Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 28 de abril de 2012

A Iluminação de Morihei Ueshiba O-Sensei
























Este fato foi algo que muito marcou a todos nós que praticávamos no dojo de Copacabana, nos anos 70. 
Livros sobre Aikido eram raríssimos no Brasil naquela época, e seu Clóvis nos trouxe um livro, em inglês, e começou a fazer a tradução do texto. Ele nos contou que foi este relato de Morihei Ueshiba que mais o emocionava, Lágrimas de Gratidão pela compreensão do Amor Divino e Universal.

Em 1925, Morihei foi transformado por uma visão, por ele definida, como divina. Desafiado por um oficial da Marinha Imperial Japonesa para um duelo, O-Sensei aceita e comparece desarmado. O oficial se sente ofendido por esta atitude e passa a atacar furiosamente.  Ueshiba Sensei parecia pré-meditar cada ataque do bokken, com tranqüilidade esquivava das investidas facilmente, sendo que oponente raivoso fica exausto e se considera derrotado.

Após este confronto, O-Sensei vai molhar sua face em uma fonte do jardim, quando está passando a água em seu rosto, tem uma revelação (Iluminação ou Satori). Tem a visão que o Universo brotava do solo e sentia-se envolvido por uma luz dourada.  Despertando para a Natureza da Criação, O-Sensei, diz :

"De repente, parecia que o Céu desceu. Da terra, ergue-se como uma fonte de energia dourada. Esta energia quente me rodeia, e meu corpo e minha mente se tornaram muito mais leves e  claras. Eu poderia até entender a música dos pequenos pássaros ao meu redor.

Neste instante, eu pude compreender que o trabalho da minha vida no Budo foi realmente baseado em Amor e as leis divinas da Criação. Eu não pude conter as lágrimas, e chorava sem cessar. Desde aquele dia, eu sabia que esta grande terra em si é minha casa e meu lar.  O sol, a lua e as estrelas são minhas. Desde aquele dia eu nunca senti qualquer apego à propriedade e posses."

Após isto, O-Sensei define que o Caminho do Guerreiro é manifestar o Amor Divino e Universal, um espírito que envolva e nutra todas as coisas; não é destruindo mas protegendo todos os seres vivos.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre a Vida de O-Sensei Morihei Ueshiba.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Homenagem a O-Sensei Morihei Ueshiba























No dia 26 de abril de 1969, aos 86 anos incompletos, fazia a grande transição O'Sensei Morihei Ueshiba, o Grande Mestre que tanto influenciou minha adolescência, me marcando muito os ensinamentos sobre o espírito de não-violência, de não-resistência e do Amor Universal; justamente na tão conturbada época dos anos 70.

Faziam poucos anos de sua morte, e sentíamos sua presença nos seus ensinamentos que eram propagados por Sensei Adélio e por seu Clóvis Vidor (Sensei Clóvis Mello). Reproduzo aqui uns ensinamentos trazidos até nós:

“Toda a vida é uma manifestação do espírito, a manifestação do Amor. (...)

 Aiki não é uma arte de combate contra um inimigo tampouco uma técnica de destruição do adversário, mas o Caminho da Harmonização do mundo que faz de toda a humanidade uma mesma família.

Todos os princípios do Céu e da terra estão vivendo dentro de nós.  A própria vida é a Verdade, e isso nunca vai mudar. (...) A respiração é o fio que nos une a Criação.

(...) Existem muitos caminhos que levam ao topo do Monte Fuji, porém apenas um nos leva ao topo - o Amor.

Todos nós temos um espírito que pode ser refinado, um corpo que pode ser treinado , um Caminho adequado a seguir. Estamos aqui para perceber a  divindade interior e manifestar a iluminação inata.”

A melhor homenagem ao Fundador do Aikido, seria expressar a nossa gratidão eterna e tomarmos consciência do significado destes seus ensinamentos. Obrigado O'Sensei.

Oss.

Baseado em fatos e ensinamentos de O'Sensei  Morihei Ueshiba.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

As Quatro Verdades e o Caminho


Estes textos de Matthieu Ricard são uma explicação interessante sobre a falta de consciência da identificação com o Corpo Sofredor.



“O primeiro obstáculo à realização da Felicidade consiste é não reconhecer o sofrimento tal como ele é. O sofrimento é evidente em toda parte e se esconde sob o disfarce de prazer, euforia, falta de cuidado, entretenimento. É o sofrimento da mudança. (...) Este tipo de dor, é provável que ocorra em cada momento da vida, permanece escondido, mas que se permite ser iludido pela miragem das aparências (...)

Este sofrimento é também encontrado nas atividades mais comuns. Não é fácil identificar o sofrimento que não é imediatamente reconhecível como uma dor de dente. 
O sofrimento invisível: é difícil de detectar devido à sua origem encontra-se dentro da cegueira de nossa mente e permanece lá o tempo que estamos nas garras da ignorância e do egoísmo. Esta confusão, e as tendências associadas a ela, leva-nos a manter o comportamento na origem dos nossos problemas. Em geral, não são capazes de identificar o ego como a causa desse sofrimento. A sensação de que um doente é o centro do mundo é a fonte da maior parte dos pensamentos perturbadores.  

(...) Há 2500 anos atrás, Buda enunciou as quatro nobres verdades. A primeira é a verdade do sofrimento ; não apenas o sofrimento que é óbvio, que salta aos olhos mas, também, as formas mais sutis. A segunda é a verdade das causas do sofrimento, a ignorância leva ao desejo ávido, a malícia, o orgulho e outros pensamentos que envenenam as nossas vidas e as dos outros. Uma vez que estes venenos mentais são eliminados, existe a cessação do sofrimento é a terceira verdade; logo existe a possibilidade. A quarta verdade é o Caminho que transforma esta possibilidade em realidade. Este Caminho é o processo que coloca em funcionamento todos os métodos que permitem eliminar as causas fundamentais do sofrimento. Em suma, é necessário:

Reconhecer o Sofrimento,
Eliminar a Origem,
Realizar a Cessação,
E, com este propósito, praticar o Caminho.

Assim como sabemos a distinção entre a Felicidade e o Prazer, devemos distinguir entre o Infortúnio, ou mais exatamente o “Mal-Estar” e as dores efêmeras. Eles dependem de circunstâncias externas, enquanto mal-estar é um profundo sentimento de insatisfação que persiste apesar de circunstâncias externas favoráveis. Por outro lado, é possível sofrer fisicamente, sofrer mentalmente, sentir-se triste mas sem perder a sensação de pleinitude, que repousa na paz interior e no altruísmo. Existem dois níveis de experiência que podem ser comparados a ondas e profundidades oceânicas. Na superfície a tempestade se enfurece mas nas profundezas tudo permanece calmo. O homem sábio está sempre ligado às profundezas.

O oposto é aquele que vive somente as experiências da superfície e se ignora as profundezas da paz interior, se encontra 
perdido enquanto é   lançado pelas ondas do sofrimento.
Permanecem dolorosamente obcecado com uma situação ou pela memória de uma pessoa falecida a ser quebrado por meses ou anos não é uma prova de afeto, mas um anexo que é uma fonte de nenhum benefício para qualquer outros ou para si mesmo. Se você vier a aceitar que a morte faz parte da vida, angústia gradualmente dá lugar à compreensão e paz.

O modo como vivemos essas ondas de dor depende muito da nossa própria atitude. Então, é melhor para aprender e se preparar para o sofrimento que você pode encontrar alguns dos quais são inevitáveis, como idade, doença, velhice e morte, ao invés de ser pego desprevenido e cair em angústia .

(...) Como explica o Dalai Lama: “Um sofrimento profundo pode abrir nossa mente e coração, e nos abrir aos outros.” O sofrimento pode ser um ensinamento extraordinário, capaz de nos fazer conscientes da superficialidade de muitas das nossas preocupações habituais, o tempo de transição irreversível, a nossa própria fragilidade e acima do que realmente profundo dentro de nós mesmos. O sofrimento a longo prazo incentiva a descoberta de um mundo onde não há separação real entre exterior e interior, entre corpo e mente, entre eu e os outros.”

Boa Reflexão.


Oss.

Tradução baseada em textos e livro Plaidoyer por Le Bonheur, de Matthieu Ricard.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Kokyu-Tenkan


Quando treinava nos anos 70, entre meus colegas de treino, fizemos um grupo para estudar aquela filosofia apaixonante do Budo; conversávamos muito: eu, Seu Clóvis Vidor (depois conhecido como Sensei Clóvis Mello), Claudio Halfeld e Israel Bujarski.  A influencia de Tohei Sensei era muito forte naquela época e seu Clóvis trazia livros do exterior, além do que ele tinha aprendido quando visitou Okinawa.

Além da meditação que praticávamos antes da aula começar, fazíamos exercícios de Jo e Bokken visando “sentir”  o Ki (costumávamos chegar uma hora e meia a duas horas antes da aula para praticar). Seu Clóvis sempre nos orientando e nos incentivando, éramos iniciantes, tínhamos a mente de iniciante (Shoshin).

O tempo passou, mas os fundamentos daquela época permaneceram. Sensei Adélio tinha voltado da Paris, aonde tinha estagiado com Mestre Noro (colega de Sensei Nakatani, fundador do Kinomichi), nos trazendo mais conceitos de harmonização com o Ki e o Universo.
Uma prática freqüente era o Kokyu-Tenkan, “sentindo” o Ki, com foco na respiração e com mente vazia; centrado, sentindo o Universo no seu Hara, a respiração era a conexão.   Pretyman Sensei, me contou , que sempre que deveria manter esta prática do Kokyu-Tenkan nos períodos em que não pudesse participar de treinos.

O termo Kokyu, além de respiração, traz o sentido de troca, alternância de fase cheia e vazia, ritmo e coordenação.  Com o movimento do Tenkan (que significa pivotear, girar), fazendo a integração com o Universo. Consultando a Enciclopedia sobre Artes Marciais de Gabrielle Habersetzer e Roland Habersetzer, é descrito o Kokyu-Tenkan da mesma maneira que aprendi: método de respiração, com  movimentação das pernas  semelhante a do Kaiten, com a mão em lâmina e “cortando” o ar harmoniosamente.

Respirar “com o ventre ou Hara”, é uma respiração ventral intercostal, que faz com que o diafragma seja mobilizado, na inspiração e expiração, fazendo um ciclo rítmico. Com o tempo, cria-se um novo padrão de respiração no indivíduo: a respiração ventral, a respiração do recém nascido e da criança, com relaxamento muscular, gerando mais estabilidade e força.  Na prática Marcial, acredita-se que anular a investida do adversário. Este método de respiração  (Kokyu –Ho), permite uma boa “concentração muscular” (Kincho), focalizando a expiração numa “onda de energia” mobilizada em direção a um ponto de impacto ou contato; é indispensável a concentração mental para esta mobilização de energia através da respiração. A expiração pode ser longa (Ibuki) ou curta (Kiai). No caso do Zazen, pratica-se uma respiração serena.

Esta maneira de “respirar com o Hara”,tem registros de que foi levada da China para o Japão no século VII, pelo monge Dosho quando o Zen ainda era conhecido como Busshin-shu.  o monge Dosho que tinha acompanhado uma embaixada japonesa a China, em 653 dc.  Sómente no século XII, com o interesse da aristocracia japonesa pela doutrina chinesa, através do monge Kakua do Monte Hiei. O Zen vai influenciar profundamente o código de ética dos Samurais (Bushido), a partir do Periodo Kamakura (1185 a 1333).  Os Samurais achavam que deviam dedicar atenção ao Hara desde jovens, facilitando a tomada de Consciência no transcorrer de seus treinamentos, o que permitiria “progredir” pelo Caminho (Do).

Boa Prática.

Oss.

sábado, 21 de abril de 2012

Gassho
























Está escrito que Mestre Dogen disse certa vez: “Enquanto houver reverências verdadeiras, o caminho de Buda não se deteriorá. Ao fazermos reverências, nós integralmente prestamos respeito à virtude que tudo invade de sabedoria, que é o próprio Buda. ”

Gassho significa "duas mãos que se juntam", e expressa uma atitude de reconhecimento da divindade no próximo, Humildade, Respeito e Gratidão. Também significa unificar as polaridades do ser (direita e esquerda, passividade e atividade, o interior e o exterior, o corpo e a mente, o positivo e o negativo, etc); , representando o Dual tornando-se o Não-Dual (Coração-Mente).

Patrice Gros diz que “Gassho nos abre ao espírito do gesto  (...) ou seja,  a mente que permanece, sem foco,e permanece vigilante, atenta ao momento e para o seguinte ...Basta estar atenta ao que está acontecendo aqui e agora. Então, precisamos manter a consciência do gesto, bastar estarmos atentos ao que fazemos naquele instante, e, assim,recuperar o sentido do sagrado através do nosso toque.


Gassho é um convite para esvaziar a mente (mu shin) a fim de que a ação seja justa, perfeita, e adaptada de acordo com a situação e a pessoa a ser tratada. Gassho nos leva a perceber o não-eu, de modo que o verdadeiro Eu se manifesta (...) Gassho facilita a introspecção, o recolhimento assim como a contemplação interior.  


Gassho que é a de expressar humildade, oferenda, respeito e harmonia, total unidade mente-corpo, íntima comunhão com todos os seres sencientes, além de todas as separações e diferenças.”


Termino com os dizeres de Mestre Dogen:

 “Segundo a Tradição Autêntica de nossa escola, esta lei búdica, transmitida diretamente, é suprema ao grau supremo. A partir do momento em que estejas com um amigo de bem, não há necessidade de queimar incensos, de venerar os Budas, de invocar Amitâbha, de se arrepender ou ler os Sutras. Basta ambos se sentarem e se despojarem de corpo e espírito”.

Boa Reflexão.

Oss.

Baseados nos escritos de Mestre Dogen,  artigos sobre o Zen e de Patrice Gros.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Zen e o Não-Pensar






















Mestre Yakusan Igen (Wei-yen de Yueh-shan, Yaoshan Weyan (745-828 ou 751-834). Foi o trigésimo sexto Patriarca e considerado Herdeiro de Dharma do Mestre Shitou Xigian. Aos 16 anos tornou-se monge, passando a estudar intensamente os Sutras e a seguir estritamente as regras monásticas; porem ainda tinha muitas dúvidas sobre a essência da sua mente. Teve como instrutores o Mestre Shih-t'ou e o Mestre Matsuo Basho concomitantemente.

Existe uma passagem interessante sobre o estado da mente na meditação. Quando o Mestre Yakusan praticava a meditação sentada, um discípulo fica observando. Após determinado tempo, inicia-se o seguinte diálogo:

-"Venerável Mestre, o que pensas quando medita sentado?" perguntou o aluno.

-"Penso no Não-Pensar", responde o Mestre.

-"Como o senhor pensa no Não-Pensar?", retruca o novato.

-"Permanecendo Além-do-Pensar", diz o Mestre.

Após isto, Yakusan Sensei explica para os alunos:

“ Quando sentados, não seguimos nossos pensamentos, tampouco os paramos. Apenas deixamos que venham e vão livremente; apenas os observamos. Como podemos chamar esta atitude de pensar?

Os pensamentos não podem ser pegos, se os perseguimos isto é o Pensar; logo não é Zazen. Tampouco o Zazen pode ser chamado de Não-Pensar, porque os pensamentos vêem e se vão como nuvens flutuando no céu.

Quando estamos sentados, nosso cérebro não cessa de funcionar, da mesma forma que nosso estômago está sempre digerindo. Às vezes nossas mentes estão ocupadas, às vezes nossas mentes estão calmas. 

 Apenas sentar, sem estar preocupado com a mente, é o mais importante do Zazen. Quando sentamos dessa forma, nós somos um com a Realidade, Realidade essa que está além do pensamento.

A Realidade manifesta-se através do corpo-mente.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre o Zen, Ma-Tzu Sensei e Yakusan Igen Sensei.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Caminho do Zazen







Este é o primeiro escrito de Mestre Eihei Dogen Zenji, O Caminho do Zazen Recomendado para Todos. A primeira versão é de 1227, logo após a sua volta da China para o Japão; ele escreveu, depois: 

"As pessoas no Japão não ouviram falar da Mente Búdica que tem sido transmitida fora dos ensinamentos verbais. Além disso, ninguém ouviu falar sobre a forma de praticar o Zazen, apenas escrevi o Fukan-zazengi porque um dos meus alunos me pediu para ensinar o caminho do Zazen". 


Existem duas versões principais, e outros textos modificados, que foram surgindo com o passar dos tempos. Reproduzo, abaixo, uma das versões:


“Originalmente, O Caminho é Completo e Universal. Como podemos diferenciar a prática da Iluminação? Agora, quando procuramos a fonte do Caminho, descobrimos que é universal e absoluta. É desnecessário distinguir entre prática e iluminação. O ensinamento supremo é livre, então por que deveríamos estudar os meios de atingi-lo? Sem dúvida, o Caminho está bem longe da delusão. Por que, então, preocupar-se com os meios de eliminá-la?

O Veículo da Realidade está no Eu. Por que deveríamos gastar nossos esforços tentando atingi-lo? Ainda mais, o Corpo da Realidade é livre de poeira. Por que deveríamos acreditar numa forma de limpá-lo? O Caminho nunca está separado de onde estamos agora. Por que deveríamos perambular daqui para ali para praticar? No entanto, se houver o menor desvio, você estará longe do Caminho como o céu está da terra. Se condições, adversas ou favoráveis, surgirem, mesmo numa pequena escala, você perderá a cabeça na confusão. Mesmo que você esteja orgulhoso de sua compreensão, seja iluminado em abundância e obtenha o poder para vislumbrar o terreno do budado; mesmo que você ganhe o Caminho e clarifique a mente, decida penetrar no céu, isto é apenas perambular nas margens do Caminho do Buda. Ainda lhe falta (quase sempre) o caminho vívido da emancipação.

Se surgir o menor pensamento dualista, você perderá sua Mente Búdica, alguns se orgulham de sua compreensão, e acreditam que estão ricamente dotadas com a Sabedoria do Buda. Crêem que já alcançaram o Caminho, iluminaram suas mentes e conquistaram o poder de tocar os céus. Imaginam que estão andando no reino da Iluminação. Mas o fato é que quase perderam o Caminho absoluto, que está além da própria iluminação.


Além do mais, pense no Buda Sakyamuni, que era iluminado desde o nascimento, até hoje você pode ver o seus traços do seu ato de sentar com a postura ereta por seis anos, e Bodhidharma, que transmitiu o selo da mente, até agora você pode ouvir falar de sua fama de sentar-se em frente a uma parede por nove anos. Estes antigos sábios praticavam desta forma. Como podem as pessoas de hoje absterem-se da prática? Portanto, pare de estudar as palavras e seguir os escritos. Aprenda a retirar-se, voltando a luz para o interior, iluminando o Eu. (Fazendo assim) seu corpo e mente cairão naturalmente e o Eu original se manifestará. Se você deseja atingir o "tal-como-é".

Pratique o "tal-como-é" imediatamente. Agora, para o Zazen o melhor é uma sala tranqüila. Coma e beba moderadamente. Esqueça todas as associações e ponha de lado todos os afazeres. Não pense no bem ou no mal. Não se preocupe com o certo ou o errado. Ponha de lado toda a operação do seu intelecto, vontade e consciência. Não busque tornar-se um Buda. Ser Buda nada tem a ver com as formas de sentar ou deitar. Assim, tendo cessado a agitação da mente, abandonamos até mesmo a idéia de tornar-se Buda. Isto é verdadeiro não só para o Zazen, mas para todas as nossas ações cotidianas. (...) Existe o pensar, existe o não pensar e existe o inconcebível. Esta é a verdadeira base do Zazen.

Zazen não é meditação passo a passo. É o portal do Darma da agradável tranqüilidade, é a prática e a realização da Iluminação, é tornar-se o koan. A verdade aparece, não mais havendo delusão. Se compreendermos isto, estaremos completamente livres, como um dragão na água, ou um tigre recostado na montanha. O Darma Correto surge naturalmente e ficamos completamente livres de todo cansaço e confusão.

Ao terminarmos o Zazen, devemos mover o corpo devagar e nos levantar com calma. Não devemos nos mover bruscamente.


Pela virtude do Zazen, é possível transcender a diferença entre o comum e o sagrado e obter a capacidade de morrer sentado ou de pé. Além do mais, é impossível para nossa mente discriminatória compreender como os Budas e Ancestrais do Darma comunicaram a essência do Zen a seus discípulos, com o levantar de um dedo, com uma vara, jogando uma agulha ou batendo com o martelo de madeira; ou como eles transmitiram a Iluminação com o levantar de um Hossu, de um punho, de um bastão ou com um grito. 

Tampouco, este assunto pode ser compreendido através de poderes sobrenaturais ou de uma visão dualista de prática e Iluminação. Zazen é a prática além dos mundos subjetivos e objetivos, além do pensamento discriminatório. Assim, nenhuma discriminação deverá ser feita entre o inteligente e o não-inteligente. Praticar o Caminho com todo o respeito é, em si mesmo, iluminação. Não existe separação entre a prática e a Iluminação, ou entre o Zazen e a vida cotidiana.


Os Budas e Ancestrais do Darma, tanto neste país, quanto na Índia e na China, todos preservaram cuidadosamente a Mente Búdica e incentivaram assiduamente o treinamento Zen. Devemos, pois, nos dedicar exclusivamente, e sermos completamente absorvidos pela prática do Zazen. Apesar da divulgação de inúmeras maneiras de se compreender o Budismo, devemos praticar somente o Zazen. Não há motivo para abandonarmos nosso assento de meditação e fazermos viagens inúteis a outros países. Se nosso primeiro passo for errado, inevitavelmente tropeçaremos. 

Já tivemos a boa fortuna de nascer com um corpo precioso, então, não devemos desperdiçar nosso tempo à toa. Agora que sabemos qual é a coisa mais importante no Budismo, como podemos ficar satisfeitos com o mundo transitório? Nossos corpos são como o orvalho sobre a relva, e nossas vidas como o clarão de um raio, que desaparece num instante.


Sinceros praticantes Zen, não se espantem com o Verdadeiro Dragão, nem gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante. Dediquem seus esforços ao caminho que leva diretamente à Natureza Búdica. Respeitem aqueles que alcançaram o conhecimento completo, que estão sem intenção de intenção. Tornem-se um com a Sabedoria dos Budas e assim, sucessores legítimos da Iluminação dos Ancestrais. Praticando desta maneira, certamente serão capazes de compreender tudo isto. Então, a casa do tesouro naturalmente se abrirá e vocês poderão se servir à vontade.

Não se considere inteligente ou burro e não pense ser superior ou inferior. Quando você pratica dedicadamente, essa é, verdadeiramente, a prática do Caminho. A prática-iluminação não pode ser maculada. Fazer o esforço para obter o Caminho é, em si mesmo, a manifestação do Caminho em sua vida diária. Os Budas e os patriarcas, tanto deste mundo como de outros mundos, na Índia e na China, preservaram o Mudra do Buda da mesma forma e expressaram o Caminho livremente. Eles apenas praticaram o Zazen e foram protegidos pelo Zazen.”

Boa Reflexão.


Oss.

Baseados em textos Zen sobre o Fukan-zazengi e Mestre Dogen.

Leia também: Mestre Dogen e Zazen

domingo, 15 de abril de 2012

As Artes Marciais e o Self


























Aoki Hiroyuki Sensei, deu uma entrevista falando sobre o seu treinamento, o Self e o Ego nas Artes Marciais. Ele que foi discípulo de Egami Sensei e de Inoue Doshu, por anos, fala sobre certos aspectos da Existência que passou perceber após seus estudos; desta caminhada surgiu o Shintaido.
Ele conta existir um ditado tradicional no Japão, que diz: "As Artes Marciais são o Tao comum que liga todos os Campos". Complementando ele cita um poema de um Artista Marcial, há cerca de 400 anos: "Quão perto estou da aldeia da montanha tão longe continua o Tao que eu busco! "
Aoki Sensei nos fala sobre a prática, observando que se alguém se mantém estudando e aprimorando certa técnica, finalmente ele atinge o nível, de relance, no ápice de sua vida comum.
Afirma que muitas vezes a grandeza e o aprofundamento de tal pessoa, a menos que nós a observamos com muito cuidado, pode passar percebida; pois todos os segredos obtidos se misturaram completamente na sua vida diária.
Sensei sugere, primeiro de tudo, tirar toda a tensão desnecessária do nosso corpo, pois, mesmo do ponto de vista espiritual, as pessoas se tornam frágeis quando têm alguma tensão no seu corpo, porque o corpo está cheio de ego e não vai aceitar o espírito celestial. Em um estado relaxado, o corpo se parece como um vaso vazio feito de rede de fibra. Nessa condição, a energia da grande natureza ou do Universo, passa através de nosso corpo. Quando vamos além do nível de esforço, podemos usar a técnica fluidamente bonita, mas com poder de ataque extraordinário.

Sensei nos explica que quando Nage e Uke estão juntos, no momento em que o parceiro pensa em atacar, ecoará em mim uma espécie de vibração. Isto acontece porque eu percebo tudo em mim, o ar em mim, no parceiro, no espaço entre nós e preenchendo tudo a volta; o Todo ecoa em Nage-Uke e, ao mesmo tempo, tudo unificado com um só. Isso significa que a verdade original do Universo passa por mim quando eu abro completamente o meu corpo e espírito.
Falando de seu treinamento com Inoue Doshu e Egami Sensei, ele cita: “Naquela época, intuitivamente, percebíamos a realidade da vida e sentido completo despertando, o despertar do verdadeiro Self. Esse é o nosso verdadeiro Self.”

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre Aoki Sensei, Shin’ei Taido , Sogobudo e Shintaido.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ego, Self e o Não-Dual

































Este poema de Zhuang Tzu, Distinção entre Ego e Self, traduzido por Thomas Merton, representa bem a influencia Taoista no Zen.

Mestre Zhuang foi um pensador líder representando a estirpe taoísta no pensamento chinês. Usando formulas como parábola, alegoria e paradoxo, ele estabeleceu as primeiras idéias do que viria a ser a Escola Taoísta.

A peça central desta Escola é a crença de que somente através da compreensão do Tao (o Caminho da Natureza) e sendo uno, o homem pode alcançar a verdadeira felicidade e ser verdadeiramente livre, tanto na vida como na morte.

“Tudo o que é limitado pela forma, aparência, cor e som, é chamado de objeto.

Entre todos eles, só o homem é mais do que um objeto.


Embora, como objetos, ele tem forma e aparência,


Ele não é limitado à forma.


Ele é mais.


Ele pode atingir a ausência da forma.


Quando ele está além da forma e aparência, além de "isso" e "que,"

onde está a comparação com outro objeto?


Onde está o conflito?


O que pode ficar em seu caminho?


Ele vai descansar em seu lugar eterno que é não-lugar.


Ele será escondido em seu próprio segredo insondável.


Sua natureza aprofunda sua raiz no Uno.


Sua vitalidade, o seu poder oculto no Tao Secreto.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em textos de Thomas Merton sobre Zhuang Tzu.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Adeus ao Grande Mestre


































Na noite de ontem, faleceu o querido Amigo e Mestre Jose Maria Ribamar Santos Martins, Segundo Dan de Judo e Sexto Dan de Aikido, Aikikai, discipulo de Teruo Nakatani Sensei, primeiro aluno direto de Morihei Ueshiba a introduzir o Aikido no Brasil.
Martins Sensei,nascido no Maranhã em 1933, iniciou seus estudos com Natakani Sensei em 1965, no Rio de Janeiro, sempre apaixonado pelo estilo marcante de Koichi Tohei Sensei.
Ele e seus colegas de Dojo, se dedicaram de corpo e alma à prática com Nakatani Sensei, recebendo o grau de Shodan em 1971.
Quando transferido para trabalhar em Brasilia, em 1972,logo se incubiu de iniciar a prática do Aikido nos Distrito Federal; a partir daí começou uma grande difusão por esta região do país. Foi o fundador da Academia Brasiliense de Aikido (ABA), com Dojos no Cota Mil Iate Clube e na Cia. Atlética; muito atuante como Ministro da Igreja Messiânica Mundial.
Sensei Martins sempre nos transmitia o Ensinamento do Coração, além dos Supremos Ensinamentos do Budo e do Aikido. Mesmo durante os últimos anos de sua vida, apesar da doença, exceto quando hospitalizado, nunca deixou de comparecer ao Dojo e compartilhar a sua experiência.
Sei o quanto amava o Aikido, lecionava de forma vibrante, sempre leal aos ensinamentos, aos mestres e discípulos; é verdadeiro exemplo à todos os praticantes das Artes Marciais.
Me despeço de vocês afirmando que sentirei muitas saudades deste Amigo e Mestre. Minha gratidão à Mestre Martins.
Oss.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Inoue: o Pioneiro Esquecido






























Este artigo de Stanley Pranin demonstra o papel de Inoue Sensei na divulgação das Artes Marciais nos anos 30, assim como seu esforço para consolidar o Budo Senyokai e o Dojo Kobukan.

“A próxima fase importante no desenvolvimento da acabaria por se tornar Aikido foi a realocação de tanto Morihei e Yoichiro para Tóquio. Como em tantas ocasiões anteriores, os nomes destes dois estão irremediavelmente entrelaçadas nesta fase também. A mudança de foco de suas atividades de ensino deveu-se, não surpreendentemente, a uma conexão com a Omotoo. Um dos estudantes mais ávidos de Daito-ryu em Ayabe, foi Vice-almirante Seikyo Asano, que era um colega de um certo Almirante Isamu Takeshita. Entre parênteses, Seikyo era o irmão mais velho do famoso Wasaburo Asano que, por algum tempo, exerceu uma enorme influência dentro da Omotoo.

Seikyo elogiou o Daito-ryu de Morihei e de Takeshita. O Almirante,um entusiasta de longa data e praticante das Artes Marciais, fez uma viagem especial para Ayabe para testemunhar o treinamento. Isso levou a Morihei e Yoichiro fazerem visitas a Tóquio a convite de Takeshita para dar cursos para as pessoas de negócios, círculos políticos, militares e intelectuais. Parece que Yoichiro ficou mais ou menos em tempo integral em Tóquio a partir de 1925, enquanto Morihei viajava entre lá e Ayabe antes de se mudar permanentemente com sua família em 1927. Yoichiro afirmou que Morihei estava frequentemente doente durante este período, e que ele (Yoichiro) lidou muito com as funções de ensino. Yoichiro acrescentou, por exemplo, que o Almirante Takeshita treinava mais com ele do que com seu tio.

Havia um número de pessoas, além de Takeshita, que atuaram como patronos para as atividades de Morihei e Yoichiro. Uma dessas pessoas era o Conde Shimazu . Yoichiro descreve os primeiros anos de Tóquio com estas palavras:
'Sr. Shimazu tinha uma mansão em Osaki-cho, onde realizamos o nosso primeiro treino. Durante este período, Ueshiba veio a Tóquio várias vezes. Ele estava doente, em seguida, e muito fraco. Eu tive que cuidar dele e foi um tempo difícil. Como resultado, eu fiz a maior parte do ensino no dojo. A partir do dojo em Osaki-cho nos mudamos para Mita. O Barão Katsuji Utsumi morava lá e, desde de que sua mansão estava vazia, foi oferecida a utilização da mesma.
Então eu fui, ensinar em vários locais. Nós não ensinávamos apenas em um lugar em Tóquio. Foi muito difícil para nós construir um dojo e tivemos que superar muitas dificuldades. No entanto, foi tudo devido à grandeza do meu tio, não a mim. '

Após um período de vários anos ensinando em várias instalações temporárias, os esforços de Morihei e Yoichiro em Tóquio finalmente levou à construção de um dojo permanente no distrito de Wakamatsu-cho de Shinjuku. Havia muitos colaboradores para a abertura do Dojo Ueshiba, conhecido como o "Kobukan", em abril de 1931. Um dos que desempenharam um papel no esforço de financiamento era o tio de Yoichiro , Koshiro, que nessa época era um dos indivíduos mais ricos do Japão. Yoichiro se jactaria: " Dinheiro de Koshiro é meu dinheiro!". E parece que o irmão mais novo Zenzo foi solicitado com alguma regularidade para a assistência financeira por Yoichiro durante os primeiros anos de Tóquio.

Usando o Kobukan como a base de suas atividades, Morihei começou a ensinar em várias instituições militares e empresas em 1930. Ele foi auxiliado por Yoichiro e uma nova safra de talentosos uchideshii, como Kaoru Funahashi, Shirata Rinjiro, Yonekawa Shigemi, Tsutomu Yukawa entre outros, que assumiram uma parte das tarefas de ensino. A Arte em si continuava a evoluir longe das formas mais rígidas de Daito-ryu no sentido de uma mais livre fluxo de aplicação,circular de técnicas. Numerosas testemunhas da época recordam como os movimentos de Yoichiro pareciam praticamente idênticos aos de Morihei.

Um grande número dos primeiros praticantes de Tóquio foram de alguma forma relacionado com a religião Omotoo. Tanto Onisaburo como seu genro Hidemaro Deguchi pagou visitas ao Kobukan durante este período. Em agosto de 1932, uma organização chamada Budo Senyokai (Sociedade para a Promoção das Artes Marciais), com sede em Kameoka foi criada sob os auspícios da religião Omotoo. Onisaburo configura uma variedade de organizações auxiliares de apoio à difusão da seita em vários níveis da sociedade japonesa. Esta associação específica foi centrada sobre as atividades de ensino marcial de Morihei e Yoichiro, sendo este último conhecido pelo nome de Yoshiharu neste ponto no tempo. Há uma série de fotografias do período Budo Senyokai que retratam Onisaburo, Morihei e Yoichiro posando juntos. Só estes documentos constituem prova irrefutável da relação entre os três e a importância de Yoichiro no desenvolvimento do novo budo de Morihei.

Sessões de treinamento de Artes Marciais foram realizadas nas instalações dos capítulos da Omotoo localizados em todo o Japão. Na verdade, era a existência de um capítulo como em Iwama, Prefeitura de Ibaragi que levou a Ueshiba adquirir a propriedade lá. O estabelecimento do Budo Senyokai deu a Morihei uma rede nacional de afiliados e aumenta suas responsabilidades educacionais. Yoichiro, que por sua vez, foi encarregado de configurar e operar um dojo em Takeda, na Prefeitura de Hyogo. Ele descreve suas atividades durante este período em suas próprias palavras:

'Eu acho que foi em 1932 que comecei a viajar pelo país para ensinar. Nós, inicialmente, ensinamos na Ten'onkyo em Kameoka. Eu estava ensinando então, mas, como você sabe, as pessoas que praticam as Artes Marciais são todos tipos de travessos! Eu não poderia mantê-los na linha. Então eu falei com o Reverendo Deguchi sobre o problema.

Ele disse, 'Inoue, por que você não se livra deles, enviando-os para Takeda?' Na verdade, todos eles foram expulsos de Kameoka! Embora tenha sido dito que eles foram enviados para Takeda, porque o novo dojo tinha sido construído ali, não era verdade. Eles foram enviados para Takeda, porque eles eram muito egoístas. Eu não passei muito tempo em Takeda, e eu estava na maior parte em Kameoka, onde havia outro dojo. A primeira vez que enviei um de meus alunos para Takeda foi por volta de 1932. Ele ainda está vivendo em Himeji. Ele construiu uma casa em Takeda para mim, mas eu ficava principalmente em Kameoka. Com Kameoka como base eu fui ensinando pelas vizinhanças de Quioto e Osaka e abri dojos nestas cidades. '

Como pode ser visto a partir de observações Yoichiro, o fluxo de atividade em conexão com o Budo Senyokai levou à criação de uma forte base de treinamento na área de Kansai também.  Yoichiro, aparentemente onipresente, estava diretamente envolvido neste esforço também. Ele desempenhou um papel na abertura do dojo no Jornal Asahi News em Osaka cuja figura central foi Takuma Hisa. Yoichiro ensinou regularmente em outro dojo em Osaka por vários anos. Morihei teria de gastar cerca de uma semana por mês em Osaka, onde manteve uma segunda residência em meados dos anos 1930.

Apesar de sua agenda de ensino ocupado neste período, Yoichiro também conseguiu viajar para a Manchúria em 1933, onde ele ensinou na Daido Gakuin, uma escola de elite japonêsa em Manchukuo . Ele também visitou brevemente a Coreia no caminho de volta para o Japão."

Boa Prática.

Oss.

Tradução de parte do artigo de Stanley Pranin “Yoichiro Inoue: Aikido’s Forgotten Pioneer” Aikido Journal numero 121

domingo, 8 de abril de 2012

Meditação e Observação



















“Tinha um mestre zen chamado Shunryu Suzuki que dizia que devemos sempre manter a mente como a mente de um principiante, sempre começando. 

Porque ele dizia isso? Nós temos a inclinação para fazer graduações: superior, inferior, eu sei, aquele não sabe, iniciantes, avançados... Na vida real não acontece bem assim. Já vi estudantes de meditação que no primeiro dia tinham uma maturidade maior que alguns que estavam aqui há anos. 

O grande problema de meditadores antigos é que eles ficam o tempo inteiro avaliando a si mesmos, e cobrando da existência algo que ela não pode lhes dar. Fazem isso porque esquecem da “mente de principiante”. Se você mantém uma mente de principiante, pode sentar em meditação sem idéia de ganho. Mas se você fica o tempo inteiro dizendo para si mesmo que já está no caminho há um certo número de anos, que você já passou por certos “estágios”, então, você perde a simplicidade que mora neste momento. (...)

A mente pura é o instrumento maravilhoso que diviniza tudo que você vê. Ou seja, tudo o que vemos é uma extensão de nossa mente. E ela pode estar pura ou impura, aberta ou fechada. O mundo que você vê depende da abertura de sua mente.(...)

O que é isto que percebe (que nota) que eu estou pensando?...
Chamo a isto de Consciência.
Como posso reconhecer isso? Ficando no presente.
No Agora, tudo se aquieta.
No Agora, me dou conta de que esta Consciência é silenciosa e repouso nela para descansar.
O convite final é aprender a observar o corpomente pensar,
e notar que você não é o pensador! (...)
Simplesmente parar é ficar quietinho e em paz.
Chama-se também, meditar.
Simplesmente. Ou Mente Simples.(...)

A mente é sempre o nosso julgador interno. A Consciência está sempre por trás, como pano de fundo, dando luz à mente. Sem Consciência, não há processos mentais. Então é bom lembrar que:

1. O observador não julga.
2. O observador não se sente culpado.
3. O observador nunca está errado, nem certo.
4. O observador não pensa.
5. O observador não sente sentimentos.
6. O observador não conhece fracasso.
7. O observador é sempre perfeito e sem atributos ou definições.”

Feliz Páscoa a todos.

Oss.

Baseado em textos de Swami Sambodh Naseeb, naodual.blogspot.com.br , abril de 2012.

sábado, 7 de abril de 2012

Meditação e Respiração





















“Seguindo a respiração, você simplemente sente as sensações físicas da respiração, e quando percebe que a atenção se dispersou, observa o pensamento e reconduz a atenção para a respiração. (...) 

Observe que a respiração não é algo que você precise fazer. Consciência clara é o ambiente dos nossos pensamentos errantes. Quando, em vez de prender ou expulsar os pensamentos, simplesmente os observamos e os deixamos ir, a consciência clara se revela.

. Assuma uma posição sentada que lhe permita ficar com a coluna ereta,

manter-se estável e completamente imóvel.

. Fique com os olhos abertos, o olhar inclinado num ângulo de 45 graus, ligeiramente desfocado, pálpebras caídas.

. Respire uma ou duas vezes, lenta e profundamente. Depois continue a respirar normalmente.

. Coloque a atenção no Hara (cerca de 5 cm abaixo do umbigo).

. Fique atento à respiração - às sensações físicas de cada respiração.

. Ao perceber que a atenção se desviou da respiração, observe o pensamento e reconduza suavemente a atenção para a respiração. (...)

Em nossa vida cotidiana, os nossos pensamentos estão quase sempre agitados. Na prática do Zen, assentamos repetidamente a mente para que os pensamentos se acomodem, voltando a atenção para a respiração. Observamos os pensamentos agitados e assentamos a mente, e assim por diante.(...)

Observe o pensamento,

volte à respiração,

observe o pensamento,

volte à respiração,

observe o pensamento,

volte à respiração..."

Boa Prática.

Oss.

Baseado no texto de Kim Boykin, do livro Zen para Cristãos.

domingo, 1 de abril de 2012

Sobre Zen e Unidade

























Muitos perguntam sobre determinados conceitos de não dualidade, de afinidade com o universo, sobre a mente e a oração na prática do dia a dia; encontrei um texto de Osho que esclarece muito bem estes questionamentos:

“Todos os seus problemas existem por não ser um. Porque está fragmentado, em desunião, em caos - não em harmonia. O que é o Zen, o que é Yoga, o que é meditação? Nada mais do que chegar à unidade. (...)

Quando você vive na diversidade, os problemas são criados, porque mover-se em várias direções simultaneamente torna-o dividido, impede sua união. Um desejo o conduz para o norte, outro para o sul. Uma parte da mente ama, a outra odeia. (...)

Quando sua mente está dividida, você não pode orar nem meditar porque uma parte fica sempre contra a outra. E, mais cedo ou mais tarde, ela vencerá. Lembre-se disto: a parte que está em ação perde energia a cada instante e a que não está, a que critica, não perde energia nenhuma energia. Assim, mais cedo ou mais tarde será a mais poderosa.(...)

A unidade é necessária. Se não há unidade, a luta é constante. Eis porque Gutei costumava levantar um dedo quando explicava sobre o Zen. Estava dizendo: “Seja um! – e todos os seus problemas serão solucionados.”

Existem muitas religiões, muitos caminhos, vários métodos, mas o ponto essencial é o mesmo: a unidade. Seja qual for a sua escolha, seja um. Se você puder ser infinitamente paciente, tornar-se-á um. Se puder render-se totalmente, tornar-se-á um. Se puder silenciar completamente, será um. Se não houver pensamentos e você estiver em meditação, será um. Se rezar a Deus e a reza for intensa, a ponto de você não estar mais presente, a ponto de se dissolver nela, tornar-se-á um, a unidade virá.

Se puder trabalhar num jardim totalmente absorto, de modo que nenhuma pessoa exista, nem mesmo quem está cavando; se você se transformar no ato de cavar, então o agente será a ação, o observador a observação, o meditador a meditação – de repente, todas as ondas de maya desaparecerão, todas as ilusões terminarão. Você será elevado a uma camada diferente, a um diferente plano de ser.

Quando você for um, alcançará o Um. Enquanto for muitos, estará no mundo. O mundo é muitos e Deus é um. Para conhecer o Um, é preciso, antes, tornar-se um. Não existe outro modo. Só quando você se transformar Nele é que será capaz de conhecê-lo. (...)

Zen é um termo sânscrito vindo da palavra dhyan. É a forma japonesa de dhyan. Quando Bodhidharma levou para a China as técnicas de Buda, dhyan tornou-se Ch’na. Quando ch’na foi levado para o Japão, tornou-se Zen. Mas o termo original é ´dhyan. Quando Gutei falava sobre dhyan (meditação), levantava um dedo. A unidade é dhyan, a unidade é tudo o que deve ser atingido – é o fim.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado no livro “Nem Água, Nem Lua”, de Osho.

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