Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 17 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 3

























“ ‘Para se chegar ao topo da montanha, há muitos caminhos a escolher...’

‘Mas, todos que chegarem lá verão a mesma Lua.’

Por isso não se deve criticar os que escolheram caminhos diferentes do nosso, invejar os que escolheram caminhos mais fáceis e/ou que chegaram primeiro, admirar exageradamente os que escolheram caminhos mais árduos, desprezar ou ter pena dos que ficaram pelo caminho, desistiram, ou mesmo dos que não tentaram subir.

Quem ficou no vale ou quem subiu, ao longo do tempo também teve vislumbres da Lua. Os que ficaram ao sopé da montanha cultivando a terra puderam observar a Lua de suas cabanas. Os que subiram apenas até certo ponto, mesmo não chegando ao topo, puderam, eventualmente, observar a Lua. Seja entre as folhas durante a subida, seja porque desistiram de ir mais alto e fixaram-se em alguma clareira confortável na encosta da montanha. Todos podem ter a Lua. E ninguém pode.

Mas, todos que chegarem ao topo verão a mesma Lua.

Pode ser que, no início da subida, tenham pensado que a Lua era mais magnífica no alto da montanha. Na verdade, simplesmente terão uma visão desimpedida da Lua. Mas será sempre a mesma Lua. Para os que subiram e para os que não subiram.

No entanto, quem chegar ao topo, verá a Lua de modo diferente...

Quem se modificou? Foi a Lua? Ou o alpinista?

E se a Lua será a mesma, então, porque subir, em primeiro lugar?

Imagine o diálogo entre alguém que subiu e depois desceu e alguém que ficou no vale:

Como era a Lua, lá no alto da montanha?

A mesma vista daqui de baixo!

Então, porque você subiu?

Se eu não tivesse subido, como eu saberia que a vista da Lua é a mesma?

Obviamente que o montanhista poderia saber, baseado na teoria e na razão, que a vista da Lua não seria diferente mesmo antes de subir. Mas esse conhecimento fica apenas no campo da razão.

No campo da crença e da emoção, no seu coração, você só conhecerá a diferença e a semelhança após subir a montanha e apreciar o espetáculo.

E, mais importante: subir a montanha não vai tornar a Lua mais próxima. Pelo menos, não o bastante para que você possa alcançá-la. A distância da Terra à Lua é tão maior que a altura de qualquer montanha que, após subir, você ainda estará praticamente à mesma distância de quem ficou no Vale.

A montanha é sólida, durável. O rio é fluido, passageiro. Jamais é o mesmo, de instante a instante, sempre mudando.

Não alimente ilusões de eternidade ou imortalidade. Não ache que vai conseguir isso só porque é um montanhista e decidiu subir a montanha. Nem ache que os que ficaram lá embaixo, na beira do rio, são menos especiais, são mais mortais ou são menores e, por viver ao sabor do tempo, são inferiores ou mais passageiros.

A montanha é apensa ilusoriamente eterna ou permanente. Dia a dia, o rio carrega um pouco dela para o mar. Um dia, com a erosão, não haverá mais montanha. Apenas areia no fundo do mar. E como muda a face da terra com o tempo, num futuro mais ou menos distante, nem mesmo o rio haverá...

O reflexo da Lua permanece imóvel quando se observa o rio. Apenas um reflexo. Apenas luz. Sem peso, mas não pode ser tocada ou movida. Assim como a Lua lá no céu. A Lua ‘real’ também não pode ser tocada, por mais alta que seja a montanha em que subiu.

No fim, você subirá a montanha apenas para aprender o Sutra do Coração:

‘A Forma é Vazio. O Vazio é Forma.’

‘A Forma não difere do Vazio, nem o Vazio difere da Forma.’

Após subir a montanha e olhar a Lua do Topo, você não estará mais próximo fisicamente dela. Mas percorrer o caminho apenas pela jornada, saboreando e aprendendo sobre si mesmo e sobre o caminho a cada passo, sem esperar recompensas, apenas para apreciar a vista da Lua no topo quer dizer subir com o coração puro, livre de ilusão e de desejo. Leve. O esforço da subida, a dor no corpo, o frio, o medo, a esperança, a fé, a experiência de compartilhar, de ajudar os outros caminhantes e de ser ajudado, as técnicas que se executará tantos milhares de vezes, as ferramentas que serão usadas até perder o corte e que junto com técnicas, mapas e bagagem, perderão a importância intrínseca quando se chegar ao topo e deparar-se com a Lua.

Assim como uma boa subida faz bem para o coração físico, por ser exercício aeróbico e o exercício continuado torna seu coração maior e mais forte, percorrer o caminho de subida “espiritualmente”, isto é, sem ilusões de grandeza e sendo simplesmente útil, tornará seu coração maior e capaz de conter, em si, aquela bela Lua lá em cima.

Esse é a verdadeira recompensa do caminho:

A Lua em seu coração! ”

Boa Reflexão.

Oss.

Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.


3 comentários:

  1. Buenas tardes Ricardo,
    La luna se ve igual desde el valle al lado del río o desde lo alto de la montaña, la diferencia está en el camino, la subida, siempre con la luna a la vista, a veces más grande y a veces invisible en la noche negra, el camino con todas las experiencias y vivencias para nuestro crecimiento interior.
    Gracias por comaprtir este bello texto del Sensei Anderson.
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Carina,
      Muchas gracias por tu bello comentário, por tu reflexion.
      Abrazo.

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  2. O sol nasce pra todos assim como a lua !

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