Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 18 de agosto de 2012

Cântico da Iluminação Imediata


































Mestre Yoka Genkaku ou Yongjia Xuanjue, nasceu com o nome de Hsuan Chueh, em 665 na região Chia Yung (na aldeia de Yongija ou Yoka para os japoneses) no sudeste da China, mais tarde esta passou a ser conhecida como Wenzhou. Enquanto ainda um jovem, Hsuan Chueh deixou sua casa, monge com a idade de vinte anos, praticava a meditação e estudava profundamente todas as correntes do Budismo assim como o Taoismo e Confunionismo .

Sabemos que recebeu a transmissão do Ch’an (Zen) de Mestre Eno (Tsao Chi Hui Neng), sexto Patriarca, quando se encontraram no Monte Sokei. Mestre Yoka mostra ao Patriarca como o apego a mente ainda pode estar presente mesmo naqueles que crêem tê-la transcendido. Em seus textos ele mostra que é normal sentir fome, frio, e dor;  que tudo que evoca memórias vivenciais passadas é um sinal de que estamos fora do momento presente e estamos aprisionados na mente. É como dizer sentir mais ou menos frio que os outros, mais ou menos fome que os outros; significa que é a mente daquele indivíduo que está condicionando o que está a sua volta à suas próprias experiências.

Quando Patriarca Eno pergunta a Yoka: "Mas o senhor vai partir muito rápido!"; o monge responde demonstrando que isto é um aspecto que a mente inseriu. Ele responde a Eno: "Como se pode ter rapidez, se o movimento não existe na origem?"; o Patriarca reconhece respondendo: "Realmente, se tudo é movimento ou não-movimento, isto é um problema de Consciência."

Mestre Yoka escreveu muitos tratados sobre a forma de poemas, sendo o mais famoso Shodoka (ou Sho Doka) e o seu poema o Cântico da Iluminação Imediata:

"Você conhece aquele homem tranqüilo,
Que anda pelo Caminho, além do aprendizado,
No estado da Não-Ação, sem evitar a Ilusão, sem buscar a Verdade?
Descobrir que a natureza real da ignorância é a própria natureza de Buda,
E que o corpo ilusório e vazio é o próprio Dharmakaya.

Com o despertar total para o Dharmakaya,
Não há mais qualquer coisa.
A fonte de todas as coisas, oriunda da própria natureza,
É o Buda em seu aspecto absoluto. (...)

Andar é Ch’an (Zen), sentar é Ch’an (Zen);
Falando ou silencioso, movimentando ou parado, a essência é a paz.
Mesmo ameaçada por espadas e lanças, a mente é serena;
Mesmo ameaçada por venenos, não se perturba sua calma. (...)

A meditação na minha humilde cabana é tranqüila e confortável.
Quando se desperta verdadeiramente,
Tudo é compreendido e nenhum esforço é mais necessário;
Não se pode encontrar esta liberdade no mundo da ação.(...)
O desperto não procura a verdade, não corta a delusão;
Ele percebe claramente que as dualidades são vazias e sem forma,
Mas esta não-forma não é vazia nem não-vazia.
Esta é a forma verdadeira do Tathagata.

A mente é um espelho que reflete a pura luz brilhante sem obstáculos,
Que penetra em todos os mundos, incontáveis como as areias do Ganges;
Nela são refletidas todas as coisas do universo,
Brilhando como jóias perfeitas, sem interior ou exterior.
A verdade não é necessariamente estabelecida;
O falso é basicamente vazio.
Ponha de lado a Existência e a Não-Existência,
E então o Não-Vazio é Vazio. (...)

A mente é um dos sentidos, as coisas são seus objetos;
 Dualidade é como poeira sobre o espelho.
Com a poeira removida, o espelho brilha;
Tanto a mente quanto os fenômenos são esquecidos,
A natureza manifesta sua Vacuidade. (...)

A Iluminação está além dos conceitos limitados do intelecto.
Não tente medir o Céu
Olhando através de um pequeno canudo de bambu.
Se ainda não teve a compreensão,
Este meu cântico é para você."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos Zen sobre Yoka Genkaku e Shodoka

2 comentários:

  1. Gracias Ricardo, a veces dejando la mente libre encuentras tu respuesta, a veces cuando comento parece que alguien me dicta lo que escribo, un abrazo

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    Respostas
    1. Estimada Amiga Carina,
      Le agradezco su comentario.
      En realidad, cuando estamos de mente vacía, la Existencia se manifiesta en nosotros. Esto es lo que le sucede; cuando usted está en Mushin, Existencia manifiesta.
      Así que es en nuestro entrenamiento en el dojo.
      Abrazo.

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