Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Falso Monge

























Existe um conto atribuído a Bankei Zenji, sobre um fato que possivelmente aconteceu durante um de seus seminários.

Nossa estória começa, quando um ajudante da manutenção de um templo, após anos de trabalho, resolveu abandonar tudo e sair pelo mundo trajando as vestes de monge que tinha decidido roubar lá mesmo.   Seu sonho era ser respeitado como um mestre, e achava que sua condição de serviçal atrapalhava alcançar tal status.   Conhecia bençãos e orações, decorou muitas recitações de sutras, se achava pronto, crendo que a simples recitação era a chave para a maestria.

Passou anos de sua vida na estrada, se apresentando como monge peregrino; de templo em templo, de vila em vila, porem, como se achava pobre e injustiçado, fazia pequenos furtos.   Era uma peça de roupa, era um alimento, era uma tigela.

Com a idade, seu visual de velho monge, impressionava a todos, principalmente a barba e a roupa sempre puída: “santo”, pensavam.   Quando chegava aos pequenos vilarejos, abençoava a todos, fazendo os aldeões felizes; era tratado como mestre e tinha tudo o que precisava.   Mas, ainda se via como o pobre ajudante, e voltava para a estrada na esperança de esquecer tal fato.

Certa vez, após muito caminhar, encontrou monges novatos, todos fizeram reverencia, pois seu aspecto os fazia crer ser um grande mestre.   Iam para um Sesshin de Mestre Bankei e seriam honrados com a presença do “mestre andarilho”, durante a viagem; dividiam seus alimentos com ele.

Chegando, apresentaram a Bankei Zenji  o mestre que os abençoou com sua presença.   O Mestre reverenciou o visitante e pediu para sentar num local de destaque e começaram as atividades.

O falso monge achava aquilo tudo entediante e cochilava.   Quando questionado, repetia o que tinha decorado: “ É o Zen, está com sono, durma.”      Certa hora, levantou e foi para a cozinha, para roubar mantimentos e partir; um novato viu e chamou os outros.

O agora “ladrão” foi levado ao Mestre, para ser punido e expulso. O velho gritou: “É o Zen, estava com fome, quis comer”.  Mestre Bankei riu e disse para ignorarem, continuando os seminários. Os discípulos agora repudiavam o “velho estranho”.

Durante a noite, o velho foi roubar roupas para fugir.   Os novatos viram e o velho berrou: “É o Zen, sinto frio, quero me cobrir”.   Como fazia em todos os lugares, contava uma estória triste e complicada sobre sua formação monástica.

Vendo aquilo, Bankei riu e disse aos novatos: “Uma grande lição hoje. Pela manhã, disseram que este homem era um santo.   No meio do dia era um estranho e, agora, é um farsante.   Sempre foi o mesmo homem, apenas suas mentes é que faziam julgamentos.   Se alguém tem de ir embora, são vocês, pois vocês tem a mente mais clara do que este homem, se apagar suas lanternas, vocês caminharão na escuridão sem se perder.   Este homem ainda tem a mente obscurecida, como um tênue luar na escuridão, ele ainda precisa de velas para caminhar, é ele quem precisa ficar aqui.   Creio que todos nós devemos agradecer a ele por esta lição sobre a mente”.

Compreendendo isto, todos se curvaram para o velho homem, que começou a chorar; pela primeira vez na vida ele foi reverenciado pelo o que ele era e não por quem se fazia passar.   Neste instante sua mente começou a despertar: ele é o que é, não havia porque roubar.

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre Bankei Zenji.

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