Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 28 de julho de 2012

A Energia Ki e Respiração






























Como sabemos, todas as práticas sejam passivas ou ativas, japonesas e chinesas se baseiam em três centros de energia (Tanden, Tan t’ien), recomendando foco neles e na respiração.

Shita Hara,é a aplicação prática do estudo de Hara e sistemas de energia; da  região situada a três dedos abaixo do abdome, que se expande entre o plexo solar e o púbis. Em chinês Tan é aonde se aloja a essência de energia,  e T’ien é o centro de produção desta energia; Tan t’ien possui o significado de “área vermelha”, expressando esta concentração de energia.

O trabalho respiratório do Hara no Tanden (Shenque) leva a uma interação deste diafragma inferior com o grande diafragma, aonde se aloja o plexo solar. É descrito nos tratados médicos orientais haver uma discreta “massagem” sobre vasos, órgãos e vísceras abdominais, além de promover uma melhora da circulação do sistema linfático. Neste estudo, observa-se que a área do períneo (Huyin, Ein) participa ativamente da respiração do Hara, e com o tempo de prática, passa-se a observar pulsação desta área, levando ao equilíbrio energético e postural.

Nos textos japoneses, a respiração é atraída para dentro do Hara; respiração e Ki são funções que atuam no sistema neurovegetativo, mas não são sinônimos, a técnica da respiração estimularia a transmissão de Ki;  consideram Ki como sendo mais metafísico , relacionado a processos fisiológicos e psicológicos.

Textos chineses consideram Qi como uma função fisiológica em si e por si, respiração e Qi são funções quase sinônimos; Qi viaja para baixo no canal a frente da coluna, de Yintang, até Huyin (Ein) quando iniciada a respiração. 

Quando se harmoniza, no tórax com Naka no Tanden  (Thanzong),  aonde está o timo; aumentam as repercussões sobre o organismo. Observa-se interação da área do pescoço (Qimen) dos três Tanden; nesta área cervico-torácica estão os primeiros gânglios do sistema neurovegetativo, do tronco cervical simpático que nasce na base do crânio.

Com a integração de Kami no Tanden (Yingtang), situado entre as duas sobrancelhas, a energia ascende ao topo do crânio (Hyakue,Tianling Xue), harmonizando com o Universo; é a sede da hipófise, hipotálamo e pineal.

Textos orientais antigos mostram relação da respiração diafragmática e o aumento no teor de oxigênio no sangue, aumentando o desempenho físico. Os estudiosos colocaram em prática métodos para harmonizar com o Ki, visando uma busca do potencial humano, o que nós realmente somos capazes. O Ki ou Qi não é algo místico ou idealizado, é algo que pode ser sentido e experimentado, "que sentimos, mas não podemos explicar"; como afirma Takashi Nakamura Sensei:

“Tudo no Universo vive pelo Ki (...), assim como o corpo humano é constituído de substância, a própria substância é controlada pelo Ki.(...)  Em outras palavras, Ki é a energia vital desconhecida.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Medicina Chinesa, Terapias Japonesas e Orgonomia.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Acalmar Mente e Espirito.































As práticas denominadas Chinkon Kinshin,  provenientes do Koshinto (Xinto Antigo), parecem ter sido introduzidas no periodo de renovação das tradições, no início do século 20 por Kawatsura Bonji e Deguchi Onisaburo (fundador da Omoto Kyo).

O termo Chinkon significa “acalmar a alma, acalmar o espírito”, enquanto Kishin significa “retornar ao kami”; lembrar que o significado de kami nos leva ao conceito de tudo que é digno de veneração, tudo o que possa nos maravilhar, logo todo ser humano possui esta divindade me si.

Todas estas práticas visam nos levar a um estado que transcenda ao Ego, chegando ao Ser Verdadeiro, a dimensão da Não-Dualidade; na concepção desta prática, Ego e Ser Verdadeiro não entram mais em conflito, são as duas faces da mesma moeda.

Isto só pode ser feito através da meditação, pois o Ego normalmente vive em conflito, não conseguindo perceber e ouvir o Ser Verdadeiro. A meditação nos leva a dimensão da escuta silenciosa que pacifica a mente, levando a “unificação do Kami com o ser humano e o significado das técnicas só podem ser descobertas por cada um”, como ensinava Ueshiba O-Sensei.

Geralmente está meditação é feita após os  exercícios para o fluxo de ki  como descrito no texto xintoísta Kami no Michi (Furitama, Torifune, Ibuki Kokyu, Okorobi, Otakokebi, etc.); senta-se em postura ereta com as mãos formando um mudra: Cósmico, Gassho ou Sabre Celeste. As mãos ficam diante do Hara no Tanden, e permanecemos em assim por cerca de 20 a 30 minutos; para os iniciantes recomenda-se de 5  a 10 minutos. Com o tempo de prática, as mãos são colocadas diante de Naka no Tanden.

Termino com este poema de Ueshiba O-Sensei:

“Atingido pelo coração verdadeiro (Makoto),

Treine e aprofunde sua compreensão nele

Resoluto na unicidade deste mundo

E do mundo a seguir. (...)

Confia tudo ao fluxo da Consciência Divina Celestial,

Sopro do Céu e da Terra,

Verdadeiro homem,

Utilizando plenamente a mente de Deus.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Reiki, Xintoismo e Morihei Ueshiba O-Sensei.

domingo, 22 de julho de 2012

A Energia Ki e o Tanden dos Olhos
















Localizado entre as sobrancelhas, por muitos denominado como o terceiro Chakra (ou “terceiro olho”), o Kami no Tanden( Jo Tanden ou Tanden Superior) tem a capacidade de gerar energia e influenciar os demais centros energéticos, atuando como a mente que tudo observa. Relacionado ao córtex cerebral, o cérebro cognitivo, este Tanden está ligado à memória e ao aprendizado, também denominado como o Tanden da alma e da sabedoria espiritual.
Tradicionalmente, este Tanden é relacionado com as glândulas pituitária e pineal; a primeira é considerada a glândula mestra do sistema endócrino e a segunda ao ciclo da melatonina, ambas controlariam os ritmos dos hormônios e dos órgãos (o Ciclo Circadiano).

No Budo, a glândula pineal é considerada a “Porta ou Ponte para a Morada Celestial Divina”, que faria a conexão desta dimensão (ou mundo) à próxima dimensão. Certas Escolas Marciais recomendam que na prática, seja ativa seja passiva, quando inalamos  devemos “perceber” o ki partindo do Hara no Tanden, alcançado tanto Naka no Tanden como Kami no Tanden; com isto alcançaríamos outro patamar de consciência e de energia.
Esta energia produzida por este Tanden nos preenche de paz e plenitude, desde que saibamos cultivá-la, por isso se recomenda a prática da meditação;  na Tradição encontramos a frase “Uma mente vazia é um coração cheio”.
Quando alcançamos este estado de plenitude, a mente se encontra esvaziada de pensamentos e conflitos, o coração pleno de energia ki para ser compartida com os outros órgãos e estruturas vitais. Quando neste nível, o indivíduo passa a “partilhar” este aspecto da energia ki com os que estão a sua volta.
Osho nos diz que a busca pelo oposto termina no Tanden do Coração, e a partir do chackra laríngeo, que é a transição para o Tanden Superior, é que começamos a busca pelo Não-Dual.
No Kami no Tanden, afirma Osho, experimentamos o significado do “vazio do qual saltamos do ser para o não ser. (...) aquilo que era “eu” está extinto, aquilo que era “sou” está extinto, mas agora novamente penetramos no ser, ao ser uno com o todo.”
É importante lembrar que o Tanden do Coração está em harmonização com Kami no Tanden e Hara no Tanden. Esta prática é, segundo Mitsugi Saotome Sensei, "que busca auxiliar a união da pessoa com o Espírito Universal e ajudá-la a compreender sua missão divina, que é a meta a ser atingida."
Boa Reflexão.
Oss.
Baseado em artigos sobre Budo, Reiki, de Mitsugi Saotome Sensei sobre a Iluminação e de Osho em “Mistérios Desvendados”.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Energia Ki e o Tanden do Coração


























Após harmonizarmos o Hara no Tanden com Naka no Tanden ( correspondendo ao chakra do Coração); o praticante já começa a experimentar outros “aspectos” de Ki e da Consciência. Em japonês, o kanji que representa o coração tem duas pronuncias: Kokoro e Shin. Geralmente a pronuncia kokoro se refere ao coração órgão, ao músculo; já o Shin tem outra conceituação.

Quando se transcende o aspecto mente material, chegamos ao Shin. Quase todos os sentimentos em japonês levam este kanji; aspectos relacionados a mente também, por exemplo: Mushin (mente vazia), Mushin no Shin (a Não-Mente), Zanshin (estado de atenção relaxado), Jinshin (Natureza Humana), Muga Mushin (O Not-Self, O Não-Dual) e Kansha (Gratidão).

Como só podemos sentir através do coração, até a palavra Nen (Sentimento) tem shin em sua parte inferior, a parte superior é o “Agora”. No Budismo esotérico, diz-se que Nen é a tradução do termo em sanscrito “smriti”, que tem um significado parecido com:  “ aonde o coração reside” ou “memória do coração”.

Por isso, se estamos totalmente imersos no Coração, ficamos repletos desta energia, passando a ter nossa atenção no Amor existente no Coração dos outros seres viventes, alcançando uma dimensão aonde só existe o Amor e Compaixão; esta seria a via para a Iluminação.

No Zen a transmissão é feita por “I Shin den Shin”, de um coração-mente-espirito para outro coração-mente-espirito.   A pratica de meditação (sesshin) é uma palavra composta pelos kanjis  "toque" e "coração". Interessante observarmos que o Kanji para “luz ou visão”, quando acrescido de Shin, se transforma no kanji que significa “Estase Espiritual, Amor Divino”. Muitos acham que este kanji possui a aparência de uma pessoa sorrindo, sugerindo semelhança com o sorriso do Desperto, do Buda.

Segundo Gleason Sensei, Shin tem o primeira traço que representa a capacidade inata ou instinto, o segundo que representa a abertura total da autoconsciência (a tela na qual projetamos nossas imagens); o terceiro e o quarto traços representam o espaço tempo, intercâmbio entre corpo e mente, consciência objetiva e subjetiva.

Quando alcançamos esta consciência, atingimos a dimensão na qual todas as oposições são unificadas: este é o Caminho do Amor e da Compaixão.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos de Zen, Reiki e de W. Gleason Sensei.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Energia Ki, Meditação e Respiração

























A conceituação de Ki (Qi, Chi, Prana), mesmo que muito conhecido pelas culturas orientais, é muito difícil de encontrar uma definição razoável em qualquer língua; encontramos a denominação como energia essencial, energia vital, etc. Ele está no sangue, no alimento, no ar que respiramos, no vento, no fogo, na água, no cosmos, ou seja, ele é universal.

Mestre Chuang Tsai disse: “Quando o ‘Chi’ (Ki) se condensa, sua visibilidade torna-se evidente de modo que a forma passa a “existir” (coisas, objetos). Quando se dispersa, sua visibilidade não é mais evidente e não há mais forma. No momento de sua condensação, podemos dizer que não seja algo temporário? E, no momento de sua dispersão, podemos afirmar que se torna, então, não-existente?”

Esta energia que dá origem à toda Realidade Manifesta, como bem explicavam Ueshiba O-Sensei e Inoue Doshu. O universo físico oriental constitui um todo perfeitamente contínuo. Os objetos, formados pela condensação do Ki dependem, em última instância, da alternância rítmica de todos os níveis das duas forças fundamentais, yin e yang. Os objetos, com seu ritmo intrínseco, estão integrados no padrão geral da Harmonia ou Ritmo do Universo.

Através de exercícios respiratórios e outras práticas, facilitamos a Harmonização e circulação do Ki pelos Tanden (ou chakras) e pelos canais da coluna; o Ki é o mesmo, porem conforme ele vai ascendendo da base para os chakras superiores, ele vai apresentando diferentes aspectos. As praticas seriam para não deixar o Ki estagnar, como fala uma figura de linguagem antiga: “Assim como a água, se a energia fica estagnada, começamos a ter miasmas e aspectos desagradáveis.”

Ueshiba O-Sensei dizia que o Ki permeava cada porção de nosso corpo e que “a força reside aonde Ki está concentrado e estável; a confusão e a malevolência reinam aonde o Ki está estagnado”.  Esta estagnação se faz devido a ancoragens e bloqueios, segundo W. Reich.

O praticante deve ter consciência de sua respiração e da sua movimentação, o Hara no Tanden é o ponto de partida, porém ele não é o fim do Caminho; fixar-se nele nos impede de alcançarmos os Tandem superiores, deixando de experimentar outros “aspectos”do Ki.

Quando na prática ativa, devemos estar conscientes de todos os Tanden (chakras), assim como em suas projeções nos pés e mãos. Funakoshi O-Sensei pedia à seus discípulos de Waseda para deixarem o chão quente abaixo de seus pés, que tivessem foco na energia.

Através da pratica (ou meditação ativa) e com a meditação passiva, possibilitamos a integração dos Tanden.  Kawanabe Sensei aprendeu a atuação de Ki e respiração com Inoue Doshu e Okuyama Sensei; sempre expressando os dois apectos de Ki:  mental e físico, o mental manifesta-se fisicamente sob a forma de respiração.

Boa Prática.

Oss.

Baseados em artigos sobre Ueshiba O-Sensei, Inoue Doshu, Kawanabe Sensei e Tadao Okuyama Sensei.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hara, Respiração e Postura
















Li a versão inglesa de um artigo que chama atenção como o método de respiração afeta o Hara no Tanden e do centro de gravidade; atuando na saúde e postura.

Devemos lembrar, que para os praticantes do Wushu, Qigong e outras praticas orientais, existe o conceito que o Tanden constitui um cuidado de saúde, obtido através do trabalho consciente neste ponto. Interessante observar que para chineses e japoneses são três centros de energia, enquanto os indianos falam em sete e os tibetanos em seis. Porem, no sistema sino-japonês o Tanden tem suas subdivisões; no caso do Hara ele é dividido em parte inferior que está no períneo, correspondendo ao chakra básico, a parte central que vai até o que corresponde ao terceiro chakra.

O Tanden utilizado por esta pesquisa foi localizado na profundidade do que foi designado como “fundo do Tanden do umbigo”. No entanto, a partir do "Kichin-Tanden", que é uma das formas para a prática de técnicas de respiração, o centro de gravidade é concebido para mover-se pelo método de respiração, e investigada a relação entre a posição Hara no Tanden e do centro de gravidade; foi observado se haveria alguma alteração devido ao método de respiração. 

Observou-se existir uma grande diferença entre um praticante experiente e uma pessoa inexperiente. Uma maior possibilidade de que o centro de gravidade estava de acordo com o método de respiração consciente abdominal foi provada, segundo os autores.

Outro artigo diz que através da "mente abdome Shen" (o abdome que sente e guarda as emoções como o medo) pode-se  observar um "movimento natural com sentimento, sem desconforto".  Com esta integração você pode abrir o portão para o plexo solar (visto como Portão da Vida), causando um sentimento de bem estar. Coincidentemente vai deixar o quadril naturalmente solto.

O autor alerta que no abdômen estão guardados sentimentos de nossos primeiros anos de vida, muitas vezes sensações desagradáveis escondidas, que impedem a energia de progredir para os Tanden superiores.

Como é explicado em várias Escolas de Terapias Corporais, estas emoções levam a bloqueios musculares e diafragmáticos, que são expressados através da postura corporal. Como, dentro desta linha de pensamento dos autores, a porção superior do corpo se “apoiaria” no Hara no Tanden; o trabalho respiratório deve ser consciente, com a participação conjunta de abdome e tórax.

Boa Prática.

Oss.

Baseados em artigos sobre Qigong, Wushu, e Terapias Corporais.

sábado, 14 de julho de 2012

O Som Primordial














Kototama (ou Kododama), em japonês quer dizer: “palavra-espirito”, “palavra-alma”, como manifestações da Existência, segundo John Stevens Sensei. Durante anos li muitos artigos e livros que falam sobre este assunto, em especial sobre esta prática por Morihei Ueshiba O-Sensei, que sempre a recomendava e ensinava; sendo que John Stevens Sensei e William Gleason Sensei divulgam os Ensinamentos de O-Sensei.  Gleason Sensei escreveu :

“O Som Silencioso do Kototama é a causa da vibração, e não o efeito. Em sânscrito, é este Som Primordial que cria a forma do Universo, é pronunciado Aum. Ele é a manifestação da Força Onipresente. No Cristianismo, é a palavra Amém. No Xintoísmo, ele é chamado Aum no Kokyu e é simbolizado pelos leões sentados em cada lado da entrada (torii) de um santuário xintoísta.

O leão da esquerda tem a boca aberta, simbolizando a expansão infinita (A), a energia da espiritualização (yang). O leão da direita tem a boca fechada, simbolizando o mundo manifesto (yin) que carrega a consciência universal (Umn). (...)
A mente intuitiva, o começo da consciência, é chamada Omou. O-Sensei chamou-a o inicio da dança dos deuses (Kagura Mai). Na tradição hindu, isto é conhecido como o Som Primordial, Aum. (...)

O kanji para “som é lido como OM o equivalente chinês de Aum. Ele é composto pelo kanji “fixar” ou “erguer” (tatsu), que se refere ao campo eletromagnético da vida, e pelo kanji “sol”, que tembém representa o mundo tetradimensional do espírito. O significado global é “aquele que fixa o espirito e a alma”. À medida que nosso discernimento melhora, somos levados pelo nosso campo de energia a ficar numa posição física e mentalmente ereta. (...)

A dimensão E, do discernimento levanta-se para fundir-se com a nossa origem espiritual, a vontade vivificante. Na Yoga, isso é chamado “Fogo da Kundalini”. O corpo fica relaxado e ereto, apoiado naturalmente nos quadris. No Budo, as palavras que designam um Mestre da Arte são Tatsu Jin: “aquele que permanece ereto”. (...)

Tudo o que flui através de nós, a nossa própria vida, é Amor Divino. Usamos essa energia divina pondo em funcionamento as rodas da Criação de Mudanças, tanto positivas quanto negativas.”

Termino com as palavras de O-Sensei Ueshiba:

“Quando os nossos sentimentos se afastam do Amor Divino e do Saber Divino do Criador, não estamos realmente praticando o Aikido. (...)
O homem, enquanto parcela do Grande Espírito Universal, já deveria saber o que fazer.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no artigo de William Gleason Sensei “Kototama: O Mundo do Ki”.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Não-Mente do Guerreiro por Osho
























Osho tem uma visão muito interessante da figura do Guerreiro (Bushi), que foi se perdendo através dos tempos:

“Ser um guerreiro não significa ser um soldado – isso é uma qualidade da mente. Você pode ser um homem de negócios e ser um guerreiro; você pode ser um guerreiro e ser um homem de negócios. O homem de negócios é uma qualidade da mente que é estar sempre barganhando, tentando dar menos e ganhar mais, sempre pensando em obter lucro. Um guerreiro também uma qualidade da mente, (...) – uma mente descompromissada.

Se um homem de negócios pensa em iluminação, ele pensa como uma mercadoria como outras mercadorias. (...) Mas a iluminação é sempre a última da lista, quando tudo já estiver sido feito, quando não houver mais nada para ser feito. (...) Mas os homens de negócios sempre pensaram desta maneira. Eles doam para obter algo, eles constroem templos para obter algo. (...)

Um guerreiro não está atrás de ganho, um guerreiro está atrás do máximo, o máximo em experiência. (...)

O guerreiro enfrentava, deparava com o inimigo, cara a cara. Apenas imagine duas pessoas com espadas em punho se deparando uma com a outra; elas podem pensar? Se elas pensarem, elas falharão. O pensamento pára, quando as espadas são empunhadas, o pensamento pára. Elas não podem planejar porque se planejarem, naquele momento, o outro golpeará. Elas se movem espontaneamente, elas se tornam não-mentes. (...)

A Mente de um Guerreiro diz:"O conhecido já é conhecido, não há nada nele, se tornou um fardo e carregá-lo é inútil. O desconhecido deve ser conhecido agora, e eu devo arriscar o conhecido pelo desconhecido".  (...)  Para se mover nessa escuridão, se mover num lugar desconhecido sem qualquer mapa e sem qualquer atalho, se mover sozinho para dentro do absoluto. é necessária a qualidade de um guerreiro.

Isto é o que eu me refiro por qualidade de guerreiro: a ação vem sem pensamento, a ação é sem mente; a ação é total. 

Você pode se tornar um guerreiro sem ir à guerra, não há necessidade de ir à guerra. (...) O grande guerreiro não tem nada a ver com a guerra. Ele não tem nada a ver com a luta. Ele tem a ver com algo dentro de si. E não é uma luta, embora traga vitória; não é uma guerra, não é um conflito.


Mas você tem que ser um guerreiro porque você tem que estar muito alerta, exatamente como um guerreiro. ”

Boa Reflexão.

Oss.

Trechos de “O Livro do HOMEM” de Osho.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Meditação Samurai por Osho





















Muito se escreve sobre meditação e iluminação, porém Osho lançou um olhar muito interessante sobre a prática da Arte Samurai.  Analisa os conceitos do Budo que visam, através da prática, levar a Harmonização com o Universo e ao Despertar, ele percebe isto de uma maneira muito clara:

“Foi assim que, no Japão, o mundo Samurai saiu da meditação e todos os tipos de Artes Marciais se tornaram o Caminho para a Paz Interior. A relação entre o homem e a espada se tornou uma das coisas mais meditativas no Japão. Você tem que estar muito alerta, porque, um único momento de inconsciência, e você está acabado.

O verdadeiro esgrimista torna-se tão alerta que antes que o outro ataque, ele já sabe. Antes que o pensamento de ataque passe pela mente do inimigo, ele já se preparou. Ele está pronto. Seu estado de alerta se torna tão profundo que ele começa a ler os pensamentos do outro. É dito que quando dois verdadeiros Samurais lutam, ninguém pode vencer. A luta pode continuar, mas ninguém pode vencer porque ambos estarão lendo a mente um do outro. E antes que você ataque, o outro está pronto para defender.

A relação entre o homem e a espada tornou-se uma das maiores fontes de iluminação. Parece estranho, mas no Japão se tem feito muitas coisas estranhas. Da cerimônia do chá à utilização da espada, tudo se converteu em meditação. De fato, a vida pode ser transformada em meditação, porque meditação simplesmente significa tornar-se mais consciente.
Assim vá para dentro de si mesmo e esteja mais consciente. Um dia a vitória será sua – isto é absolutamente certo. Você só tem que cumprir a condição: esteja totalmente consciente. ”

Existe um quadro de um Samurai que armado, está calmamente tocando um instrumento musical. Esta pintura é para demonstrar a plena consciência do momento presente, ele toca a melodia com perfeição e no instante seguinte pode estar pronto para usar a espada; ele não se afasta do mundo para adquirir este estado de consciência.

Osho continua:

“Meditação pertence ao Coração, não a mente – não é lógica, está próxima ao Amor. (...)

É uma aptidão – você pode ter ou pode não ter. Uma aptidão não é uma ciência, não pode ser ensinada. Uma aptidão não é uma arte. Uma aptidão é a coisa mais misteriosa para a compreensão humana. (...)

Se o homem já não tiver algo em seu Coração – uma pequena semente – então é impossível para ele. Ele pode aprender a técnica, ele pode aprender a Arte. Mas se não existe aptidão, ele não vai ter sucesso. (...)

Todo Caminho é individual e pessoal. Assim, as experiências de uma outra pessoa não irão ajudá-lo; pelo contrário, talvez estejam prejudicando. (...)

Não faça da meditação um hábito. Deixe estar viva. (...)

A Meditação é um salto: da cabeça para o Coração, e por último, do Coração para o Ser. ”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Osho em “O Livro do HOMEM”

terça-feira, 10 de julho de 2012

Os Três Samurais

































Existe um conto da Tradição muito interessante, que demonstra como o praticante encara o cotidiano, se ele está no momento presente, unificado ou se está na dualidade (eu e o outro, ação e pensamento, etc.).

No meio de uma floresta, existia uma cabana que estava abandonada fazia tempo, perto de um caminho. Devido a sua localização dentro da floresta, as pessoas passavam por ali no cair da tarde, podendo ser um bom abrigo para passar a noite.

Certa vez, um bandido perigoso resolveu se instalar na cabana e roubar que ali entrasse pedindo abrigo. Reformou e colocou tudo novo, e sempre no final do dia, cozinhava arroz para atrair as vítimas.

Um dia, um Samurai chegou ali cansado e faminto, vendo a cabana nova e sentindo o cheiro do arroz, foi entrando sem pensar na hipótese de haver perigo. Bateu na porta, pensando em quais regras de etiqueta iria seguir para conseguir comer os bolinhos de arroz. Imediatamente, o ladrão, que estava escondido atrás da porta, fere-o e abandona-o no meio da floresta após roubá-lo.

No dia seguinte, outro Samurai chega ao fim da tarde, e resolve entrar na cabana. Como era um guerreiro de muitas batalhas, assim que entrou, percebeu o perigo e o pôs o bandido para correr. Comeu o arroz e foi embora.

No terceiro dia, um terceiro Samurai passa diante da cabana, mesmo cansado e com fome, decide não entrar; pressentiu algo diferente, uma sensação de perigo e continuou sua jornada. Só parou num lugar que percebeu como seguro e agradável: ficou em contemplação.

O primeiro Samurai, vivia apegado ao mundo das aparências e da matéria; com a mente embotada por acreditar em existir necessidades e exigências, sendo atraído pela sugestão da ação de satisfazer tais necessidades e exigências. Geralmente se cerca de regras e tenta seguir a todas, perdendo o contato com o Fluxo da Realidade, pois fica focado em resolver imediatamente uma imposição ou “necessidade”; aqui ele quer comer e tem que ser imediatamente, e se desconecta do todo. Era uma vítima das tradições e condicionamentos sociais; e certamente dependente deles.

O segundo Samurai, vive no esforço, com a mente sempre alerta, os sentidos a flor da pele para não ser surpreendido, esta é sua interpretação do mundo que o cerca, pois foi assim que sobreviveu a tantas batalhas. Vive uma existência limitada a sempre se impor sobre os outros, porém por mais hábil que seja, sabe que um dia encontrará alguém que poderá derrotá-lo; este é seu receio. Ele está sempre fixado na prática, nos estudos filosóficos, nos ensinamentos, tenta controlar o meio que o cerca; vive no mundo da razão e ignora o Fluxo de Realidade.

O terceiro Samurai, não precisou lutar ou ficar em alerta, pois está sempre no instante presente, ele é o próprio mundo, percebe o Fluxo de Realidade em si. Alguns dizem que é intuição, porem ele é livre, por não ter apego a conceitos e aparências, não tem medo da falta, não tem medo de nada, pois não precisa provar a sua maestria. Muitos vão dizer que ele obteve uma “vitória sem luta”; mas para ele não existiu luta, tampouco vitória; ele apenas é parte integrante da situação viva.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em contos da Tradição Marcial.

sábado, 7 de julho de 2012

Mestre Dogen e a Prática




















Mestre Dogen escreveu muito sobre a prática, e seus textos consultados pelos grandes Mestres das Artes Marciais. Quando Dogen Sensei foi para a China, aonde ocorreu o fato por ele descrito como ter seu  corpo e mente “abandonados”, ele jamais disse ter obtido a Iluminação. Quando perguntado, respondia: “Ouvi grandes coisas da minha vida”.

Quando voltou ao Japão, escreveu o Shobogenzo a fim de explicar aquilo que havia compreendido:

“Trata-se de uma ilusão pensar que possamos obter o Caminho através de nós mesmos.  Conseguir o Caminho através dos fenômenos, é a compreensão completa. Compreender profundamente a ilusão é ser um Buda. Estar totalmente iludido com o assunto e pensamento acerca da compreensão é, por outro lado, típico de uma pessoa comum. É importante saber que algumas pessoas treinam com a mente além da compreensão completa, entretanto, outros parecem se iludir cada vez mais. (...)

Quando Budas se tornam Budas, não têm consciência que sejam Budas, justamente por isso são Budas com compreensão completa. Somente através do corpo e da mente podemos compreender a verdadeira razão e forma de cada fato da vida. Corpo e mente funcionam e se manifestam juntos, como uma só coisa.  Isso, contudo, não funciona como o reflexo da sombra no espelho, ou a lua que se reflete na água. Se a pessoa considerar as manifestações de forma unilateral, perderá a totalidade da realidade. (...)

A virtude desta prática incessante nos sustém e sustém o mundo externo. O que é importante no momento de minha prática incessante, é que toda a terra e o céu nas dez direções são completamente permeados pela virtude de minha prática incessante. Os outros não sabem disto, eu não sei disto, mas é assim que acontece. (...)

 É graças a nossa prática incessante que as virtudes deste ciclo existem. (...)

A virtude desta prática incessante jamais está oculta, por isso a mente é estimulada e a prática começa. Sua virtude não é, no entanto, imediatamente revelada, e assim não pode ser vista, ouvida ou compreendida. Mesmo não sendo revelada, não a estude como algo oculto. ”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre o Shobogenzo e a prática.

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