Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Kokyu-Tenkan


Quando treinava nos anos 70, entre meus colegas de treino, fizemos um grupo para estudar aquela filosofia apaixonante do Budo; conversávamos muito: eu, Seu Clóvis Vidor (depois conhecido como Sensei Clóvis Mello), Claudio Halfeld e Israel Bujarski.  A influencia de Tohei Sensei era muito forte naquela época e seu Clóvis trazia livros do exterior, além do que ele tinha aprendido quando visitou Okinawa.

Além da meditação que praticávamos antes da aula começar, fazíamos exercícios de Jo e Bokken visando “sentir”  o Ki (costumávamos chegar uma hora e meia a duas horas antes da aula para praticar). Seu Clóvis sempre nos orientando e nos incentivando, éramos iniciantes, tínhamos a mente de iniciante (Shoshin).

O tempo passou, mas os fundamentos daquela época permaneceram. Sensei Adélio tinha voltado da Paris, aonde tinha estagiado com Mestre Noro (colega de Sensei Nakatani, fundador do Kinomichi), nos trazendo mais conceitos de harmonização com o Ki e o Universo.
Uma prática freqüente era o Kokyu-Tenkan, “sentindo” o Ki, com foco na respiração e com mente vazia; centrado, sentindo o Universo no seu Hara, a respiração era a conexão.   Pretyman Sensei, me contou , que sempre que deveria manter esta prática do Kokyu-Tenkan nos períodos em que não pudesse participar de treinos.

O termo Kokyu, além de respiração, traz o sentido de troca, alternância de fase cheia e vazia, ritmo e coordenação.  Com o movimento do Tenkan (que significa pivotear, girar), fazendo a integração com o Universo. Consultando a Enciclopedia sobre Artes Marciais de Gabrielle Habersetzer e Roland Habersetzer, é descrito o Kokyu-Tenkan da mesma maneira que aprendi: método de respiração, com  movimentação das pernas  semelhante a do Kaiten, com a mão em lâmina e “cortando” o ar harmoniosamente.

Respirar “com o ventre ou Hara”, é uma respiração ventral intercostal, que faz com que o diafragma seja mobilizado, na inspiração e expiração, fazendo um ciclo rítmico. Com o tempo, cria-se um novo padrão de respiração no indivíduo: a respiração ventral, a respiração do recém nascido e da criança, com relaxamento muscular, gerando mais estabilidade e força.  Na prática Marcial, acredita-se que anular a investida do adversário. Este método de respiração  (Kokyu –Ho), permite uma boa “concentração muscular” (Kincho), focalizando a expiração numa “onda de energia” mobilizada em direção a um ponto de impacto ou contato; é indispensável a concentração mental para esta mobilização de energia através da respiração. A expiração pode ser longa (Ibuki) ou curta (Kiai). No caso do Zazen, pratica-se uma respiração serena.

Esta maneira de “respirar com o Hara”,tem registros de que foi levada da China para o Japão no século VII, pelo monge Dosho quando o Zen ainda era conhecido como Busshin-shu.  o monge Dosho que tinha acompanhado uma embaixada japonesa a China, em 653 dc.  Sómente no século XII, com o interesse da aristocracia japonesa pela doutrina chinesa, através do monge Kakua do Monte Hiei. O Zen vai influenciar profundamente o código de ética dos Samurais (Bushido), a partir do Periodo Kamakura (1185 a 1333).  Os Samurais achavam que deviam dedicar atenção ao Hara desde jovens, facilitando a tomada de Consciência no transcorrer de seus treinamentos, o que permitiria “progredir” pelo Caminho (Do).

Boa Prática.

Oss.

2 comentários:

  1. Gracias Ricardo, creo que la respiración es lo más importante y requiere muchos años de práctica, no me puedo ni imaginar lo que me falta, pero sigo en ello, tal vez algún día me salga.

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    1. Muchas Gracias, Carina,
      Los grandes Maestros Orientales asi como Maestros Advaita y Zen, nos dicen que estamos listos, sólo es necesario llegar a Conciencia. Varias líneas de trabajo tienen en comun la conciencia de la respiración y volver al patrón respiratorio de la infancia, como en el Zen y, mismo, en vegetoterapia. Las propuestas son múltiples, lo importante es que estamos en el camino (Do).
      Abrazo.

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