Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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domingo, 2 de outubro de 2011

1,2,3 e o Silêncio
























Conta-se sobre uma tradição comum nos mosteiros Zen, era conceder pernoite aos monges peregrinos, desde que eles participassem de um debate; se “vencesse”, o forasteiro poderia ficar por uma noite, senão, deviam continuar a jornada após ligeira refeição.

Havia um templo, cujo Monge Superior era um exemplo de Consciência e Compaixão; com ele estava seu irmão mais novo, que só enxergava o mundo com a perspectiva de um olho (pois tinha perdido o outro). O jovem, ao invés de se dedicar aos estudos e práticas, sempre ficava contado e relembrando a história de sua perda, ano após ano; com isto, não conseguia atingir o nível de seus colegas, permanecendo sempre preso a determinados conceitos.

Certo dia, um monge peregrino pediu para participar dos ciclos de ensinamentos e, após isto, pernoitar no local. O dia foi longo, mas o forasteiro estava entusiasmado com os ensinamentos do Monge Superior, sempre participativo. No final das palestras, ao anoitecer, o forasteiro pergunta pelo abrigo e, passa a conhecer a tradição do templo, o Monge Superior seria o responsável por tal tarefa. Como havia muito ainda por organizar no templo e para não ser indelicado com o visitante, o velho Superior resolve indicar o seu irmão para substituí-lo, assim não ofenderia o visitante (que não sabia da precária instrução do rapaz). Para tal, o Superior sugere que fosse um diálogo em silêncio, assim o irmão teria uma chance remota e o visitante nada perceberia.

Enviados ao jardim, ambos começam a caminhar lado a lado; dados poucos passos, retorna o visitante maravilhado, dizendo que vai partir muito feliz por ter encontrado mente tão sábia a derrotá-lo; seu coração vibra com a lição.
Muito sabiamente, o Monge Superior se reúne com cada um, em separado, para saber como tal fato aconteceu. Após os relatos, se revelou a percepção de cada um sobre a Existência. 

O Debate Silencioso:
Ambos caminham pelo jardim, o jovem encara o visitante, devido o problema de visão e, o visitante, pensando ser prática comum do templo, faz o mesmo.

“Serei cortês, retribuirei este profundo e sincero olhar no âmago do ser, belo gesto do rapaz”, pensa o visitante.

“Grosseiro, zomba do meu problema de visão, preconceituoso como os outros”, reage o rapaz.

1)O visitante eleva um dedo e mostra diante da face do outro, “O Buda”, pensa ele demonstrar com o gesto.

“Como tentas me humilhar, sinalizando que só tenho um olho”, reage o noviço.

2) Agora o rapaz mostrar dois dedos rapidamente na cara do outro, “Fazes escárnio por que tens dois olhos, não é?”, se contorcendo por dentro.

-“Incrível, este jovem demonstra prontamente que não devo me esquecer do Dharma (Ensinamentos, A Verdade Superior)”, é a lógica do peregrino.

3) O forasteiro responde prontamente elevando três dedos diante da face do outro, tentando dizer “Além disto tem a Sangha (Discipulos de Buda)”.

-“Mas muito arrogante, agora fazes gracejos, queres mostrar que um olho meu mais os dois teus, são três olhos. Vou acabar com isto agora, não levo desaforo para casa, mesmo aqui no Templo”, e pensando assim o jovem cerra o punho, colocando em frente ao rosto do visitante, que faz uma expressão de exclamação.

Epílogo: “Oh! Este sábio rapaz demonstra que eu não consigo ver que tudo é uma coisa só, Buda-Dharma-Sangha. Este gesto simboliza o Tao, a Unidade. Que eu viva este maravilhoso ensinamento conscientemente”, pensa humildemente o peregrino, que reverencia o gesto de sabedoria do outro, saindo dali com o coração pleno de alegria, para continuar sua jornada.

“Covarde, agora vens pedindo perdão, virando as costas e saindo. Podes ir, mesmo com dois olhos, não és oponente para mim”, deduz o noviço; passou a noite toda acreditando ter espantado o outro, mas alimentava, ainda,sua infelicidade.

O Monge Superior, após o "debate", ouviu os relatos de ambos em separado; primeiro o visitante e, mais tarde, seu jovem irmão. Ao final, de ambos relatos, apenas se curvava e agradecia ao interlocutor, pois muito tinha aprendido. Que mais poderia acrescentar? 

 Enquanto caminhava pelo corredor principal, o Monge Superior parou, sorriu e pensou: “1,2,3 e ......, assim é o que é.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Contos Zen e de Osho.

2 comentários:

  1. Hola Ricardo
    Muchas gracias por esta bonita historia,como se ve cada uno juzga al otro por lo que lleva en su interior,
    un abrazo

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    Respostas
    1. Hola, Carina,
      Es verdad, cada uno juzga a través de su experiencia y memórias.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

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