Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 19 de janeiro de 2013

O Universo e Mestre Sengai














Muitos Mestres de Artes Marciais, como Morihei Ueshiba O-Sensei e Inoue Doshu, nos falos sobre os conceitos do Triangulo, Quadrado e o Círculo; além das dez mil coisas. Inoue Sensei dizia que todas estas formas estavam em nosso interior; Ueshiba O-Sensei, frequentemente usava-as para explicar os seus ensinamentos. 


Sabemos que este famoso desenho pertence a Sengai Gibon (1750-1837), monge da Escola Rinzai, sendo que ele e Mestre Hakuin foram os dois maiores artistas Zen, ambos empregavam a pintura e a caligrafia como sermões visuais (eseppo) para ensinar centenas de pessoas, de todas as classes sociais, que se reuniram em torno deles. Ambos os mestres se inspiraram em outras escolas do Budismo, Confucionismo, Xintoísmo, Taoísmo, Religião popular, e cenas da vida quotidiana, suas caligrafias, muito mais do que citações dos Sutras e Patriarcas; tudo podia ser objeto de um sermão visual.

Após isto a maioria dos mestres Zen passaram a utilizar o pincel e tinta como meios de divulgar os ensinamentos, uma tradição que continua até os dias atuais. A arte Zen japonesa faz um paralela à arte budista tibetana, com o conceito de conceito budista de tesouros escondidos

D.T. Suzuki Zenji nos falava sobre o Universo, explicando o pensamente de Mestre Sengai :

"O círculo de triângulo-quadrado é imagem Sengai faz do Universo. O círculo representa o infinito, e o infinito é a base de todos os seres. Mas o infinito em si é sem forma. Mas o infinito em si é sem forma. Nós, seres humanos somos dotados de sentidos e intelecto que exigem formas tangíveis. Daí um triângulo. O triângulo é o início de todas as formas. Fora dele, primeiro vem o quadrado. O quadrado é o triângulo duplicado. Este processo de duplicação continua infinitamente e temos a multiplicidade das coisas, que o filósofo chinês chama de "as dez mil coisas", ou seja, o universo.

O problema com os seres lingüisticamente mentais é que tomam a linguagem realisticamente e esquecem de que a linguagem não tem significado algum sem o tempo. Na verdade, a linguagem é o tempo e o tempo é a linguagem. Sendo assim, chegamos a pensar que há no começo do mundo uma coisa que é real e concreta, como um mundo de galáxias que embora sem forma e nebuloso, ainda é real e tangível. Este é o fundamento do universo em que agora temos todos os tipos de coisas, infinitamente formados e variados. É assim que o próprio tempo começa a ser pensado como algo concreto e real. Um círculo se transforma em um triângulo e, em seguida, em um quadrado e, finalmente, em figuras infinitamente variadas e variáveis. Da mesma forma o relato bíblico da criação se transformou em verdade histórica nas mentes de muitos. Mas o Zen é contrário a tais fabricações.

Há uma outra e mais tradicional interpretação, que pode ser dada a estas três figuras de formas. Sengai estava familiarizado com Shingon, a seita mantra do Budismo, bem como Zen. Ele gostava de Shingon porque ele ensinava que a identidade da existência corpórea (Rupakaya) com a realidade última (Dharmakaya). A existência corporal é aqui representada por um triângulo que simboliza o corpo humano em seu tríplice aspecto, físico, oral (ou intelecção*) e mental (ou espiritual). O quadrado representa o mundo objetivo, que é composto de quatro grandes elementos (Mahabhuta), terra, água, fogo e ar. O Dharmakaya, a realidade última, é o círculo aqui, isto é, a forma sem forma. Em geral, têm uma visão dicotômica de existência, forma (Rupakaya) e sem forma (Arupa), objeto e sujeito, matéria e espírito, e acham que se contradizem e são mutuamente exclusivos. Ambos, Shingon e Zen, no entanto, opõem-se a este ponto de vista, e afirmam que o que é forma é sem forma ou vazio (Sunya), isto é, eles são idênticos."

Termino com um poema de Mestre Sengai:

"Minha produção com pincel e tinta

não é caligrafia nem pintura;

mesmo assim as pessoas inconscientes pensam equivocadamente:

isto é caligrafia, isto é pintura. "

Boa Reflexão.

Oss.

*intelecção significa percepção e interpretação de um tema

Baseado em artigos sobre Mestre Sengai

2 comentários:

  1. Buenas noches Ricardo,
    Muy bonita la caligrafía asi como el texto, sólo agregar lo que dijo el fundador Morihei Ueshiba:
    Cuando el triángulo, el círculo y el cuadrado se convierten en uno, hay movimiento en rotación esférica junto con flujo de ki, y aparece el Aíkldo de sumi-kiri.
    Un abrazo

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  2. Buen Día, Carina,
    Muchas gracias por tu colaboración, nos recordando las enseñanzas de Ueshiba O-Sensei sobre este tema.
    Que tengas un hermoso domingo.
    Abrazo.

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