flores não vão contra sua própria natureza, tão pouco contra as leis da Natureza, a gravidade e o vento; isto as faz mais velozes.

Ser a respiração presente, ser o movimento presente, ser o vento presente, ser o instante presente. Nem mais, nem menos; não existe forte nem fraco, só existe o Fluxo da Realidade.

Por isso, a “respiração ideal ou refinada” (Iki) é tão importante no desenvolvimento da técnica: inalar e exalar, o ritmo natural se faz conjuntamente com o Hara; este último origem e centro onde tudo se produz. Este é o fundamento do Hachiriki de Kawanabe Shihan.

Um cronista da antiguidade faz uma analogia entre a que das flores e ao fluxo de um rio: estas são as flores que caem e,dançando, são espalhadas ao vento, indo em direção a um rio, mas não caem com a intenção de pegar o fluxo, simplesmente se deixam levar. Ao mesmo tempo, o rio não espera as flores para seguir o seu fluxo; ambos eventos simplesmente acontecem em harmonia. As flores são apenas espalhadas na natureza, o rio simplesmente apenas flui inocentemente, aí está a beleza e a harmonia.

O poema 17 do Imperador Meiji nos remete a este conceito da Impermanência, nos remetendo a estes ensinamentos da Harmonização:

"Ike no omo - Na superfície da lagoa
Ni nozomeru hana - podem ser vistas as flores
No ureshiki - de uma maneira agradável
Wa chirite mo mizu - sobre a água caem e
Ni ukabu narikeri - flutuam espalhadas"

(Suizyourraka ou Mizu no ue no ochibana) (Folhas caindo sobre a água)






Boa Reflexão.

Oss.


Baseado em artigos sobre o Inoue Sensei, Kawanabe Shihan, textos do Hagakure e os estudos, em japonês, dos Poemas do Imperador Meiji.

4 comentários:

  1. Da vértigo comparar la propia vida con lo efímero de la flor de cerezo, pero al final es lo que es, un corto espacio de tiempo que tenemos para vivir y que es imposible oponerse a la muerte.

    Un abrazo Ricardo.

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    Respostas
    1. Hola, Guillermo,
      Si,es la verdad esto pensamiento.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. buenos días Ricardo

    Muy buena la explicación de este poema, muchas gracias por compartirla
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenos Días, Carina,
      Es muy interesante estudiar los poemas del Imperador Meiji con respecto al Budo, como ha mencionado Kawanabe Sensei.
      Muchas gracias por tu comentario.
      Abrazo.

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