Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ki, Postura e Respiração – Parte 3












Então, ao falarmos de Kokyu, nos referimos a força de respiração que acompanha cada movimento do centro (Hara) que é decorrente da integração, que se coordena com KI, é a essência de todos os movimentos do Aikido, Shin’ei Taido, Karate-Do e todas as outras Artes Marciais. Kokyu é veiculo de Ki, o qual, sendo fruto de um longo período de prática, deixa de ser apenas um ato mecânico, puramente fisiológico, se transformando em físico-espiritual, ou seja, um movimento harmonioso e sinérgico entre dois protagonistas. 

A palavra Kokyu, quando seguida do verbo “Suru” significa respirar; ela integra a expiração KO e kyu a inspiração: primeiro expirar para depois inspirar; primeiro devemos no doar para depois recebermos, é uma lição que Ueshiba O-Sensei transmitia através desta prática.

Kokyu é a base fundamental, por isso praticar bem para tomarmos consciência deste fluxo, já que é necessária uma consciência corporal de todos os elementos envolvidos. Não é apenas a repetição mecânica de respirar. Cada movimento tem de ser vivenciado, e, pouco a pouca se tornar natural como a respiração de uma criança sem bloqueios. Se o movimento é realizado pela metade, demonstra um bloqueio à nível de diafragma, também observamos bloqueio concomitante de ombros e região cervical, e a energia não chega nas mãos; a ansiedade é demonstrada, também, pela respiração rápida e forçada.

Inoue Doshu ensinava que o ser humano devia retornar ao estado de flexibilidade da infância, já que todos já nascem flexíveis por natureza; para tal, é necessário uma prática sincera, não mecânica, como ele designa com muita energia e suor, utilizando a expressão: “o suor nos purifica na profundeza de nosso ser”.

K. G. Durkheim explica em seu livro sobre o Hara, de que a respiração correta que se encontra prejudicada quando o centro de gravidade está situado muito alto, e que a mesma se recupera naturalmente desde que o homem encontre o seu centro de gravidade correto. Só este centro se “ancorando” no Hara, é que o diafragma se abre (relaxa), se tornando uma respiração natural e eficiente.

A respiração no Kokyu permite experimentarmos o ritmo da pulsação biológica, é a unificação harmoniosa dos pares antitéticos; como, separação-união, contração -relaxamento, aspereza-suavidade. Ele está se movendo de uma respiração puramente fisiológico respiração espiritual-fisiológico, ou seja, ele está ficando um movimento harmonioso e sinergia entre os dois protagonistas; tanto Nage como Uke passam, com a prática sincera, se tornam canais para o fluxo de Ki, pois praticam sem força bruta , não havendo lesões.

Inoue Sensei, explicava que Ki nunca é estático, ela passa acompanhar todas as mudanças de postura, durante toda a sua vida, que cada parte de nosso corpo é permeada por Ki, a cada respiração. No caso da prática mecânica, o praticante se torna pouco flexível, o que pode levar a lesões sérias, tanto em Nage como em Uke.

Kokyu é um fio que une toda a Criação, impossível separá-lo de Ki, sendo considerado como uma força cósmica que permeia as 10 mil coisas: todo os seres e objetos do Universo. Inoue Sensei, muitas vezes definia este par funcional Kokyu-Ki, como Iki.

Ueshiba O-Sensei usava a seguinte metáfora para explicar:

“Imaginem o fluxo e refluxo da ondas do mar, quando elas se desfazem na areia da praia, se encrespam e logo se desfazem, gerando um som. A respiração deve ser desta maneira, absorvendo todo o Universo no Hara a cada inalação.”

John Stevens Sensei faz uma analogia de Kokyu, com o Apajala-Mantra , ou mantra oculto, So Ham (também designado como Hamsa, Hansa, Sohum, So Ham, ou so Hum), que realizamos 21.600 vezes ao dia. Soham tem o significado em sânscrito de “Eu sou Isso” (significa que Eu sou o Absoluto), é considerado um mantra universal devido sua vibração fazer parte da respiração, ciclo princípio vital à todos.


No ciclo expiração-inspiração, temos os sons “So” na inalação, e “Hum ou Ham” na expiração, ambos sendo percebidos pela mente; de maneira contínua: “eu sou isso que sou”. 

Hamsa é um importante símbolo Advaíta (Não-dual), correlacionada à figura de um cisne que, da mesma maneira que o Lótus, significado de estar no mundo conectado à Natureza Divina e totalmente consciente, intocado pelas Ilusões; um cisne mesmo estando em águas sujas, não é manchado por elas, permanece com suas penas sempre secas e limpas, com uma beleza resplandecente.

Boa Reflexão.

Oss. 


Baseado em textos e anotações de cursos e seminários sobre Ki e Técnicas; textos sobre Advaíta, Inoue Doshu e Ueshiba O-Sensei.

Para ler a parte 1 clique aqui

Para ler a parte 2 clique aqui

2 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    Muy bonito lo de ser uno con el universo,. lo que decía O Sensei, y tori y uke estar al unisono en la práctica, gracias por compartir este bello artículo
    un abrazo

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  2. Buenas Noches, Carina,
    Es verdad, muy bellas son las enseñanzas de O-Sensei acerca de la Unicidad.
    Gracias por tu comentário.
    Abrazo.

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