Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 25 de agosto de 2012

Caminho Zen de Mestre Basho


Mestre Matsuo Basho, filho de um Clã Samurai, preferiu não seguir a tradição familiar para se dedicar aos estudos da arte dos poemas, sendo reconhecido, durante o período Edo, como o mestre da forma clara de Haikai, com reconhecimento internacional. Muitos os conhecem apenas como Matzu ou Baso.

Nascido na província de Ueno, decide abandonar a carreira de literato e professor e começa a vagar pelo Japão, buscando inspiração. Seus poemas refletem a experiência direta, e descrevem a sua vida monástica, morando em pequenas cabanas, exposto as adversidades do clima e, ao mesmo tempo, sua interação com a natureza.

Foram quatro viagens a partir de Edo para o Monte Fuji, Ueno, Kyoto, norte de Honshu, Hiraizumi, Gifu. Ele conheceu vários poetas que chamou de seus discípulos, e certa vez os aconselhou ignorar o estilo Edo contemporâneo e até mesmo seus próprios poemas, dizendo que continham "muitos versos que não vale a pena discutir".

Seus poemas refletem a experiência direta, e descrevem a sua vida monástica, pois terminou sua vida morando em pequenas cabanas, exposto as adversidades do clima e, ao mesmo tempo, em interação com a natureza.

Um poema expressou bem uma de suas jornadas:

“Mais um ano se foi,

Sombra de um viajante na minha cabeça,

Sandálias de palha aos meus pés.”

No início de 1686, ele compôs um de seus haiku mais famosos; muitos historiadores acreditam que esta fama ocorreu instantaneamente. Era abril, os poetas de Edo tinha se reunido no Bashōcabana para um concurso de Hakkai no renga, cujo tema era sobre sapos e rãs:

“Uma antiga lagoa (Furu ike ya),

Um sapo mergulha (kawazu tobikomu),

Som de água (mizu no oto).”

Aqui estão alguns poemas, que exprimem a mente no Momento Presente (Tada Ima, Aqui e Agora), sendo apenas Observação, através constatação das experiências imediatas:

“Uma nuvem,

Tentando envolver os raios de lua,

Banho das monções.”

“Nuvens de flores de cerejeira!

É aquele sino de templo em Ueno

ou Asakusa?”

“De todas estas árvores,

Em saladas, em sopas, em todos os lugares -

As flores de cerejeira caem.”

“Quietude

O som das Cigarras

Penetram nas rochas.”

“Em cada rajada de vento,

A borboleta muda de lugar,

No Salgueiro.”

‘Não procure seguir os passos dos homens de idade

Procure o que eles procuravam.”

“Não me imite

Isto é tão entediante

Como as duas partes de um melão.”

“O mar escurece

As vozes dos patos selvagens

São fracamente brancas.”

“No Aniversário de morte de Buda

Velhas mãos enrugadas duras oram

O som das contas de oração.”

“Luar inclinado

Através do bosque de bambu;

Um cuco chorando.”

Bashō deixou Edo pela última vez no verão de 1694, passando um tempo em Ueno e Kyoto antes de sua chegada em Osaka. Ele ficou doente do estômago e morreu pacificamente, cercado por seus discípulos. Seu túmulo está em Ōtsu (Otsu-shi), capital da cidade de província de Shiga. Muitos dizem que este seria o seu último poema:

“Doente em uma viagem;

Meus sonhos vagueiam

Sobre um pântano seco.”

Boa Reflexão.

Oss.

Traduzido e baseado em textos sobre os poemas de Mestre Matsuo Basho.

sábado, 18 de agosto de 2012

Cântico da Iluminação Imediata


































Mestre Yoka Genkaku ou Yongjia Xuanjue, nasceu com o nome de Hsuan Chueh, em 665 na região Chia Yung (na aldeia de Yongija ou Yoka para os japoneses) no sudeste da China, mais tarde esta passou a ser conhecida como Wenzhou. Enquanto ainda um jovem, Hsuan Chueh deixou sua casa, monge com a idade de vinte anos, praticava a meditação e estudava profundamente todas as correntes do Budismo assim como o Taoismo e Confunionismo .

Sabemos que recebeu a transmissão do Ch’an (Zen) de Mestre Eno (Tsao Chi Hui Neng), sexto Patriarca, quando se encontraram no Monte Sokei. Mestre Yoka mostra ao Patriarca como o apego a mente ainda pode estar presente mesmo naqueles que crêem tê-la transcendido. Em seus textos ele mostra que é normal sentir fome, frio, e dor;  que tudo que evoca memórias vivenciais passadas é um sinal de que estamos fora do momento presente e estamos aprisionados na mente. É como dizer sentir mais ou menos frio que os outros, mais ou menos fome que os outros; significa que é a mente daquele indivíduo que está condicionando o que está a sua volta à suas próprias experiências.

Quando Patriarca Eno pergunta a Yoka: "Mas o senhor vai partir muito rápido!"; o monge responde demonstrando que isto é um aspecto que a mente inseriu. Ele responde a Eno: "Como se pode ter rapidez, se o movimento não existe na origem?"; o Patriarca reconhece respondendo: "Realmente, se tudo é movimento ou não-movimento, isto é um problema de Consciência."

Mestre Yoka escreveu muitos tratados sobre a forma de poemas, sendo o mais famoso Shodoka (ou Sho Doka) e o seu poema o Cântico da Iluminação Imediata:

"Você conhece aquele homem tranqüilo,
Que anda pelo Caminho, além do aprendizado,
No estado da Não-Ação, sem evitar a Ilusão, sem buscar a Verdade?
Descobrir que a natureza real da ignorância é a própria natureza de Buda,
E que o corpo ilusório e vazio é o próprio Dharmakaya.

Com o despertar total para o Dharmakaya,
Não há mais qualquer coisa.
A fonte de todas as coisas, oriunda da própria natureza,
É o Buda em seu aspecto absoluto. (...)

Andar é Ch’an (Zen), sentar é Ch’an (Zen);
Falando ou silencioso, movimentando ou parado, a essência é a paz.
Mesmo ameaçada por espadas e lanças, a mente é serena;
Mesmo ameaçada por venenos, não se perturba sua calma. (...)

A meditação na minha humilde cabana é tranqüila e confortável.
Quando se desperta verdadeiramente,
Tudo é compreendido e nenhum esforço é mais necessário;
Não se pode encontrar esta liberdade no mundo da ação.(...)
O desperto não procura a verdade, não corta a delusão;
Ele percebe claramente que as dualidades são vazias e sem forma,
Mas esta não-forma não é vazia nem não-vazia.
Esta é a forma verdadeira do Tathagata.

A mente é um espelho que reflete a pura luz brilhante sem obstáculos,
Que penetra em todos os mundos, incontáveis como as areias do Ganges;
Nela são refletidas todas as coisas do universo,
Brilhando como jóias perfeitas, sem interior ou exterior.
A verdade não é necessariamente estabelecida;
O falso é basicamente vazio.
Ponha de lado a Existência e a Não-Existência,
E então o Não-Vazio é Vazio. (...)

A mente é um dos sentidos, as coisas são seus objetos;
 Dualidade é como poeira sobre o espelho.
Com a poeira removida, o espelho brilha;
Tanto a mente quanto os fenômenos são esquecidos,
A natureza manifesta sua Vacuidade. (...)

A Iluminação está além dos conceitos limitados do intelecto.
Não tente medir o Céu
Olhando através de um pequeno canudo de bambu.
Se ainda não teve a compreensão,
Este meu cântico é para você."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos Zen sobre Yoka Genkaku e Shodoka

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Arte da Espada e a Consciência






















Shissai Chozan Sensei reproduz o que aprendeu sobre o Caminho do Coração com seu Mestre Tengu, nos apontando como a prática nos conduz para a Consciência:

“Não se pode ver ou ouvir o Caminho, só se percebe um rastro dele; reconhecer aquilo que está por trás deste rastro, é o que chamamos de Intuição. Aprendizagem sem a percepção intuitiva é algo inútil. (...)

É o Ki que determina as formas através do Coração, sendo as funções do corpo reguladas por esta energia fluida. A parte imaterial de Ki é o Coração (Shin); possui em si o Principio Celestial e é superior a Ki. Em sua origem, o Coração não tem forma, som, cor ou odor, e só passa a funcionar através de Ki, permeando as esferas superiores e inferiores. Qualquer pensamento, mesmo ínfimo que seja, cai na esfera de Ki. (...)

As pessoas comuns ainda não cortaram as raízes de suas ilusões sobre morrer e viver; a Escuridão paira sobre elas, mantendo a Claridade distante. (...)  

A Arte da Espada é uma oportunidade de vitória e de derrota, é necessário cortar as raízes da Ilusão sobre a Vida e a Morte desde o inicio.  Porém, não é fácil cortar bruscamente as amarras destas ilusões, é necessário “exaurir” tanto Ki como o Coração através da prática desta técnica, esforçar-se para reconhecer o Principio da Vida e da Morte.

Exercitando-se intensamente adquire-se maturidade na técnica e o Ki se acalma, inserindo o Principio da Vida e da Morte no próprio Coração, já não existem mais dúvidas ou erros.
Quando mais nada bloqueia a Claridade dessa trilha única, os pensamentos ficam imobilizados, fazendo com que esta Claridade se estenda sobre o Ki; Ki agora se torna mais vívido, se difundindo no Coração, sem limitações pela forma. (...)

Quando existe um EU, também existe um oponente; sem existir um EU, é como fosse um espelho que reflete a parte boa ou má, sinceridade ou falsidade daquilo que surge diante do ser humano, até em seus mínimos pensamentos, é um reflexo imediato do que está acontecendo naquele instante. (...)

Se praticarmos com o Céu e a Terra, e com todas as coisas do mundo, como fazemos com a espada, destruiremos o que aprisiona a Claridade; o universo com toda a sua imensidão, se encherá de luminosidade e a ação do Coração será livre e ilimitada.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no texto de Shissai Chozan “Tengu geijutsu ron”.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Energia Ki e o Hara





















O kanji Ki representa algum tipo de energia fluída, onipresente e de natureza espiritual, provém de Rei (ou Tama, o kanji é o mesmo), que representa um plano divino ou da essência universal, na Antiguidade era considerado pelos orientais como a energia ou aspecto do espírito que se refere à força vital; permeia todo o Universo, sendo proveniente do cosmos e une todas as coisas como um todo. Esta energia une o físico com o espiritual, predispondo ao humor e ao pensamento interagirem com o mundo físico.

Este é um conceito-chave na cultura sino-japonesa que tem a tradução "sopro", "vapor", "exalação", "fluido", "influxo", "energia".

Nesta abordagem espiritual, Ki abrange todo o universo e as ligações entre os seres humanos como se fosse um único, em um organismo vivo, que circula dentro do corpo através de meridianos que se cruzam todos os "centro energético" chamada Seika no Tanden ou Hara no Japão (Tantien ou Dantian China. É, por conseguinte, presente em todas as manifestações da natureza.

Na cosmologia chinesa, o Ki  ou sopro original, precede a divisão binária do yin e yang, sendo a própria fonte dos dez mil wanwus, que compõem todos os seres do mundo. Ki parece que está em ação em todos os reinos vivos, aasim como no reino mineral: as nervuras de jade, em particular, são consideradas interagindo com as veias do corpo humano; os estratos geológicos das montanhas são suas manifestações macrocósmicas.

Ki é um kanji composto por dois radicais: Vapor e Arroz; com o significado original  de "vapor vital ou fluido vital"; representada como um fluído ou vapor carregado de energia de força vital,uma força fluída invisível que preenche toda a natureza e concede vitalidade aos seres vivos. Ki é definido em dicionários como "espírito", "mente", "humor”, mas é uma das palavras japonesas que não têm uma correspondência nas línguas do Ocidente. As traduções mais próxima na cultura ocidental, seria o termo grego Pneuma, a definição de ambos é muito parecida (Pneuma é definido nos dicionários como espírito aéreo ou sopro de vida, que os  antigos atribuíam ser a causa da vida e das doenças; já a palavra espírito, proveniente do latim spiritus significa princípio vital  ou o que dá vida, ao mesmo tempo definido como disposição da mente).

Osho alertou que através do Hara poderíamos “unificar” todos os centros de energia, e, disse:

“É que os indianos estudavam muito arduamente os Chackras, não dando muito enfoque ao Hara, pois como sua alma nunca morre, então por que se preocupar com um centro que só funciona como uma porta para as energias saírem e interagirem com outros corpos? (...)
Por causa deste sete centros, na India não se deu importância devida ao Hara, pois ele não estaria na mesma linha mas sim ao lado do Chakra Básico. (...)

Agitação em demasia, falta de concentração, lançar muita energia, torna-se perigoso pois a energia se acumula enormemente no Hara. (...) Se Hara está conscientemente controlado, a energia não irá esvair; daí sentimos uma grande estabilidade no centro de gravidade (centramento): o que é necessário para que a energia ascenda.(...)

O centro do Hara tem tanta energia que, se ela for corretamente direcionada, a iluminação não está distante. Portanto, essas são minhas duas sugestões: mantenha-se tão centrado quanto possível. Não se perturbe com coisas pequenas: alguém está zangado, alguém lhe insulta e você fica pensando nisso por horas. Toda sua noite fica perturbada porque alguém disse alguma coisa... Se o Hara puder segurar mais energia, assim, naturalmente essa imensa energia começa a subir. Há somente certa capacidade no Hara, e toda energia que se move para cima move-se através do Hara; mas o Hara deve estar bem protegido.(...)

A segunda coisa é que você deve trabalhar sempre pelos centros mais elevados. Por exemplo, se você fica zangado com muita freqüência você deve meditar mais sobre a raiva, para que essa raiva desapareça e essa energia se transforme em compaixão. Se você é um homem que a tudo odeia, então você deve se concentrar no ódio; medite sobre o ódio, e essa mesma energia se transforma em amor. Prossiga movendo-se para cima, pense sempre nos degraus mais altos, para que você possa alcançar o ponto mais elevado de seu ser. E não haverá nenhum perda de energia pelo Hara.

Boa Prática.
Oss.
Baseado em textos sobre o Ki e “The Golden Future” de Osho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Meditação e a Vacuidade





























Shunryu Susuki Sensei nos convida a abandonar todas as nossas idéias preconcebidas, tanto da substancialidade como da existência; além de avaliarmos o conceito de que tudo o que vemos e ouvimos é o que realmente exista, pois devemos considerar a Existência e a Não-Existência.

Sensei nos explica:

 “Dizemos que a verdadeira existência emerge da Vacuidade e retorna à Vacuidade. O que emerge do vazio é verdadeira existência. Devemos atravessar o portal do vazio. (...)

Enquanto tivermos alguma idéia definida ou alguma esperança acerca do futuro, não podemos levar realmente em consideração o momento que existe agora mesmo. (...)

Mas não há trajetória que exista permanentemente. Não há uma trajetória estabelecida para nós. A cada novo momento, temos de encontrar nossa própria trajetória. Qualquer idéia de perfeição, ou de trajetória perfeita estabelecida por outrem, não é o verdadeiro caminho para nós.

Cada um de nós deve fazer seu próprio caminho e, quando o fazemos, esse caminho expressar o Caminho Universal. Eis o mistério. (...) Para sermos independentes nesse sentido verdadeiro, temos que deixar de lado tudo o que temos na mente e descobrir algo de novo e distinto, momento após momento. (...)

Por isso dizemos que a verdadeira compreensão emerge do vazio. (...) Se você procurar a liberdade, não pode encontrá-la A própria liberdade absoluta é necessária para se obter a absoluta liberdade. (...)

Concentração significa liberdade. Portanto, seu esforço deveria ser dirigido ao nada. Você deve se concentrar no nada. Na prática do Zazen, dizemos que sua mente tem de estar concentrada na sua respiração, mas a maneira de manter sua mente na respiração é esquecer tudo a respeito de você mesmo e apenas sentar-se, percebendo sua respiração. Concentrando-se na respiração, você esquecerá a si próprio, e esquecendo-se de si mesmo, se concentrará na respiração. Não sei o que vem primeiro. Na verdade, não há necessidade de se esforçar muito para se concentrar na respiração. Simplesmente, faça o que lhe for possível. Se continuar com essa prática, você experimentará a verdadeira existência que emerge da Vacuidade.”

Boa Prática.

Oss.

Baseado no texto de Shunryu Suzuki Sensei sobre a Vacuidade, em “Mente Zen, Mente de Principiante”.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Espada e o Caminho do Coração


















Este autor, Shissai Chozan, redigiu a obra Tengu geijutsu ron, a qual atribui aos ensinamentos recebidos  das figuras míticas denominadas Tengu.  Esta obra no mostra a relação da prática, do Coração Shin e da energia Ki. Segundo Bruno Tamietti, descrevendo uma palestra de Monja Coen Sensei, sobre este tratado escrito no século XVIII:  

“Transmitindo o Zen pela espada e a espada pelo Zen, sensei nos fez sentir este uno, nos fez sentir com todo o coração a nossa prática, a nossa vida.”

Mestre Shissai Chozan diz:

“O Homem é um ser em movimento. Quando ele não se move na direção do bem, ele se move para o não-bem. (...) O que permeia as mais variadas transformações e nunca cessa é o seu Coração. (...) E quando compreende e alcança a essência da Prática do Coração (Shin), torna-se um discípulo do Grande Caminho (Tai Do)”.

O Mestre foi ao Monte Kurama, permanecendo dias em meditação, quando recebe estes ensinamentos, nos indicando os aspectos do Coração (Shin):

“O Grande Principio não tem forma, sua função se faz pela atuação do instrumento. Sem tal instrumento não se pode perceber o Grande Principio. O desdobramento divino da Unidade Primordial veio através da mutação do TAO, e principio celestial do coração humano se comprova através de sua sensibilidade às quatro Virtudes. (...)

A espada é destinada ao combate, vitória ou  derrota; porem, quando se atinge a sua essência, se reconhece a maravilhosa natureza do Coração. (...)

Mesmo possuindo um coração forte, o homem não conseguirá executar tal função se ainda não tiver alcançado a maturidade na técnica, que é praticada através do Ki; Ki este que determina a forma através do Coração. (...)

Assim, como conseqüência do aprimoramento da técnica, o Ki torna-se harmonioso;  o Grande Principio que é inerente, revela-se. Quando o ser humano percebe isto em seu coração, sem dúvida e de modo sincero, técnica e Grande Principio se fundem: O Ki é concentrado, o espírito pacificado e as ações se encadeiam simultânea e espontaneamente. ”  (...)

Mais adiante lhe foi dito:

“(...) A forma segue o Ki e o Ki segue o coração; quando o coração está imóvel, a energia Ki assim está; quando o Coração está pacificado, Ki está harmonioso e a técnica se faz espontânea e naturalmente.

Mas, se o Coração é habitado pela Ira, Ki é bloqueado, assim como mãos e pés não conseguem cumprir suas funções. Se o Coração depende de repetição de técnicas, Ki se inibe, perde a harmonia e equilíbrio. Se o ser humano se dedica obstinadamente à técnica e ao vigor, seus resultados serão fracos e inúteis. (...) Aquele que se refugia no conhecimento na mente, se sujeita a grandes danos. (...)

A Arte da Espada é a via natural do Coração, sem manter um padrão ou forma, pois tudo o que possui forma, não é natural, não vem do Coração. O Ki assuma forma logo que aparece o menor dos pensamentos e seu adversário golpeia tudo aquilo que toma forma.  O Coração liberto das emoções, é liberto das formas e se torna cheio de vida,  com  Ki harmonioso; ele é naturalmente forte sem utilizar a força.” (...)

E lhe é ensinado que:

“É errado acreditar que ‘o Vazio do Coração’ é apenas vazio (ausência), assim como crer que a lentidão seja a Harmonia.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados em textos sobre Shissai Chozan Sensei, sobre a Via do Coração e palestras de Monja Coen.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Mente e o Caminho
















Bodhidharma disse que o Caminho é a visão clara da natureza do Ser, assim designado como "shin" ou "kokoro". Porém definir como "mente" dá uma conotação intelectual, definir como "coração" é emocional, definir como "alma" é algo que dificulta a compreensão. A Mente (com M maiúsculo), está além destas três definições anteriores. 

Bodhidharma disse que quando percebemos esta Mente, alcançamos o estágio de Anjin ou “Mente Pacificada”.

 Para Shinran Zenji, este estágio é o “Shin Pacificado” que apresenta aspectos que o próprio Inoue Doshu indicava aos seus Deshii; com mente sincera e profunda, além da prática sincera. Que a prática fosse sincera e única, sem a necessidade de excesso de vigor

Bodhidharma diz que devemos exercer a concentração no momento presente e no que se fixa diante de nós, como método para ingressar na morada de todos os pensamentos, que está atrás  do “véu que recobre a fonte de todos os pensamentos”.

Qualquer que seja a abordagem, escutar o Coração (Shin), é a forma de ficar no Caminho (Tao, Do).

Sobre este tema, Carlos Castanheda escreveu:

“Qualquer Caminho é apenas um caminho e não é insulto,

Tanto para ti como para os outros, abandoná-lo quando seu coração assim o diz. (...)

Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui este caminho um coração?

Caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não tem importância alguma. ”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre o Zen e entrevistas de Inoue Doshu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Movimento da Mente
























Mestre Inoue foi perguntado, em uma entrevista de como as ações acontecem, como as coisas e pessoas se manifestam.

Ele respondeu que as pessoas atribuem a lugares ou a determinadas praticas, valores e energias; porem que tudo não passa de “movimentação da mente”, não tem “este ou aquele movimento”, é a mente que atribui este aspecto, ela que se “movimenta”.

É a mente que cria “as formas e formulas” que todos procuram, mas ignoramos que não precisamos delas e nem podem ser ensinadas, por tudo está no interior de cada um; este era o ensinamento.

Inoue Doshu nos mostra que tudo é criado pelo movimento, coisas são criadas pelo movimento; e estas coisas são criadas enquanto o movimento persiste, criação através do movimento e do fluxo da Realidade. Nada pode ser ensinado ou copiado, a descoberta se faz através da prática e da experimentação.

Inoue Sensei nos leva a refletir sobre o que Mestre Wumen Huikai  (Mumon Ekai Zenji), escreveu na coletânea de koans  “O Portal sem Portal”, aonde encontramos o seguinte:

“Dois homens discutiam sobre uma flâmula que tremulava ao vento: 

- É o vento que está se movendo! - afirmou o primeiro. 

- Não, é a flâmula que se move! - contestou o segundo.

Mestre Dajian Huineng (Daikan Enō Zenji,) que passava por perto, os interrompeu dizendo: 

- Nem a flâmula nem o vento se move, é a mente que se move.”

Porem Mestre Wumen Huikai  escreve ao final:

“O vento não se mexe, nem a flâmula se mexe, tampouco é a mente que se mexe.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em entrevistas de Inoue Doshu e Textos Zen.

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