Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Caminho do Zazen







Este é o primeiro escrito de Mestre Eihei Dogen Zenji, O Caminho do Zazen Recomendado para Todos. A primeira versão é de 1227, logo após a sua volta da China para o Japão; ele escreveu, depois: 

"As pessoas no Japão não ouviram falar da Mente Búdica que tem sido transmitida fora dos ensinamentos verbais. Além disso, ninguém ouviu falar sobre a forma de praticar o Zazen, apenas escrevi o Fukan-zazengi porque um dos meus alunos me pediu para ensinar o caminho do Zazen". 


Existem duas versões principais, e outros textos modificados, que foram surgindo com o passar dos tempos. Reproduzo, abaixo, uma das versões:


“Originalmente, O Caminho é Completo e Universal. Como podemos diferenciar a prática da Iluminação? Agora, quando procuramos a fonte do Caminho, descobrimos que é universal e absoluta. É desnecessário distinguir entre prática e iluminação. O ensinamento supremo é livre, então por que deveríamos estudar os meios de atingi-lo? Sem dúvida, o Caminho está bem longe da delusão. Por que, então, preocupar-se com os meios de eliminá-la?

O Veículo da Realidade está no Eu. Por que deveríamos gastar nossos esforços tentando atingi-lo? Ainda mais, o Corpo da Realidade é livre de poeira. Por que deveríamos acreditar numa forma de limpá-lo? O Caminho nunca está separado de onde estamos agora. Por que deveríamos perambular daqui para ali para praticar? No entanto, se houver o menor desvio, você estará longe do Caminho como o céu está da terra. Se condições, adversas ou favoráveis, surgirem, mesmo numa pequena escala, você perderá a cabeça na confusão. Mesmo que você esteja orgulhoso de sua compreensão, seja iluminado em abundância e obtenha o poder para vislumbrar o terreno do budado; mesmo que você ganhe o Caminho e clarifique a mente, decida penetrar no céu, isto é apenas perambular nas margens do Caminho do Buda. Ainda lhe falta (quase sempre) o caminho vívido da emancipação.

Se surgir o menor pensamento dualista, você perderá sua Mente Búdica, alguns se orgulham de sua compreensão, e acreditam que estão ricamente dotadas com a Sabedoria do Buda. Crêem que já alcançaram o Caminho, iluminaram suas mentes e conquistaram o poder de tocar os céus. Imaginam que estão andando no reino da Iluminação. Mas o fato é que quase perderam o Caminho absoluto, que está além da própria iluminação.


Além do mais, pense no Buda Sakyamuni, que era iluminado desde o nascimento, até hoje você pode ver o seus traços do seu ato de sentar com a postura ereta por seis anos, e Bodhidharma, que transmitiu o selo da mente, até agora você pode ouvir falar de sua fama de sentar-se em frente a uma parede por nove anos. Estes antigos sábios praticavam desta forma. Como podem as pessoas de hoje absterem-se da prática? Portanto, pare de estudar as palavras e seguir os escritos. Aprenda a retirar-se, voltando a luz para o interior, iluminando o Eu. (Fazendo assim) seu corpo e mente cairão naturalmente e o Eu original se manifestará. Se você deseja atingir o "tal-como-é".

Pratique o "tal-como-é" imediatamente. Agora, para o Zazen o melhor é uma sala tranqüila. Coma e beba moderadamente. Esqueça todas as associações e ponha de lado todos os afazeres. Não pense no bem ou no mal. Não se preocupe com o certo ou o errado. Ponha de lado toda a operação do seu intelecto, vontade e consciência. Não busque tornar-se um Buda. Ser Buda nada tem a ver com as formas de sentar ou deitar. Assim, tendo cessado a agitação da mente, abandonamos até mesmo a idéia de tornar-se Buda. Isto é verdadeiro não só para o Zazen, mas para todas as nossas ações cotidianas. (...) Existe o pensar, existe o não pensar e existe o inconcebível. Esta é a verdadeira base do Zazen.

Zazen não é meditação passo a passo. É o portal do Darma da agradável tranqüilidade, é a prática e a realização da Iluminação, é tornar-se o koan. A verdade aparece, não mais havendo delusão. Se compreendermos isto, estaremos completamente livres, como um dragão na água, ou um tigre recostado na montanha. O Darma Correto surge naturalmente e ficamos completamente livres de todo cansaço e confusão.

Ao terminarmos o Zazen, devemos mover o corpo devagar e nos levantar com calma. Não devemos nos mover bruscamente.


Pela virtude do Zazen, é possível transcender a diferença entre o comum e o sagrado e obter a capacidade de morrer sentado ou de pé. Além do mais, é impossível para nossa mente discriminatória compreender como os Budas e Ancestrais do Darma comunicaram a essência do Zen a seus discípulos, com o levantar de um dedo, com uma vara, jogando uma agulha ou batendo com o martelo de madeira; ou como eles transmitiram a Iluminação com o levantar de um Hossu, de um punho, de um bastão ou com um grito. 

Tampouco, este assunto pode ser compreendido através de poderes sobrenaturais ou de uma visão dualista de prática e Iluminação. Zazen é a prática além dos mundos subjetivos e objetivos, além do pensamento discriminatório. Assim, nenhuma discriminação deverá ser feita entre o inteligente e o não-inteligente. Praticar o Caminho com todo o respeito é, em si mesmo, iluminação. Não existe separação entre a prática e a Iluminação, ou entre o Zazen e a vida cotidiana.


Os Budas e Ancestrais do Darma, tanto neste país, quanto na Índia e na China, todos preservaram cuidadosamente a Mente Búdica e incentivaram assiduamente o treinamento Zen. Devemos, pois, nos dedicar exclusivamente, e sermos completamente absorvidos pela prática do Zazen. Apesar da divulgação de inúmeras maneiras de se compreender o Budismo, devemos praticar somente o Zazen. Não há motivo para abandonarmos nosso assento de meditação e fazermos viagens inúteis a outros países. Se nosso primeiro passo for errado, inevitavelmente tropeçaremos. 

Já tivemos a boa fortuna de nascer com um corpo precioso, então, não devemos desperdiçar nosso tempo à toa. Agora que sabemos qual é a coisa mais importante no Budismo, como podemos ficar satisfeitos com o mundo transitório? Nossos corpos são como o orvalho sobre a relva, e nossas vidas como o clarão de um raio, que desaparece num instante.


Sinceros praticantes Zen, não se espantem com o Verdadeiro Dragão, nem gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante. Dediquem seus esforços ao caminho que leva diretamente à Natureza Búdica. Respeitem aqueles que alcançaram o conhecimento completo, que estão sem intenção de intenção. Tornem-se um com a Sabedoria dos Budas e assim, sucessores legítimos da Iluminação dos Ancestrais. Praticando desta maneira, certamente serão capazes de compreender tudo isto. Então, a casa do tesouro naturalmente se abrirá e vocês poderão se servir à vontade.

Não se considere inteligente ou burro e não pense ser superior ou inferior. Quando você pratica dedicadamente, essa é, verdadeiramente, a prática do Caminho. A prática-iluminação não pode ser maculada. Fazer o esforço para obter o Caminho é, em si mesmo, a manifestação do Caminho em sua vida diária. Os Budas e os patriarcas, tanto deste mundo como de outros mundos, na Índia e na China, preservaram o Mudra do Buda da mesma forma e expressaram o Caminho livremente. Eles apenas praticaram o Zazen e foram protegidos pelo Zazen.”

Boa Reflexão.


Oss.

Baseados em textos Zen sobre o Fukan-zazengi e Mestre Dogen.

Leia também: Mestre Dogen e Zazen

2 comentários:

  1. Buenos días Ricardo,
    Yo creo que es bueno meditar, tratar de mantener la mente en calma, pero también intentar siempre hacer el bien y mirar a las personas con buenos ojos,
    gracias por esta reflexión
    un abrazo

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  2. Buen Dia, Carina
    Realmente son muy buenas las ensiñanzas del Maestro Dogen.
    Gracias por tu comentário.
    Abrazo.

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