Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 2






















“Para quem sobe a montanha é preciso determinação, disciplina e dedicação. E Fé!

Se você duvidar dos ensinamentos, dos mapas ou das ferramentas, precisará parar e reavaliar. Faça isso com o cuidado e ponderação adequados. Avalie também suas motivações. Porque escolheu esse caminho? Pela recompensa? Qual? A recompensa é real ou apenas ilusão e desejo? Você está

subindo por aquele caminho específico apenas pelo ego?

A subida da montanha é árdua. Talvez a tarefa de uma vida inteira. Faça pelos motivos certos e do modo certo. Certo ou errado têm um significado especial aqui. Subir pelos motivos certos quer dizer subir pelo amor à montanha, à vida na montanha, às paisagens, etc. Ou subir para ajudar outros na caminhada... Subir do modo certo quer dizer preservar e cultivar (aprimorar) a si mesmo. Preservarse e cultivar-se fisicamente, mas também preservar-se e evoluir espiritualmente, ajudando e sendo útil.

Para subir bem a montanha, sendo útil, é preciso desprendimento.

Ao subir a montanha, a oração é importante, tem o seu lugar. Serve para confortar seu coração e/ou o coração dos outros. Serve para agradecer e para louvar. Serve para renovar sua esperança. E a esperança dos outros.

Serve também para pedir, mas que seja para pedir para ou pelos outros, não para si mesmo.

Mas, não se perca em orações a ponto de esquecer-se da subida. As orações podem fortificar sua vontade, mas não vão levá-lo nem um passo adiante e nem vão te carregar montanha acima. Como disse Musashi, um grande escalador do passado:

‘Respeite os deuses e o Buda, mas não fique [parado] esperando pela ajuda

deles.’

Muitos sobem a montanha esperando que, quando chegarem ao topo, receberão recompensa celestial ou méritos nessa vida ou na próxima. Literalmente sobem a montanha por acharem que, ao final, estarão mais perto do Céu. Tomam a montanha como se fosse uma escada para chegar ao paraíso e o treino, que é a escalada em si, como se fosse uma penitência ou promessa para conseguir algum tipo de recompensa espiritual ou algum mérito especial no mundo espiritual.

Subir a montanha não é religião. Mas pode completar a sua religião, a sua religação.

Basta que você não suba a montanha em busca de recompensas pessoais. Suba e, sempre que puder, ajude, conforte e aconselhe outros escaladores que encontrar. Diminua o ritmo para deixar marcas, abrir trilhas ou desenhar mapas mais acurados para os que vierem depois.

Abra mão da velocidade e da ansiedade em chegar logo ao topo para ajudar, para ser útil.

Assim, a escalada, enquanto treino para aperfeiçoar a si mesmo, torna-se também, Caridade, a verdadeira religião: ‘As mão que são estendidas para ajudar, curar ou confortar são mais sagradas que os lábios que oram.’

E, principalmente, não subir pelos motivos ‘errados’. Não subir esperando conseguir superpoderes físicos, mentais ou espirituais. Nem fama ou imortalidade.



Subir a montanha é aprender sobre a Impermanência. Há um comentário ao Sutra do Coração, feito pelo monge Zen Seung Sahn:

‘Forma [existência, materialidade] é Vazio [insubstancialidade,vacuidade] -

Vazio é Forma – Este é o mundo dos opostos;

Não Forma. Não Vazio. – Este é Nirvana, o mundo absoluto;

Forma é Forma. Vazio é Vazio. – Este é o mundo completo.

Estes três mundos são o mesmo mundo ou são diferentes?

Se você não entende isso, então, você deve tomar um pedaço e carne e dá-lo

a um cão faminto.

Esse cão vai ensinar-lhe o significado do Sutra do Coração.’



Assim como o agregado de matéria e energia, mente, espírito, emoção e crença que é você, nesse instante, com o tempo se decomporá e será desfeito e é, portanto, essencialmente impermanente. A montanha também é, no fim, impermanente.

Você e a montanha são impermanentes. São Forma (corporeidade), mas também são Vazio (apenas inter-relação ou entrelaçamento de circunstâncias, são momentâneos). A dificuldade da subida serve para “dobrar” o ego de forma que você (seu “eu interior”) perceba que você e a montanha, você e o rio, o rio e a montanha são essencialmente Um.

No final, a recompensa nem mesmo é, necessariamente, chegar ao topo. Chegar ao topo também é uma ‘ferramenta’. Um meio para um fim. O mais valioso em se chegar ao topo é o esforço transformador pelo qual você passará para chegar lá.

A recompensa, então, nesse sentido, é algo inefável, incorpóreo, sem forma e, não sendo algo concreto é, na verdade, o Vazio: É a vista da Lua em toda a sua glória!

Sem impedimento em nenhuma direção, pois do topo da montanha pode-se enxergar todo o firmamento.”

(continua)


Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.

Para Ler Parte 1 - Clique Aqui


Para Ler Parte 3 - Clique Aqui

2 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    También la segunda parte del texto es muy hermoso, subir con paciencia, ayudando a los demás que al hacerlo nos hace sentir bien a nosotros y estar agradecidos por lo que logramos día a día,
    Muchas gracias
    un abrazo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Buenas Tardes, Carina,
      Realmente es muy buena la reflexión a que este texto de Anderson Sensei nos lleva,
      sobre todo cuando habla del Vacío y de la Compasión, es decir, en ser un instrumento para el desarrollo del próximo.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

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