Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Sabor da Impermanência




Encontramos um conto na Tradição Zen que é atribuído a Sidarta Gautama, que teria sido transmitido aos discípulos:

“Ao raiar do dia, um homem atravessava o campo, totalmente distraído, quando se deparou com um tigre. Vendo o animal, começou a correr com o tigre em seu encalço.
Corria muito e a todo instante olhava para trás, devido ao medo; esta falta de atenção o fez cair em um precipício, que estava à sua frente. Escorregando pela ribanceira, consegue se agarrar a um arbusto, a uma distância que permitia ao tigre cheirá-lo; ao olhar para baixo, viu que tinha outro tigre, mais claro, que o farejava ao longe.

O homem decidiu esperar o tempo passar ali agarrado no arbusto e ambos os tigres esperavam cheios de apetite. Apesar do medo, o homem achava que estar pendurado no arbusto, seria a salvação de sua vida e já se acostumava com a idéia.

Quando começava a entardecer, se aproximam dois ratos, um branco e outro preto. Os pequenos animais, começam a roer o arbusto, calmamente, iniciando pelas raízes; roíam um pouco aqui, um pouco ali.
Só nesse momento, que o homem percebeu que próximo às raízes do arbusto, tinha um fruto apetitoso; esta visão faz com que o homem solte uma das mãos para colher o fruto e levar à sua boca.
E nunca um fruto fora tão saboroso como este.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em textos sobre o Zen.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Natureza Mestre-Discípulo




O mestre nunca faz coisa alguma, e se o discípulo se mantiver separado, nada irá lhe acontecer; o esforço existe do lado do discípulo.


A presença do mestre está aí, assim como a luz: você abre os olhos e a luz está aí, ela não se dirige para eles, especialmente. Se os olhos não são abertos, a luz não é percebida; ela é indiferente, o receptor (no caso, o discípulo) é que deve ser ativo. A partir disto, o receptor poderá perceber o mundo à sua volta. Mesmo sem ação intencional, a luz se faz necessária; da mesma forma, o mestre. O discípulo tem de fazer tudo no processo, ser ativo no processo, senão se torna um marionete nas mãos do mestre; não existindo evolução e sim um esteriótipo. Nenhum mestre verdadeiro aceitaria tal fato.


Segundo Osho, um mestre pode dar todo o seu ser, mas somente como presença, não como uma ação. Um mestre autêntico jamais faz coisa alguma. Ele se disponibiliza de muitas maneiras; ensina como estar disponível, aberto e receptivo.


O mestre está presente e disponível, em sua radiação tudo começa a crescer. Mas ele não toca em você, ele deixa você ser aquilo que você já é; qualquer que seja o seu destino, você não deverá ser levado para fora dele. O mestre pode estar conectado com muitos discípulos, mas a conexão é essencial, não organizacional; cada discípulo está conectado com o mestre por sua capacidade individual.


O espaço e tempo não fazem qualquer diferença na relação mestre- discípulo porem, como os discípulos tem, ainda, muitos desejos e expectativas, tem-se a impressão que espaço e tempo existem. Eles não fazem diferença, mas a expectativa da iluminação é suficiente para dar esta falsa impressão. O segredo do aprendizado é abandonar todas as ambições, pois não há nada para ser alcançado.


Quando Sidarta Gautama morreu foi um grande choque para todos os discípulos, mesmo para o mais próximo, Ananda. Porem, os discípulos Manjushri, Vimal Kirti e Sariputtra permaneceram completamente silenciosos, como se nada estivesse acontecendo. Eles não eram duros nem frios, simplesmente já tinham cruzado a barreira entre mestre e discípulo; eles entraram na consciência do mestre ou permitiram que a consciência do mestre entrasse neles, o que quer dizer a mesma coisa: os dois desapareceram e agora existe apenas um. O problema é: deseje demais a iluminação e você a perderá, retenha em algum lugar do seu inconsciente o desejo de alcançá-la e você não alcançará.


Esquecendo tudo sobre iluminação, vivendo no presente; onde quer que você esteja, o mestre estará com você, a dualidade deixa de existir: as duas chamas se tornarão uma. Na dualidade existe discípulo e existe mestre, na não-dualidade isto desaparece; o que permanece é apenas a pura consciência.


Boa Reflexão.


Oss.


Baseado nos textos de Osho, em Beyond Enlightenment

domingo, 13 de novembro de 2011

Ser Observação


Muito se pergunta como se faz para “Ser Observação”, se existe técnica ou algum tipo de exercício especial, qual escola a seguir. Como resposta a estes questionamentos, trago este texto de Satyaprem:

“A Observação é eterna, o agora é eterno. Do ponto de vista da mente, nós chamaríamos isso de permanente. Mas o eterno não é permanente, porque o eterno não faz parte do tempo. Essa sentença não é crível pela mente, ela não consegue colocar esse ambiente em perspectiva, trata-se de uma grande novidade. Proponho que insista até que a realização seja límpida.

A mente pensa que existe um você. De nenhuma maneira sugiro que pare de pensar, apenas veja que é a mente que pensa que existe um você, e estaremos conversados. Você não precisa fazer nada com a sua mente, não se engane, ela não é sua. Deixe-a fazer o que quiser e não se envolva. Não há a menor exigência do Ser em alinhar a mente. Essa exigência vem da própria mente e é absolutamente falaciosa.

Tudo o que tentar fazer com a sua mente, estará sendo feito do ponto de vista da própria mente, não da Observação. Até porque, do ponto de vista da Observação – que é um ponto de vista sem ponto – não tem mente. No agora não tem mente. Olhe com acuidade e veja que isso não é discutível. De onde você está olhando, sei que não é possível ver que não há mente. Mas, de fato, não há. E, se quer provar, olhe para o agora.

Mergulhe no menos de um segundo e lá estará o Silêncio que você é. Para a mente seria fantástico organizar essas visões de uma maneira racional, para que pudesse controlar tudo o que passa. No entanto, esses lapsos, essas visões, são rompimentos dessa sequência, desse fluxo mental que organiza as coisas. Portanto não há nenhuma necessidade em organizar, a mente não tem nenhuma propriedade sobre isso. É justamente desorganizando a fluência da mente que um vislumbre acontece. Esse lapso de instante fora do tempo, onde você vê o agora, é sempre surpreendente. Não tente organizar. Quando você tenta organizar, ele some.

E, saiba, você não precisa falar sobre isso. O que você está vendo é visto nos seus olhos. Não perca tempo com explicações. A Verdade é Verdade até embaixo d’água – não tem o que fazer com isso. Não tem o que discutir ou melhorar. Repouse no agora e se renda à simplicidade de ser você, livre de explicações, ordem ou metas.”

Boa Reflexão.

Oss.

Texto de Satyaprem:Um Lapso Limpido do Instante

domingo, 6 de novembro de 2011

O Som Único do Zen
























A tradição Zen fala do monge Kakuan, que habitava no Monte Hiei. 
Este antecessor de Eisai Zenji, tinha ficado muito tempo na China e, naquela época a aristocracia do Japão passou a se interessar pela cultura chinesa. Conta-se que foi chamado pelo Imperador para explicar a essência do Zen, em uma breve audiência que seria oferecida à Corte. Assim que Kakuan chegou ao Palácio Imperial, foi encaminhado ao salão aonde conselheiros, cortesãos e convidados esperavam, junto ao monarca, ansiosos para ouvir o que era o Zen.

O monge se curva diante o Imperador, e em silencio, fica ouvindo os questionamentos de todos; todos queriam uma grande demonstração. Foram muitas perguntas e, com um gesto, o monge pede a audiência que espere. Todos estavam curiosos para ouvir o relato e o monge fica imóvel, em silêncio diante de todos, o que desencadeia um murmurio intenso, já que as pessoas que alí estavam achavam um enorme desrepeito à eles a ao Imperador.

O murmurio se torna um barulho insuportável, quando Kakuan tira das dobras de seu robe uma flauta de bambu. Com muita reverencia e concentração, ele coloca-a na boca, e após uma lenta respiração, sopra, emitindo uma nota longa .

Este som faz com que todos se calem, todos apresentam uma expressão de atordoamento e surpresa em suas faces; não existe mais arrogância e sim uma sensação que não podia ser explicada pelos convidados. O silêncio se faz, não apenas no salão, mas em todo o palácio. Após o som único, a pausa; o tempo parecia ter parado, todos experimentavam uma sensação única.


O Zen não pode ser explicado; esta foi a maneira que Kakuan achou para demonstrar o Zen, num breve periodo de tempo, como queria o Imperador.
O monge, após sua demonstração, guarda a flauta e se curva perante o Imperador. Enquanto todos estão absortos, com a mente na pausa, ele sai do salão, voltando para o Monte Hiei. Nunca mais se ouviu falar dele.


Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Zen e Suizen.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Flauta Zen




















Suizen, é uma prática do Zen que visa atingir níveis mais elevados de consciência e é conhecido como a prática da respiração Zen, sendo utilizada a flauta Shakuhachi.

 A prática da respiração é muito comum muitas disciplinas orientais, assim com nas Artes Marciais, visando o equilibrio interior. Através dos estimulos das fibras parassimpáticas, predominantes no sistema respiratório, que induz um estado de calma interior.

Com a experiência, você começa a encadear notas no mesmo fôlego, cada vez mais centrado e tranquilo.Com o tempo, tomamos consciência da pausa; pouco a pouco notamos os efeitos que as várias notas sobre a nossa consciência e passamos a agir intuitivamente.

A partir desse ponto, não existe mais separação entre quem toca, flauta e som. O aparecimento desta prática tem uma história muito interessante, conforme o texto abaixo, de Anderson Rabello Pereira:

“A flauta Shakuhachi chega ao Japão, vinda da China, por volta do século VII. Quando a música Gagaku foi introduzida neste país. Após seu ingresso no Japão, o Shakuhachi Gagaku sai de moda na China e no século X só era tocado na ilhas japonesas. No século IX a música Chinesa tocada no Japão começa a sofrer alterações e o Shakuhachi Gagaku cai em desuso. O monge Ennin (794-864) o utilizava com o canto do Sutra Amida ou Amida Kyo.

Na Idade Média, o Shakuhachi era instrumento de acompanhamento de Soga (canção e dança de Sarugaku, precursor do teatro Noh). O sarcerdote Ikkyu (1394 a 1482), viveu no período do florescimento do Zen Budismo; era um monge Rinzai que tocava Shakuhachi e deu origem a ramificação Fuke (origem do Shakuhachi moderno).

No período Edo vários samurais tornam-se Ronins, por dissolução de feudos e desaparecimento de diversos Daimios. Como praticantes do Zen, vários ingressam na seita Fuke , unindo-se aos monges Komusos (sacerdotes do nada). Caracterizavam-se por usar os “Sangu” (três instrumentos): Kesa, dogi (quimono) preto; o Tengai,chapéu de palha em forma de cesto, simboliza desprendimento do mundo material; e o Shakuhachi Fuke, do qual detinham monopólio. 

 Tinham os “San In” (três selos): o Honsaku- autorização Komuso; Ein- cartão de identificação e permissão de viagem. Os Ronins não podiam utilizar suas espadas, então, o instrumento musical sofreu modificações para ser convertido em arma de defesa, como um bastão pequeno e resistente. Esta reformulação estrutural aumentou o número de nós (Ichi (um) shaku hachi (oito) Sun isto é, 30,03cm mais oito vezes 3 cm aproximadamente 54,5 cm) e passou-se a utilizar a parte da raiz do bambu mais resistente, com uma acústica melhor; era ferramenta religiosa “Hoki”. Os Komusos praticavam o “Suizen”.

A fundação da Fuke consta no documento Keicho no Okitegaki, decreto do século XVII, onde constavam os direitos e deveres da seita, bem como privilégios especiais. Após os primeiros oitenta anos, as regras e disciplinas dentro dos templos Komusos foram decaindo. Em 1847 foram proibidos os privilégios especiais e em outubro de 1871 o governo Meiji aboliu a seita Fuke.

O Shakuhachi é confeccionado com bambu Madake e uma característica é ter sete nós bem definidos, sendo os três últimos (campana) formados pela raiz. Tem embocadura simples, apenas um corte com ângulo de trinta graus e cinco furos. Suas medidas, porem, seguem rigorosas. Possui sonoridade rica em harmônicos e efeitos sonoros, como o “Muraiki” e o “Meri Kari”; escala pentatônica (ré, fá, sol, lá, dó, ré, que correspondem a “ro, tsu, re, chi, ri).

No século XVIII foi atribuido a Kurosawa Kinko (1710 a 1771), um monge Fuke, o ensino do Shakuhachi nos templos em Edo. Nascido em Furoda, ilhas Kyushu, de família samurai, Kurosawa viajou por todo o Japão recolhendo e organizando as peças Fuke, conferindo maior elegância e musicalidade. Seu estilo foi transmitido através de gerações da sua família. Após isto, o samurai Hisamatsu Fuyo, discípulo de Kinko III, tornou-se então o iemoto da linhagem, dando continuidade ao estilo. 

Hisamatsu manteve os aspectos da disciplina Zen intrínseca à tradição, mas, salientou sua importância como instrumento musical (gakki), dando um direcionamento artístico à flauta. Yoshida Itcho e Araki Kodo lideraram a transmissão do estilo após a morte de Hisamatsu.

A escola “Kinko Ryu” só ocorre a partir de Kinko II, com a necessidade de usar este termo para diferenciar do “Ikkan Ryu” (criado por Miyaji Ikkan, um dos melhores discípulos de Kinko). A linhagem Kinko está presente em diversos países, inclusive no Brasil.”

Bom fim de semana.

Oss.

Artigo escrito por Anderson Rabello Pereira, pesquisador de Tradições e Artes Marciais japonesas; especialista em confeccionar Shakuhachi.

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