Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 16 de novembro de 2013

A Prática Aiki (anos 30-40)

Stanley Pranin fez diversas entrevistas, com vários alunos de Ueshiba O’Sensei, do periodo das decadas de 30 a 40. Com estes depoimentos, ele pode nos concede um visão aproximada da prática, pelo olhar dos que ele chamou dos "Pioneiros do Aikido”. Devemos lembrar, que nesta época é que Mestre Deguchi sugeriu nome Aikibudo, para a Arte; nos anos 50, denomina-se Aikido.

Segundo relato de Zenzaburo Akazawa Sensei, muitas vezes, um aluno adiantado, estudava extenuantemente duas técnicas por duas semanas, e era enviado a disseminar a técnica em outro Dojo do Budo Senyokai ; como aconteceu com Fujisawa Sensei, as técnicas ou apenas uma técnica, que O’Sensei queria aprimorar, fosse num dia ou num periodo. No caso de ser suwari-waza, praticariam até esfolar a pele ou o joelho, era muito intenso.

O’Sensei praticava diretamente o aluno, e demonstrava, depois o Deshi aplicava a técnica nele. Dizia-se que era como aplicar a técnica numa arvore imensa; o Mestre não fugia nem se opunha a técnica, mas parecia que ele drenava para si a energia de Uke. Não adiantava Uke fazer cada vez mais força, nada acontecia. No Kokyu-ho, seus ombros caiam e ficava imóvel como uma montanha; Uke podia tentar elevar as mãos, empurrar o Mestre com a cabeça e nada acontecia.

Nos anos 40, maioria das técnicas não eram realizadas em shikko. Num treino, iniciavam com Tai-no-henko, o Funakogi-Undo (exercício do remador ou Torifune) para aquecimento; depois as técnicas do dia. No final, Shūmatsu undō (ou Shūmatsu Dōsa) e Kokyu-ho. A prática com shikko é mais tardia.

Naquela época, o termo “Kyo” não era usado, atual Ikkyo era “Ikkajo” , “Nikyo era “Nikajo” e assim sucessivamente. A termilogia “Kyo”, foi no periodo em Kisshomaru Sensei publicou o livro “Aikido”, em 1957 (conforme artigos de Stanley Pranin Sensei, Akazawa Sensei, Inoue Sensei, Kunigoshi Sensei, e Cristopher Li Sensei). Os Deshii relatavam que seu movimento possuia velocidade esmagadora; que mesmo possuindo um aremesso possante, passava uma sensação de proteção e segurança para Uke. Nas chaves e imobilizações, Uke sentia um grande peso sobre o corpo, ficava totalmente imóvel, fosse com as mãos ou um único dedo, atingindo uma única vértebra ou um único ponto.

Ocasionalmente, o que era raro, havia treino de espada, e experimentavam a extrema rapidez de O’Sensei ; iniciar levantar o bokuto, era sentir a ponta do Bokuto do Fundador na garganta. Perceber que o Mestre poderia atacar opescoço, em um átimo de segundo, O’Sensei realizava um Irimi – tenkan, se deslocando tão rápidamente, que no instante seguinte estava com a espada atrás da cabeça de Uke. (O termo usado na entrevista a Christopher Li Sensei, é Bokuto, lembrando que o termo Bokken é uma terminologia mais recente).

O’Sensei treinava com Bokuto e Tetsubo (bastão maciço, de carvalho, com metal nas extremidades, muito usado no periodo feudal), aconselhando que era importante finalizar com firmeza, com movimentação rápida e segura; conectando Hara com Hara, com o movimento de corte até o Hara de Uke.

O’Sensei era rápido, com incrível energia, com muita pressão no seu golpe. Nas exibições, os Uke caiam a todo instante, por que a mão do Fundador penetrava no campo deles logo que iniciavam o movimento; não havia como reagir. Os braços do Mestre eram de poder e velocidade surpreendentes, ele parecia possuir uma força sobre-humana; não se contraia para produzir energia, ao contrário, entrava de uma forma relaxada e natural. Mesmo quando os Uke atacavam com raiva, não conseguiam confundir e imobilizar o Fundador, que permanecia sempre indiferente sereno e atento, mas esvaziava o ataque dos Uke, como se drenasse o Ki deles. Ueshiba O’Sensei realizava as técnicas sempre com o mesmo poder.

Nos treinos, o Fundador nunca chamou a atenção dos alunos quanto a pontualidade ou faltar, porem sempre demonstrava, em suas ações, sendo pontual e não faltando; era rigoroso consigo mesmo, não importava o que acontecia, não importa o clima, nunca se atrasava. Não falava sobre as técnicas com muitos detalhes, mas ele tomava as mãos dos alunos e ensinava conscientemente, com bastante cuidado; transmitindo uma experiência que é um verdadeiro tesouro. Ensinava que através da conexão com o Hara, estamos frente ao nosso próprio hara, que devemos caminhar em direção ao Hara de Uke; desenvolvendo uma conexão e alinhamento perfeitos, com o tempo : assim, conectados, realizamos o verdadeiro Irimi. A transformação vai acontecendo de maneira gradual e imperceptivel, até que adquirimos consciência disto. No início, não estamos cientes, e confundimos a força física com a força Kokyu; conforme os anos passam, o uso da força física desaparece. Para desenvolver isto, recomendava a prática de Muga no Kyochi (o reino do não-self)

Quanto ao Shugyo, dizia O’Sensei:"É uma questão de progresso constante."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de de Stanley Pranin Sensei, Inoue Sensei e Cristopher Li Sensei)

4 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,
    muchas gracias por este excelente artículo sobre las técnicas sin fuerza simplemente con el Kokyu, la respiración,
    un abrazo

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    1. Buenas Tardes, Carina,
      Me pareció muy interesante, al leer los artículos de los primeros Deshii de O'Sensei, la presencia de Inoue Sensei como fiel ayudante, durante décadas y que las técnicas eran mucho más simplificado en cuestión de terminología.
      En cuanto al calentamiento físico, me explicó por qué muchos dojos, como de Yamada Shihan, esta práctica es bastante simple. Curioso que también (la visita tiene cerca de 8 a 10 años); se empezaba la clase con el "Tai-no-Henko". Li, también, que muchos seguidores de este período, tienen como caracteristica, utilizar el Kata Guruma y el Ganseki Otoshi, con más frecuencia que Koshi Nage.
      Muchas Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Me gusta la idea de no pasar mucho tiempo intentando explicar la técnica con palabras, es mejor dar la oportunidad a los alumnos de sentir durante la ejecución, en eso Ueshiba tenía toda la razón a mi forma de entender la práctica del Aikido.

    Un abrazo Ricardo.

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    1. Buenas Noches, Guillermo,
      Estoy de acuerdo contigo, es la práctica continua que aprimora nuestra técnica, todavia, es necesária la base teórica para complementar.
      Muchas gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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