Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

As 3 Formas por Inoue Sensei























Sobre os ensinamentos das três formas, Inoue Doshu falava que tudo lhe foi ensinado por Onisaburo Deguchi Sensei, compreendendo que a essência é relação entre Yin e Yang; toda a criação se origina a partir do link , sem este link nada se cria. No entanto, que a prática são de técnicas que “não existem”, pois tudo parte da criação da mente; ele dizia:

“A realidade do fluxo é constante. Muitas coisas são criadas por esta realidade de fluxo. A primeira técnica deve ser a base, você não acha? Sem o número um que você não pode ir a cem, mil ou dez mil. (...)

O universo é redondo, não é? Ele contém os triângulos e quadrados também. O manancial da Grande Universo é quadrado. A Terra é redonda. Esta forma redonda gradualmente se torna um triângulo. Isto é o que estamos estudando. As pessoas falam sobre pirâmides, mas todo mundo tem um dentro da pirâmide. No entanto, as pessoas não têm consciência disso. Todo mundo tem um quadrado, círculo e triângulo dentro, mas as pessoas não sabem quando usá-los. Por que ninguém os ensinou a fazer isso? Isto é o que quero destacar. (...)

A realidade de afinidade universal está em movimento. Ele nunca deve parar. Se a realidade do universo pára, tudo vai morrer. Assim, as coisas devem ser criadas durante este movimento persiste. Isto é o que eu aprendi com Onisaburo Deguchi Sensei, dez mil coisas. (...)

Sim, o que eu estou falando sobre tudo foi ensinado por Onisaburo Deguchi Sensei. Ninguém mais me ensinou. Não havia mais ninguém que pudesse me ensinar essas coisas. Se alguém lhe ensina uma coisa, ele lhe ensinou cem, mil ou dez mil coisas.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Doshu.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O Universo e Mestre Sengai














Muitos Mestres de Artes Marciais, como Morihei Ueshiba O-Sensei e Inoue Doshu, nos falos sobre os conceitos do Triangulo, Quadrado e o Círculo; além das dez mil coisas. Inoue Sensei dizia que todas estas formas estavam em nosso interior; Ueshiba O-Sensei, frequentemente usava-as para explicar os seus ensinamentos. 


Sabemos que este famoso desenho pertence a Sengai Gibon (1750-1837), monge da Escola Rinzai, sendo que ele e Mestre Hakuin foram os dois maiores artistas Zen, ambos empregavam a pintura e a caligrafia como sermões visuais (eseppo) para ensinar centenas de pessoas, de todas as classes sociais, que se reuniram em torno deles. Ambos os mestres se inspiraram em outras escolas do Budismo, Confucionismo, Xintoísmo, Taoísmo, Religião popular, e cenas da vida quotidiana, suas caligrafias, muito mais do que citações dos Sutras e Patriarcas; tudo podia ser objeto de um sermão visual.

Após isto a maioria dos mestres Zen passaram a utilizar o pincel e tinta como meios de divulgar os ensinamentos, uma tradição que continua até os dias atuais. A arte Zen japonesa faz um paralela à arte budista tibetana, com o conceito de conceito budista de tesouros escondidos

D.T. Suzuki Zenji nos falava sobre o Universo, explicando o pensamente de Mestre Sengai :

"O círculo de triângulo-quadrado é imagem Sengai faz do Universo. O círculo representa o infinito, e o infinito é a base de todos os seres. Mas o infinito em si é sem forma. Mas o infinito em si é sem forma. Nós, seres humanos somos dotados de sentidos e intelecto que exigem formas tangíveis. Daí um triângulo. O triângulo é o início de todas as formas. Fora dele, primeiro vem o quadrado. O quadrado é o triângulo duplicado. Este processo de duplicação continua infinitamente e temos a multiplicidade das coisas, que o filósofo chinês chama de "as dez mil coisas", ou seja, o universo.

O problema com os seres lingüisticamente mentais é que tomam a linguagem realisticamente e esquecem de que a linguagem não tem significado algum sem o tempo. Na verdade, a linguagem é o tempo e o tempo é a linguagem. Sendo assim, chegamos a pensar que há no começo do mundo uma coisa que é real e concreta, como um mundo de galáxias que embora sem forma e nebuloso, ainda é real e tangível. Este é o fundamento do universo em que agora temos todos os tipos de coisas, infinitamente formados e variados. É assim que o próprio tempo começa a ser pensado como algo concreto e real. Um círculo se transforma em um triângulo e, em seguida, em um quadrado e, finalmente, em figuras infinitamente variadas e variáveis. Da mesma forma o relato bíblico da criação se transformou em verdade histórica nas mentes de muitos. Mas o Zen é contrário a tais fabricações.

Há uma outra e mais tradicional interpretação, que pode ser dada a estas três figuras de formas. Sengai estava familiarizado com Shingon, a seita mantra do Budismo, bem como Zen. Ele gostava de Shingon porque ele ensinava que a identidade da existência corpórea (Rupakaya) com a realidade última (Dharmakaya). A existência corporal é aqui representada por um triângulo que simboliza o corpo humano em seu tríplice aspecto, físico, oral (ou intelecção*) e mental (ou espiritual). O quadrado representa o mundo objetivo, que é composto de quatro grandes elementos (Mahabhuta), terra, água, fogo e ar. O Dharmakaya, a realidade última, é o círculo aqui, isto é, a forma sem forma. Em geral, têm uma visão dicotômica de existência, forma (Rupakaya) e sem forma (Arupa), objeto e sujeito, matéria e espírito, e acham que se contradizem e são mutuamente exclusivos. Ambos, Shingon e Zen, no entanto, opõem-se a este ponto de vista, e afirmam que o que é forma é sem forma ou vazio (Sunya), isto é, eles são idênticos."

Termino com um poema de Mestre Sengai:

"Minha produção com pincel e tinta

não é caligrafia nem pintura;

mesmo assim as pessoas inconscientes pensam equivocadamente:

isto é caligrafia, isto é pintura. "

Boa Reflexão.

Oss.

*intelecção significa percepção e interpretação de um tema

Baseado em artigos sobre Mestre Sengai

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Tudo Acontece na Mente























A primeira menção sobre Mestre Daoxin (580-651) é encontrada em 645 e depois no ano de 712; estuda o Budismo com sete anos com um mestre de comportamento austero, com 14 anos encontra com Mestre Sengcan, o Terceiro Patriarca, e a Tradição conta o seguinte diálogo:

“Mestre. Imploro vossa compaixão; ensina-me como obter a libertação.”- roga o jovem Daoxin.

“ Existe algo ou alguém que te prenda?”, fala o Patriarca.

“ Não!”, retruca o jovem.

“Então por que buscas a libertação se não existe opressor?”; estas palavras do Mestre teriam conduzido o jovem à Iluminação, que posteriormente foi considerado o Quarto Ancestral da China.

Encontrei uma das traduções de um texto de Mestre Daoxin, sobre a mente, nos explicando como ele vê o estado de consciência:

“Todos os ensinamentos de Buda estão centrados na Mente, de onde incomensuráveis tesouros surgem. Todas as faculdades sobrenaturais e suas transformações reveladas na disciplina, meditação e sabedoria são suficientemente contidas em sua própria mente e nunca saem dela.

Todos os obstáculos em obter-se budeidade surgem das paixões que geram carma e são originalmente não-existentes. Cada causa e cada efeito é apenas um sonho. Não existe mundo triplo a abandonar nem budeidade a ser procurada. A realidade interna e a aparência externa do ser humano e das mil coisas são idênticas.

O Grande Caminho é ilimitado e transcende a forma; livre de pensamento e de ansiedade. Agora que entendes o ensinamento de Buda, não há nada faltando em ti e não és diferente de Buda.

Não existe outra maneira de se obter o estado de Buda além o de permitir tua mente ser livre em si mesma. Não contemple nem tente purificar a mente; que não haja apego nem aversão, ansiedade nem medo. Estar completamente aberto e absolutamente livre de todas as condições; livre para ir, em qualquer direção que queira.

Não ajas para fazer o bem, nem o mal. Andar ou permanecer, sentar ou deitar, e seja o que for que aconteça a ti, são as maravilhosas atividades do Grande Iluminado. Tudo é alegria, livre de ansiedade – isto é o Buda.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Mestre Daoxin.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Discípulo e o Kalama Sutra















Muitos autores e Mestres citam o Kalama Sutra, como referencia, durante seus ensinamentos. Diz a Tradição, que Siddartha Gautama estava vagando pelo país de Kosala na companhia de uma comunidade de monges; ao passarem pela aldeia de Kesaputta. Os habitantes, os Kalamas, convidam o Mestre a entrar na aldeia e o saudam: 


"Mestre Gautama, filho dos Sakiyas, totalmente Iluminado, dotado de sabedoria e disciplina, conhecedor dos planos da Existência, guia incomparável, a quem claramente compreendido através do conhecimento direto.”

Assim, Siddartha entra na aldeia, seguido dos monges, aonde se alojaram na estupa de Kesariya, aonde comeriam e pernoitariam. Os aldeões logo começaram fazer pedidos de conselhos; dentre vários, foi-lhe perguntado:

“Oh, Iluminado, muitos gurus vêm até aqui, pregam ensinamentos e dizem que os anteriores só nos ensinaram erroneamente. Que ensinamentos ou mestres devemos seguir? Quais mestres falam a verdade?”

Em resposta, Buddha Gautama lhes explica que não se devem deixar ser convencidos pelas experiências dos outros ou pelo que os outros dizem; tão pouco pelo o que já está escrito, sem antes investigar.

“Não creiais no que foi adquirido por audição repetida, nem na tradição, nem em rumores, nem no que está em uma escritura, nem sobre conjecturas, nem sobre um axioma, nem em raciocínio especial, nem em um preconceito, nem uma noção que seja ponderada, nem sobre aparentes habilidades de outrem,
nem sobre a consideração. Kalamas; depois do discípulo ter experimentado e refletido por si mesmo, de que algo é bom, de que não faz mal, de que estas coisas conduzem ao benefício e felicidade: entrai e permanecei neles".

Desta maneira, Gautama mostrava que o conhecimento não deve ser imediatamente visto sem uma investigação, com mais aprofundamento, pois o conhecimento direto nos faria evitar falácias. Vários estudiosos da Tradição interpretam estas fontes, como: Tradição oral, Tradição escrita, origem das novidades e notícias, escrituras ou outros textos oficiais, Raciocínio hipotético, Dogmatismo filosófico, crenças de senso comum, opiniões próprias, especialistas, autoridades ou nosso próprio mestre.

Mas para isto, não pode haver preconceitos, ressentimentos, rancor; mantendo sempre a mente aberta e o respeito ao próximo, como Siddartha Gautama diz:

“O discípulo, que desta forma está livre da ganância, livre de rancor (má vontade), livre da ignorância, claramente compreendendo e atento, permanece, tendo amizade com a propagação do pensamento de um; tal como o de um segundo, da mesma forma um terceiro, da mesma forma um quarto; então para cima, para baixo e tudo ao redor, ele permanece, tendo se espalhado devido à existência de todos os seres vivos, em toda parte, do mundo inteiro, com o grande, exaltado, ilimitado pensamento de amizade, que é livre de ódio ou malícia."

"Ele vive, difundindo, com o pensamento de compaixão, com o pensamento de alegria solidaria, com o pensamento de equanimidade, pensamento sem limites de equanimidade, que é livre de ódio ou malícia."

"O discípulo que tem uma mente livre de ódio, uma mente livre de malícia, uma mente tão imaculado, uma mente tão purificada, é aquele que encontra consolo aqui e agora."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em textos sobre o Kalama Sutra

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ação do Tai Sabaki

Neste vídeo, observamos os movimentos da Escola de Korindo Aikido em Israel.




Boa Prática.

Oss.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Tai Sabaki Korindo Aikido


Este vídeo ilustra as características de Taisabaki do Korindo Aikido.





Boa Prática.

Oss.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Korindo Aikido





























Minoru Hirai Sensei, nascido em março de1903 em Okayama, teve uma formação em artes marciais desde pequeno, aprendendo Togun-Ryu com um de seus avós, posteriormente iniciou estudo de Okumura Nito- Ryu em 1918. Também, quando jovem estudou diversas Artes Marciais, incluindo Takenouchi- Ryu , Kito- Ryu e Suburi- Ryu; tornando-se mestre em destas , além de Iaido, em 1938 quando funda seu dojo em Kogado em Okayama.

Neste mesmo ano conhece Morihei Ueshiba O-Sensei, e encontrando semelhanças na arte de Ueshiba com base em movimentos circulares com seu próprio estilo de jujutsu que estava desenvolvendo, decide aceitar o convite para participar do Dojo Kobukan. Em 1942, é nomeado diretor para Assuntos Gerais para o Kobukan Dojo e se torna representante deste na Dai Nippon Butoku Kai, uma organização que promove as artes marciais no Japão. A literatura existente afirma que Minoru Sensei foi fundamental na criação do termo "Aikido" para se referir à arte de Ueshiba dentro do círculo da Butokukai.

A base de seu Jujutsu, depois nomeado Korindo Aikido, mostra as características de artes como:

- Hinoshita Toride Kaizan Takenouchi-ryu, que é considerada uma das mais antigas artes de jujutsu do Koryu no Japão, fundada em 1532 por Takenouchi Chūnagon Daijō Nakatsukasadaiyū Hisamori, senhor do Castelo de Ichinose Sakushū.
De acordo com o Takenouchi Keisho Kogo Den, o documento registrando o estabelecimento e desenvolvimento da escola, Takenouchi Hisamori retirou-se para as montanhas perto do santuário Sannomiya para treinar suas habilidades marciais
Takenouchi Ryu é mais conhecido por seu Jujutsu, um sistema completo incluindo Yoroi Kumiuchi, Bojutsu, Kenjutsu, Iaijutsu, Naginatajutsu, Tessenjutsu, Hojojutsu e técnicas de reanimação (Sakkatsuhō). Suas técnicas de Jujutsu foram influentes na fundação de muitas outras escolas no Japão. Suas técnicas de mãos nuas incluem Tehodoki, Ukemiwaza, Nagewaza , Kansetsuwaza, Atemiwaza, Shimewaza e Newaza.

- Kito-Ryu é outra escola tradicional (Koryu) de jujutsu, do inicio do Periodo Edo, que inclui Ukemiwaza, Nagewaza , Kansetsuwaza, Atemiwaza, Shimewaza e Sakkatsuhō. Muitas dessas técnicas são realizadas enquanto a armadura completa. O termo Kito Ryu pode ser traduzido como "A Escola da Ascensão e Queda"; semelhante à formas de "Aikijutsu", utiliza o princípio de "Ki" e Aiki ("Quando duas mentes se unem, o mais forte controla o mais fraco"), e utiliza princípio do "Kuzushi no ri ".

Em 1938 Minoru Hirai Sensei denomina seu próprio estilo de Korindo Aikido, elementos combinados de jujutsu clássico e armamento tradicional japones com os ensinamentos de Ueshiba. Hirai sensei contava que praticou o Okumura Ryu Nito Ryu no dojo de Okumura Torayoshi, na mesmo época que praticava Saburi Ryu Sojutsu; que nesta época era enfocado a grande importância do Taisabaki.

Baseia-se na sua concepção de um Yawara (Jujutsu) de acordo com o espírito da natureza, cuja forma se define claramente para nós e em uma forma muito antiga de Taisabaki, que no plano marcial, exprime o “Circulo sem Fim”, que seria a origem da harmonia; tendo como objetivo de sua arte expressar a Mente Natural, de onde as técnicas marciais fluem de uma maneira natural.

Além do princípio do Tai Sabaki Circular, temos os sete katas: Kesagiri, Kotesabaki, Irimisabaki, Shihosabaki, Isogaeshi, Tsuiage e Ushirosabaki; podem ser praticados com ou sem parceiro. Estes sete katas são praticados para frente, trás, direita e esquerda; para desenvolver a capacidade de aplicar técnicas em qualquer posição e pode ser praticado com as mãos vazias, com uma espada, bastão curto, ou lança. Em julho de 1945, a Dai Nippon Butoku Kai concedeu-lhe o título de Hanshi e em outubro deste mesmo ano, funda o Korindo Dojo em Shizuoka. Em setembro de 1953, o Korindo Dojo em Tóquio foi inaugurado.

Hanshi ensinou até idade avançada, até próximo de seu falecimento, sendo possível ver um vídeo dele ministrando um curso em 1994. Faleceu em sua residência, em Shizuoka, no ano de 1998.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em entrevistas de Minoru Hirai Hanshi.

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