Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Silêncio da Mente e a Pratica
























Morihei Ueshiba O'Sensei mencionava em um escrito, que a prática só é possível quando nos conectamos com a fonte, ele mesmo recomendava a prática do Zazen; para silenciarmos a mente.
Como nos dizia Swami Nisargadatta Maharaj, em seu escrito “Eu Sou Aquilo”, falando sobre a prática :
“Abandone toda tentativa, simplesmente seja, não se desvie, não lute, deixe cair todo suporte, segure-se no senso cego de ser, varrendo para longe tudo o mais.
(......)mas você não deve indulgir em preparações e planos, nascidos da memória e antecipação.
Simplesmente olhe para o que quer que aconteça e saiba que você é algo para além disso.
Isso não tem nada a ver com esforço. Simplesmente vire-se na direção oposta, olhe entre os pensamentos, ao invés de para os pensamentos. Quando você caminha em uma multidão, você não luta com todo homem que encontra; você simplesmente faz o seu caminho por entre eles.
Quando você luta, você convida luta. Mas quando você não resiste, você não encontra nenhuma resistência. Quando você se recusa a jogar o jogo, você está fora dele.
Uma mente quieta é tudo o que você precisa. Todo o mais ocorrerá normalmente, uma vez que sua mente se aquiete. ”
Boa Prática,
Oss.
Baseado em artigos sobre Morihei Ueshiba O'Sensei e Swami Nisargadatta Maharaj

domingo, 22 de janeiro de 2012

Misogi e o Caminho do Coração
























A prática do Misogi, foi muito difundida no Japão por  Yamaoka Tesshu Sensei, sendo transmitida ao seu último discípulo, Ogura Testsu Sensei, fundador do Ichikukai Dojo, em 1922.

Neste dojo, situado a noroeste de Tóquio, temos a prática de Misogi através do Kokyu Ho (método de purificação através da prática respiratória) e da meditação Zazen.  Koichi Tohei Sensei se iniciou estas práticas com Ogura Sensei, e, com o tempo, criou um grupo para estudar as raízes do Misogi e Makoto no Japão, chegando ao nome de Inoue Masakane Sensei (1790 a 1849, do Clã da província de Közuke).

Mazakane Sense estudou Medicina com Isono Hiromichi Sensei, frenologia Figsionomia Divinatória com Mizuno Nanboku Sensei. Após um sonho tido como pré-monitório, em 1834, inicia estudos de Hakke Shinto do Clã Shirakawa, tornando-se sacerdote do templo de Meda Jinmeigü (em Bushü, 1840). Devido aos seus estudos, foi banido em 1843 pelo Shogum Tokugawa para ilha de Miyakajima, porém continua divulgando sua doutrina aos discípulos e aos habitantes locais até falecer, sendo sua doutrina é reabilitada no Período Meiji.

Misogi significa purificação, sendo considerado um conceito do Shintoismo Antigo (Koshinto), se referindo a concepção da vida, a vida como élan vital, Deus como élan vital do Universo. Normalmente, objetos e seres vivos se degradam com o passar do tempo, é o curso natural das coisas; porém, através da prática do Misogi, seria possível retornar ao estado original.

Além do Zazen e das técnicas respiratórias centradas no Hara no Tanden, esta prática tem como base a chamada Tripla Purificação (uma espécie de recitação antiga, ou encantamento, associado ao Kotodama), sendo mantida conjuntamente com o Makoto no Kokoro (Sinceridade do Coração). Não adianta simples recitação, tem de haver pureza e sinceridade no Coração.

Observar que o kanji para o coração (shin- kokoro) é a base para as palavras e verbos (como: mente, atenção, interesse, emoções, gratidão, admiração, raiva, calma, tristeza, tranqüilidade, vergonha, escutar atentamente, benção, lamentar, gentileza, ser leal, ser devoto, entre outras dezenas), por isso o Misogi conduz a energia (ki) ao Naka no Tanden (onde se localiza o coração). Quando chegamos a este estagio, deixam de existir antagonismos, e sim passamos a integrar tudo o que era visto como opostos.

Inoue Doshu sempre apontou para oração ao Kami, sinceridade de propósito e ser humildade; que o Caminho só é possível através do Coração; sem ele não há nada, com ele tudo é possivel.

A prática da meditação nos ensina a pacificar a mente, conjuntamente com a prática da respiração, aos poucos se integram os 3 Tanden (Seika - Naka – Kami), se restabelecendo a conexão com o Universo.

Este é o Caminho.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em textos de Koichi Tohei Sensei, entravistas de Stanley Pranin e enciclopédias sobre tradições japonesas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Impermanência e A Flor de Cerejeira

Presente nas crônicas e canções mais antigas do Japão (Kojiki e Manyoshu), a Sakura, no periodo Edo começou a ser relacionada aos Samurais e,no período Meiji, reafirmava o ideal do povo japonês.

O florescer desta árvore (Sakura no Ki) é a mais pura manifestação da cultura japonesa, sendo que sua flor (sakura ou ooka) representa tanto a metáfora da vida assim como o símbolo do Bushido.

Existem várias lendas sobre esta árvore, como a que ela seria proveniente de uma princesa denominada “Kono-hana-sakuya-hime no Mikoto” (“Princesa da árvore de flores abertas”), considerada tão bela quanto a flor, que atraiu a atenção da divindade Ninigi no Mikoto, o ancestral do povo japonês. A princesa, ao perceber que sua beleza seria efêmera como as flores da cerejeira, ruma ao topo do Monte Fuji para subir aos céus. Muitos afirmam que o nome Sakura deriva do nome da princesa Sakuya, que significa florir.

É fato, que após seu florescimento, a flor enfraquece rapidamente e será espalhada pelo vento, esta é a morte perfeita para um verdadeiro Samurai, que tem consciência da sua natureza transitória da existência. Na essência de Bushido, o Samurai vive aprendendo dia a dia, pois sendo a vida passageira, estamos vivendo o Tada Ima (Instante Único, o Agora, o Momento Presente). A Cerejeira Omoto, é originária do Himalaia, tem flores miúdas rosa claro, com nuances de verde claro galhos compridos, florescendo na primeira semana de abril sendo a espécie venerada no Monte Fuji, no templo dedicado a Kono-hana-sakuya-hime no Mikoto (a espécie roxa ou avermelhada é originária de Okinawa e floresce em março).

Inoue Doshu dizia que o "Budo pode ser comparado com as flores de cerejeira caindo, flutuando no vento", o foco no instante presente, sem se esquecer da Impermanência; ser firme e suave na prática dos movimentos com a katana. Ao mesmo tempo, se pratica o “esquecer-se”, o “entregar-se ao Fluxo”, assim como as flores da cerejeira se entregam ao vento, ela são o próprio vento, elas “saboreiam” o vento; este é o instante único que só pode ser experimentado uma única vez.

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre mitologia japonesa e Inoue Doshu

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