Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Hara, Mente e Mar de Energia – Parte 1

Ontem li um artigo muito interessante, no qual o autor nos fala, que ser observação para que a mente abandone o vício da forma. Conforme transcorria o tema, o autor me fez lembrar os ensinamentos de Ueshiba O’Sensei, de Inoue Sensei e Kawanabe Sensei, quando todos nos mostram o caminho de transcender a forma, pois como afirmam: “todas as formas se encontram em nosso interior.”

O Caminho do Budo é muito interessante, já que num primeiro instante, é através do estudo da forma que temos os primeiros estágios do aprendizado, para posteriormente podermos abandoná-los, para transcendê-los, como no poema do Imperador Meiji, Utsusemi, deixar a casca vazia, transcendendo a forma. Esta é base do Sutra do Coração: “A forma é o vazio, o vazio é a forma”.

Tal aspecto vem através da meditação (seja passiva ou ativa), do trabalho com a respiração e a atuação do Hara (cerca de 2-3 dedos da prega umbilical). Culturalmente, isto parece um paradoxo no Ocidente, mas, na cultura japonesa, esta é a região do “Kikai Tanden” (Mar de Energia), que se baseia na atenção neste ponto e na expiração, simultâneamente.

É este mar de energia do Hara que serve de base para o Tanden médio, na área do Tanzhong, próximo a área do coração, possibilitando tranformar o Ki em, no que é descrito nos textos sino-japoneses, em “respiração espiritual” (Shen, Kami), que anima a via mental e aprimora a consciência. Quando integramos o Tanden superior, que geralmente se localiza na área de Yingtang (entre as sobrancelhas), esta respiração nos conduz ao estado de Wuji ou estado de vazio fértil, conforme descrito nos textos taoistas.

Este “movimento” de Ki é o princípio fundamental e único, que dá ao Universo, a todas as coisas e aos seres a forma, enquanto se transforma sem cessar. Na cosmologia chinesa, o Ki é pré-existente ao surgimento de yin e yang; os dois aspectos da respiração que, através da combinação de ambos, a formação das “dez mil coisas”, isto é, seres e objetos do universo.

Enfim, seria através desta integração com o terceiro Tanden, que o praticante atinge a um estado de unidade com o Cosmos, isto é, a unidade para agir de acordo as leis intrínsecas do equilíbrio do Universo; segundo o Taoísmo chamado o Caminho ou Tao.(estado original do Cosmos).

Textos marciais dizem que a Onda (ou Nami) seria a energia que circula de fato em suas próprias variações, então, estas variações são as designadas de “ondas”. Para obter uma imagem mais clara, pensemos na eletricidade, o que seria a energia e esta tem um comprimento de onda que é facilmente medido. Em qualquer movimento,assim como na onda, existem as fases de alta e as fases de baixa. Novamente para ter ideias claras, é melhor tomar como modelo uma curva sinusoidal,que é a própria imagem do movimento que lembra ondas do mar ou do lago (porem, nós devemos ter em mente que isto é a superfície, uma pequena parte do mar, que em sua imensa profundidade e extensão, tudo é tranqüilidade). No Aikido, Shin’ei Taido, Kitaido, Shintaido, Hachiriki, Karatê e outras Artes Marciais, as variações de respiração e energia são comuns.

Em uma técnica, há momentos em que estão encadeados com diferentes ritmos; se ikkajo ou ikkyo realizado do início ao fim, pode ser com a mesma intensidade, temos o cotovelo dobrado. Porem, se o praticante vai aumentar a amplitude do braço, existe uma alteração na amplitude do movimento. Muitos vêem na prática do Irimi-tenkan ou do Oi Tsuki, a mesma coisa, mas tudo de estar conectado com o ritmo da respiração e Hara.

(Continua)


Para Ler a Parte 2 - Clique Aqui

Baseado em textos de Kawanabe Shihan, Inoue Doshu, Morihei Ueshiba O’Sensei, Poemas do Imperador Meiji

4 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,
    Que bonita foto y el texto también, entrenar con la respiración y ser uno con el todo, no? Muchas gracias por compartirlo
    un abrazo

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    1. Buenos Días, Carina,
      Este texto es una síntesis que hizo las enseñanzas de la cultura japonesa, me he dado cuenta que a medida que estudiamos todos los aspectos se entrelazan. Este texto forma parte de los estudios he estado haciendo durante semanas, con Hiroko Sensei y con la ayuda de Kawanabe Shihan. La foto tiene un efecto sobre el brillo de la luna tuve la suerte de ser capaz de capturar y luego trabajar.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Interesante post Ricardo, andaba un poco perdido hasta que he llegado a los ejemplos del final. Muchas gracias por compartirlo.

    Un abrazo.

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    1. Hola, Guillermo,
      Este texto, es una síntesis de aspectos de la cultura japonesa, que he hizo con la ayuda de Hiroko Sensei y, la primeira parte es para explicar el papel del Ki y cómo utililizar sus variaciones, a traves del Hara, como las olas. En la segunda parte tenemos ejemplos y comparaciones.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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