Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 4 de agosto de 2013

Hachiriki: Hara, Ki e Movimento















Kawanabe Shihan, aluno direto de Gichin Funakoshi, e Inoue Doshu, nos ensina o Hachiriki, mostrando gradualmente o valor, o princípio e a importância do abdômen, do Hara e da Respiração. Na conversa que tivemos, em seu Dojo, este Grande Mestre, frisou a importância da Harmonização com o Universo e da espiritualidade, na prática. 

Como sabemos, a cintura está localizada no centro do nosso corpo e é a origem da nossa força física, e, que, o movimento da parte inferior do abdômen (Hara), é acompanhado pela cintura. O trabalho ideal para a prática do Budo pode ser feita pelo trabalho de respiração conjuntamente com o movimento Hara-cintura, os pés seguem o movimento do Hara, como uma sombra. Observar que a técnica depende inteiramente da respiração; por isso que o treinamento da respiração é importante no desenvolvimento das técnicas; integrar o movimento da cintura com a respiração.

Respiração, corpo, técnica de punho ou chute, devem ser combinados ao mesmo tempo, chamado de "Tai Ki Ken no ituchi" (Ituchi significa jogo ou coincidência); inspiração ou expiração pode modificar a energia, movimento e ritmo, mas é o Hara que realmente produz tudo. O trabalho de respiração é como uma onda no mar, que mostra vários fenômenos; assim como as técnicas são a expressão da respiração. Podemos demonstrar uma técnica violenta de um furacão e outra tranqüila, apenas com a respiração do Hara: inalando e exalando, obtemos vários ritmos; A técnica será desenvolvida de acordo com o Hara e, portanto, trabalho com a cintura torna-se o desafio, observando o assentamento da cintura no início da postura e no seu término, assim como a simetria do equilíbrio entre o lado esquerdo e direito.

Percebemos como fazer isso com a cooperação e harmonização entre a cintura, tornozelos e joelhos; sentindo como pés e joelhos se aprumam com a cintura. Para esta prática, tentar fazer um círculo com o Ki do Hara, em uma postura de costume, com ou sem Ken. Shihan utiliza uma imagem, que seria observar um ventilador para imaginar com mais clareza. Toda a energia do corpo deve ser retirada e absorvida na cintura, no Hara.

Hachi significa oito e Riki, poder: oito formas ou direções de cortar ou golpear; é apenas uma forma de simbolismo para fins de treinamento, para treinar a cintura de se movimentar em todas as direções, naturalmente, da maneira mais eficiente e, quando os calcanhares, joelhos e trabalho parte superior do corpo estão em harmonia, iremos desenvolver as técnicas na forma máxima. Isto pode ser feito somente ao relaxar e tirar toda a energia desnecessária do corpo, exceto a fonte natural de Ki em torno das articulações. Isso é para que se possa mover em todas as direções, assim como quando Ki penetra instantaneamente, perpendicular, horizontal ou como um tornado em um turbilhão.

Na prática da Hachiriki com o Ken (Bokuto), não devemos nos concentrar demais no Ken, pois nos distraímos da postura física; o mesmo para o trabalho com o punho ou chute. Imagine que a cintura é a raiz de uma árvore e a parte superior do corpo é o tronco, então o braço é um ramo. A cintura, em seguida, absorve a energia dos pés.

Hachi, não significa apenas oito direções, mas movimento e energia em todas as direções com o motor ou o eixo do movimento da cintura; o resto do corpo segue obediente o movimento do Hara. Pode-se testar isto numa postura habitual ou sentado numa cadeira de forma descontraída, concentrando-se e observando a energia ali armazenada. Praticar, com força e rapidez, apenas com a respiração do Hara; esta movimentação é muito importante para um Oizuki ideal, afirma Shihan.

O Mestre diz que a utilização do poder do Hara no Hachiriki, que deve ser praticado naturalmente de uma forma bastante descontraída, assim como forte. Sendo que os lados da cintura, parte anterior e posterior do corpo, devem estar igualmente equilibrados ao fim; toda a força do corpo é retirada e absorvida pela cintura, pelo Hara; isto é algo difícil de explicar, mas se pode entendê-lo na prática. Ele cria a imagem de “uma bola respirando” no Hara, seja nas oito direções do Ken ou qualquer movimentação, o corpo sendo flexível como um chicote (especialmente a parte inferior com os tornozelos, joelhos, cintura e músculos correspondentes). Quando a movimentação da parte inferior do corpo tornar-se naturalmente ágil, a parte superior se torna mais relaxada e move-se mais facilmente.

Kawanabe Shihan diz que o centro de gravidade deve localizar-se bem abaixo, como se no nível dos pés. Utiliza o Sitsuku (andar de joelhos), para treinar movimentação do joelho e tornozelo, aconselhando o uso de protetor. Ao fazer isso, assegurar o relaxamento no Oizuki, seja na postura inicial e ao terminar, a postura que pode ser comparada ao aperto de mão ao segurar Ken, nem rígida, nem fraca.

Inoue Doshu lhe transmitiu ensinamentos sobre a biomecânica e fisiologia da coluna lombar e Hara. A cintura é como a raiz de uma árvore, absorve Ki na parte superior e inferior dos pés com a ajuda de tornozelos e joelhos relaxados; sendo que as vértebras lombares (L1-L5), cada uma tem a sua própria função peculiar e movimentação. O primeiro movimento é para cima e para baixo; um segundo movimento de lateralização; um terceiro de rotação. Um quarto movimento seria de expansão-contração e um quinto movimento que é para flexão antero-posterior. Portanto, com a denominada “cintura dividida”, pode-se fazer melhor uso dessas faculdades, conforme as estruturas inferiores (tornozelo, joelho e muscular relacionada); conferindo estabilidade, movimentação ideal e poder pleno. Inoue Doshu usava uma imagem, para demonstrar a evolução deste trabalho, repetindo esta frase, que Mestre Kawanabe disse ter ouvido inúmeras vezes em meus dias de juventude:

“Quando a cintura dividida pode conceder uma mobilidade ideal no Hachiriki, este aspecto aumenta a dignidade”. Esta frase sintetiza o conceito oriental, que quando o Hara está fortalecido, a porção superior do tórax, pescoço e cabeça adquirem uma postura ereta, daí o termo dignidade (alinhamento dos três Tanden).

Termino com três conselhos de Kawanabe Shihan sobre a técnica:

(1) Sem endurecimento das articulações e os músculos ao redor delas, abaixo da cintura, dobre cada junta a uma profundidade suficiente para que cada junta e, especialmente, a cintura possa armazenar energia suficiente, como se fosse fazer uma respiração ativa;

(2) Nesta atitude, manter um eixo dos joelhos ao longo dos dedos do pé com a rótula na posição vertical, bem como a cintura localizada sobre os calcanhares. Em seguida, o peso, centro do corpo é equilibrado justamente no plano dos pés e do calcanhar, preenchido com Ki;

(3) Quando movemos o pé de trás para frente, damos um passo natural, imaginando que o Hara é um tanque d’água, e que esta água não se perturba quando nos movemos. Este movimento do corpo, acompanhado juntamente com a respiração, faz vários ritmos e fortes fluxos de Ki. "

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em ensinamentos e textos de Kawanabe Shihan.

2 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    Muchas gracias por compartir este excelente artículo sobre el movimiento con la respiración
    un abrazoo

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    Respostas
    1. Buenas Noches, Carina,
      Si, las enseñanzas de Kawanabe Shihan y Inoue Doshu son muy interesantes.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

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