Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Hara, Mente e Mar de Energia – Parte 2

Para tal conexão, devemos analisar, na cultura japonesa, expressões como "pensar com Hara", que é a sede da intuição movimentos e reflexo, que seria a sede de nosso cérebro. Outra expressão é “estar no Hara” que se refere as seguintes características: atenção no momento presente; sem muito ego ou muito pouco; propósito de transcende a personalidade; senso de conexão com o céu-terra; com capacidade de responder a qualquer circunstância da vida.

No Japão, esta forma de consciência é definida como Haragei, a relação direta entre o homens, de hara com hara , de alma para alma, que pode acontecer entre duas pessoas sem a necessidade de palavras. Encontramos outras expressões como:

Hara kuroi hito, uma pessoa sorrateira, tem um abdômen preto;

Hara gitanai hito - álguém desonesto, que tem o Hara sujo, que não tem os meios próprios no Hara para ser honesto;

Hara okii hito é homem generoso é aquele que " tem uma grande Hara ;

Hara dekiteru hito é o homem maduro , forte, respeitada e respeitável;

Hara wo watte Hanasu é conversar de coração aberto, com o Hara aberto;

Hara ga tatsu é que se está com raiva, o Ki do Hara está invertido para cima .

Na verdade, quando se fala de Hara , como vimos, falamos de mente, consciência, Tanden, KI e Kokyu, pois existe uma ampla conceituação sobre o Hara, e seria como um centro imutável em torno do qual tudo está organizado.

Como nos ensina Kawanabe Sensei sobre a respiração e o Ki, no Hachikiri, que desenvolveu após seus estudos com Inoue Sensei e Okuyama Sensei:

"Da mesma forma, quando esta respiração, ao mesmo tempo leve, profunda e forte, quando é bem treinado, só é necessário fazer vários ritmos da respiração, sendo adaptável para estar pronto para qualquer mudança de movimento. Okuyama Sensei afirma que "Ki" é a respiração. Eu concordo, mas na minha opinião'' Ki'' tem dois lados: os aspectos físicos e mentais. O Ki mental, se manifesta e trabalha fisicamente na forma de respiração. (...)

Pode-se, desenvolver a técnica violenta de um furacão, bem como a técnica de calmaria, com a sua respiração do Hara. A Inspiração e a expiração podem ser feitas perfeitamentes, com vários ritmos e poderes. ”

Observamos o mesmo ensinamento no poema 17 do Imperador Meiji, que nos fala como a onda pode ser tempestuosa ou tranquila:

Sendo Tempestuoso (Areruka to)

Acalma-se ao olhar (Mireba nagiyuku)

Para o Mar Original (Unabara no)

A onda , o ser humano (Nami koso hito no)

E o mundo se assemelham (Yo ni nitarikere).

Interesante observar que Unabara é o Oceano de onde tudo provem, o Oceano da Criação. Este oceano que Ueshiba O’Sensei nos fala de ser a Fonte da Criação, de todas as coisas, que devemos nos fundir a esta fonte. Assim, se através da meditação ou ser observação, nos ligamos e permanecemos na “profundidade do Mar Original”, nossa mente acalma, não ficamos expostos ao vai e vem das ondas, que neste caso são as emoções.

Boa reflexão.

Oss.



Baseado em textos de Kawanabe Shihan, Inoue Doshu, Morihei Ueshiba O’Sensei, Poemas do Imperador Meiji


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Hara, Mente e Mar de Energia – Parte 1

Ontem li um artigo muito interessante, no qual o autor nos fala, que ser observação para que a mente abandone o vício da forma. Conforme transcorria o tema, o autor me fez lembrar os ensinamentos de Ueshiba O’Sensei, de Inoue Sensei e Kawanabe Sensei, quando todos nos mostram o caminho de transcender a forma, pois como afirmam: “todas as formas se encontram em nosso interior.”

O Caminho do Budo é muito interessante, já que num primeiro instante, é através do estudo da forma que temos os primeiros estágios do aprendizado, para posteriormente podermos abandoná-los, para transcendê-los, como no poema do Imperador Meiji, Utsusemi, deixar a casca vazia, transcendendo a forma. Esta é base do Sutra do Coração: “A forma é o vazio, o vazio é a forma”.

Tal aspecto vem através da meditação (seja passiva ou ativa), do trabalho com a respiração e a atuação do Hara (cerca de 2-3 dedos da prega umbilical). Culturalmente, isto parece um paradoxo no Ocidente, mas, na cultura japonesa, esta é a região do “Kikai Tanden” (Mar de Energia), que se baseia na atenção neste ponto e na expiração, simultâneamente.

É este mar de energia do Hara que serve de base para o Tanden médio, na área do Tanzhong, próximo a área do coração, possibilitando tranformar o Ki em, no que é descrito nos textos sino-japoneses, em “respiração espiritual” (Shen, Kami), que anima a via mental e aprimora a consciência. Quando integramos o Tanden superior, que geralmente se localiza na área de Yingtang (entre as sobrancelhas), esta respiração nos conduz ao estado de Wuji ou estado de vazio fértil, conforme descrito nos textos taoistas.

Este “movimento” de Ki é o princípio fundamental e único, que dá ao Universo, a todas as coisas e aos seres a forma, enquanto se transforma sem cessar. Na cosmologia chinesa, o Ki é pré-existente ao surgimento de yin e yang; os dois aspectos da respiração que, através da combinação de ambos, a formação das “dez mil coisas”, isto é, seres e objetos do universo.

Enfim, seria através desta integração com o terceiro Tanden, que o praticante atinge a um estado de unidade com o Cosmos, isto é, a unidade para agir de acordo as leis intrínsecas do equilíbrio do Universo; segundo o Taoísmo chamado o Caminho ou Tao.(estado original do Cosmos).

Textos marciais dizem que a Onda (ou Nami) seria a energia que circula de fato em suas próprias variações, então, estas variações são as designadas de “ondas”. Para obter uma imagem mais clara, pensemos na eletricidade, o que seria a energia e esta tem um comprimento de onda que é facilmente medido. Em qualquer movimento,assim como na onda, existem as fases de alta e as fases de baixa. Novamente para ter ideias claras, é melhor tomar como modelo uma curva sinusoidal,que é a própria imagem do movimento que lembra ondas do mar ou do lago (porem, nós devemos ter em mente que isto é a superfície, uma pequena parte do mar, que em sua imensa profundidade e extensão, tudo é tranqüilidade). No Aikido, Shin’ei Taido, Kitaido, Shintaido, Hachiriki, Karatê e outras Artes Marciais, as variações de respiração e energia são comuns.

Em uma técnica, há momentos em que estão encadeados com diferentes ritmos; se ikkajo ou ikkyo realizado do início ao fim, pode ser com a mesma intensidade, temos o cotovelo dobrado. Porem, se o praticante vai aumentar a amplitude do braço, existe uma alteração na amplitude do movimento. Muitos vêem na prática do Irimi-tenkan ou do Oi Tsuki, a mesma coisa, mas tudo de estar conectado com o ritmo da respiração e Hara.

(Continua)


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Baseado em textos de Kawanabe Shihan, Inoue Doshu, Morihei Ueshiba O’Sensei, Poemas do Imperador Meiji

sábado, 16 de novembro de 2013

A Prática Aiki (anos 30-40)

Stanley Pranin fez diversas entrevistas, com vários alunos de Ueshiba O’Sensei, do periodo das decadas de 30 a 40. Com estes depoimentos, ele pode nos concede um visão aproximada da prática, pelo olhar dos que ele chamou dos "Pioneiros do Aikido”. Devemos lembrar, que nesta época é que Mestre Deguchi sugeriu nome Aikibudo, para a Arte; nos anos 50, denomina-se Aikido.

Segundo relato de Zenzaburo Akazawa Sensei, muitas vezes, um aluno adiantado, estudava extenuantemente duas técnicas por duas semanas, e era enviado a disseminar a técnica em outro Dojo do Budo Senyokai ; como aconteceu com Fujisawa Sensei, as técnicas ou apenas uma técnica, que O’Sensei queria aprimorar, fosse num dia ou num periodo. No caso de ser suwari-waza, praticariam até esfolar a pele ou o joelho, era muito intenso.

O’Sensei praticava diretamente o aluno, e demonstrava, depois o Deshi aplicava a técnica nele. Dizia-se que era como aplicar a técnica numa arvore imensa; o Mestre não fugia nem se opunha a técnica, mas parecia que ele drenava para si a energia de Uke. Não adiantava Uke fazer cada vez mais força, nada acontecia. No Kokyu-ho, seus ombros caiam e ficava imóvel como uma montanha; Uke podia tentar elevar as mãos, empurrar o Mestre com a cabeça e nada acontecia.

Nos anos 40, maioria das técnicas não eram realizadas em shikko. Num treino, iniciavam com Tai-no-henko, o Funakogi-Undo (exercício do remador ou Torifune) para aquecimento; depois as técnicas do dia. No final, Shūmatsu undō (ou Shūmatsu Dōsa) e Kokyu-ho. A prática com shikko é mais tardia.

Naquela época, o termo “Kyo” não era usado, atual Ikkyo era “Ikkajo” , “Nikyo era “Nikajo” e assim sucessivamente. A termilogia “Kyo”, foi no periodo em Kisshomaru Sensei publicou o livro “Aikido”, em 1957 (conforme artigos de Stanley Pranin Sensei, Akazawa Sensei, Inoue Sensei, Kunigoshi Sensei, e Cristopher Li Sensei). Os Deshii relatavam que seu movimento possuia velocidade esmagadora; que mesmo possuindo um aremesso possante, passava uma sensação de proteção e segurança para Uke. Nas chaves e imobilizações, Uke sentia um grande peso sobre o corpo, ficava totalmente imóvel, fosse com as mãos ou um único dedo, atingindo uma única vértebra ou um único ponto.

Ocasionalmente, o que era raro, havia treino de espada, e experimentavam a extrema rapidez de O’Sensei ; iniciar levantar o bokuto, era sentir a ponta do Bokuto do Fundador na garganta. Perceber que o Mestre poderia atacar opescoço, em um átimo de segundo, O’Sensei realizava um Irimi – tenkan, se deslocando tão rápidamente, que no instante seguinte estava com a espada atrás da cabeça de Uke. (O termo usado na entrevista a Christopher Li Sensei, é Bokuto, lembrando que o termo Bokken é uma terminologia mais recente).

O’Sensei treinava com Bokuto e Tetsubo (bastão maciço, de carvalho, com metal nas extremidades, muito usado no periodo feudal), aconselhando que era importante finalizar com firmeza, com movimentação rápida e segura; conectando Hara com Hara, com o movimento de corte até o Hara de Uke.

O’Sensei era rápido, com incrível energia, com muita pressão no seu golpe. Nas exibições, os Uke caiam a todo instante, por que a mão do Fundador penetrava no campo deles logo que iniciavam o movimento; não havia como reagir. Os braços do Mestre eram de poder e velocidade surpreendentes, ele parecia possuir uma força sobre-humana; não se contraia para produzir energia, ao contrário, entrava de uma forma relaxada e natural. Mesmo quando os Uke atacavam com raiva, não conseguiam confundir e imobilizar o Fundador, que permanecia sempre indiferente sereno e atento, mas esvaziava o ataque dos Uke, como se drenasse o Ki deles. Ueshiba O’Sensei realizava as técnicas sempre com o mesmo poder.

Nos treinos, o Fundador nunca chamou a atenção dos alunos quanto a pontualidade ou faltar, porem sempre demonstrava, em suas ações, sendo pontual e não faltando; era rigoroso consigo mesmo, não importava o que acontecia, não importa o clima, nunca se atrasava. Não falava sobre as técnicas com muitos detalhes, mas ele tomava as mãos dos alunos e ensinava conscientemente, com bastante cuidado; transmitindo uma experiência que é um verdadeiro tesouro. Ensinava que através da conexão com o Hara, estamos frente ao nosso próprio hara, que devemos caminhar em direção ao Hara de Uke; desenvolvendo uma conexão e alinhamento perfeitos, com o tempo : assim, conectados, realizamos o verdadeiro Irimi. A transformação vai acontecendo de maneira gradual e imperceptivel, até que adquirimos consciência disto. No início, não estamos cientes, e confundimos a força física com a força Kokyu; conforme os anos passam, o uso da força física desaparece. Para desenvolver isto, recomendava a prática de Muga no Kyochi (o reino do não-self)

Quanto ao Shugyo, dizia O’Sensei:"É uma questão de progresso constante."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de de Stanley Pranin Sensei, Inoue Sensei e Cristopher Li Sensei)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Coração e Consciência – Poema do Imperador Meiji


Este poema numero 13 (Kokoro), nos remete ao terceiro capítulo da obra Genji monogatari (Os contos de Genji), que é considerada uma das maiores obras da litura japonesa, escrita em ter o século X e XI, atribuída a escritora Murasaki Shikibu; cada estudo de um poema do Imperador Meiji, me surpreende a riqueza de detalhes e ensinamentos contidos naquelas poucas palavras. 

Genji monogatari transcorre no período Heian, obra considerada como o primeiro romance psicológico do mundo, sendo considerado pela maioria dos estudiosos como o conto mais antigo da literatura japonesa. Texto escrito nos estilo Waka, com poemas que apresentam o sentido Omote (social, direto, explicito) e o sentido Ura (indireto, oculto, reflexivo); da mesma maneira são os ensinamentos nos poemas do Imperador Meiji.

O Conto de Genji narra a vida de um dos filhos do Imperador, Hikaru Genji , que por razões políticas, é relegado ao status de cidadão (por ser dado o sobrenome Minamoto, retirando-o da linha de sucessão, para que ele não derrube o príncipe herdeiro) e faz carreira como oficial imperial. O conto se concentra na vida romântica de Genji, mas descreve os costumes da sociedade aristocrática da época.

No capitulo Utsusemi, Genji fala do seu sentimento causado pela rejeição de uma jovem mulher, a quem chama de Utsusemi ( a senhora da casca de cigarra). O texto descreve que nosso protagonista, escondido, observa a dama jogando Go com Nokiba-no-ogi; Genji acha que vai surpreender a mulher. Porem esta percebe que está sendo observada, e, discretamente, ela parte do aposento, sem ele perceber, usando um artifício: ao andar suavemente, deixa para trás vestimenta externa, como a casca de uma cigarra (Utsusemi), iludindo o protagonista, ela parte livremente (como ele escreveria mais tarde em seus poemas).

Este poema do Imperador nos remete a uma imagem que compara a carapaça da cigarra com as vestimentas das damas da corte da Antiguidade, que usavam o impressionante Karaginumo (ou Jūni-hitoe, “as doze molduras da pessoa”); doze quimonos da mais fina e luxuosa seda, sobrepostos (Uchiki), cada um levemente mais curto que o anterior. O último Uchiki era um sobretudo, e quando as damas soltavam os cabelos, estes ficavam até abaixo da cintura, sendo está uma das características de uma cigarra muito especial, no Japão (Suisha Coreana, característica do final do verão e inicio outono), que parece ter longa cabeleira (além de possuir um mimetismo, que faz ser difícil de identificá-las), daí a analogia de Utsusemi.

Aqui, o poema do Imperador parece evocar vários significados:

- A metamorfose, como sair da carapaça, brotar do interior, ser flexível para alcançar a maturidade. A cigarra se prepara de 2 a 5 anos (tem espécies 15 a 17 anos) para então viver de 2 a 4 semanas. No Genji Monogatari, este capítulo parece ter transcorrido no outono; o sentido do poema parece ser a transformação no “final do verão da vida”, quando nosso Kokoro se torna livre dos apegos e das paixões.

- A maioria das cigarras têm um canto muito alto (Omote), mas existem espécies inaudíveis ao ser humano: não ouvir não significa que nada está acontecendo; a nossa evolução pode ser discreta e silenciosa, sem que os outro percebam (Ura).

A partir o texto original em japonês, podemos transcrever desta maneira:

Coração(Espirito-Mente) (Kokoro)

Sendo flexível como na transformação da ninfa, (Ikanaramu)

Alguma coisa acontece também, (aru toki mo)

Como na carapaça da cigarra, (Utsusemi no)

Na mente (espírito, coração) do ser humano, (Hito no kokoro yo)

Que se torna rico e livre. (Yutaka naranamu)

(Lembrar que o texto da segunda linha nos remetem também a expressão ‘Kokoro o utsu’, que significa tocar, mover, impressionar.

Lembrar, também, que na poesia japonesa o termo Utsusemi é indicativo do final do verão).

Em Arte Marcial, existe uma analogia com Ushiro Ryu Kata Dori; quando devemos ser flexíveis e nos deslocarmos sem esforço, como deixando a carapaça externa. Ueshiba O’Sensei ensinava que nossa evolução acontece a partir do nosso Kokoro (coração-mente-espirito), que esta transformação é o caminho para a Maestria:

“Cada um e cada mestre, independentemente da época ou lugar,

Ouviu o chamado e alcançou harmonia com o Céu e a Terra.

Há muitos caminhos que levam ao topo do Monte Fuji,

Mas só há uma ápice - o Amor.”

Boa Reflexão.

Oss.

Texto baseado em monografias sobre os Poemas do Imperador Meiji e sobre o Terceiro Capítulo do Geiji monogatari, além de textos sobre os ensinamentos de Morihei Ueshiba O’Sensei.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Poder da Água – Poema do Imperador Meiji

Embora o poema numero 26 do imperador Meiji, tenha o nome de água, apenas, acrescento o termo poder para diferenciá-lo de outros. Este é um poema que Mikao Usui Sensei destacou, e que, ao mesmo tempo, tem correlação com as Artes Marciais, principalmente, Aikido, Shin’ei Taido, Sogobudo, Kitaido, Shintaido, etc.

O Imperador Meiji já atribui a qualidade de uma água pacífica, que não se opõe ao navio, porem pode transformar-se, ser poderosa como o aço; vai depender de nosso foco. Ao mesmo tempo, o Kanji Utsuwa, além de navio, também pode ser vaso ou receptáculo, dando o sentido de ser flexível ou moldar-se. Óutro sentido oculto, é que a água não pode permanecer pressa, pois é de sua natureza, fluir. Se aprisionada, se torna forte o suficiente para romper o recipiente.

Lendo este poema, me vem à mente um ensinamento de Kawanabe Shihan, da atuação da respiração como a água do mar: onda esta que pode ser fraca ou poderosa; toda técnica é expressão desta respiração. A técnica poder ser feroz como um furacão ou calma como uma brisa, tudo vai depender da pulsação Hara-Respiração. Havendo foco, somos a respiração presente, o movimento presente, o instante presente; como foco, só existe a consciência e o Fluxo da Realidade.

Alguns autores, dizem que este poema denota que as pessoas devem ser flexíveis em todas as situações, assim como a água, tanto nos pensamentos como nas relações humanas. Que este poema nos exorta a sermos pacientes como as gotas na rocha, que havendo foco (concentração), obteremos resultado.


O Kanji shitagau apresenta o significado implícito de submissão, seguir, acompanhar, obedecer, dando idéia do natureza da água. A utilização de Hagane, que seja um kanji, vai lembrar as qualidades do outro kanji, já que são muito semelhantes: um significa aço, o outro a qualidade de ser grande.    

Interessante, este poema termina com uma palavra em que o Imperador Meiji, nos faz recordar de muitos fatos da Tradição. Narikere evoca a antiga peça Sumidagawa, quando uma mãe chora no tumulo de seu filho, falando da terna piedade com preenchimento dos corações, falando do amor por alguém que não se encontra presente: “naru koso aware narikere, aware nari kere”. Este poema do Imperador, não denota algo trágico e sim o oposto, é um conselho otimista.

Devemos prestar atenção, embora o termo “mizu no” esteja numa linha e “chikara” em outra, o termo é “mizu no chikara” (o poder da água); em japonês o arranjo espacial das estrofes é diferente, encontramos diversas maneiras.

Uma versão possivel, seria:

“Água

O Navio nela está.

Servil e serena ela permanece,

Mas assim como o aço,

O poder da água transpassa,

Ainda muito além.”




“Utsuwani (barco, vaso, utensílio, receptáculo) wa
shitagai (obedece) nagara (por enquanto, tempo)
hagane mo como aço
toosu wa mizu no a água pode atravessar (cortar)
chikara( poder, força) narikere (muito ainda,ainda, será).

(Mizu -Água)

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no poema do Imperador Meiji, Usui Reiki Ryoho Hikkei, textos de Kawanabe Shihan,textos sobre Mikao Usui Sensei e estudos dos poemas comparados com contos históricos e peças pertencentes a Tradição.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Técnica de Okuyama Sensei – Parte 2

































Já Kase Sensei, em uma palestra em 2000, em Andorra, contou que para exemplificar como era Tadao Okuyama, se referiu a um encontro de 5 Universidades para um exame de Dan. Após Kata, Kihon e Kihon-kumite, os aspirantes eram classificados pelos mais graduados. Após isto, havia kumite entre os aspirantes. No final, poderia haver um kumite entre um sênior com aspirantes.

Conta Kase Sensei: "E é aí que Okuyama Sensei apareceu e eu tenho uma lembrança incrível, porque ele atacou com maior velocidade e força que os outros, os aspirantes do exame não conseguiam nem reagir, não havia nenhuma maneira de se defender do Sensei Okuyama; quando queríamos reagir, já o tinhamos em cima de nós, com o punho na nossa face. E todo mundo ficou impressionado com o nível impressionante.”

Sobre a origem desta técnica, ambos Senseis nos relatam fatos que nos levam a Yoshitaka (Gigo) Funakoshi e a Seita Omotoo Kyo ((e a Inoue Sensei).

Harada Sensei conta que Yoshitaka Sensei praticava com o Bo e o Ken, ninguém sabia a que nível chegou, nem mesmo os seniors Egami e Okuyama (mesmo este sendo seu discípulo predileto). Higaonna Sensei, do estilo Goju ryu de Okinawa, ensinava que, trabalhando com Bo ou um sabre de madeira, a maneira como se utiliza os músculos do corpo é totalmente diferente quando só se trabalha só com as mãos. “O karate de Yoshitaka era muito dinâmico, elástico, com origem no seu estudo do Bo.Tinha estado em Okinawa por várias vezes para aprender o Karate e o Bo.” – nos conta Harada Sensei, que continua explicando, que após os treinos da manhã, Okuyama Sensei passava as tardes treinando com Yoshitaka Sensei.

Kase Sensei, em uma entrevista a um periódico belga, considerava Tadao Okuyama o que tinha alcançado a técnica “mais elevada”, daquela geração de discípulos de Waka Sensei. Atribui a esta técnica de Okuyama Sensei, quando foi para as montanhas meditar e depois ficar na Seita Omotoo Kyo, por anos. Foi dito que Tadao se tornou guarda-costas dos Deguchi, devido a sua técnica, e a o mesmo tempo exigia um treinamento constante (provavelmente com Inoue Sensei). Que nos anos cinqüenta, durante os treinos, durante os treinos, Tadao Okuyama sempre pedia aos mais novos precisão (intenção) e velocidade.

Harada Sensei nos conta que Okuyama praticava todos os dias, mas achava difícil entender sua ténica. Tadao Sensei não mostrava muito mais do eles já sabiam, porém insistia constantemente na constantemente na "sensação":

o tipo de sensação, cada vez que ensinava algo, enfatizava a importância desta sensação. O jovem Harada descreve que era difícil, para ele na época compreender esta correlação, da sensação no momento presente. Que Okuyama Sensei dizia para eles, que a técnica devia sempre aprimorar.

Nos últimos anos de sua vida, Okuyama Sensei dizia lecionar Budo, sempre ligado a Omotoo Kyo, como Inoue Sensei. Uma vez por ano, ia treinar com Kawanabe Shihan, no Dojo de Hon-Atsugi; presenteou Kawanabe Shihan com um Ken que ele mesmo fez e usou até os últimos dias. Tadao Okuyama faleceu em 2002, na cidade de Kyoto.

Boa Semana.

Oss.

Texto baseado em entrevistas de Kawanabe Shihan, Kase Sensei e Harada Sensei.


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

domingo, 3 de novembro de 2013

A Técnica de Okuyama Sensei – Parte 1


As primeiras vezes em que ouvi falar de Okuyama Sensei,foi através de entrevistas com Kawanabe Shihan, com Taiji Kase Sensei e com Mitsusuke Harada Sensei. Tadao Okuyama nasceu em 1918, na província de Ehime (Ehime-Ken), a noroeste de Shikoku. Conhece o Karate-Do de Funakoshi O’Sensei, quando entra para estudar na Universidade de Waseda, Iria conhecer Inoue Sensei, que se torna seu segundo mestre por muitos anos, quando começa sua busca e Shugyo, ao encontrá-lo na Omotoo Kyo.

Conta Kase Sensei: "Com Sensei Okuyama eu estudei Karate em grande profundidade. Ele sempre disse que é importante repetir e repetir para obter mais velocidade e potência e atingir um nível mais elevado de Karate. Okuyama Sensei estava sempre se perguntando, como ele poderia melhorar a velocidade e o poder das técnicas, como é que tem que praticar para ser mais forte e mais rápido.Como poderia usar o poder da mente,da respiração e tensão muscular. Ele dizia que o homem tem que se libertar. Que temos que saber como obter mais energia do que a mera força muscular. Ele disse que temos de seguir o caminho do Budo;que temos que obter a harmonia do " Ten -Chi -Shin " ( céu -terra- homem ) . Como eu poderia conseguir essa harmonia , como conseguir o poder do universo? Às vezes nós praticavamos à noite, na escuridão completa , e ele me ensinou a reconhecer e bloquear ataques no escuro.”

Certa vez, Kase Sensei teve de sentar do lado de fora do Dojo e ficar observando a chuva caindo. Tinha que tentar seguir cada gota de chuva, com os seus olhos. Depois foi-lhe explicado que era um treinamento para os olhos, aprimorar o reflexo ocular para poder reconhecer os movimentos.

Mais adiante, era estimulado a calcular e perceber as disctâncias, aprimorando sem senso de distância.

Como treinavam todos os dias, no ínico Kase Sensei, não podia levantar-se cedo pela manhã, porque ficava extremamente cansado; assim, Okuyama Sensei costumava jogar água no rosto, dizendo que era para acordar os sentidos. Depois de um tempo, quando Okuyama sensei começava a abrirt a porta do alojamento, o jovem Kase já acordava imediatamente. Este tipo de treinamento era considerado pelos Deshii como uma maneira de desenvolver todos os meus sentidos. "

Já Harada Sensei contou, em uma entrevista, que Okuyama Sensei era um gênio, mas gênio excêntrico. Que Egami Sensei, dice, certa vez, que no nível técnico Okuyama havia superado ao Mestre Yoshitaka.

Após 18 meses de treinamento diário com diariamente com Egami Sensei, o jovem Harada teve que enfrentar o graduado Okuyama, pois todos pensavam que ele estava pronto. No Dojo, após a reverência, quando o jovem tentava armar o kamae, se viu caído no solo. Mestre Okuyama disse-lhe para fazer o kamae mais uma vez,e mesmo assim, antes de seu primeiro movimento, já se encontrava no chão de novo. Okuyama Sensei se dirigiu a Egami Sensei e,então, diz: "Mas o que você está ensinando a Harada?"- virou-se, dando as costas e partiu.

Mestre Egami olhou para Harada Sensei e disse: "Eu não compreendo Okuyama, não consigo (compreender), eu desisto, eu desisto."

No nível técnico Okuyama tinha um sistema de “absorver para devolver”, utilizando todo o corpo relaxado, mas os seus músculos eram explosivos, como uma serpente prestes a atacar, contava Harada Sensei. Um dia, eles estavam assistindo a um treino em Waseda, quando Kamata Sensei explicava que o estilo de Okuyama Sensei: Assim que estava dando o passo, já liberava o braço; ele possuía um ímpeto inicial explosivo que se unia a projeção dos braços.

(Continua)

Texto baseado em entrevistas de Kawanabe Shihan, Kase Sensei e Harada Sensei.


Para Ler a Parte 2 - Clique Aqui

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