Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ki e seu Significado.



Como expliquei anteriormente, em outro artigo  (para ler clique aqui), o conceito de Ki é muito abrangente, com inúmeras designações, e isto pode ser observado na evolução de seu kanji. Ki é considerado, no Oriente, como presente tanto no microcosmo (interior dos seres viventes) como no macrocosmo (tudo o que é exterior ao corpo, incluindo o Universo Celestial)

Segundo Takashi Nakamura Sensei, observa-se que Ki se modula través do ritmo da respiração e ele possui um movimento interno latente, o que ele designou de “Sen Ki Nai Ko”. Além disso, resalta que Ki possui três aspectos básicos:

1- Presente na movimentação do ar das narinas e boca, em direção aos pulmões, para tonificar o sangue com a troca de gases;

2- O designado como “Kisoku”, quando circula pelo interior do corpo e pelos cinco sentidos , além de modular as funções mentais e físicas;

3- Sua existência no espaço universal.

Para Nakamura Sensei, segundo seu estudo da fisiologia de Ki, o Hara no Tanden seria o ponto de maior concentração de desta “energia”, a onde ela se condensa para depois se dirigir para os Tanden superiores, através da modulação da respiração.

Michio Kuchi Sensei postulava que:

“Ki é o fundamento ou fonte do mundo relativo, à semelhança dos átomos, que já foram considerados a substância básica da matéria. Assim, todas as manifestações da Natureza (inclusive as qualidades mais sutis da emoção, mente e espírito), são produtos de Ki.”

Ueshiba O’Sensei afirmava que:

“Do interior da Unicidade provém a primeira centelha de vida e de consciência. Daquele ponto, partículas infinitesimais de Ki, irradiando energia vital, começam a delinear um grande circulo em torno dessa primeira centelha.”

No Ocidente temos a idéia de Ki estar associado apenas ao conceito de energia, porem, se analisarmos a estruturação de seu Kanji, podemos ver que este caractere possui muitos conceitos implícitos, daí devemos estudá-lo a partir da sua antiga caligrafia, para podermos compreender melhor.

Na sua parte superior, encontramos os radical ki (ou ke), cujo o significado é ‘vapor, respiração e ar’. Na sua porção inferior, encontramos bei (ou Mai), que significa ‘arroz’, kanji este que possui outro ki (ou boku ou moku), que significa ‘arvore’.

Abaixo podemos ver a composição deste kanji:



O kanji completo tem o sentido de energia ligado a respiração, ao ar que nos circunda, ao vapor; ao mesmo tempo nos lembra da energia dos alimentos, que nos traz vitalidade. Esta vitalidade, que brota da Terra.



Interessante observar que este outro Kanji, que é usado o termo vapor, tem caractere da água incorporado ao radical superior, porem não apresenta o caractere arroz na sua composição.  


Lübeck Sensei e Hosak Sensei nos trazem um conceito de totalidade, ao fazer um estudo deste kanji, afirmando que:

“O grão de arroz é a semente de uma planta, não a planta em si. O grão de arroz se torna uma planta quando as energias da Terra e dos Céus se unificam.”

No conceito chinês da Antiguidade, Ki ou Chi é essência, substância, e energia espiritual, vapor, alma, etc.. Assim, o corpo físico conteria o Ki e Ki está ou se unifica ao espírito, sem forma e intangível ;sendo a ponte entre matéria e espírito.

Além da respiração e alimentação, outra forma de haver troca de Ki seria através do Hara no Tanden, por isso muitas Escolas associam a prática de exercícios para tal fim.

Termino com a frase de Morihei Ueshiba O’Sensei:

“Quando a pessoa compreende a função da energia Ki em espiral e treina a si mesma na verdade do Espírito, cria-se Aiki.”

Bons estudos.

Oss.

Baseado em artigos de Michio Kushi Sensei, de Morihei Ueshiba O’Sensei, de Walter Lübeck Sensei e Mark Hosak Sensei.

domingo, 21 de abril de 2013

Oração Sincera





















Numa entrevista a Stanley Pranin, Inoue Sensei disse que sua prática diária iniciava com a oração; achava que era muito bom reservarmos um tempo para orar, trazia harmonia ao ambiente da prática. 

Thich Nhât Hanh Zenji falando sobre a oração, relata existir um Gatha na Tradição Budista que diz:

“ Aquele que se inclina e aquele para o qual a gente se inclina,

São ambos vazios por natureza.

Por isso a comunicação entre nós

É indizívelmente perfeita.”

Este trecho nos revela que a natureza do Buda e dos seres vivos são vazias; mas Sunyata (vazio em sânscrito), não significa ‘não existir nada’ e sim ‘não ter uma realidade independente.’  
Zenji nos explica :

“Você e o Buda não duas realidades distintas. Você está no Buda e o Buda está em você. (...) 

Se praticarmos de verdade, veremos que também nós temos a mesma substância de amor, da mente alerta e de compreensão como todos os seres superiores. Deus e nós somos a mesma substância. Entre Deus e nós não há separação.(...)

Possam entender que Deus está em nosso coração. Deus somos nós e nós somos Deus.”

Nos fala que na oração devemos ter mente alerta, concentração, intuição, gentileza amorosa e compaixão; que raiva, censura, inveja e rancor não se bastam. Se faz necessária a energia da mente alerta (Zanshin), da concentração, da compreensão e do amor; que seria como colocar ‘corrente elétrica nos fios’. A mente alerta é a presença real do nosso corpo e de nossa mente, que são direcionados para um ponto: o momento presente (Tada Ima).

“Se você tivera mente alerta, terá concentração, e esta é a condição que levará ao prajña, palavra sânscrita para intuição e sabedoria transcendente. Quando juntamos as palmas de nossas mãos e meditamos nas palavras do gatha da visualização, introduzimos a intuição do prajña para estabelecer o vínculo entre nós e aquela divindade para qual estamos orando.”

Morihei Ueshiba O’Sensei, sempre ensinou sobre a importância da oração e da meditação;sobre a prática da oração ele disse:

“É neste momento que me uno com o Universo, me impregno e inalo os ensinamentos sagrados dos Céus e da Terra. (...)

Não existe ego na oração sincera. Os apegos se desintegram e se transformam em luz.”

Boa Semana.

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Sensei, textos de Morihei Ueshiba O’Sensei e em “A Energia da Oração” de Thich Nhât Hanh Zenji.

domingo, 14 de abril de 2013

Caminho Uno



























Suzuki Sensei nos fala do Caminho do Bodhisattva, ao qual denomina Caminho Uno, este caminho não-dual pode ser comparado ao trilho de um trem com milhares de quilômetros de extensão, no qual o trem desliza. 


A natureza do trilho é sempre a mesma, para aonde se vá; a paisagem vista da janela do trem é que muda, mas o trilho em que estamos continua o mesmo. 

Para o trilho não existe começo ou fim, Ocidente ou Oriente, nem partida nem chegada: não existe nada a ser alcançado, simplesmente seguimos nosso trilho. 

O Caminho do Bodhisattva é expressar a cada momento a sua natureza, a sua inteireza; esta é a natureza de nossa pratica, devemos apenas “avistar a paisagem sem precisar ficar olhando para os trilhos (...) não existe segredo, todos temos a mesma natureza do trilho.”

Dois Mestres do Zen, Chokei (Ch’ang-Ch’ing Hui -ling 853-932) e Hofuku (Pao-fu Ts’ung-chan ou Baofu Zongcan falecido em 928), discutiam as palavras do Buda sobre o Caminho do Bodhisattva .

Mestre Chokei: "Mesmo que você diga que o arhat (um iluminado) ainda tem três venenos (na mente), você não deve dizer que o Tathagata (Buda) tem dois tipos de linguagem. Eu não digo que o Tathagata tem uma não-linguagem, mas que ele não tem dois tipos de linguagem."

Mestre Hofuku perguntou: "O que é a linguagem do Tathagata?"

Chokei responde prontamente: "Como pode uma pessoa surda ouvir?"

Hofuku disse: "Eu sei que você está falando do Segundo Princípio."

Mestre Chokei, então, pergunta: "O que é a linguagem do Tathagata?"

Mestre Hofuku disse: “ Já está bom, tomemos uma xícara de chá."

Mestre Setcho comenta anos depois, questionando como falar da não-linguagem, do não-dual, que ambos os Mestres falavam com visões diferentes sobre a mesma paisagem. Ambos só podiam partilhar a sensação que tinham, e ainda que limitada pela mente e pelas palavras.

Foi neste instante que Mestre Hofuku toma consciência e, percebendo, que não podiam ir mais além, convida seu amigo para um chá.

Mestre Setcho escreve: “Ondas surgem quando o não-vento sopra.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Shunryu Suzuki Zenji e The Blue Cliff Record.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mestre Dogen e Zazen
































O Zazen é algo que só pode ser experimentado, porem existem vários textos que podem nos apontar para o Caminho a ser percorrido, como as palavra de Mestre Eihei Dogen ou Dogen Zenji: 

"O Zazen, de que falo, não é aprender meditação: ele é simplesmente o portão do Dharma, do repouso e da bem-aventurança. É o caminho da prática para alcançar a iluminação total. É a manifestação da realidade última.

Com truques e apegos nunca podem alcançá-lo. Uma vez que seu coração é fisgado, você é como o dragão quando ganha água, como o tigre quando está na montanha. Por que você deve saber que só lá (quando em Zazen) que o Dharma correto se manifesta por si mesmo e que, a partir do primeiro embotamento e distração tudo é posto de lado. (...)

Quando você estiver em um barco e olhar para a praia, você pode supor que a costa está se movendo. Mas quando você mantiver o olhar para perto do barco, você pode ver que o barco se move. Da mesma forma, se você examina muitas coisas com uma mente confusa, você poderia supor que a sua mente e a natureza são permanentes. Mas quando você pratica intimamente e voltar para onde você está, ficará claro que não há nada que tenha um eu imutável. (...)

A imensidão e brevidade do momento presente, podem ser reconhecidas utilizando a imagem grande da lua refletida na superfície do mar, e a imagem pequena da lua na superfície de um copo de água. Outro exemplo é quando a vemos no céu aberto, ou através de um espaço muito restrito, mas a lua continua brilhando no mesmo céu. (...)

Cada momento de Zazen também é a plenitude da prática, igualmente a plenitude da realização. Esta não é uma prática apenas de quando se está sentado; é como um martelo golpeando o vazio: antes e depois, seu repicar requintado permeia em toda parte. Como pode ser limitado a este momento? (...)

Estudar o Caminho de Buda é estudar a si mesmo. Estudar o eu é esquecer o eu. esquecer o eu será realizado por inúmeras coisas. Quando realizado por inúmeras coisas, seu corpo e mente, assim como os corpos e as mentes dos outros desaparecerão. Nenhum traço de iluminação permanece, e, este não-traço se mantêm indefinidamente. (...)

Há uma maneira simples de se tornar Buda: se abster de ações prejudiciais, não estar apegado ao nascimento e à morte, e ter compaixão para com todos os seres sencientes, respeitar idosos e jovens, não excluir ou desejar qualquer coisa, sem projetar pensamentos ou preocupações, então será chamado de Buda. Não procure qualquer outra coisa. (...)

Só aqueles que têm a grande capacidade de confiança genuína podem entrar no reino dos Budas. Aqueles que não têm confiança são incapazes de aceitar isto, por mais que ouçam. (...)

Se você não consegue encontrar a verdade exatamente onde você está, onde mais você espera encontrá-la?"

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos sobre o Zazen.


Leia também Caminho do Zazen

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