Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 25 de agosto de 2013

Céu – Poema do Imperador Meiji






















Este segundo poema do Imperador Meiji tem correlação, com a prática do Budo. Grandes Mestres como Shissai Sensei, Inoue Doshu , Morihei Ueshiba O’Sensei, entre outros, que nos apontam para a Via do Coração na prática das Artes Marciais.

O Kanji “Ten” nos transmite o sentido de Céu, porem é o Céu do Paraíso. Este Kanji é composto, na sua parte superior por o numero “1” e na parte inferior “grande”. Compõe as palavras Amanogawa (Via Láctea) e Tengoku (outra denominação para Paraíso) e Tensei (Natureza, Constituição Natural).

Estes poemas no estilo Tanka, seguem a linha do Xintoísmo, utilizando as 31 silabas, correspondendo aos 31 ritmos que acontecem dentro das estações do ano. Devemos lembrar, que na Antiguidade, no Oriente, as estações eram divididas em cinco: Primavera, Verão, Canícula, Outono e Inverno.

Uma das versões deste poema é:

“Tenho o desejo de que

 Meu Coração fosse

 Tão Claro e tão imenso

 Como o Grande Céu e o Verde intenso

 Do início da Primavera”.

 Em Romanji, é desta forma:

“Asamidori

 Sumiwatari keru

 Oozora no

 Hiroki wo onoga

 Kokoro tomogana”

Lendo este poema, me lembro das palavras de Mestre Shissai Chozan, no que escreveu sobre os ensinamentos que lhe foram transmitidos no Monte Kurama:

“O Homem é um ser em movimento. Quando ele não se move na direção do bem, ele se move para o não-bem. (...)

O que permeia as mais variadas transformações e nunca cessa é o seu Coração. (...)

E quando compreende e alcança a essência da Prática do Coração, torna-se um discípulo do Grande Caminho ”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados nos livros sobre os poemas do Imperador Meiji e sobre Budo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tsuki – Poema do Imperador Meiji























No Japão, a lua (Tsuki), principalmente a do outono, é considerada a mais bela de todas as estações do ano, sendo chamada de Chushu no Meigetsu , devido a época em que ela aparecem ela é denominada de Lua da Colheita. A noite de sua comemoração, na lua cheia, é chamada de Jugoya. Quanto ao costume de contemplar o seu brilho, oferecer bolinhos de arroz e presentear aos outros, é denominado Tsukimi.

O espírito e mente japoneses são naturalmente repletos de poesias, e entre os poemas do Imperador Meiji, o primeiro é dedicado a Lua. Este estilo de poesia japonesa, Waka é o termo genérico para um poema curto que cumprir determinadas regras relativas ao número de versos e do número de sílabas por verso. Waka compreende, entre outros, o gênero Tanka ou Canção Breve, cujos versos correspondem a 31 sílabas subdivididas em duas partes: Kaminoku ou primeira metade, constituída dos três primeiros versos por cinco a sete e cinco sílabas; e Shimonoku ou última metade, composta de 2 versos de sete sílabas, cada.

Uma das versões para o Ocidente, do primeiro poema do Imperador Meiji,é:

“A Lua de uma noite de outono

Repousa tranquila como sempre,

Tudo não se modifica há tempos,

Mas muitas pessoas já passaram deste mundo”

No orginal o texto é :

“Aki no yo no


Tsuki wa mukashi ni


Kawaranedo


Yoni naki hito no


Ooku narinuru”

Cujo sentido, respeitando a tradução aproximada, seria:

“Numa noite de outono,

A Lua é como há muito tempo,

Tudo sereno sem mudanças,

As pessoas que perecem neste mundo,

Aumentam.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado nos livros e estudos sobre os poemas do Imperador Meiji.

sábado, 17 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 3

























“ ‘Para se chegar ao topo da montanha, há muitos caminhos a escolher...’

‘Mas, todos que chegarem lá verão a mesma Lua.’

Por isso não se deve criticar os que escolheram caminhos diferentes do nosso, invejar os que escolheram caminhos mais fáceis e/ou que chegaram primeiro, admirar exageradamente os que escolheram caminhos mais árduos, desprezar ou ter pena dos que ficaram pelo caminho, desistiram, ou mesmo dos que não tentaram subir.

Quem ficou no vale ou quem subiu, ao longo do tempo também teve vislumbres da Lua. Os que ficaram ao sopé da montanha cultivando a terra puderam observar a Lua de suas cabanas. Os que subiram apenas até certo ponto, mesmo não chegando ao topo, puderam, eventualmente, observar a Lua. Seja entre as folhas durante a subida, seja porque desistiram de ir mais alto e fixaram-se em alguma clareira confortável na encosta da montanha. Todos podem ter a Lua. E ninguém pode.

Mas, todos que chegarem ao topo verão a mesma Lua.

Pode ser que, no início da subida, tenham pensado que a Lua era mais magnífica no alto da montanha. Na verdade, simplesmente terão uma visão desimpedida da Lua. Mas será sempre a mesma Lua. Para os que subiram e para os que não subiram.

No entanto, quem chegar ao topo, verá a Lua de modo diferente...

Quem se modificou? Foi a Lua? Ou o alpinista?

E se a Lua será a mesma, então, porque subir, em primeiro lugar?

Imagine o diálogo entre alguém que subiu e depois desceu e alguém que ficou no vale:

Como era a Lua, lá no alto da montanha?

A mesma vista daqui de baixo!

Então, porque você subiu?

Se eu não tivesse subido, como eu saberia que a vista da Lua é a mesma?

Obviamente que o montanhista poderia saber, baseado na teoria e na razão, que a vista da Lua não seria diferente mesmo antes de subir. Mas esse conhecimento fica apenas no campo da razão.

No campo da crença e da emoção, no seu coração, você só conhecerá a diferença e a semelhança após subir a montanha e apreciar o espetáculo.

E, mais importante: subir a montanha não vai tornar a Lua mais próxima. Pelo menos, não o bastante para que você possa alcançá-la. A distância da Terra à Lua é tão maior que a altura de qualquer montanha que, após subir, você ainda estará praticamente à mesma distância de quem ficou no Vale.

A montanha é sólida, durável. O rio é fluido, passageiro. Jamais é o mesmo, de instante a instante, sempre mudando.

Não alimente ilusões de eternidade ou imortalidade. Não ache que vai conseguir isso só porque é um montanhista e decidiu subir a montanha. Nem ache que os que ficaram lá embaixo, na beira do rio, são menos especiais, são mais mortais ou são menores e, por viver ao sabor do tempo, são inferiores ou mais passageiros.

A montanha é apensa ilusoriamente eterna ou permanente. Dia a dia, o rio carrega um pouco dela para o mar. Um dia, com a erosão, não haverá mais montanha. Apenas areia no fundo do mar. E como muda a face da terra com o tempo, num futuro mais ou menos distante, nem mesmo o rio haverá...

O reflexo da Lua permanece imóvel quando se observa o rio. Apenas um reflexo. Apenas luz. Sem peso, mas não pode ser tocada ou movida. Assim como a Lua lá no céu. A Lua ‘real’ também não pode ser tocada, por mais alta que seja a montanha em que subiu.

No fim, você subirá a montanha apenas para aprender o Sutra do Coração:

‘A Forma é Vazio. O Vazio é Forma.’

‘A Forma não difere do Vazio, nem o Vazio difere da Forma.’

Após subir a montanha e olhar a Lua do Topo, você não estará mais próximo fisicamente dela. Mas percorrer o caminho apenas pela jornada, saboreando e aprendendo sobre si mesmo e sobre o caminho a cada passo, sem esperar recompensas, apenas para apreciar a vista da Lua no topo quer dizer subir com o coração puro, livre de ilusão e de desejo. Leve. O esforço da subida, a dor no corpo, o frio, o medo, a esperança, a fé, a experiência de compartilhar, de ajudar os outros caminhantes e de ser ajudado, as técnicas que se executará tantos milhares de vezes, as ferramentas que serão usadas até perder o corte e que junto com técnicas, mapas e bagagem, perderão a importância intrínseca quando se chegar ao topo e deparar-se com a Lua.

Assim como uma boa subida faz bem para o coração físico, por ser exercício aeróbico e o exercício continuado torna seu coração maior e mais forte, percorrer o caminho de subida “espiritualmente”, isto é, sem ilusões de grandeza e sendo simplesmente útil, tornará seu coração maior e capaz de conter, em si, aquela bela Lua lá em cima.

Esse é a verdadeira recompensa do caminho:

A Lua em seu coração! ”

Boa Reflexão.

Oss.

Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 2






















“Para quem sobe a montanha é preciso determinação, disciplina e dedicação. E Fé!

Se você duvidar dos ensinamentos, dos mapas ou das ferramentas, precisará parar e reavaliar. Faça isso com o cuidado e ponderação adequados. Avalie também suas motivações. Porque escolheu esse caminho? Pela recompensa? Qual? A recompensa é real ou apenas ilusão e desejo? Você está

subindo por aquele caminho específico apenas pelo ego?

A subida da montanha é árdua. Talvez a tarefa de uma vida inteira. Faça pelos motivos certos e do modo certo. Certo ou errado têm um significado especial aqui. Subir pelos motivos certos quer dizer subir pelo amor à montanha, à vida na montanha, às paisagens, etc. Ou subir para ajudar outros na caminhada... Subir do modo certo quer dizer preservar e cultivar (aprimorar) a si mesmo. Preservarse e cultivar-se fisicamente, mas também preservar-se e evoluir espiritualmente, ajudando e sendo útil.

Para subir bem a montanha, sendo útil, é preciso desprendimento.

Ao subir a montanha, a oração é importante, tem o seu lugar. Serve para confortar seu coração e/ou o coração dos outros. Serve para agradecer e para louvar. Serve para renovar sua esperança. E a esperança dos outros.

Serve também para pedir, mas que seja para pedir para ou pelos outros, não para si mesmo.

Mas, não se perca em orações a ponto de esquecer-se da subida. As orações podem fortificar sua vontade, mas não vão levá-lo nem um passo adiante e nem vão te carregar montanha acima. Como disse Musashi, um grande escalador do passado:

‘Respeite os deuses e o Buda, mas não fique [parado] esperando pela ajuda

deles.’

Muitos sobem a montanha esperando que, quando chegarem ao topo, receberão recompensa celestial ou méritos nessa vida ou na próxima. Literalmente sobem a montanha por acharem que, ao final, estarão mais perto do Céu. Tomam a montanha como se fosse uma escada para chegar ao paraíso e o treino, que é a escalada em si, como se fosse uma penitência ou promessa para conseguir algum tipo de recompensa espiritual ou algum mérito especial no mundo espiritual.

Subir a montanha não é religião. Mas pode completar a sua religião, a sua religação.

Basta que você não suba a montanha em busca de recompensas pessoais. Suba e, sempre que puder, ajude, conforte e aconselhe outros escaladores que encontrar. Diminua o ritmo para deixar marcas, abrir trilhas ou desenhar mapas mais acurados para os que vierem depois.

Abra mão da velocidade e da ansiedade em chegar logo ao topo para ajudar, para ser útil.

Assim, a escalada, enquanto treino para aperfeiçoar a si mesmo, torna-se também, Caridade, a verdadeira religião: ‘As mão que são estendidas para ajudar, curar ou confortar são mais sagradas que os lábios que oram.’

E, principalmente, não subir pelos motivos ‘errados’. Não subir esperando conseguir superpoderes físicos, mentais ou espirituais. Nem fama ou imortalidade.



Subir a montanha é aprender sobre a Impermanência. Há um comentário ao Sutra do Coração, feito pelo monge Zen Seung Sahn:

‘Forma [existência, materialidade] é Vazio [insubstancialidade,vacuidade] -

Vazio é Forma – Este é o mundo dos opostos;

Não Forma. Não Vazio. – Este é Nirvana, o mundo absoluto;

Forma é Forma. Vazio é Vazio. – Este é o mundo completo.

Estes três mundos são o mesmo mundo ou são diferentes?

Se você não entende isso, então, você deve tomar um pedaço e carne e dá-lo

a um cão faminto.

Esse cão vai ensinar-lhe o significado do Sutra do Coração.’



Assim como o agregado de matéria e energia, mente, espírito, emoção e crença que é você, nesse instante, com o tempo se decomporá e será desfeito e é, portanto, essencialmente impermanente. A montanha também é, no fim, impermanente.

Você e a montanha são impermanentes. São Forma (corporeidade), mas também são Vazio (apenas inter-relação ou entrelaçamento de circunstâncias, são momentâneos). A dificuldade da subida serve para “dobrar” o ego de forma que você (seu “eu interior”) perceba que você e a montanha, você e o rio, o rio e a montanha são essencialmente Um.

No final, a recompensa nem mesmo é, necessariamente, chegar ao topo. Chegar ao topo também é uma ‘ferramenta’. Um meio para um fim. O mais valioso em se chegar ao topo é o esforço transformador pelo qual você passará para chegar lá.

A recompensa, então, nesse sentido, é algo inefável, incorpóreo, sem forma e, não sendo algo concreto é, na verdade, o Vazio: É a vista da Lua em toda a sua glória!

Sem impedimento em nenhuma direção, pois do topo da montanha pode-se enxergar todo o firmamento.”

(continua)


Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Rio e a Montanha – Parte 1





















Este texto, gentilmente enviado pelo meu amigo Anderson Sensei, nos aponta para muitos aspectos da prática marcial e o Caminho. Sensei é quarto Dan de Aikido (discípulo do nosso saudoso Mestre Martins, da linhagem de Teruo Nakatani Sensei e Shikanai Shihan), de Goku-Ryu (discipulo de Nilton Sensei) e de Jodo (discípulo de Nelson Sensei). 

“ ‘Para se chegar ao topo da montanha, há muitos caminhos a escolher...’


Há que se escolher a montanha que se quer escalar.
Pode ser que você tenha a liberdade de escolher a montanha. Mas pode ser que a montanha escolha você...

Você pode escolher uma montanha apenas porque todo mundo que você conhece escolheu aquela. Pode ser que seja a montanha “da moda”. Pode ser que a montanha lhe pareça bonita. Talvez seja uma montanha inexplorada e/ou particularmente desafiadora e lhe agrada a sensação de perigo. Ou você acha que ganhará fama e riqueza se conseguir. Também pode ser que você espere, como recompensa pelo desafio: ganhar algum tipo de “superpoder” físico, mental ou espiritual. Saiba por que você quer subir. Talvez você nem saiba por que deseja subir...

Decida se você deve escalar ou, quem sabe, construir uma cabana ao sopé da montanha, à beira do rio que lhe corre por baixo e cultivar a terra. Afinal, a vida na montanha não é para todos... Assim como a vida de agricultor...

Considere, primeiramente, que os montanhistas não são melhores (ou piores) que os agricultores. Não há mais mérito em uma escolha de modo de vida do que a outra. São simplesmente modos de vida diferentes. Você não deve escolher ser um escalador simplesmente pelo glamour de ser um “aventureiro” ou por imaginar que subir montanhas é mais “nobre” ou mais “valoroso” do que ficar no chão, cuidando da terra ou pescando. Isso é mera ilusão!

Escolha ser um montanhista porque você tem afinidade com as montanhas e escolha ser um agricultor se você tem afinidade com a terra. Se sua vibração é montanha, procure uma montanha.

Se sua vibração é terra, seja um agricultor. Sem arrependimentos, sem lamentações. Sendo um montanhista, saboreie a subida íngreme e todas as dificuldades da montanha. Saboreie o ar rarefeito, o frio e os elementos...

Sendo um agricultor, saboreie enfiar as mãos na terra, prepará-la e esperar a vida brotar. Saboreie observar o clima e as estações, saboreie o trabalho duro da colheita... Não pense que é superior por ser montanhista. Não pense que é superior por ser um agricultor.

‘O rio não critica a montanha por permanecer parada.’

‘A montanha não critica o rio por lhe correr por baixo.’

No caminho montanha acima, pode ser que você tenha escolhido uma trilha inexplorada (ou mesmo uma montanha inexplorada). Nesse caso, não haverá mapas, trilhas bem definidas, rotas marcadas, guias ou montanhistas mais experientes para ajudar. Apenas você e suas ferramentas.

Caso você tenha escolhido uma montanha que já foi percorrida antes, pode ser que os pioneiros tenham deixado mapas, trilhas, marcas reconhecíveis, histórias, ensinamentos e que tenham deixado indicações de quais ferramentas usar e de como usá-las.

Se for uma montanha muito frequentada, além dos mapas, haverá guias, montanhistas mais velhos (alguns, talvez, dispostos a ajudar), companheiros de viagem com a mesma disposição e experiência que você e que o acompanharão e também escaladores novatos que precisarão de sua ajuda.

Os mapas são os ensinamentos que vem do passado, as ferramentas são as técnicas. O ensinamento 
e as técnicas devem ser valorizados na justa medida. Serão fundamentais na sua tarefa de subir.

Mas, uma vez que você chegue ao topo, pode ser que não sejam mais necessários. Também pode ser que, no caminho até o topo, você tenha que se desfazer delas, pois ensinamentos, mapas, técnicas, ferramentas podem se tornar peso demais para permitir a subida.

Talvez tenha também que revisar certas crenças, pois, afinal, crenças não alicerçadas na realidade da montanha, ou que sejam apenas uma interpretação falsa da Verdade (ilusão), que não se harmonizem com a realidade da montanha divergirão cada vez mais do Caminho e, no fim, te afastarão da trilha.

Para chegar ao topo você poderá escolher muitos caminhos para subir...

Em uma mesma montanha, alguns caminhos serão mais fáceis e outros mais difíceis. Algumas trilhas serão impossíveis, verdadeiros becos sem saída, e você terá que retornar. Retornar para começar tudo de novo por outra trilha ou para buscar mapas e ferramentas mais adequados.

Algumas trilhas serão impossíveis e algumas serão mortais. Seguindo por elas você nunca chegará ao topo. Insistindo nelas a montanha te vencerá, você rolará montanha abaixo e será levado pelo rio, que se encarregará de devolver seus elementos à natureza, a caminho do mar.

Pode ser que você sobreviva à queda e tente subir de novo e de novo. Talvez usando uma trilha diferente, talvez até tentando em uma montanha diferente, dependendo de para onde o rio te carregou.”

(continua)


Texto de Anderson Gomes de Oliveira Sensei, volume III de “Textos sobre o Caminho” Brasília, 28 de abril de 2013.


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domingo, 11 de agosto de 2013

Kokyu-Riki: Respiração,Ki e Hara






















Mestre Kawanabe sempre nos ensinou a importância da respiração, dizendo que praticar a respiração é um trabalhar o Hara, aumentando o poder da respiração. O Poder da Respiração é bem diferente em qualidade, em comparação com a energia derivada do músculo. Shihan nos recomenda, que durante a prática, imaginemos que o abdome está repleto de Ki, assim todo o resto do corpo, quase que automaticamente, passa a seguir o movimento do Hara como uma sombra.

Quando colocamos a respiração na ponta do dedo em harmonia com o movimento da cintura, ocorre muito mais poder do que o habitual; devemos sentir o corpo como esvaziado (vácuo), e uma forte energia fluirá através de nosso corpo até penetrar no alvo. Soltar o diafragma e trabalhar conjuntamente com o períneo, coordenando a atenção no movimento de Hara e cintura: então, passaremos a perceber o fluxo e movimento claramente.

Frisa a importância do Kokyu-Riki, que significa que a força da respiração, e que é diferente da energia produzida pelo trabalho muscular. Que, ao invés, de segurarmos fortemente o pulso do oponente, basta segurá-lo suavemente e assim o controlamos; torna-se muito mais fácil do qualquer técnica de soco ou de bloqueio. Esta fase, segundo Mestre Kawanabe, será alcançada, após passarmos pelo estudo da divisão da cintura (Koshi-o-waru), ou atuação dos vários movimentos da coluna lombar, como lhe foi transmitido por Inoue Doshu, vimos anteriormente (Hachiriki Hara Ki e Movimento).

Após isto, podemos estudar de forma clara e distinta, como utilizar a energia no adversário, ajustando nossa estrutura física; Shihan acredita que a energia e poder mental são como um gás passando por um duto, sendo um conceito muito importante que devemos cultivar e desenvolver. Na prática do Kenjutu, ele alerta que a gestão do Ken também nos ensina a aprender a utilizar esse poder, que só pode ser produzido pela respiração de Ki, treinada e coordenada com nosso corpo naturalmente relaxado.

Mestre Kawanabe nos alerta que cada técnica pode ser produzida usando trabalho de respiração coordenada com o Hara; que devemos treinar nossa cintura para ser móvel, que andamos com a cintura. Este é um ponto muito simples, mas uma tarefa difícil de fazer, para muitos; por isso temos que experimentar essa sensação de andar com a cintura.

Sua cintura deve ser como a raiz de uma árvore e absorver Ki (energia), tanto do lado superior e inferior e do apartamento de seus pés com a ajuda de tornozelos e joelhos relaxados.

Kawanabe Shihan relata maneiras de praticar esta respiração:

1. Sentar-se em uma posição estável e confortável. No caso de ser em Seiza, para facilitar ao iniciante, de joelhos dobrados, colocar algo macio (tapete, toalha ou almofada) entre a parte posterior do quadril e posterior das pernas.

2. Focar no propósito de respirar, que o movimento do corpo é intimamente dependente e está relacionado com a respiração; assim podemos sentir mais facilmente nosso movimento, para treinar nossa respiração. Que é a respiração que faz e conduz o movimento. E que esta prática também contribui para a manutenção e vitalidade do nosso corpo e mente; ao mesmo tempo este se torna o fundamento que pode nos conduzir a meditação.

3. O tempo de expiração é desejável para a troca de dióxido de carbono acumulado no pulmão por oxigênio fresco. Deve ser realizado num ritmo lento como ondas na primavera, este confortável ritmo lento coordenado com o universo é a forma ideal para a prática. Nos alerta sobre a dificuldade de mudar o ritmo de exalar a inalar, que como na Yoga, soltar o ar no ponto de exalar e ter uma inspiração com o trabalho do períneo correto. Diz que mudar o ritmo de uma brisa suave ao vento forte, às vezes pode ser bom; que pratiquemos esta respiração pacientemente, lenta e progressivamente.

Termino com a recomendação de Kawanabe Shihan de que devemos praticar a respiração todas as manhãs por quase uma hora, que será muito para a prática de Budo.

Boa Prática.

Oss.



Baseados em artigos de Kawanabe Shihan sobre a atuação da respiração na prática.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Budo e Mente Búdica
























Minaki Saburo, (1906 a 1988), foi o décimo sétimo Mestre da Hontai Yoshin Takagi Ryu; esta Escola além de suas técnicas de mãos vazias, que são o coração da sua doutrina, além da sua técnica Kodachi (espada curta) e bojutsu. À seus discípulos e praticantes eram estimulados a serem criativos. Com a integração de técnicas Takenouchi-ryu, para se adequar para qualquer tipo de corpo do adversário, e o princípio da flexibilidade do difundido pelo Fundador, a escola era conhecida como “Verdadeira Escola do Coração do Salgueiro”.

Mestre Mimaki Saburo,também conhecido como Kosyu, foi considerado, em sua época como um grande mestre de técnicas de Artes Marciais de combate de mãos nuas do Clã Takagi assim como técnicas de bastão de Kukishin-Ryu.

Focava sua ação essencial na continuação do trabalho iniciado por seu Mestre Happeita Kakuno, para disseminação do estilo no Japão e no exterior.

Mestre dizia que o Budo deve ser praticado com o Espírito de Buda e que os praticantes devem ser criativos; considerava heresia a prática sem a Mente do Buda.

Mesmo sendo pequeno e de aparência frágil, e ouvindo provocações sobre seu aspecto físico, não perdia o seu foco e ganhava os desafios. Muitas vezes, fazia o desafiante desistir do duelo, pegando uma pedra e a esmigalhando em suas mãos nuas.

Ensinava a seus alunos:

"Não perca o caminho para a sinceridade. (...)

A força exterior de que vocês podem se orgulhar, não é a força real, a verdadeira força se esconde no interior. (...)

Budo é Filosofia e é a Arte da Criação. (...)

Budo é Arte. Sem o Coração de Buda; não há Budo."

Boa Reflexão.

Oss.



Baseado em textos sobre Minaki Saburo Soke

domingo, 4 de agosto de 2013

Hachiriki: Hara, Ki e Movimento















Kawanabe Shihan, aluno direto de Gichin Funakoshi, e Inoue Doshu, nos ensina o Hachiriki, mostrando gradualmente o valor, o princípio e a importância do abdômen, do Hara e da Respiração. Na conversa que tivemos, em seu Dojo, este Grande Mestre, frisou a importância da Harmonização com o Universo e da espiritualidade, na prática. 

Como sabemos, a cintura está localizada no centro do nosso corpo e é a origem da nossa força física, e, que, o movimento da parte inferior do abdômen (Hara), é acompanhado pela cintura. O trabalho ideal para a prática do Budo pode ser feita pelo trabalho de respiração conjuntamente com o movimento Hara-cintura, os pés seguem o movimento do Hara, como uma sombra. Observar que a técnica depende inteiramente da respiração; por isso que o treinamento da respiração é importante no desenvolvimento das técnicas; integrar o movimento da cintura com a respiração.

Respiração, corpo, técnica de punho ou chute, devem ser combinados ao mesmo tempo, chamado de "Tai Ki Ken no ituchi" (Ituchi significa jogo ou coincidência); inspiração ou expiração pode modificar a energia, movimento e ritmo, mas é o Hara que realmente produz tudo. O trabalho de respiração é como uma onda no mar, que mostra vários fenômenos; assim como as técnicas são a expressão da respiração. Podemos demonstrar uma técnica violenta de um furacão e outra tranqüila, apenas com a respiração do Hara: inalando e exalando, obtemos vários ritmos; A técnica será desenvolvida de acordo com o Hara e, portanto, trabalho com a cintura torna-se o desafio, observando o assentamento da cintura no início da postura e no seu término, assim como a simetria do equilíbrio entre o lado esquerdo e direito.

Percebemos como fazer isso com a cooperação e harmonização entre a cintura, tornozelos e joelhos; sentindo como pés e joelhos se aprumam com a cintura. Para esta prática, tentar fazer um círculo com o Ki do Hara, em uma postura de costume, com ou sem Ken. Shihan utiliza uma imagem, que seria observar um ventilador para imaginar com mais clareza. Toda a energia do corpo deve ser retirada e absorvida na cintura, no Hara.

Hachi significa oito e Riki, poder: oito formas ou direções de cortar ou golpear; é apenas uma forma de simbolismo para fins de treinamento, para treinar a cintura de se movimentar em todas as direções, naturalmente, da maneira mais eficiente e, quando os calcanhares, joelhos e trabalho parte superior do corpo estão em harmonia, iremos desenvolver as técnicas na forma máxima. Isto pode ser feito somente ao relaxar e tirar toda a energia desnecessária do corpo, exceto a fonte natural de Ki em torno das articulações. Isso é para que se possa mover em todas as direções, assim como quando Ki penetra instantaneamente, perpendicular, horizontal ou como um tornado em um turbilhão.

Na prática da Hachiriki com o Ken (Bokuto), não devemos nos concentrar demais no Ken, pois nos distraímos da postura física; o mesmo para o trabalho com o punho ou chute. Imagine que a cintura é a raiz de uma árvore e a parte superior do corpo é o tronco, então o braço é um ramo. A cintura, em seguida, absorve a energia dos pés.

Hachi, não significa apenas oito direções, mas movimento e energia em todas as direções com o motor ou o eixo do movimento da cintura; o resto do corpo segue obediente o movimento do Hara. Pode-se testar isto numa postura habitual ou sentado numa cadeira de forma descontraída, concentrando-se e observando a energia ali armazenada. Praticar, com força e rapidez, apenas com a respiração do Hara; esta movimentação é muito importante para um Oizuki ideal, afirma Shihan.

O Mestre diz que a utilização do poder do Hara no Hachiriki, que deve ser praticado naturalmente de uma forma bastante descontraída, assim como forte. Sendo que os lados da cintura, parte anterior e posterior do corpo, devem estar igualmente equilibrados ao fim; toda a força do corpo é retirada e absorvida pela cintura, pelo Hara; isto é algo difícil de explicar, mas se pode entendê-lo na prática. Ele cria a imagem de “uma bola respirando” no Hara, seja nas oito direções do Ken ou qualquer movimentação, o corpo sendo flexível como um chicote (especialmente a parte inferior com os tornozelos, joelhos, cintura e músculos correspondentes). Quando a movimentação da parte inferior do corpo tornar-se naturalmente ágil, a parte superior se torna mais relaxada e move-se mais facilmente.

Kawanabe Shihan diz que o centro de gravidade deve localizar-se bem abaixo, como se no nível dos pés. Utiliza o Sitsuku (andar de joelhos), para treinar movimentação do joelho e tornozelo, aconselhando o uso de protetor. Ao fazer isso, assegurar o relaxamento no Oizuki, seja na postura inicial e ao terminar, a postura que pode ser comparada ao aperto de mão ao segurar Ken, nem rígida, nem fraca.

Inoue Doshu lhe transmitiu ensinamentos sobre a biomecânica e fisiologia da coluna lombar e Hara. A cintura é como a raiz de uma árvore, absorve Ki na parte superior e inferior dos pés com a ajuda de tornozelos e joelhos relaxados; sendo que as vértebras lombares (L1-L5), cada uma tem a sua própria função peculiar e movimentação. O primeiro movimento é para cima e para baixo; um segundo movimento de lateralização; um terceiro de rotação. Um quarto movimento seria de expansão-contração e um quinto movimento que é para flexão antero-posterior. Portanto, com a denominada “cintura dividida”, pode-se fazer melhor uso dessas faculdades, conforme as estruturas inferiores (tornozelo, joelho e muscular relacionada); conferindo estabilidade, movimentação ideal e poder pleno. Inoue Doshu usava uma imagem, para demonstrar a evolução deste trabalho, repetindo esta frase, que Mestre Kawanabe disse ter ouvido inúmeras vezes em meus dias de juventude:

“Quando a cintura dividida pode conceder uma mobilidade ideal no Hachiriki, este aspecto aumenta a dignidade”. Esta frase sintetiza o conceito oriental, que quando o Hara está fortalecido, a porção superior do tórax, pescoço e cabeça adquirem uma postura ereta, daí o termo dignidade (alinhamento dos três Tanden).

Termino com três conselhos de Kawanabe Shihan sobre a técnica:

(1) Sem endurecimento das articulações e os músculos ao redor delas, abaixo da cintura, dobre cada junta a uma profundidade suficiente para que cada junta e, especialmente, a cintura possa armazenar energia suficiente, como se fosse fazer uma respiração ativa;

(2) Nesta atitude, manter um eixo dos joelhos ao longo dos dedos do pé com a rótula na posição vertical, bem como a cintura localizada sobre os calcanhares. Em seguida, o peso, centro do corpo é equilibrado justamente no plano dos pés e do calcanhar, preenchido com Ki;

(3) Quando movemos o pé de trás para frente, damos um passo natural, imaginando que o Hara é um tanque d’água, e que esta água não se perturba quando nos movemos. Este movimento do corpo, acompanhado juntamente com a respiração, faz vários ritmos e fortes fluxos de Ki. "

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em ensinamentos e textos de Kawanabe Shihan.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Budo, Harmonia e Amor

Estas são palavras de Morihei Ueshiba O’Sensei, sobre o Aikido, a prática Marcial, nos conduzindo a Harmonia com todos os seres e coisas, através da via do Amor e, conseqüentemente, da Compaixão. O’Sensei nos fala das mais variadas formas da Existência, nos mostrando que somos todos provenientes da mesma Fonte:

“O Aikido nada mais é que a manifestação das obras do Amor. O Amor dá forma ao Universo e purifica todas as coisas. O Universo lança as sementes das quais todas as coisas nascem; contém o poder infinito que as alimenta e permita que elas prosperem.

Dei o nome de Aiki às múltiplas leis do Universo, oriundas do Amor, que governam o destino da complicada tapeçaria da vida, à medida que ela vai sendo tecida neste mundo. Cumprir a missão da Compaixão Universal na terra, proteger e cultivar todas as coisas da Natureza, eis a tarefa do Aikido.

Qual é a fonte da materialização da vida no Universo? A expressão do Espírito Infinito e do Amor. O Aikido é uma expressão pura dessa fonte. Ele é o caminho original pra a abençoada harmonia da Humanidade com o Universo.

Somente se seguirmos o principio Aiki da unidade com Kami e devolvermos a Humanidade ao equilíbrio com todas as coisas, só assim seremos parte do infinito crescimento rumo a Perfeição. Promover o fim da malícia e do sofrimento é a missão que nos foi confiada pelo Universo.

As formas reais do Universo revelam-se no corpo humano. Temos de começar a ver o Universo dentro de nós e acordar para os princípios do Equilíbrio e do Amor, princípios sagrados que recebemos do Universo. O Universo se desdobra num mosaico sem fim de variadas formas – cada qual um aspecto diferente de sua plenitude, cada qual em equilíbrio com as demais.

Assim como o Universo exprime Amor de diferentes maneiras, nós precisamos exprimir por meio de nossa própria vida o Equilíbrio Dinâmico e a Harmonia do Universo com todas as nossas relações. Graças a esse processo, o próprio Universo penetrará no corpo e no espírito humano, dando-lhes alimento e poder verdadeiro.

Todas as coisas do Universo provêm de uma única Fonte, de uma única Energia Criadora. Tudo no mundo é expressão desse Amor Universal. O Coração do Universo pulsa em harmonia com toda a Criação e curva-se em reverência diante de todas as suas glórias. Cada um deve se esforçar para compreender esse ritmo e sentir o Coração do Universo, que dá nascimento à Harmonia do Equilíbrio Perfeito.

A missão do Aikido segue o caminho absoluto do Amor Universal. Seus ensinamentos são os ensinamentos de Kami. Seus princípios são as leis da Harmonia e do Equilíbrio em todos os elementos, na criação da vida na terra. Seu objetivo é juntar-se ao Coração do Universo e disseminar o Amor.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em texto de Morihei Ueshiba O’Sensei, do livro de Mitsugi Saotome Shihan “Aikido e a Hamonia da Natureza”.

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