Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Tsukahara Bokuden Takamoto
















Nascido em Kashima, na província de Hitachi (atual Prefeitura de Ibaraki) em 1489, foi considerado um famoso espadachim do inicio do período Sengoku. O significado de Kensei seria um “Santo da Espada”, porém o mais apropriado seria um espadachim que transcendeu as técnicas meramente físicas e penetrou na essência desta Arte, imbuído de dimensão espiritual extraordinária.

 Ele foi discípulo de seu pai, Yoshikawa (Urabe) Akitaka , que lhe ensinou o estilo  Kashima Chûko-ryû ; posteriormente aprende o estilo Tenshin Shoden Katori Shinto-ryu com seu pai adotivo Tsukahara Tosa-no-kami Yasumoto, estudando no Templo de Katori (que possui um forte vinculo com o Templo de Kashima).

 Enviado para o seu Musha shugyo (treinamento ascético do guerreiro), aperfeiçoa suas habilidades viajando por todo o Japão, fazendo estágios e estudos com vários mestres espadachins; assim como se dedicando ao desenvolvimento interior.
Foi instrutor do Shogun Ashikaga Yoshiteru, cujo clã unificou as duas coroas imperiais, e permaneceram no shogunato de 1337 a 1573; conhecido como Período Murimachi ou Ashikaga Bafuku. Outro aluno proeminente foi o governador de Ise, Tomonori Kitabatake.

Tsukahara Takamoto foi conhecido como um nobre rico e cavaleiro errante, até o momento em que se dedica a sistematizar o ensino das artes marciais da zona Kashima; alegando ter esta missão após uma inspiração divina de Takemikazuchi no kami, principal divindade da região de Kashima, assim como dos generais e militares desde o Reino dos Yamatos.

Está escrito que recebeu a inspiração com a frase “kokoro arata ni koto ni atare”, que o sentido literal seria manter a mente/coração como a de um principiante, frente a tudo.
Muitos alegam que este estilo é advindo de suas experiências de shugyōsha, durante o seu Musha shugyo. Mesmo assim, parece que mantinha as abordagens característica do Kashima no tachi e do Ichi no Tachi. 

incluindo abordagens para combater  Nomeia o estilo Kashima Shinto-ryu, ou,também, Mutekatsu-Ryu ("Vitória sem as mãos"); que passou a ser considerada uma nova esgrima. Embora excelente espadachim, sempre evitava confrontos diretos, explicando que sua Escola era a da Não-Espada.

É atribuido a Mestre Tsukahara a seguinte frase: “Mente Serena, não a habilidade, é o sinal de um samurai amadurecido. Um samurai, portanto, não deve ser nem pomposo nem arrogante.”

Morreu em Suka em 6 de março de1571, de causas naturais, sendo enterrado no templo local.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Tsukahara Takamoto  Sensei

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Tradição Marcial e o Kojiki




















Vários textos do século 20 citam o Kojiki como referencia sobre o início das Artes Marciais no Japão; uns citam que seria o inicio do Tegoi (o antecessor do Sumô), outros alegam ser os fundamentos do Aiki.

Segundo pesquisadores, o Kojiki teve várias compilações; existem referencias de autores como Aston (1956), que a primeira compilação conhecida foi feita em 620 AD e destruída em 650 AD. Posteriormente, Chamberlain (1973) cita que, em 712 AD, a Imperatriz Gemmyo patrocinaria uma compilação escrita em caracteres chineses adaptados à fonética japonesa.

O termo Kojiki tem várias traduções, conforme o idioma, mas no senso geral, seria “Crônica dos Fatos Antigos das Eras Primordiais” ou, simplesmente,  “ Fatos Antigos”. O que encontramos de ponto comum entre os pesquisadores, é que seu conteúdo fala a respeito do Mito da Criação, a Expedição do Imperador de Kyushu para Yamato (Nara), História e Mitos do período por volta dos anos 5-6 AD.

Os chineses escreveram relatos que seriam mais de cem nações no que era chamado de “Pais dos Wajin”(encontramos também a denominação “Reino de Ha”), no período de 207 AC a 7 DC. Entre estas datas, houve um processo de conquista por parte de determinados clãs, até a formação do Reino de Yamato. No período de 220-265, é descrito que os chefes de uma comunidade portavam o título de Uji-no-Kami; eram eles que oficiavam os cultos a divindade ancestral da comunidade.

Neste período de formação, o Japão tinha domínio sobre parte do território da atual Coréia, que perderam após 3 séculos de domínio, porem muitos clãs eram descendentes de famílias coreanas que optaram por residir no Reino dos Yamato, além de muitos chineses de excelente estirpe que vieram devido ao restabelecimento das relações entre a linhagem chinesa Tang e os Yamato. A capital Nara seria construída no estilo da capital do Reino Tang.

A região de Kashima se tornou a base da expansão dos Yamato, sendo que o Clã Nakatomi prestava reverência a Takemikazuchi-no-Kami, tido como Ujigami (Kami do Clã). Com o tempo os exércitos e generais Yamato prestavam reverencia aos kami de Kashima e Katori, sendo que Takemikazuchi-no-Kami, torna-se a principal divindade dos Yamato.

No Kojiki, encontramos uma descrição que Takemikazuchi no Kami prendeu as mãos de Takeminakata no Kami , e como se ele tivesse manejando um caniço de pesca, o arremessou. Takeminakata no Kami se torna divindade no Grande Santuário de Suwa, região aonde prometeu ficar após o confronto. E isto é tudo o que sabemos; de onde veio esta técnica, qual seria, que clãs conheciam esta técnica, para quem foi transmitido, tudo isto ainda é objeto de pesquisa.

A região de Kashima -Katori foi berço de excelentes Escolas de Bujutsu, como a do renomado Tsukahara Bokuden, conhecido por seu estilo Mutekatsu ryu (“A vitória sem as mãos”).

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos sobre a pré-história e a formação do Japão, no livro “Japão – Passado e Presente” de José Yamashiro.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Discípulo e o Momento Presente



























Existe um conto na Tradição sobre um samurai que veio ver o lendário Mestre Miyamoto Musachi, e pediu-lhe para lhe ensinar o verdadeiro caminho da espada. Este último aceitou-o como discípulo, obrigando o samurai, a cortar e transportar lenha, buscar água de uma fonte remota. E assim foram todos os dias, mês após mês, durante três anos.

O samurai persistia pelo fato de observar seu corpo ficar mais ágil, mais resistente e mais forte; porém, depois de três anos , disse ao mestre que não suportava mais aquela rotina.

Então perguntou ao Mestre:

- “Mas que tipo de treinamento é este? Desde a minha chegada eu não toquei uma espada, só corto lenha e trago água o tempo todo. Quando vou iniciar o meu aprendizado?”

-“ Bem, vou ensinar a técnica como você deseja; pode entrar no Dojo e, todos os dias, de manhã até a noite, eu te ordeno que andes na borda extrema do tatame, um passo após outro, bem devagar e corretamente, ao redor da sala.”; respondeu o Mestre.

Desta forma, o Mestre ensinou a concentração em movimento, com foco em cada ação, tendo de fazê-lo perfeitamente; uma vez que os detalhes da técnica, truques, passos, são, de fato, secundários em relação à concentração.

- “Havendo suficiente concentração, um gesto, um único, é o bastante!”; repetia o Mestre.

Consequentemente, o discípulo caminhou ao longo da borda do tatame, com toda a atenção; assim o fez por mais um ano. Após esse tempo, disse ao seu professor:

-“ Eu sou um samurai, pratiquei muito a esgrima, eu encontrei outros professores e nenhum me ensinou como o senhor ensina. Por favor, me ensine o verdadeiro Caminho da Espada!”

O Mestre olhou para ele e apenas disse para segui-lo, levando-o para um local muito distante, aonde se encontrava um pedaço de madeira, colocado sobre um precipício que tinha uma profundidade assustadora. Ambos pararam e o Sensei apontou para a passagem, dizendo:

-“ Bem, é por aqui que deves passar, sobre este tronco de madeira.”

O discípulo samurai não entendia nada e, de frente para o abismo, hesitou, sem saber o que fazer. De repente, ouviu atrás de si o som de uma bengala; era um cego alheio à presença deles, passou ao lado deles e cruzou o abismo sem hesitação, tateando com sua bengala a árvore que servia de ponte.

  -“ Ah eu começo a entender, se um cego cruza este abismo assim, eu tenho que fazer o mesmo .”; pensou o samurai discípulo.

 Neste momento, o mestre disse:

-“ Por um ano, caminhastes todos os dias pela borda do tatame, que é mais estreito do que este tronco, assim deves atravessar, e só ter foco no local certo. Se focares o abismo, ficarás com o medo e ficarás paralisado, ou até mesmo cairás. Se focares em cada trecho, do Caminho, assim como faz o cego, já terás atravessado.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Tradição e de Taisen Deshimaru Zenji

domingo, 9 de dezembro de 2012

A Arte Marcial e O Zen





















Sabemos que o Zen é o foco no aqui e agora, portanto não há lugar melhor do que o outro, todos são excelentes para treinar a nossa atenção e observar o nosso comportamento aos diferentes estímulos quando nos são apresentados. Mesmo no meio de uma multidão barulhenta é possível, se existe foco e observação: Zen é a prática contínua de consciência no presente.

Dojo é uma palavra japonesa que significa literalmente "lugar do caminho", referindo-se a uma caminhada interior, tanto no Zen como nas Artes Marciais japonesas, indicando que deve ser um lugar em que se visa o aperfeiçoamento  interior.

A prática do Zen é tomar consciência do momento presente realidade, perceber como ela é. Aqui e agora. Isto é tudo. É muito simples. A prática é para ser permanente, devemos trazer a nossa consciência para o momento presente, essa é a prática real.

Na prática do Budo, intuição e ação devem ocorrer ao mesmo tempo: não pode haver pensamento, não há até mesmo um segundo para pensar. Quando estivermos praticando, a intenção e ação devem ser simultâneas.

Deshimaru Sensei ensinava:

“Quando eu digo durante o Zazen: ‘Não se movam!’; isso significa que na verdade não se fixar em um pensamento, deixá-los passar. Permanecer em  perfeita estabilidade realmente significa não permanecer;  não se mover significa, na verdade, mover-se, não dormir. Isso é como um pião que gira: ele pode ser considerado imóvel, quando está em plena ação; só é possível ver seu movimento em uma parte do início e quando ele pára no fim. Assim, a tranqüilidade no movimento é o segredo do Kendo, o Caminho da espada. E o segredo do Budo e do Zen, é que ambos têm o mesmo sabor.”

Assim como alertava:

“Treinar o corpo é desenvolver resistência e durabilidade. Mas o espírito de competição e poder que preside sobre eles não é bom, ele reflete uma visão distorcida da vida. A raiz das Artes Marciais não está lá.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em artigos de Taisen Deshimaru Zenji sobre Zen e Artes Marciais

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ilusão e Iluminação
























Nascido na Prefeitura de Saga de Kyushu, Deshimaru foi criado por seu avô, um antigo Samurai anterior à Revolução Meiji, e por sua mãe, devota da seita Jodo Shinshu do Budismo. Quando jovem, por curiosidade, estuda o Cristianismo por um longo tempo, antes de finalmente decidir voltar para o Budismo.  Em 1935, quando ele foi estudar Economia em Tóquio, conheceu o grande mestre do Soto Zen Kodo Sawaki, de quem seguirá os  ensinamentos, se dedicando integralmente à prática do Shikantaza (Zazen).

Nestes texto, Sensei nos explica sobre a Vacuidade e a Natureza dos Fenômenos:
“Ku soku ze shiki. Shiki soku ze ku, devemos ir além, transcender, ao mesmo tempo, Shiki (fenômenos, aquela realidade que podemos ver e sentir) e Ku (Vazio, Vacuidade).
Devemos estar além da diferença e similitude; devemos ir além da Natureza dos Fenômenos e da Vacuidade, além do pensamento e do não-pensamento. Nesse momento, atingimos a Consciência Hishiryo (A Consciência Cósmica).

A interação é a lei de manifestação do poder cósmico fundamental; ou seja, ao manifestar-se, o potencial cósmico se dispersa e materializa a energia cósmica, que se divide em parcelas e se dispõe de acordo com uma ordem regida pela lei da interdependência. Somente essa lei dá à matéria a aparência fenomenal.  Se olhamos para a Vacuidade, vemos também os Fenômenos (Ku soku ze shiki : a Vacuidade são Fenômenos); se vemos os Fenômenos, olhamos para a Vacuidade (Shiki soku ze ku: os Fenômenos são Vacuidade).

O Sutra do Hannya Shingyo, o Sutra Prajna Paramita, gira em torno dessa fórmula; se compreendermos tal relação tudo se tornará fácil. Não se trata de pensar com o cérebro, mas de compreendê-lo plenamente através do corpo. A partir dos fenômenos,  da nossa vida cotidiana, voltar a Vacuidade, Zazen. E da Vacuidade voltar aos Fenômenos para ajudar todos os seres, harmonizando-se com eles.

Se todos os dias nos concentrarmos uma ou duas horas no verdadeiro Zazen, poderemos mergulhar nos fenômenos, voltar ao verdadeiro eu e espalhar nossa sabedoria pela vida quotidiana; Zazen torna-se o leme do nosso movimento na vida.  A verdadeira concentração não é pensada nem não-pensada,está além do pensamento, o pensamento absoluto; é o retorno a Vacuidade original, por efeito da concentração.  A concentração na Vacuidade contém, virtualmente, a expansão nos fenômenos.; a expansão fenomenal dos Fenômenos contém, virtualmente, a volta à concentração na Vacuidade; encontramos na Vacuidade o infinito e o eterno. Desse modo, a Vacuidade é sinônimo de Nirvana, outra coisa não é senão o Caminho do Meio.

Mujo: significa mudança, não-nascido, sem começo nem fim: sem nascimento, sem fim, somente mudança.  Não há começo, não há fim do cosmo. Num rio, vemos bolhas na água da corrente; a água torna-se bolha e torna-se água de novo.  Quando morremos, nossa vida não acaba; retornamos ao Cosmo, como as bolhas que estouram no rio. Devemos compreender a vida eterna.

Com freqüência, as pessoas amam a pureza e detestam a sujeira. Na sua origem, porém, todos os fenômenos, todas as existências do cosmo não são puras nem impuras. Tudo é idêntico. Mas pelo comportamento e pelo pensamento, as pessoas sujam e criam as separações. Em nosso globo, a terra, as montanhas, os rios, as florestas, os oceanos, etc; tudo é sem sujeira e sem pureza, é a nossa natureza. A purificação, a Terra Pura não existe em outro local, nem depois da morte; A Terra Pura há de ser construída aqui e agora.
Se tivermos o espirito bom, a consciência correta, a palavra exata, o comportamento adequado, se a boca, o corpo, a consciência, essas três atitudes forem corretas, o meio será justo. Só que, pela percepção, pelos sentidos, pela consciência, pelas sensações, tudo muda. As coisas tornam-se às vezes puras, às vezes impuras, os desejos nascem...

Pureza, sujeira, não se pode decidir. Nossa personalidade, nosso espírito original é sem pureza e sem sujeira, assim como é o Cosmo.  No nascimento, a consciência do bebê não está suja. Ele ignora a pureza ou as sujeiras. Mas, depois, a hereditariedade dos pais, o ambiente, as pessoas que o cercam, a educação não raro errada, influem nele progressivamente. O karma ignora a compaixão, o resultado, o efeito e vice-versa. Onde está o erro? O mérito? Só a consciência do ser humano decide a respeito dessas concepções.

Não há dualidade. Sem começo nem fim. Sem sujeira nem pureza. Sem crescimento nem decrescimento. É como a metáfora da água e das ondas: pela manhã há tempestade esse formam grandes ondas no mar. Quando a tempestade acabar, as ondas diminuirão, mas a água do mar não terá crescido nem decrescido.

A impermanência é a mudança perpétua de todas as coisas, portanto a não-entidade, a existência sem substância própria. No momento em que nasce, a chama morre; a chama que arde neste instante não tem nada em comum com a do instante precedente; a chama é a representação viva da não-substancialidade.

O potencial é o único dado permanente contido em cada uma das formas do manifestado, impermanente e fruto da interdependência; o potencial é permanente porque é eterno em tudo o que é e tudo o que não é. É independente porque é a causa e a condição de tudo o que existe; é o motor que produz e faz progredir o manifestado. O potencial existe em cada uma das formas-forças e em todas as relações que as ligam, desde o infinitamente pequeno até o infinitamente grande.

Dentro de toda manifestação permanece a plenitude da potencialidade, a qual contém a totalidade da manifestação. Essa potencialidade é o poder cósmico fundamental, a Vacuidade, o não-manifestado e é ainda o grande Tudo e o manifestado no que o Tudo e o manifestado têm, em sua mudança evolutiva, de não-manifestado e de manifestação em potência, como a semente é o não-manifestado da árvore e a contém em potência.  Seja como for, todas as existências são Vacuidade infinita (essência); tudo existe sem existir.  Tudo só existe na mudança e por ela, pois o que subentende a mudança é o potencial; devemos compreender que Mujo (a mudança) é a Eternidade.

No Zen, não há ruptura entre o material e o espiritual; toda impressão é, ao mesmo tempo, espiritual, e fica registrada nos neurônios do cérebro em forma de informação passível de atualização a qualquer momento.  O Satori só existe em função da ignorância e das ilusões. Desse modo, a ignorância e a ilusão são a condição necessária da existência do Satori. Não é necessário querer eliminar a ignorância, pois ela não tem existência real em nós. A ilusão não é uma coisa fixa, nem a substância de nosso espírito, mas um visitante, uma coisa que vem do exterior; é assim no tocante à cólera, à ignorância, ao medo, à ansiedade, à paixão, aos desejos: sem o vento, as ondas não aparecem na superfície do lago. No que se refere às ilusões, é a mesma coisa. Se não recebermos estímulos do exterior, elas não se elevarão: visitantes vêm do exterior. Ainda que recebamos estímulos do ambiente, se nesse momento preciso não estivermos apegados, a verdadeira Sabedoria aparecerá.
O sofrimento é tanto físico quanto psicológico, sentimental, intelectual ou racional. Desde que não podemos satisfazer nossos desejos, sofremos. Quanto mais aumentam os desejos, tanto mais se complicam os sofrimentos.

Todos os fenômenos cósmicos, todas as existências cósmicas constituem o potencial temporário existente, ou manifestado, atualizado no momento. Cada qual depende da lei da interdependência, em que a multiplicidade dos fenômenos depende da multiplicidade das relações que os subentendem. Por isso mesmo, ainda que os fenômenos temporários tomem forma ao nascer, se transformem e desapareçam, sua substância não foi produzida nem destruída; tampouco aumentou ou diminuiu. Pois essa substância é o próprio poder cósmico fundamental, eternamente imutável, potencialidade suprema da qual procedem todas as potencialidades fenomenais, existências em perpétua mudança; suas formas aparecem e desaparecem ao sabor das interferências cósmicas rigorosamente ordenadas, depois desaparecem, desagregando-se, liberando a essência que reencontra a própria origem.”

Boa Reflexão.

Oss.

Taisen Deshimaru Zenji em " O Anel do Caminho"

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