Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 29 de outubro de 2013

A Prática da Não-Contração – Parte 2

Ao mesmo tempo, sabemos que a pesquisa iniciada por Shimoda Sensei, levou ao desenvolvimento de novas posturas, sendo continuado por Yoshitaka Funakoshi com um pequeno grupo de estudantes, entre eles Shigeru Egami e Genshin Hironishi, segundo relatos do próprio Egami Sensei, e outros autores. O Karate-Do evoluia com o resultado de suas descobertas de uma movimentação mais natural, as posturas se modificam, com relação à mecânica corporal e livre de tensões desnecessárias. Muitas mudanças e novidades que ocorreram também foram desenvolvidas por Gigo Funakoshi Sensei e seu grupo de discípulos; como citam Harada Sensei, Layton, Cattel, entre outros autores. Posteriormente, a morte de seu Mestre Yoshitaka, Shigeru Egami Sensei e seus discípulos, como Aoki Sensei e Miyamoto Sensei, prosseguem as pesquisas. Egami Sensei escreveu: “As mudanças que aconteceram, não significam que foram simplesmente aspectos técnicos, mudanças também ocorreram na maneira de pensar. (Através) da prática você pode esclarecer a relação entre corpo e mente, entender a relação entre a própria mente e a mente do outro, e procurar os segredos mais íntimos do ser humano.” 

Após a morte de Gichin Funakoshi O’Sensei , autores como Hironishi e Sugimoto, citam dois estilos claramente diferentes ; no final dos anos 80, Sugimoto Sensei, classificaria ambos pela forma como a força é gerada, como estilo de contração e estilo do relaxamento:

1) Se a força se origina a partir de contração, isto faz com que permaneça dentro do corpo.

2) A força que é emitida e deixar-se fluir a partir de um único ponto.

Mestre Sugimoto diz que ambas são obviamente forças, porém têm características diferentes; o estilo aonde a força é obtida se contraindo os músculos de uma forma violenta, movimentos são interrompidos abruptamente, o que geraria os estalidos nas roupas de prática (Keiko-gi). Afirma que até mesmo a respiração seria inconscientemente interrompida na ocasião:

“Devido a esta contração todos os movimentos são limitados em seu raio de ação, a livre circulação é limitada, o ritmo da respiração é interrompido e a transpiração aparece. embora as técnicas podem parecer eficazes , e há uma sensação de muito trabalho físico, a maior parte da força está bloqueado dentro do corpo, em vez de sair . Devido a esta força de retenção ,todo o corpo vibra , produzindo a ilusão de que o movimento é forte e eficaz.”- dizia o Mestre. Já na não-contração, descreve que a força é emitida e liberada a partir de um ponto, que seria a força que as pesquisas de Funakoshi e seus discípulos verificaram. Mestre Sugimoto considerava ser um desperdício a energia retida no interior do corpo, não utilizada na transmissão real em direção ao objetivo.

Mestre Egami escreveu, em 1976: “Dois pontos são cruciais (em um tsuki): 1) Relaxamento e 2) concentração de força (Ki). Se o corpo está tenso ou rígido, o Ki (dos cotovelos, ombros, barriga, quadris e pernas) não pode ser liberado. A força não pode ser dispersa por todo o corpo, ela deve ser concentrada no punho sozinho”.

É muito interessante a citação de Isao Obata Sensei: “Karate é uma Arte que deve ser considerada como tal, com sua totalidade do pensamento filosófico e desenvolvimento da mente em harmonia com o corpo; se não for pensado dessa maneira, é sem valor. . . Ele seria como comer apenas a casca amarga da maçã , deixando a polpa interior intocada; é essa premissa fundamental que está sendo negligenciado hoje,(...).”

Após o término da Segunda Guerra Mundial, Egami Sensei prossegue na tentativa de descobrir se seu tsuki era verdadeiramente eficaz, descreve este dilema em 1972:

Egami Sensei escreve, em 1972 sobre o seu dilema, e sua decisão de que a única maneira de uma pesquisa eficaz, embora perigosa, seria receber golpes de Artistas Marciais pertencentes a vários estilos e Artes Marciais; e até mesmo de pessoas comuns, que não praticaram Artes Marciais: ”Se o ataque do adversário não tem qualquer efetividade de verdade, você não precisa seriamente impedi-lo, você não precisa mesmo de uma técnica. Um tsuki verdadeiramente eficaz deve ser combatido com um bloqueio sério ou técnica de evasão. É aí quando o verdadeiro treinamento (keiko) começa.” Afirmou que teria recebido milhares de golpes em seu abdômen e no rosto; e que, em sua avaliação, o que seria o segundo tipo de tsuki mais eficaz, por incrível que pareça, pertence ao grupo de pessoas que nunca praticaram Artes Marciais. Sensei atribuía este resultado ao fato de diferentes artistas marciais colocarem muita energia no punho e nas articulações do cotovelo e ombro, inevitavelmente bloqueando e dissipando a energia antes de atingir o objetivo; já os não-praticantes tinha um atitude de não-contração.

No início dos anos 50,quando Tadao Okuyama Sensei retorna ao Dojo de Waseda, demonstra a Egami Sensei um método de ataque eficaz que o envolveu, aonde tinha eliminado toda a tensão do punho, cotovelo e ombros. Egami Sensei descreve: “Eu fiquei atônito. a diferença não reside na forma, o que foi mudado foi pouco, mas no conceito. na verdade ele quebrou todos os precedentes; fez a minha mente começar tudo de novo e praticar com este novo conceito. minha maneira de prática era completamente diferente, a partir de movimentos rígidos; nosso ritmo parecia semelhante a um Pinocchio. Eu só consegui realizar o mesmo feito, após meses e meses de estudo com este jovem karateka.”

“Quando eu praticava, as imagens dos Mestres como Funakoshi O’Sensei, Takeshi Shimoda Sensei e Gigo Funakoshi Sensei, surgiam na minha mente, e eu podia ouvir suas palavras de forma clara, como se eles estivessem me ensinando no Dojo. Lembrei-me de como o Mestre me atingiu de uma forma natural e leve, como Shimoda fez isso de ânimo leve, mas com precisão, e como o mais jovem Funakoshi fez isso tão rápido e com tanta força, apesar de seus braços estarem pendurados ao lado do corpo. Lembrei-me, também, como eu não podia evitar o golpe e como doía quando me atingia.”

Egami Sensei expressou, em suas pesquisas, o desejo de Mestre Funakoshi, que transformações, levassem a possibilidade de qualquer um poder praticar, fossem homens, mulheres, crianças ou idosos. Ao eliminar a tensão muscular, os praticantes podem encontrar o seu próprio ritmo e o caminho para o corpo ideal, a mente e o espírito através da forma da não-contração.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Egami Sensei e o seu livro The Way of Karate , Beyond Technique.


Para Ler a Parte 1 - Clique Aqui

4 comentários:

  1. Hola Ricardo
    Es cierto con el tiempo vas adaptando la práctica que haces en el dojo a tu mente. Y a medida que relajas el cuerpo tu mente deja de ser rígida, muy buen artículo,
    muchas gracias y un abrazo

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    1. Buenas Noches, Carina,
      Es verdad, la no-contración libera el flujo de Ki, de todas maneras.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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  2. Cursioso que el segundo mejor golpe fuera el de la persona que no había practicado nunca artes marciales, simplemente siguió su instinto, sin pensar, lo que le pidió el cuerpo, interesante... el Ki fluyendo libremente tal vez?

    Un abrazo Ricardo.

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Guillermo,
      Si, estas corecto, es esto, sin ganas de copiar un modelo y sin pensar, el cuerpe se queda relajado, el Ki fluyó naturamente y libremente.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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