Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre o Zen











































Muitas vezes me pedem para explicar o Zen, ou indicar livros e cursos sobre o assunto; atualmente minha resposta é ficar em silencio. Como afirma Mestre Daie, o Zen não é para alcançarmos certas idéias ou conceitos filosóficos; o que existe são apenas comentários de algo que não pode ser dito ou explicado.

Existe um livro que fala sobre conceitos básicos do Zen, cujo autor é muito didático:

“O Zen ensina que qualquer coisa que pensemos que somos, é somente um pensamento. Não somos o pensamente; somos a consciência que o evidencia. Mas dizer isso é outro pensamento! (....)ensina que devemos nos afastar de qualquer conceituação sobre quem somos e sermos o que somos.”

“Zen não é tornar-se uma pessoa espiritual. Zen é realizar a verdade eterna do “Não Eu”. Zen é transcender todos os rótulos e definições que apensamos a nós mesmos e experimentar diretamente a inefável natureza Buda.”

“Você não tem que se tornar um budista para entender o Zen. De fato, fazê-lo seria um erro fatal. Considerar-se um “budista” ou um “praticante Zen” pode soar exótico e impressionar, mas na realidade é adicionar outra camada a ilusão do eu. Não se torne nada. Seja você mesmo. Esta é a mensagem do Zen.”

“Ninguém pode lhe ensinar Zen. Zen é a descoberta de sua natureza essencial para você mesmo. Esta é uma viagem pessoal para transcender sua personalidade e descobrir a natureza Buda, que é sua verdadeira identidade. Iluminação não é só para pessoas sagradas. Sua natureza essencial não é diferente da do Buda. Todos somos dorminhocos esperando acordar do sonho da separação.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado no livro de Timothy Freke, Zen– Palavra Básica.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sobre a Mente







































Um andarilho, que após caminhar dias, achava que demoraria muito para chegar ao seu destino. O Sol já estava alto, quando viu, um homem montado sobre um cavalo possante. À distancia, parecia que o homem estava adestrando o cavalo, pois via o animal galopar em várias direções, retornava, ia, voltava; que belo animal.
Subitamente, o animal dispara numa corrida em direção ao andarilho, que ficou entusiasmado com a destreza do cavaleiro. De certo pediria para o cavaleiro levá-lo para o seu destino, chegaria mais cedo e descansado. 

Começou a abanar os braços para ambos pararem próximo a ele.

- “Vai para aonde? Pode me levar?”- gritou o viajante.

-“Não sei para aonde ele vai, há dias corre sem rumo, faz o que quer e estou exausto, não consigo parar”, respondeu o cavaleiro, que desaparece no rastro de poeira deixado pelo cavalo em disparada.

O monge Thich Nhat Hanh (Thay) diz que o cavalo representa a força de nossos hábitos arraigados na mente; vai correndo sem cessar; é a falta de foco.
Ele diz em seu livro:

“ Precisamos aprender a arte de fazer cessar — parar nosso pensamento, a força de nossos hábitos, nossa desatenção, bem como as emoções intensas que nos regem. Quando uma emoção nos assola, ela se assemelha a uma tempestade, que leva consigo a nossa paz. Nós ligamos a TV e depois a desligamos, pegamos um livro e depois o deixamos de lado. O que podemos fazer para interromper este estado de agitação? Como podemos fazer cessar o medo, o desespero, a raiva e os desejos?

 É simples. Podemos fazer isso através da prática da respiração consciente, do caminhar consciente, do sorriso consciente e da contemplação profunda - para sermos capazes de compreender. Quando prestamos atenção e entramos em contato com o momento presente, os frutos que colhemos são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar o sofrimento e fazer brotar a alegria.”

Foco, respiração e estar no instante presente; com esta pratica tão simples nossas energias não se “esvaem”, entramos numa fase de plena harmonia.

Boa Pratica.

Oss.

Baseado em Thich Nhat Hanh, A Essência dos Ensinamentos do Buda.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Não-Dualidade e Consciência







































Nossa prática diária é um caminhar em direção à Consciência, pouco a pouco vamos entrando em contato com a Não-Dualidade. Muitas vezes temos “contatos” fugazes, como estar ao lado de um rio calmo e de águas cristalinas, e, pelo condicionamento ou inconsciência, molhamos a mão para refrescar o rosto.
Quanto tempo demoraremos para perceber que podemos beber e nos banhar nestas águas?

 Quanto tempo para tomarmos Consciência que não existe rio, água, eu, nós, mundo fora ou mundo dentro?
Não existem respostas, existe a vivência e a prática. O-Sensei Morihei Ueshiba, Tempu Nakamura Sensei, Yamaoka Tesshu Sensei, Osho e Inoue Doshu nos apontam o Caminho; através prática da meditação e esvaziamento do Ego, nos tornando um com a Existência.

Swami Sambodh Nasseb, em seus textos, nos fala sobre esta caminhada:
“Consciência é como o espaço, e nós somos isso. Nosso corpo é acolhido pela consciência. Nossos pensamentos são acolhidos pela consciência. Quando despertamos para este acolhimento que já está acontecendo de fato, tomamos consciente do quanto estamos sendo cuidados neste exato instante.

Quando acolhemos todos os pensamentos, os positivos e os negativos, nós despertamos a unidade que somos. Por acolher, percebemos que somos maiores do que aquilo que estamos acolhendo. Logo, se acolho todos os pensamentos, eu sou consciência acolhendo. E consciência está além dos conceitos positivos e negativos da mente.

Acolhemos em nosso coração consciente tudo que aparecer. Podemos fechar os olhos e praticar isto por alguns momentos. Você pode colocar uma música relaxante se quiser. Inicie colocando as mãos no centro do seu peito, uma em cima da outra. Quando sentir a conexão mais profunda, relaxe as mãos no colo e diga para si mesmo: “Acolho tudo que vier pra mim agora”.

E fique simplesmente sentindo este acolhimento. Significa que você não luta com nenhum pensamento. Só acolhe. Você também não entra em conflito com nenhum sentimento negativo. Só acolhe. Qualquer sensação desconfortável no corpo, apenas acolha em seu coração consciente.

Esta prática tem um poder de cura imenso, porque lhe ensina a transformar suas energias ao invés de lutar com elas.”
Assim como a Não-Dualidade:

“O que é não-dualidade?
É o percebimento de que não há separação entre você e a vida, entre você e os outros.
Simplesmente porque não existe VOCÊ.
Este VOCÊ é simplesmente um mito.
A vida inclusive inventa este VOCÊ/EU para que o jogo tenha graça.
Mas na verdade, a vida é como um organismo.
A ilusão da liberdade do ego é mais uma das brincadeiras!
Afinal, o ego é apenas a sombra de um gato preto no escuro...”

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos sobre o Zen e de Sambodh Naseeb (“Você/EU” e “Consciência” em http://naodual.blogspot.com)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Inconsciência e Corpo Sofredor
































Li um texto de Lilian Amorim, em seu Blog Ventos de Paz, que consegue demonstrar muito claramente este assunto.

 Este ritual diário que, por falta de consciência, parece ser impossível de ser abandonado; a maioria não se apercebe dele. Reproduzo abaixo, partes deste texto:


“ Eckhart Tolle me chamou muito a atenção: O corpo sofredor, ou o corpo de dor.


Ele nos coloca frente a algo tão palpável, tão comum nas nossas vidas, nosso dia a dia, os mecanismos que está por trás desse tão conhecido corpo sofredor.

Existe no mundo uma verdadeira indústria do medo, do terror, do negativo, que se alimenta da insegurança e da desconfiança das pessoas. Com isso, a estranheza coletiva aumenta, passa-se a se ver inimigo por todo lado, e a mente cria fantasias terríveis por onde passa.

Cenas cotidianas, passam a ter uma conotação de tragédia, e como se não bastasse, o que já era ruim pode piorar, sempre!

Eckhart nos aponta como o corpo sofredor é sedutor... e vai conduzindo aqueles que com ele se identificam a traumatizar mais e mais a sua própria vida e a dos outros. Tudo vira um grande drama, dores, sofrimentos, queixas, reclamações, negatividade...

Quando paramos e refletirmos sobre esse corpo sofredor, o que se vê na verdade, é uma grande encenação, uma dramatização da realidade, apenas isso.

Se formos olhar com olhos puros, sem todas as encenações da mente, veremos que tudo acontece de forma natural, são apenas aspectos, fatos, coisas que lidamos ao longo de nossas vidas, ensinamentos, sem nenhuma gravidade em si, e mesmo que haja realmente gravidade, quanto mais se perde nesse corpo doloroso, só faz aumentar o sofrimento pela projeção que se coloca sobre o simples fato.

Quando caímos em reclamações, em julgamentos de coisas que nos acontecem, com dimensões de nossa vida que não sabemos lidar, e nos colocamos como vítimas, como frágeis e vulneráveis, sacrificados, estamos sem perceber alimentando esse corpo sofredor, que adora essa "grandiosidade", essa "dramaticidade negativa". Não se pode ser igual a qualquer pessoa, não, precisa-se ser sempre pior, mais sofrido, mais oprimido, mais sacrificado, mais perseguido, mais doente, mais injustiçado... e por aí se vai... o corpo sofredor sendo alimentado...

Se observarmos os dramas, o “filmes” de sofrimento criados por nós mesmos, dia após dia, veremos que esses dramas todos nos dão a ilusão de identidade, a ilusão de que somos importantes, somos mais que os outros. Trata-se de uma armadilha do ego, que precisa manter-se vivo, pelos filmes diários, pelos dramas mentais que criamos para nós mesmos.

Quando mostramos a alguém que ele está aprisionado em seu filme de dor, em seu corpo sofredor, é muito natural que isso seja rejeitado, que esse olhar seja visto como indiferença ou insensibilidade. Pois o que o corpo sofredor mais gosta, é de que seja alimentado com a pena, com o sentimento de que aquela pessoa realmente é uma sofredora e que a vida realmente tem sido injusta demais com ela..

Quando mostramos que não existe isso, de vida injusta, que é tudo ou quase tudo, criação mental da pessoa, que ao invés de simplesmente acolher a realidade e usá-la como trampolim da melhor maneira possível, ao invés de ficar mentalmente aprisionado em histórias dramáticas contadas para si mesmo...o que acontece na maioria das vezes, é sermos mal vistos...pois não pactuamos com aquele personagem sofrido, e pobrezinho...

Levar consciência a esse corpo sofredor é uma tarefa árdua, é verdade. A inconsciência que vivem muitas pessoas, aprisionadas em seus mundinhos sofridos, acreditando que com isso estão sendo vistas, reconhecidas, e até valorizadas, por tantos sacrifícios que fazem, essa inconsciência muitas vezes rejeita qualquer consciência que aponte os pontos obscuros e provoque uma mudança real, de vítima da vida, para senhor, senhora da vida...

Não somos pobres, somos a própria Vida. Somos filhos do Universo, somos a própria consciência divina vivendo experiências humanas. Esta mentalidade negativa, sofredora, é algo que já está por demais desgastado nesse nosso planeta, e mais ainda, nesta época em que vivemos. Já existe uma nova consciência que enxerga claramente a grandeza de cada ser humano, enquanto totalidade, enquanto divindade. Como ainda é possível ficar-se preso a essa mentalidade pequena, mesquinha, e sem saída, ultrapassada, que transforma a vida em um verdadeiro inferno, sem luz, sem amor, mendigando afeto pela pena? Isso é realmente muito pouco para tamanha grandeza que cada um de nós é em verdade.

Importante lembrar, como nos mostra Eckhart, que mesmo que não alimentemos esse corpo sofredor, ele ainda permanece ali escondido, encolhido. Trata-se de um mecanismo do inconsciente coletivo bastante forte, que todos nós precisamos estar muito atentos. Pois caso descuidemos de atenção, ele pode voltar, e nos contaminar com esses jogos dramáticos. A vigília é constante. A consciência é constante.

Importante estarmos atentos sempre que esse corpo sofredor emergir. Sempre que começarmos a sentir pena de nós mesmos, a reclamar da vida, a perceber apenas o lado negativo das coisas, dos fatos, quando começarmos a perceber a vida, as pessoas pelo olhar da falta, do erro, do juízo, saibamos que o corpo sofredor da mente está começando a ser alimentado. A consciência atenta sobre esses pensamentos e emoções é o melhor antídoto.”

Boa Reflexão.

Oss.

Este texto encontra-se no site Ventos de Paz (www.ventosdepaz.blogspot.com)

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