Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 1





















Este texto, gentilmente enviado pelo meu amigo Anderson Sensei, nos aponta para muitos aspectos da prática marcial e o Caminho. Sensei é quarto Dan de Aikido (discípulo do nosso saudoso Mestre Martins, da linhagem de Teruo Nakatani Sensei e Shikanai Shihan), de Goku-Ryu (discipulo de Nilton Sensei) e de Jodo (discípulo de Nelson Sensei). 

“ ‘Para se chegar ao topo da montanha, há muitos caminhos a escolher...’


Há que se escolher a montanha que se quer escalar.
Pode ser que você tenha a liberdade de escolher a montanha. Mas pode ser que a montanha escolha você...

Você pode escolher uma montanha apenas porque todo mundo que você conhece escolheu aquela. Pode ser que seja a montanha “da moda”. Pode ser que a montanha lhe pareça bonita. Talvez seja uma montanha inexplorada e/ou particularmente desafiadora e lhe agrada a sensação de perigo. Ou você acha que ganhará fama e riqueza se conseguir. Também pode ser que você espere, como recompensa pelo desafio: ganhar algum tipo de “superpoder” físico, mental ou espiritual. Saiba por que você quer subir. Talvez você nem saiba por que deseja subir...

Decida se você deve escalar ou, quem sabe, construir uma cabana ao sopé da montanha, à beira do rio que lhe corre por baixo e cultivar a terra. Afinal, a vida na montanha não é para todos... Assim como a vida de agricultor...

Considere, primeiramente, que os montanhistas não são melhores (ou piores) que os agricultores. Não há mais mérito em uma escolha de modo de vida do que a outra. São simplesmente modos de vida diferentes. Você não deve escolher ser um escalador simplesmente pelo glamour de ser um “aventureiro” ou por imaginar que subir montanhas é mais “nobre” ou mais “valoroso” do que ficar no chão, cuidando da terra ou pescando. Isso é mera ilusão!

Escolha ser um montanhista porque você tem afinidade com as montanhas e escolha ser um agricultor se você tem afinidade com a terra. Se sua vibração é montanha, procure uma montanha.

Se sua vibração é terra, seja um agricultor. Sem arrependimentos, sem lamentações. Sendo um montanhista, saboreie a subida íngreme e todas as dificuldades da montanha. Saboreie o ar rarefeito, o frio e os elementos...

Sendo um agricultor, saboreie enfiar as mãos na terra, prepará-la e esperar a vida brotar. Saboreie observar o clima e as estações, saboreie o trabalho duro da colheita... Não pense que é superior por ser montanhista. Não pense que é superior por ser um agricultor.

‘O rio não critica a montanha por permanecer parada.’

‘A montanha não critica o rio por lhe correr por baixo.’

No caminho montanha acima, pode ser que você tenha escolhido uma trilha inexplorada (ou mesmo uma montanha inexplorada). Nesse caso, não haverá mapas, trilhas bem definidas, rotas marcadas, guias ou montanhistas mais experientes para ajudar. Apenas você e suas ferramentas.

Caso você tenha escolhido uma montanha que já foi percorrida antes, pode ser que os pioneiros tenham deixado mapas, trilhas, marcas reconhecíveis, histórias, ensinamentos e que tenham deixado indicações de quais ferramentas usar e de como usá-las.

Se for uma montanha muito frequentada, além dos mapas, haverá guias, montanhistas mais velhos (alguns, talvez, dispostos a ajudar), companheiros de viagem com a mesma disposição e experiência que você e que o acompanharão e também escaladores novatos que precisarão de sua ajuda.

Os mapas são os ensinamentos que vem do passado, as ferramentas são as técnicas. O ensinamento 
e as técnicas devem ser valorizados na justa medida. Serão fundamentais na sua tarefa de subir.

Mas, uma vez que você chegue ao topo, pode ser que não sejam mais necessários. Também pode ser que, no caminho até o topo, você tenha que se desfazer delas, pois ensinamentos, mapas, técnicas, ferramentas podem se tornar peso demais para permitir a subida.

Talvez tenha também que revisar certas crenças, pois, afinal, crenças não alicerçadas na realidade da montanha, ou que sejam apenas uma interpretação falsa da Verdade (ilusão), que não se harmonizem com a realidade da montanha divergirão cada vez mais do Caminho e, no fim, te afastarão da trilha.

Para chegar ao topo você poderá escolher muitos caminhos para subir...

Em uma mesma montanha, alguns caminhos serão mais fáceis e outros mais difíceis. Algumas trilhas serão impossíveis, verdadeiros becos sem saída, e você terá que retornar. Retornar para começar tudo de novo por outra trilha ou para buscar mapas e ferramentas mais adequados.

Algumas trilhas serão impossíveis e algumas serão mortais. Seguindo por elas você nunca chegará ao topo. Insistindo nelas a montanha te vencerá, você rolará montanha abaixo e será levado pelo rio, que se encarregará de devolver seus elementos à natureza, a caminho do mar.

Pode ser que você sobreviva à queda e tente subir de novo e de novo. Talvez usando uma trilha diferente, talvez até tentando em uma montanha diferente, dependendo de para onde o rio te carregou.”

(continua)


Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.


Para Ler Parte 2 - Clique Aqui

Para Ler Parte 3 - Clique Aqui

2 comentários:

  1. Hola Ricardo
    Muchas gracias por compartir este hermoso texto del Sensei Anderson, eso es elijas el camino que elijas, disfrutalo y aceptalo, porque es el que estaba para nosotros,
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenos Dias, Carina,
      Es muy bueno este texto Anderson Sensei, he editado en tres partes, en cada parte observar diversas enseñanzas de grandes maestros, diciendonos acerca del Camino (DO).
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

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