Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Discípulo e o Momento Presente



























Existe um conto na Tradição sobre um samurai que veio ver o lendário Mestre Miyamoto Musachi, e pediu-lhe para lhe ensinar o verdadeiro caminho da espada. Este último aceitou-o como discípulo, obrigando o samurai, a cortar e transportar lenha, buscar água de uma fonte remota. E assim foram todos os dias, mês após mês, durante três anos.

O samurai persistia pelo fato de observar seu corpo ficar mais ágil, mais resistente e mais forte; porém, depois de três anos , disse ao mestre que não suportava mais aquela rotina.

Então perguntou ao Mestre:

- “Mas que tipo de treinamento é este? Desde a minha chegada eu não toquei uma espada, só corto lenha e trago água o tempo todo. Quando vou iniciar o meu aprendizado?”

-“ Bem, vou ensinar a técnica como você deseja; pode entrar no Dojo e, todos os dias, de manhã até a noite, eu te ordeno que andes na borda extrema do tatame, um passo após outro, bem devagar e corretamente, ao redor da sala.”; respondeu o Mestre.

Desta forma, o Mestre ensinou a concentração em movimento, com foco em cada ação, tendo de fazê-lo perfeitamente; uma vez que os detalhes da técnica, truques, passos, são, de fato, secundários em relação à concentração.

- “Havendo suficiente concentração, um gesto, um único, é o bastante!”; repetia o Mestre.

Consequentemente, o discípulo caminhou ao longo da borda do tatame, com toda a atenção; assim o fez por mais um ano. Após esse tempo, disse ao seu professor:

-“ Eu sou um samurai, pratiquei muito a esgrima, eu encontrei outros professores e nenhum me ensinou como o senhor ensina. Por favor, me ensine o verdadeiro Caminho da Espada!”

O Mestre olhou para ele e apenas disse para segui-lo, levando-o para um local muito distante, aonde se encontrava um pedaço de madeira, colocado sobre um precipício que tinha uma profundidade assustadora. Ambos pararam e o Sensei apontou para a passagem, dizendo:

-“ Bem, é por aqui que deves passar, sobre este tronco de madeira.”

O discípulo samurai não entendia nada e, de frente para o abismo, hesitou, sem saber o que fazer. De repente, ouviu atrás de si o som de uma bengala; era um cego alheio à presença deles, passou ao lado deles e cruzou o abismo sem hesitação, tateando com sua bengala a árvore que servia de ponte.

  -“ Ah eu começo a entender, se um cego cruza este abismo assim, eu tenho que fazer o mesmo .”; pensou o samurai discípulo.

 Neste momento, o mestre disse:

-“ Por um ano, caminhastes todos os dias pela borda do tatame, que é mais estreito do que este tronco, assim deves atravessar, e só ter foco no local certo. Se focares o abismo, ficarás com o medo e ficarás paralisado, ou até mesmo cairás. Se focares em cada trecho, do Caminho, assim como faz o cego, já terás atravessado.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Tradição e de Taisen Deshimaru Zenji

4 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,
    Muy buena reflexión, se trata de concentración, el ahora y dejar todo lo demás de lado. Muchas gracias por compartirla.
    un abrazo

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    1. Buen Día, Carina,
      Es verdad, este cuento es muy ilustrativo; Sensei utiliza para explicar zanshin y Tada Ima en sus conferencias sobre el Zen y el Budo.
      Gracias a ti.
      Abrazo.

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  2. Lo cierto es que los Maestros de la tradición oriental eran un tanto "especiales", que le costaba a Musashi enseñarle un poco de KenJutsu mientras le enseñeba el resto de cosas mentales y espirituales... xD

    Un abrazo.

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    Respostas
    1. Buenas Tardes, Estimado Amigo,
      Dicen que esta historia es mostrar que el discípulo debe tener tenacidad,centrarse en el momento presente y en el objetivo,sin dispersar la atención.El maestro no le enseñó antes porque el propio discípulo no pidió.
      Muchas gracias por tu participación.
      Abrazo.

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