Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Espírito e Mestre do Coração

Sempre lemos nos textos, seja do Budo, do Aikido, do Kenjutsu, do Shin’ei Taido e tantas outras Artes Marciais, a importância do Coração, que é ele que nos conduz a evolução e ao Despertar; comecei a ler traduções de textos japoneses e chineses antigos, que falassem deste aspecto.

O Kokorotsutsumi (ou invólucro do coração), também conhecido como Mestre ou Senhor do Coração, é um órgão especial dos órgãos internos na medicina tradicional chinesa e japonesa. Ficou muito tempo desconhecido pelos ocidentais, que não percebiam sua existência como um órgão, pelos orientais.

Este “órgão” é responsável pelas trocas das energias Inn e Yang, com atuação no psiquismo tonificando o Inn, a circulação e o Coração; o Coração atuará, então, sobre a afetividade, a alegria de viver, a vitalidade e o espírito de iniciativa.

Na região do pericardo, na área denominada como Trann Tchong, teremos uma confluência para as energias respiratória e circulatória; é aí aonde o sangue (consequente à energia), parte para o Coração e este o lança para o resto do corpo. Segundo os autores orientais, tem uma atuação sobre o aspecto mental e sobre o “espírito” do Coração (Shin ou Sheng); e que, os 7 sentimentos seriam considerados os principais fatores da doença interna.

Mestre Da Cheng escreveu: “É do Mestre do Coração que é emanada a Claridade do Consciente”; e ainda explica que este “órgão” é responsável pelos processos de recepção dos fenômenos provindos do exterior e pela produção da atividade mental. Quando o Ki do Mestre do Coração e, consequentemente, do Coração são abundantes, o pensamento é vivo e o espírito é claro.

Muitos autores confirmam que o Coração encerra o Shin ou Sopro vital, que compreende o espírito, a atividade mental e a consciência; e estas estando bem, fortalecem essencialmente o Coração.

Penso que entender estes conceitos, nos fazem melhor compreender os textos de Morihei Ueshiba O’Sensei, que possuem muitas orientações e ensinamentos para nos conduzir ao despertar; ele nos fala sobre os sentimentos como podem nos prejudicar e que podemos no focar no Coração:

"Assim, se você se preocupar com o que é " bom "e" ruim "em seus companheiros, você cria uma abertura em seu coração, pela qual a maldade pode entrar. Testando, concorrendo com, e criticando os outros, você se enfraquece e derrota a si mesmo. (...)

Porém, seu coração está cheio de sementes férteis, esperando para germinar. (...)

Tocado pelo Coração Sincero, exercite e aprofunde o conhecimento dele, convencido da unidade deste mundo com o mundo que virá posteriormente.

Os dois fatores, físico e espiritual, precisam nutrir-se e fortalecer um ao outro, trabalhando ambos em perfeita Harmonia. (...)

Deus nos deu uma expressão física que prestasse ao aprimoramento do espírito, neste mundo e no Universo. Para tanto cumpre-nos alimentar o corpo, porém este, por sua parte, deverá seguir a consciência do espírito em total obediência. O corpo há de ser treinado como o guardião da alma e da luz de Deus na terra. Precisamos polir os veículos por meio dos quais experimentamos a Sabedoria do Universo. Ouvindo e vendo claramente, cheirando, degustando e tocando com sensibilidade, abrindo Coração, Mente e Espírito, é que experimentaremos e perceberemos a plena verdade de Deus. Assim é que precisamos cultivar as virtudes do Espírito Universal nesta terra onde vivemos. Temos que reunir, como uma só coisa, a Essência Divina, o Universo e a expressão de nossa vida. (...)

Se olhardes com os olhos do Coração, ele será o mestre possuidor da verdade cientifica e espiritual que vos conduzirá à Iluminação. Ele encarna todas as Escrituras Sagradas. As leis da Natureza surgiram por intermédio do Amor, da Harmonia absoluta encontrada no perene processo da Criação. É absolutamente necessário que os seguidores do Aikido pratiquem essas coisas bem no íntimo do Coração.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseados em Textos da Medicina Tradicional Chinesa, da Medicina Tradicional Japonesa, no Nei Ching, entrevistas e ensinamentos de Morihei Ueshiba O’Sensei.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Cada Ação é Única

Estes dias lí um artigo, de Mitsugi Saotome Shihan , que me fez refletir, que cada ação é uma possibilidade única em nossas vidas; mesmo que você a repita, está ação nunca será identica: Ichi Go Ichi E. Este termo usado tanto na Cerimônia do Chá, como no Budo, é usado para advertir os alunos que se tornam descuidados ou freqüentemente param técnicas pelo meio e iniciam de novo, em vez de seguir em frente com a técnica, apesar do erro. Geralmente um Mestre alerta, que se fosse uma luta de vida ou morte, não haveria nenhuma chance de "tentar novamente." Mesmo que, no Dojo, as técnicas possam ser repetidas muitas vezes, devemos ver cada uma delas como um evento singular, único e decisivo; conforme Ueshiba O’Sensei ensinava a seus discípulos.

Embora esta frase seja associada à Sen no Rikyu Sensei, Mestre da Cerimônia do Chá; porém sua frase original foi ichigo ni ichido" (uma vez em toda existência, vida –"ichigo ni ichido no e no yō ni"). No entanto, ichigo ichie foi um conceito desenvolvido, mais tarde por Ii Naosuke (1815 -1860), administrador-chefe do Xogunato Tokugawa e,também, um mestre da Cerimônia do Chá. Esta frase é freqüentemente traduzido como “apenas desta vez", "nunca mais", ou "uma chance em uma vida."

A frase, é composta, pelo kanji ichi (numero um), duas vezes, acrescido do kanji Go (que representa as mudanças da lua, que marca a passagem do tempo) e pelo kanji E (aqui utilizando a sua forma antiga, que representa a possibilidade , reunir, reunião, encontro, ser possível realizar algo): um só tempo, uma só possibilidade.

Segundo Saotome Shihan, “a vida é vivida momento por momento e a medida dela é o modo pelo qual o espírito floresce em cada um desses momentos”; que cada instante seria um instante de celebração de um momento atemporal e eterno, principalmente se o coração experimenta a paz. Shihan nos fala que a mente precisa estar sempre vazia, para poder estar receptiva às vibraçõews de cada momento, pois o tempo não retorna jamais: é como saborear o chá, cada gole é único, não devemos comparar pois ficaríamos impedidos de saborear. Shihan nos alertas que as pré-concepções, são artifícios da mente, que nos impedem de em contato com as vibrações do momento presente.

Devemos lembrar que Mitsugi Saotome, foi Uchideshi de Morihei Ueshiba desde jovem, ficando junto ao Fundador, dando toda assistência, dentro e fora do Dojo, até o dia do falecimento do Grande Mestre. Nos últimos anos, quando o jovem Saotome quando via Ueshiba O’Sensei nos treinos, sabia que poderia ser a última vez, que poderia ser a última oportunidade de receber seus ensinamentos nesta existência, neste plano material, e expressava neste frase:” O agora é agora! O amanhã é o talvez.”

Ueshiba O’Sensei ensinava, que este é o significado de Ikkyo, que a cada vez que realizamos, ele é único, que não existe uma segunda oportunidade, que não é possível realizar algo que é único de novo, que toda a nossa vida está naquele instante único, no agora. O’Sensei ensinava que isto só pode ser realizado com a mente de principiante, com a mente vazia; que a pré-concepção, a conceituação e as normas, nos afastam do Caminho, como ele resume neste ensinamento:

"Fazer cessar os pensamentos limitantes e voltar ao verdadeiro vazio. Fique no meio do Grande Vazio. Este é o segredo do Caminho do Guerreiro ".

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no livro de Mitsugi Saotome Shihan “ Aikido e a Harmonia da Natureza” e artigos de Stevens Sensei.








 Ichi Go Ichi E (Kanji Antigo)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Byōki e Saúde

A interação de ki com todas as coisas e seres vivos, é algo que sempre fascinou o ser humano, desde a época dos samurais, fascínio que permanece até hoje, e todos os conceitos de Saude, foi muito estudado por grandes mestres das Artes Marciais, como Tesshu Yamaoka Sensei, Tempu Nakamura Sensei e Koichi Tohei Sensei.

Ki é extremamente vital, considerado a "essência da vida" ou "energia vital" que mantém e alimenta nosso corpo físico, mental e espíritual. Muitas vezes é caracterizado como o movimento de energia, que se regenera rapidamente, mudando a cada dia. Alguns autores alegam que consiste de campos magnéticos, elétricos; com um espectro sonoro e vibracional que vai desde o infra-som e infravermelhos, que fluem através de nossas células, tecidos, músculos e órgãos internos.

Ki não se move aleatoriamente dentro de nós, mas através dos meridianos ou canais de energia em nosso corpo, que formam uma rede de caminhos interligados que conecta órgãos, pele, visceras, músculos e ossos; como tudo é uma manifestação de Ki, temos a manutenção da unidade, do campo unificado. Está unidade ressona com o ambiente a nossa volta, com tudo o que está a nossa volta.

Quando o fluxo de Ki não está obstruído, temos boa saúde, mas quando Ki é bloqueado, a qualquer momento, resulta que Ki é incapaz de alcançar a determinada região do corpo, promovendo disfunções ou até mesmo doenças.

Tohei Sensei, que devido a um quadro de pleurisia acentuado, que o obrigava a fazer repouso diário, sem poder exercer atividades físicas, o leva a procurar a Escola fundada por Yamaoka Sensei: O Ichikukai Dojo. Neste local, os discípulos de Tesshu Yamaoka Sensei, praticam várias técnicas de Misogi, e afirmavam que todo indivíduo tem pelo menos um “poder”, que após estas práticas, adquiriria mais nove (Ichikukai significa 1-9).

Ao se apresentar neste Dojo, após muita insistência, o jovem Tohei é aceito por Tesso Hino Sensei, com a condição de apenas praticar a meditação Zazen todos os dias; apenas mais tarde faria as outras práticas, quando estivesse mais forte. Toda vez que o jovem insistia em fazer as outras práticas e praticar o Kiai, retornavam as dores e piorava o quadro.

Mestre Hino passou a acompanhar pessoalmente o treinamento do jovem, ficavam horas na prática do Zazen; a partir deste instante, a sua doença e dores começaram a melhorar, atribui a melhora a sua compreensão da interação de Kokoro (Coração-Mente-Espirito) com o corpo, quando esta unidade é interrompida, temos a disfunção de Ki, com a instalação de Byōki.

O jovem discípulo percebeu que uma mente sobrecarregada de emoções e julgamentos (raiva, medo, intolerância, preconceito, etc.) leva a uma disfunção de Ki, levando o Byōki a impregnar a esta mente e estendendo esta atuação para o físico. Em japonês, qualquer disfunção do corpo é denominada Yamai ou Byō; mas quando temos uma disfunção que compromete o Ki do indivíduo, temos a condição de Byōki.

Sensei Tohei explica, em sua entrevista a Stanley Pranin Sensei, que se a mente esta contaminada (doente), logo teremos um corpo doente, se a mente está saudável e livre da contaminação (pensamentos negativos, desejos e emoções), o corpo está saudável. Posteriomente, Sense criou grupos de estudos para resgatar as técnicas tradicionais.

Estes estudos mostrar a importância do Chin Tanden ou Seika Tanden , cujo significado literal nos indica ser esta a região do abdômen aonde acontecem as precipitações elétricas de Ki muito importante para se apoiar o Plexo Solar (ou Inochi Mon).

O Kokyu Ho, seria, como sugerem alguns autores, através do trabalho do diafragma, não só responsável por movimentação de vísceras e órgãos abdominais, mas também considerado um tipo de “massagem respiratória no mediastino, com uma melhora da função do retorno venoso, da circulação arterial e linfática, além de melhorar o desempenho da atividade de pleura e pericárdio. O Pericardio é considerado como um “órgão” importante ma medicina chinesa e oriental, é o chamado Fogo Príncipe.

Esta prática do Kokyu pode ser feita em posição sentada (pernas cruzadas em "meio lótus", em Seiza ou sentado em uma cadeira com os pés apoiados no chão); alguns praticam em pé. Sente-se confortavelmente e, suavemente, feche os olhos ou os deixe entreabertos. Agora, lentamente, relaxe suavemente todos os seus músculos - lenta e suavemente – membros, mandíbula, ombros , costas , tórax , abdômen , quadris, mãos e pés; boca ligeiramente fechada - mandíbula relaxada - e a ponta da língua contra o palato.

Dirija sua atenção sobre o Hara, focando o ritmo natural de sua respiração. Seja a observação da respiração, sem interferir no processo de respiração, apenas esteja ciente de que você está respirando sem esforço.

Cada vez mais consciente no processo de respiração, sem tensão, inspire lentamente através do nariz (inflando levemente o abdômen inferior) até que seus pulmões estejam quase (mas não completamente) repletos; isto sem esforço ou tensão.

A sua respiração passa a ser como um raio de luz que flui em seu Seika Tanden. Observe as pausas, faça uma pausa momentânea, para estar ciente da respiração e Hara, então, comece devagar expirando no mesmo ritmo lento, deixando arrastar a respiração pela boca; continue até que seus pulmões estejam quase (mas não completamente) vazios.

Repita o processo, devagar, sendo apenas observador do que acontece, permitindo este ciclo de respiração acontecer durante o tempo que você se sinta confortável com ele, sem esforço.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em entrevistas de Koichi Tohei Sensei, em artigos sobre Zazen e Misogi.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Impermanência, Sakura e o Poema 17 do Imperador Meiji

Vejo, cada vez mais, como é importante o estudo dos poemas do Imperador Meiji, no estudo do Budo, como bem me apontou Kawanabe Shihan.

Muitos escritores citam que a figura de imagem que ilustra a comparação que o Samurai gostava de fazer sobre seu dever, sua maneira de ser, falava sobre a Impermanência e estava num poema escrito no Hahakure:

"Como a flor de cerejeira, pronto para morrer no primeiro sopro da brisa da manhã.”

O conceito de Budo (Caminho do Guerreiro), assumiu uma nova dimensão, após o Periodo Kamakura (1192 - 1333), este termo herdado da China, cuja cultura Tang influenciava muito o Japão, designava como administrar os assuntos civis e militar. Esta noção foi enriquecida com uma dimensão ética e, portanto, o significado do Budo foi acrescido de obediência irrestrita ao código e a aquisição de virtudes em vigor nas classes Bushi e Samurai, tendo influência de várias correntes religiosas. Na verdade, o Código do Samurai baseou-se em vários princípios éticos religiosos propensos a ajudá-lo a fortalecer a sua alma. Com o ideal de serenidade do Samurai, a confiança no destino, a aceitação tranquila do evento inevitável; transcendendo, sobretudo, a morte e ao medo: o chamado transcender o ego.

Inoue Sensei, segundo Kawanabe Shihan, ensinava o chamado Budo da “Flor de Cerejeira caindo flutuando no Vento” (Sakura ga kaze ni fuyū rakka): conceituava que o Michi (Do) é a dádiva e vontade do Universo, que está sendo manifesta a todo instante; basta apenas nos esvaziarmos para que o Fluxo aconteça. Ser observação, ser ação; é a ação que dá origem à Virtude, Verdade, Compaixão, Beleza, etc...




Observar “As Flores de Cerejeira caindo que flutuam ao Vento”, este ensinamento nos mostra que elas caem e flutuam sem pensar; e é sem pensar que nos tornamos velozes e leves. Esta é a mentalidade quando se atinge a “Maestria no Movimento ou Ação”. Estas flores não vão contra sua própria natureza, tão pouco contra as leis da Natureza, a gravidade e o vento; isto as faz mais velozes.

Ser a respiração presente, ser o movimento presente, ser o vento presente, ser o instante presente. Nem mais, nem menos; não existe forte nem fraco, só existe o Fluxo da Realidade.

Por isso, a “respiração ideal ou refinada” (Iki) é tão importante no desenvolvimento da técnica: inalar e exalar, o ritmo natural se faz conjuntamente com o Hara; este último origem e centro onde tudo se produz. Este é o fundamento do Hachiriki de Kawanabe Shihan.

Um cronista da antiguidade faz uma analogia entre a que das flores e ao fluxo de um rio: estas são as flores que caem e,dançando, são espalhadas ao vento, indo em direção a um rio, mas não caem com a intenção de pegar o fluxo, simplesmente se deixam levar. Ao mesmo tempo, o rio não espera as flores para seguir o seu fluxo; ambos eventos simplesmente acontecem em harmonia. As flores são apenas espalhadas na natureza, o rio simplesmente apenas flui inocentemente, aí está a beleza e a harmonia.

O poema 17 do Imperador Meiji nos remete a este conceito da Impermanência, nos remetendo a estes ensinamentos da Harmonização:

"Ike no omo - Na superfície da lagoa
Ni nozomeru hana - podem ser vistas as flores
No ureshiki - de uma maneira agradável
Wa chirite mo mizu - sobre a água caem e
Ni ukabu narikeri - flutuam espalhadas"

(Suizyourraka ou Mizu no ue no ochibana) (Folhas caindo sobre a água)






Boa Reflexão.

Oss.


Baseado em artigos sobre o Inoue Sensei, Kawanabe Shihan, textos do Hagakure e os estudos, em japonês, dos Poemas do Imperador Meiji.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O Circulo Eterno (Ki e Movimento)

O criador da Arte Marcial, Korindo Aikido, Minoru Hirai Hanshi, explicou, em uma entrevista, seu conceito básico de “En Wa Ichi Gen”, que expressa com a figura do “Circulo que Gira Eternamente”.

Mestre Minoru começou seus estudos de Artes Marciais, com seu avô adotivo, aos 11 anos de idade, em 1914, o estilo de Kenjutsu Togun-Ryu Heiho, e em 1918, o estilo Okumura Nito-Ryu. Além dos jujutsu Takenouchi-Ryu e Kito-Ryu, tambem estudou o sojutsu (yari, lança) Saburi-Ryu. Para Stanley Pranin Sensei, relatou que em seu aprendizado, em sua família, nestas Artes aprendeu a dar vazão ao Fluxo, principalmente quando lhe ensinam a Arte milenar do Yawara (não confundir com o artefato marcial com o mesmo nome, utilizado em outras Artes Marciais ou com o estilo marcial Yawara Jitsu). Mais adiante explicarei a etimologia da palavra e do termo a que Minoru Sensei se refere como uma designação, também, para jujutsu e, entre várias técnicas, incluía a prática doo Ken e Bo.

Para Minoru Hanshi o mais importante, que se começa aprender através da prática do Taisabaki, advinda do Yawara-Ryu, com a prática do movimento e da respiração, não havendo forma (kata) pré-concebida; embora parecendo paradoxal, ele afirma que não se pode associar movimento e respiração a uma técnica específica. Segundo este conceito, a cada situação ou evento, teremos uma ação, uma movimentação espontânea repleta de Ki; isto acontece quando corpo e respiração atuam por si mesmos, com o aparecimento do movimento circular espontâneo e natural, que flui por si só.

Este Taisabaki de Yawara que deveria ser o primeiro ensinamento a ser praticado e aprendido no Dojo, a “Fonte do Principio do Círculo” ou “Circulo como Fonte única” (En-wa ichigen), do “circulo que gira eternamente”, como ele explicava; quando tomamos consciência, através desta prática, que a vida e os outros eventos, acontecem por si só, assim compreendemos a nos deixarmos ser levados pelo “fluxo do movimento e da respiração, que acontecem por si mesmas”.

Naquele instante da prática, alunos e instrutores, podem experimentar o preenchimento pelo Ki Impermanente (ou da Impermanência), quando todos podem ficar cada vez mais relaxados, premissa para o aparecimento do movimento circular espontâneo.

O termo “En-wa ichigen”, tem uma bela conceituação se observarmos os seus kanjis, o que nos faz compreender o que Mestre Minoru explicava:

O primeiro Kanji, En significa círculo. Já o Kanji Wa, tem uma significação mais ampla:harmonia, paz, representando, também, a forma curta de Yawa (rageru), Yawa(ragu), nago(mu)- suave, calmo nago(yaka) gentil, agradavel,suave. Ichigen significa Fonte Única. Wa também faz alusão ao Japão e a Paz.

Interessante que o Kanji Wa tem um outro kanji como representante para Yawara que é Jū ou Nyū, que significa gentil. Quando associamos ambos kanjis, temos a palavra Nyūwa (ou Yawara), que significa mansidão e gentileza, caracterizando bem os ensinamentos de Minoru Hanshi da não-contração, dos movimentos e respirações naturais.

Mestre Monoru, ensinava que através desta prática, o ser humano permite que o fluxo de Ki e da Criação, se faça incessantemente através dele próprio, se tornando cada vez mais gentil, alegre e repleto de Compaixão; que este é o principio da Unidade e da Paz, aonde não existem conflitos, quando atingimos a Consciência.

Nos é solicitado que pratiquemos com sinceridade, alertando que não tendo nada a ver com privilegiar a forma física, pois em seu conceito, visar apenas adquirir um excelente condicionamento físico e técnico, sem praticar o aspecto espiritual do Budo, não está na prática do Caminho ou Michi.

Termino com a frase de Minoru Hanshi:

“Eu acredito que o segredo é colocar o seu coração e a sua alma na prática das Artes Marciais.”

Boa reflexão.

Oss.


Baseado em entrevistas de Minoru Hirai Sensei.

                        “En-wa ichigen”


     
             "Nyūwa (ou Yawara)"

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