Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Tao: Além da Mente.

































O Clássico da Pureza, segundo Osho é “ um dos lampejos mais profundos com relação à Natureza”; ele assim o designa pois o caracteriza como não doutrinário, não filosófico, não intelectual e sim como existencial, que foi vivenciado. Este texto foi escrito por Ko Hsuan, citando Lao Tzu, porem nos alerta Osho que é uma experiência do autor que, no prefácio desta obra, escreveu que quando atingiu a união com o Tao, meditou muito antes de escrever a experiência que ele próprio passou.

“Mestre Lao disse,
O Tao Supremo é sem forma,
Mas produziu e alimenta o Céu e a Terra.
O Tao Supremo não tem nome,
Mas seus efeitos estão no crescer e manter todas as coisas.
Eu não sei o seu nome, mas, faço um esforço e chamo de Tao
Mestre Lao disse,
Agora, o Tao se manifesta de duas formas como puro e turvo,
Ele tem duas condições como movimento e quietude.
O Céu se move, a Terra permanece.
O masculino é puro, o feminino é turvo.
O masculino se move, o feminino permanece.
O radical da Pureza descende e o turvo flui para o exterior;
E, assim, todas as coisas foram produzidas,

O Tao flui até a última das coisas, trazendo Céu e Terra e tudo o que está no meio.
A Pureza é a fonte da turvação, e o movimento é a base da Quietude.
Mestre Lao disse,
Quando o homem alcança o poder de transcender que o muda,
Habitando na Pureza e Serenidade,
Céu e Terra podem se reverter em Não-Existência.
O Espírito do homem ama a Pureza, mas sua mente está a perturbá-lo.
A mente do homem ama a Quietude, mas seus desejos a afastam.
Quando um homem é capaz de governar constantemente seus desejos,
Sua mente se torna espontaneamente quieta.
Quando a mente está sem nuvens, a alma é vista como pura.
Então, com certeza os Seis Desejos deixarão de ser gerados,
E os Três Venenos serão eliminados e dissolvidos.

A razão dos homens não possui a capacidade de atingir isto
Porque suas mentes não são claras e seus desejos desenfreados.
Aquele que tem o poder de transcender seus desejos,
Olhar para dentro contemplando a mente,
Percebe que, em sua mente, a mente não é;
Olhando e contemplando sem forma,
Ele percebe que na forma, a forma não é;
Olhar as coisas ainda mais remotas e contemplando a matéria,
Ele percebe que na matéria, a matéria não é.

Mestre Lao disse:
Quando ele claramente pensou sobre estes três
Ele percebe apenas um vazio, mas quando ele contempla o vazio,
Ele percebe que o vazio é também vazio e torna-se o nada.
O vazio tendo desaparecido no nada,
Ele percebe que o nada do nada também é nada,
E quando o ínfimo do nada é atingido,
Há o mais verdadeiramente a ser encontrado
A profunda e imutável Quietude
Neste Silêncio profundo como podem ser gerados desejos?
Quando os desejos não são mais gerados,
Então há a essencial e imutável Quietude.

A Verdade é essencialmente imutável.
Todas as coisas no céu e na terra são, em essência, imutáveis
Mestre Lao disse,
O desenvolvimento da consciência do homem,
Leva-o a esta verdade imutável.
Na Quietude imutável,
Pureza imutável e descanso são encontrados.

Aquele que atinge Pureza e Quietude entra no Tao imutável.
Tendo entrado no Tao imutável, ele é chamado possuidor de Tao.
Embora ele seja nomeado o possuidor do Tao, ele sabe que não o possui.
Só quando ele pode transmutar todos os seres vivos
ele pode ser verdadeiramente chamado o possuidor de Tao.
Ele, que é capaz de entender isso, pode levar outros ao Sagrado Tao.

 Mestre Lao disse,
Estudiosos do nível mais alto não se esforçam, os do nível mais baixo gostam do esforço
Aqueles que possuem no mais alto grau os atributos do Tao não mostram;
Aqueles que os possuem em um grau baixo tentam retê-los e mostrá-los
Pois, não são possuidores do Tao e seus atributos.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre o Clássico da Pureza e  artigo de Osho sobre Ko Hsuan

sábado, 20 de outubro de 2012

A Folha Caindo ao Vento















Muitas entrevista citam o ensinamento de Inoue Doshu de que  "Budo pode ser comparado com as flores de cerejeira caindo, flutuando no vento; transmitindo a passagem em que  Lao Tzu alcançou a Iluminação sentado embaixo de uma árvore. O próprio Lao Tzu, segundo Osho, a transcreveu:

“Eu estava sentado sob uma árvore e tinha feito tudo o que poderia ser feito,  tudo o que era humanamente possível, e estava completamente frustrado. Muita coisa aconteceu por meio disto, mas não tudo; algo estava faltando, algo estava ausente, e o elo que faltava era o m,ais difícil de encontrar.

Então, enquanto eu estava sentado sob a árvore, uma folha seca caiu lentamente da árvore e foi levada pelo vento. O vento estava indo para o Norte e a folha foi levada para o Norte; então o vento mudou de curso e começou a soprar para o Sul, e a folha foi levada para o Sul.

Então, o vento parou e a folha caiu no chão sem nenhuma queixa, sem nenhuma luta de sua parte, sem nenhuma direção própria. Se o vento fosse para o Sul, ela ia para o Sul; se o vento fosse para o Norte, ela ia para o Norte; se o vento parasse, ela se deixava cair na terra e descansava serenamente.

Então, novamente o vento soprou e de novo a folha se deixou levar para o céu; não havia nenhum problema. De repente eu entendi, a mensagem foi transmitida. A partir desse dia, tornei-me uma folha seca e o elo que faltava, que era tão esquivo já não era esquivo.

O elo que faltava era apenas este: pode-se atingir muitas coisas por meio do esforço, mas não se pode alcançar o Tao por meio do esforço. No final, você precisa abandonar o esforço e, de repente, tudo se ajusta e você fica em harmonia. (...)

Então, você não tem nenhum destino, e o destino do todo é o seu destino; então você não está separado e não pensa em termos de individualidade; você se tornou parte do todo e, para aonde o todo estiver indo, você estará indo. Se o todo muda de idéia, você mudará de idéia; se o todo interromper a jornada, isso é belo; se o todo correr, você correrá com ele. Viver ‘de acordo’ significa isto.”

Osho continua:

“Sem nenhuma idéia própria, quando você se torna uma não-mente, o todo vive por meio de você, vive você, move-se por meio de você, move você. Agora você não respira, o todo respira você, e tudo é benção, é uma graça.(...)

Os ventos sopram conta própria e a existência (todo) toma conta.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas sobre Inoue Doshu, textos sobre Lao Tzu e em Osho, no livro “TAO- Sua História e Seus Ensinamentos”.

sábado, 13 de outubro de 2012

A Escrita e O Discípulo























Certa vez, segundo a Tradição, Kôsen Sensei escrevia ideogramas em folha de papel arroz, como fazia rotineiramente, quando se aproximou um discípulo de senso estético e sensibilidade muito fortes, que ficou observando atentamente. 

Ao terminar, Sensei perguntou ao discípulo o que ele achava da caligrafia.

“Nada bom, Mestre!”- disse o rapaz sem pensar.

O Mestre pegou outra folha e escreveu os mesmos ideogramas, e o rapaz respondeu 
prontamente:

 “Nada bom, Mestre!”

A cada vez que desenhava os mesmos ideogramas com mais capricho, o discípulo sentenciava, com a mesma frase:

 “Nada bom, Mestre!”

Após diversas tentativas, o Mestre observou que o discípulo tinha desviado a sua atenção; rápidamente Sensei colocou uma folha em branco no lugar da que tinha começado e perguntou:

“O que achas agora?”

Olhando atentamente a folha em branco, o discípulo exclama:

“Perfeito, Mestre!”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em contos da Tradição.

domingo, 7 de outubro de 2012

O Zazen e O Não-dual


























Li um artigo muito interessante de Mestre Issho Fujita sobre o Zazen, e aqui reproduzo alguns trechos:

“Geralmente ouvimos que o Zazen é uma ‘Meditação Zen’ ou ‘Meditação Sentada’, outros consideram ser um dos muitos métodos de tradições espirituais orientais para alcançar uma boa saúde física, pacificar a mente, ser uma pessoa calma, resolver problemas de relações sociais. (...)

Para Mestre Dogen, Zazen é antes de tudo uma postura de todo o corpo, e não um estado de espírito.
Dentre as vários termos usados por Mestre Dogen, Gotsuza, que significa ‘sentar-se imóvel como uma montanha poderoso’ ou Kekkafuza, a ‘postura de lótus’ que era considerado por ele a chave-mestra do  Zazen. (...)

Desta maneira, o Kekkafuza se torna um meio para preparar o corpo e a mente para exercícios mentais conhecidos como ‘meditação’, mas não é um objetivo por si só. A prática é construída sobre uma dualidade, com um corpo sentado como recipiente e uma mente meditando como conteúdo; aqui a ênfase é sempre sobre a meditação como um exercício mental: uma disposição dual na qual o corpo fica sentado e a mente faz outra coisa. (...)

Kodo Sawaki Roshi, grande mestre Zen do século XX, disse: ‘Sente-se em Zazen, e isso é tudo.’ Neste entendimento, o Zazen é além do dualismo do corpo e da mente.  (...)

Práticas meditativas que se concentram em uma dimensão psicológica (pensamentos, percepções, sentimentos, intenções, visualizações, etc.), conduzem toda a nossa atenção sobre as funções cerebrais corticais.  A maioria das meditações, no sentido em que se entende de forma convencional, são atividades centradas na mente. Na medicina oriental, há uma idéia interessante que a harmonia dos órgãos internos é de extrema importância. Todos os problemas associados com a cabeça a partir de apenas uma desarmonia dos órgãos internos que são os alicerces de nossas vidas. (...)

Enquanto a maioria tende a se concentrar na mente, Zazen é mais focado na estrutura de um total mente-corpo e bem viva, deixando a mente existir sem dar qualquer destaque. Quando a mente está muita ativa, uma vida dividida e desequilibrada aparece. Mas no Zazen, ela aprende a encontrar seu lugar e função na dimensão de um sistema unificado corpo-mente. Nosso corpo humano vivo não é simplesmente uma agregação de partes, tudo é organicamente integrado, concebido de tal modo que, quando se desloca o uma parte do corpo, independentemente que seja algo muito sutil, simultaneamente acontece uma movimentação de todo o corpo.

Quando aprendemos cedo o Zazen, podemos compreendê-la na sua totalidade ou de uma só vez. Inevitavelmente, começamos a cortar o Zazen em pedaços pequenos dispostas em uma ordem específica: harmonizar o corpo, harmonizar a respiração e harmonizar a mente. (...)

Mas uma visão diferente do de Zazen nos é dada por Kodo Sawaki Roshi: ‘Zazen é conectar com o universo.’ Postura de Zazen nos conecta com o universo inteiro. Como Shigeo Michi, um famoso anatomista do século passado, disse: ‘Desde que o Zazen é uma postura em que o ser humano não faz nada para ser humano, o ser humano é livre para ser um ser humano e se tornar um Buda’. "

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em texto de Issho Fujita Roshi

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