Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Os Três Samurais

































Existe um conto da Tradição muito interessante, que demonstra como o praticante encara o cotidiano, se ele está no momento presente, unificado ou se está na dualidade (eu e o outro, ação e pensamento, etc.).

No meio de uma floresta, existia uma cabana que estava abandonada fazia tempo, perto de um caminho. Devido a sua localização dentro da floresta, as pessoas passavam por ali no cair da tarde, podendo ser um bom abrigo para passar a noite.

Certa vez, um bandido perigoso resolveu se instalar na cabana e roubar que ali entrasse pedindo abrigo. Reformou e colocou tudo novo, e sempre no final do dia, cozinhava arroz para atrair as vítimas.

Um dia, um Samurai chegou ali cansado e faminto, vendo a cabana nova e sentindo o cheiro do arroz, foi entrando sem pensar na hipótese de haver perigo. Bateu na porta, pensando em quais regras de etiqueta iria seguir para conseguir comer os bolinhos de arroz. Imediatamente, o ladrão, que estava escondido atrás da porta, fere-o e abandona-o no meio da floresta após roubá-lo.

No dia seguinte, outro Samurai chega ao fim da tarde, e resolve entrar na cabana. Como era um guerreiro de muitas batalhas, assim que entrou, percebeu o perigo e o pôs o bandido para correr. Comeu o arroz e foi embora.

No terceiro dia, um terceiro Samurai passa diante da cabana, mesmo cansado e com fome, decide não entrar; pressentiu algo diferente, uma sensação de perigo e continuou sua jornada. Só parou num lugar que percebeu como seguro e agradável: ficou em contemplação.

O primeiro Samurai, vivia apegado ao mundo das aparências e da matéria; com a mente embotada por acreditar em existir necessidades e exigências, sendo atraído pela sugestão da ação de satisfazer tais necessidades e exigências. Geralmente se cerca de regras e tenta seguir a todas, perdendo o contato com o Fluxo da Realidade, pois fica focado em resolver imediatamente uma imposição ou “necessidade”; aqui ele quer comer e tem que ser imediatamente, e se desconecta do todo. Era uma vítima das tradições e condicionamentos sociais; e certamente dependente deles.

O segundo Samurai, vive no esforço, com a mente sempre alerta, os sentidos a flor da pele para não ser surpreendido, esta é sua interpretação do mundo que o cerca, pois foi assim que sobreviveu a tantas batalhas. Vive uma existência limitada a sempre se impor sobre os outros, porém por mais hábil que seja, sabe que um dia encontrará alguém que poderá derrotá-lo; este é seu receio. Ele está sempre fixado na prática, nos estudos filosóficos, nos ensinamentos, tenta controlar o meio que o cerca; vive no mundo da razão e ignora o Fluxo de Realidade.

O terceiro Samurai, não precisou lutar ou ficar em alerta, pois está sempre no instante presente, ele é o próprio mundo, percebe o Fluxo de Realidade em si. Alguns dizem que é intuição, porem ele é livre, por não ter apego a conceitos e aparências, não tem medo da falta, não tem medo de nada, pois não precisa provar a sua maestria. Muitos vão dizer que ele obteve uma “vitória sem luta”; mas para ele não existiu luta, tampouco vitória; ele apenas é parte integrante da situação viva.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em contos da Tradição Marcial.

Um comentário:

  1. Muy interesante reflexión, hay que trabajar para llegar a ser como el tercer samurai, gracias Ricardo

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