Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

Seguidores

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Bodhidharma e a Natureza Humana



Pesquisando sobre o Tratado das Duas Entradas e das Quatro Práticas, cuja autoria é atribribuida à Bodhidharma, encontramos a citação de que a Natureza Búdica existe em todas as pessoas e que se deve percebê-la individualmente através da meditação  e não através do estudo de Sutras, execução e repetição de ritos, de boas ações, veneração de Budas, etc.

Existem evidências de que Bodhidharma tinha o Sutra Lankavatara como referência para seus ensinamentos, enfatizando a auto-iluminação através do abandono das palavras e pensamentos, além da prática da meditação; enquanto as práticas da época pregavam um processo gradual do aperfeiçoamento da pessoa.

Na Tradição, encontramos algumas frases atribuídas à Bodhidharma, que traduziriam sem pensamento:

"Ignorância e Sabedoria são idênticas e não diferentes. (...)

Três venenos infundem a morte e a destruição: a ganância, o ódio e a ilusão: o Caminho Moral, a Meditação e a Iluminação são as maneiras de combatê-los. (...)

Muitos sabem o Caminho, são poucos os que vão acabar percorrendo. (...)

As pessoas deste mundo estão iludidas. Elas estão sempre desejando alguma coisa - sempre, em uma palavra, buscando. (...)

Mas, enquanto o sucesso e o fracasso dependem de condições, a mente não cresce nem diminui. (...)

Se você usar sua mente para encontrar um Buda, não poderá ver o Buda. (...)

Quando a mente pára de se mover, ela entra em Nirvana. Nirvana é uma mente vazia; quando não há ignorância, os Budas alcançam o Nirvana. Quando não há aflições, os Bodhisattvas entrar no lugar do despertar. (...)

E o Buda é a pessoa que está livre: livre de planos, livres de preocupações. (...)

 Se o homem se mantem em harmonia com o Universo; todos desequilíbrios deixam de existir."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Bodhidharma e Huike.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Arqueiro e O Caminho do Coração




























Reproduzo aqui um conto que li, que ilustra muito bem como o ego e o medo, podem ser transcendidos pelo Caminho do Coração:

“Havia no alto das montanhas da China antiga, um grande mestre na arte do arco e flecha que por muitos anos ensinava seus discípulos a manejarem o arco como arte, maestria e meditação.

Já havia ensinado a muitos alunos, quando um príncipe de uma grande família da região do norte do país resolveu ir até ele para se aperfeiçoar na arte do arco e flecha. Era um rapaz forte, de opinião forte, e não aceitava qualquer ensinamento sem que tivesse uma boa explicação.

O mestre muito paciente lhe ensinou várias técnicas e o rapaz era realmente perseverante e treinava intensamente, sem descanso.
Seus amigos ficavam espantados, pois o príncipe rapidamente se tornou o aluno mais preciso e o mais aguçado na arte da mira e na precisão da flecha. Era de pouca conversa e sempre estava treinando dia e noite.

Uma noite o mestre chegou perto dele e disse:
- Huang Kiu, porque você está treinando tão intensamente? Com quem está competindo?
- Ninguém, disse o príncipe, estou apenas treinando, pois quero ser o melhor arqueiro da China, e serei.

Então, disse o mestre, veja como sua mente está presa nesse desejo, o desejo de ser melhor que todos os outros. Porque não apenas se aperfeiçoar na arte do arco e flecha e respeitar o grande Tao. A flecha flui por si mesma, não precisa nenhum esforço. O dia nasce por si mesmo, a noite nasce por si mesma. Nenhum esforço é necessário. Onde há esforço existe a mente envolvida, controlando, o fluxo foi quebrado.

- Isso não me importa, disse Huang Kiu. Tudo isso é bobagem. Quero me tornar o melhor arqueiro e vou. Na verdade, vejo que já sou o melhor dos seus alunos aqui, agora só me falta superar o senhor. Quando conseguir, partirei. Terei cumprido meu ciclo aqui.
- Então, disse o mestre, treine mais, treine muito mais, e você me superará.

E assim foi feito. Huang Kiu treinava alucinadamente, dia e noite para superar o seu mestre. Os outros alunos se afastaram dele, e viram que ele precisava ter sempre alguém para superar, isso lhe dava a sensação de poder, e ele se sentia desafiado.

Um dia, Huang Kiu chegou perto do seu mestre e disse:
- Mestre, sinto que já o alcancei. Vamos por a prova?
- Sim, claro vamos por a prova sua superioridade, disse o mestre.
- Então vamos até o alvo mais distante que lhe mostrarei que já estou pronto.
- Sim, disse o mestre, vamos ao alvo mais distante.

E foram os dois, ao grande campo verde, onde o alvo estava pronto a espera dos dois arqueiros. Era realmente distante e somente um grande arqueiro conseguiria acertar o alvo naquela distância.

Huang Kiu se posicionou e disparou a flecha, que foi certeira na mosca.
Não se dando por satisfeito, se posicionou novamente e disparou nova flecha que acertou rente a primeira.

O mestre ficou impressionado e disse:
-Huang Kiu você foi muito bem, muito bem mesmo...mas ainda não está pronto.
- Como não, disse Huang Kiu, acertei na mosca a essa distância, foram perfeitos meus disparos. Não compreendo o que me falta?
- Venha comigo, e lhe mostrarei o que é a maestria.

E foram os dois pelo penhasco caminhando, subindo pelas montanhas até que se depararam com uma ponte frágil que ligava dois morros, isso a uma grande altura, e lá em baixo passava um rio. O vento soprava forte, as árvores e a ponte balançavam,
Foi então que o mestre disse:
- Vê, vai até o meio dessa ponte e dali acerte aquela árvore do outro lado, quero ver a sua destreza de arqueiro aqui nesse lugar, nessas condições.

Huang Kiu se assustou: Tenho medo de altura, essa ponte não é segura, o vento está forte, tudo balança, posso cair, nem sequer vejo bem o outro lado a neblina me impede de ver com clareza. Isso é uma bobagem não vou fazer, sou um grande arqueiro não preciso desse treinamento nessas condições. E se virou para ir embora, quando viu o mestre no meio da ponte lançando a flecha com total tranquilidade e precisão mesmo em meio a toda aquela diversidade.

Huang Kiu parou, ficou em silencio. Ali naquele instante percebeu que não sabia nada sobre o caminho do arco e flecha. Ali viu como seu ego se havia inflado e ele pode compreender que a mente serena é capaz de vencer todas as adversidades do momento e permanecer fixa no alvo, mesmo que tudo a volta esteja revolto, a paz interior não se confunde, não se abala, ela é sempre presente e age de acordo com o momento, em perfeita sintonia e precisão.

Quando o mestre retornou, Huang Kiu caiu aos seus pés e lhe pediu perdão por ter sido tão arrogante:
- Mestre, me perdoe, agora compreendo o que queria me ensinar. Vejo que fui um tolo e que não é por aquisição de técnica e treinamento que se chega a maestria, mas pelo esvaziamento do ego e pelo silencio da mente... pela ausência de esforço e por se estar em paz, sereno e centrado... a flecha segue o seu caminho por sí só...
O mestre olhou no fundo dos seus olhos, e lhe disse:
- Vá, agora você aprendeu a lição. Agora você é um verdadeiro arqueiro. Não há nada mais a aprender. O Verdadeiro Arqueiro dispara com o Coração..."

Boa Reflexão.

Oss.

sábado, 10 de novembro de 2012

A Mente e O Segredo da Espada






















Shirata Rinjiro Sensei , ensinava aos seu discípulos que a eficácia da técnica residia em uma prática corporal e mental sinceras, para tal contava uma estória que tinha aprendido com Ueshiba O-Sensei.

Um jovem guerreiro visitou um mestre yamabushi, que vivia nas montanhas , que diziam ter poderes sobrenaturais e que tinha a fama de possuir uma técnica  que lhe conferia  o que chamavam de "Espada da Invencibilidade". O rapaz ansiava por se tornar um grande guerreiro e o melhor dos mestres no manejo das armas.

O jovem, chegando à casa do mestre, pediu que ele que lhe revelasse o segredo da espada; o mestre disse que era possível apenas se o jovem se submetesse a determinados treinamentos: os yamabushi passam anos de sua vida executando práticas de ascetismo, levando uma vida frugal, entoando mantras e orações.

O mestre ressaltou que além destas práticas diárias, eram importantes a meditação e a prática com foco no momento presente; isto poderia levar vários anos e o jovem deveria visitá-lo de tempos em tempos para avaliar sua evolução.

O jovem concordou com as condições, ficou um tempo aprendendo com o mestre e, depois, partiu para praticar sozinho tais ensinamentos; de ano em ano, por vinte anos, visitava o mestre e retornava à sua vila.

Na última visita ao mestre, este disse que iria lhe mostrar a espada que chamavam de mágica, como prometido; o discípulo a tomou em suas mãos, a segurou por instantes e logo a devolveu.  Naquele instante percebeu que não precisava mais de uma arma ou objeto como aquele, compreendia que eram atributos fantasiosos da mente.

Yamaguchi Sensei contava que quando observamos alguém treinar, visto a partir do exterior, uma espada ainda se parece com uma espada e um bastão com um bastão; porém o que é mantido nas mãos ou o que percebemos do exterior é apenas uma imagem, uma projeção da mente. Sensei alertava que o erro é nos fixarmos neste aspecto, porque o que conta é como usar esses instrumentos, o instante presente e mente vazia; O-Sensei gostava de demonstrar isto.

Stevens Sensei nos explica que “Se permanecermos centrados na Essência da Criação, certamente triunfaremos em todos os empreendimentos; precisamos compreender essa verdade aqui e agora.”; “um estado de ser que transcende o tempo e o espaço.”

Termino com as palavras de O-Sensei:

“Se tudo que você pensar é vencer
Você vai de fato perder tudo.
Saiba que você e seus adversários trilham o mesmo caminho.
Envolva os adversários com amor,
Entregue-se ao fluxo natural das coisas,
Unifique Ki, corpo e mente,
E apague a fronteira entre o eu e o outro.
Isso abre possibilidades ilimitadas.
Aqueles que são iluminados por estes princípios
São sempre vitoriosos.
Ganhar sem lutar
É a verdadeira vitória,
A vitória sobre si mesmo,
Uma vitória rápida e segura.
Vitória é harmonizar o eu e o outro,
Para ligar-se ao Divino,
Para unir-se ao Amor Divino,
Para se tornar o próprio Universo.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas de Alain Guerrier Sensei, Shirata Rinjiro Sensei e John Stevens Sensei; textos sobre Ueshiba O-Sensei.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Consciência e A Prática

























Gleason Sensei escreveu um artigo em que falava sobre a etiqueta no Dojo, aonde seria o ínicio da transição do mundo exterior para o interior, para o despertar da consciência, que começa pela reverência.

A reverência sincera ao Shomen, Mestres e companheiros, demonstra nossa humildade; conforme nos ensinava Inoue Doshu; que ainda aconselhava a prática da oração interior.

Bater as palmas da mãos simboliza a unidade das forças dinâmicas da Natureza (Yin e Yang). O ato de juntar as mãos é conhecido como Musubi ou Gassho; representa a unificação do Yin com o Yang, formando o Tao (Do) e, ao mesmo tempo, nossa Gratidão

 Segundo Ueshiba O-Sensei, todo movimento no Dojo é uma oração, uma maneira de unir a própria vontade com a vontade universal.

Yamaguchi Sensei ensinava nos seminários para os alunos mais avançados:

“A verdadeira dificuldade do Aikidô, na realidade, é a necessidade de conservar sempre a Mente de Iniciante (Shoshin). A mera repetição daquilo que aprendeu não garante, de maneira nenhuma, o progresso. Os Antigos Mestres disseram que a pessoa deve treinar a si mesma através da repetição contínua e essa repetição não pode ser mecânica.

Devemos extirpar tanto os maus hábitos assim como os bons (…), estejam eles na técnica, na vida diária ou nas atitudes. Geralmente os maus hábitos são facilmente reconhecidos por todos. Quantos aos bons, é quando achamos que não precisamos de conselhos, criticas e correções, as quais devemos receber com modéstia e despretensão.

Permanecer firme e forte, sem nenhuma insensibilidade ou inflexibilidade; ter um estado de total aceitação e mesmo assim, não perder a consciência de sua própria existência.”

Termino com as palavras de Ueshiba O-Sensei:

“Ao praticar com alguém que tenha realizado o principio do Aikido (Takemusubi Aiki) dentro do seu ser, todos os maus sentimentos e dúvidas são removidos e você obtém uma maior compreensão de si mesmo.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de willian Gleason Sensei e entrevistas de Yamaguchi Sensei.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Prática e O Tao

















Osho escreveu uma série de artigos sobre o Tao, e em particular, este fala sobre as práticas Marciais levando à consciência. Ele descreve para a pessoa não conhecedora das Artes Marciais, usando uma linguagem explicativa para quem está vendo de fora. Mesmo assim, é um texto muito interessante para os praticantes:

“O Tao é algo muito raro e extraordinário. O Tao diz que qualquer atividade pode ser transformada em uma atividade sagrada, seja atividades como o Arco-e-Flecha e a esgrima.(...)

O Tao diz que qualquer atividade feita com plena consciência se torna uma meditação.(...)

Esta é uma contribuição taoísta para o mundo; é dito que a atividade não é o que importa, e sim a consciência que você leva a ela.(...)

O lutador taoista primeiro deve fazer uma reverência para o oponente e considerá-lo como um ser divino, como uma expressão da divindade, e não como o inimigo. Se ele não puder considerar o oponente como sendo uma expressão do divino, como sendo um amigo, então ele não é taoista, então se trata de uma luta comum.

Mas, se ele puder perceber a mesma divindade em seu oponente como sente em si mesmo, então a luta é uma luta apenas na superfície; no fundo ela se tornou uma prece(...)

A arte taoísta é; quando alguém golpeia, você se expande, recebe o ataque e o absorve.
Se alguém está jogando energia em você, não lute contra esta energia, mas a absorva. Ele está lhe dando energia, e você está lutando contra ela? Em vez disso, absorva-a. (...)

Se alguém bate ou golpeia-o, tente absorver, prossiga com isso, não enrijeça, não fique tenso, deixe que o impulso seja absorvido. (...)

Se dois lutadores estiverem presentes e um ficar absorvendo a energia do outro, seja ela quel for, quem estiver jogando energia fora será derrotado. Não foi o outro que o derrotou; ele próprio se derrotou. (...)

Toda atividade pode ser transformada em meditação.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado nos artigos de Osho em “Tao: Sua História e Seus Ensinamentos”.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails