Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sábado, 22 de outubro de 2011

Shin Shin Toitsu Do e Nakamura Tempu Sensei























Nascido em 30 de julho de 1876, sob o nome de Saburo, oriundo do Clã Yanagawa de Kyushu, foi um dos mais populares filósofos japoneses, que influenciou muitos Mestres de Artes Marcais (além de políticos, empresários, artistas, escritores, etc.). 

É conhecido como o fundador da Yoga Japonesa ou Shin Shin Toitsu Do (Caminho da Unificação da Mente e Corpo), tendo como alunos Tohei Koichi Sensei, que posteriormente fundou o Shin Shin Toitsu Aikido, e Tada Hiroshi Sensei, que desenvolveu o Ki no Renma (ou Cultivo do Ki), um sistema de exercícios respiratórios e de meditação.

Desde cedo praticou Judo, Kenjutsu e Iaido; entrando para o exército aos 16 anos de idade e foi enviado, como agente secreto, para servir no estado de Manchukuo. Por volta dos trinta anos de idade, contraiu tuberculose de forma severa e percorreu o mundo atrás de cura.

Em 1911, encontra um filósofo com o nome de Kaliapa, que o leva para a terceira maior montanha do mundo, o Monte Kangchenjunga, entre a Índia e o Nepal. Lá fica praticando Raja Yoga e Karma Yoga; fazendo estudos e práticas ligadas ao Prana (Ki no Japão), ficando curado.
Kaliapa postulava que somos um com o Universo, de que estamos imbuídos da Energia Universal, logo, todo ensinamento vem direto a nós; basta apenas estarmos receptivos.

Nakamra Sensei retorna, então, ao Japão, para divulgar este Caminho. Faleceu em primeiro de dezembro de 1968. Seus ensinamentos são práticos e diretos, vejamos alguns:


“Só se vive uma vez, mantenha-se no presente. O passado se foi e o futuro é desconhecido.”

“Não pense no trabalhar como dever, senão se torna um fardo. Transforme-o num prazer, vivendo de modo respeitoso, correto, positivo e corajoso.”

“Seja sempre agradecido, honesto, gentil e agradável. Seja gentil e verdadeiro ao falar.”

“O corpo e a mente formam uma única entidade; a vida segue leis naturais básicas que não devem ser violadas. Sua atitude em relação à vida determina os seus resultados.”

Boa Reflexão.



Oss.
Baseado em artigos sobre Nakamura Tempu Sensei e sobre Tohei Sensei.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Despertar





















Conta-se que um homem que se sentia muito infeliz, devido a uma doença e perdas familiares, saiu de sua vila para falar com um Grande Mestre, que habitava num templo em outra vila. O homem queria que o Mestre lhe explica-se as causas de seu infortúnio, tinha de haver uma explicação.

Chegando ao templo, o forasteiro encontra o Mestre no jardim ao fundo, praticando bastão com os seus discípulos, todos compenetrados, o silencio era imenso. O homem ficou em pé, esperando ser visto ou que lhe dirigissem a palavra, porem só existia um grande silêncio harmônico, que só o deixava mais ansioso. Subitamente, se atira aos pés do Sábio, chorando e gritando: “Grande Mestre, olha para mim, escuta-me, mostra-me as causas de meus sofrimentos. Por que isto acontece a mim? Por que estes eventos me perseguem, justo a mim?”

O Sábio, sem se abalar, olha com compaixão e diz: “Agora não posso te responder nada, não assim como estás; só falas de doenças, perdas e infelicidade. Se te respondo, não compreenderas, pois a mente ocupada pela doença, por sentimentos de perda ou infelicidade, não o permite. Voltas para tua casa e só retornes quando melhorares.”

“Então, nada me falarás? Não posso retornar para casa de mãos vazias, tens de falar o que quero saber.”-retruca o forasteiro.

“Digo algo para ti: Seu interior está tumultuado, como um mar numa tempestade; tudo está perdido neste turbilhão. Estás como um cego a caminhar no escuro. Indico este meu discípulo mais jovem, para que te sirva de guia e dou-lhe meu bastão que sirva de apoio para ti. Como não queres voltar, iras com ele para um cabana que temos ali na montanha, ali exercitaras bons hábitos, praticas físicas e de meditação, até ser chamado de volta”.-sentencia o Mestre.

Subindo a montanha, o suplicante descobre que o jovem guia faz a prática do silêncio e deverá ficar sem falar até voltar para o convívio do templo.

Passam-se os dias, o mais velho começa a seguir a rotina do mais jovem: saudar o sol pela manhã, exercitar-se com o bastão, caminhar pelo planalto, parando para perceber o vento tocar na pele. À tarde meditavam e à noite contemplavam a lua. Todo mês subia um monge para levar comida, instruído para dar a mesma resposta caso o visitante perguntasse quando deveria ver o Mestre, o que sempre acabava acontecendo: “Ainda não é o momento”.

Dia após dia, os dois eremitas se concentravam na rotina de atividades, com o passar do tempo, o forasteiro já não se lamentava mais, tão pouco os fatos remoíam em seu interior.

Certo dia, vendo a lua, que estava cercada de nuvens, ia comentar que as nuvens lá estavam para estragar a bela visão, quando tomou consciência de que todo era perfeito: as nuvens eram apenas passageiras, que nada tinham a ver com a presença da lua, tampouco existia uma intenção de atrapalhar, elas apenas estavam por ali. A lua sempre esteve ali, assim como as estrelas, o cosmo, as montanhas; simplesmente estavam lá.

Tomou consciência que assim eram os eventos da Existência, eles apenas ocorrem, a mente egóica é que afirma existirem razões para que aconteçam com esta ou aquela pessoa. Olhando a lua, respirou profundamente e saboreou a sensação do frio da noite em sua pele, pois era isto que se apresentava no momento. Sua mente estava vazia, seu coração pacificado.

Naquela noite teve o melhor sono dos últimos anos, assim como, daqui para adiante; não mais perguntava pelo retorno ao templo ou pelo Grande Mestre.

Quando ia completar um ano de retiro, o Grande Mestre mandou um emissário avisar aos dois eremitas que já era hora do retorno e se o forasteiro queria as explicações, quando chegasse ao templo.

“Diga ao Mestre que daqui retorno para minha vila, já ouvi todas as explicações dele vindas daqui mesmo, não existem mais perguntas.”- falou o forasteiro apontando para o seu coração.

Ao retornar para a vila, os habitantes não reconheceram o antigo vizinho; estava muito mudado, com um semblante diferente. Curiosos, perguntaram o que tinha acontecido, e o homem responde: “Mudando de hábitos e meditando, pacifiquei a minha mente. Agora, mesmo a distancia, ouço as respostas do Mestre; elas estavam aqui dentro, eu apenas não as escutava, pois a mente estava repleta.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Contos Zen, Matthieu Ricard e Osho.

domingo, 2 de outubro de 2011

1,2,3 e o Silêncio
























Conta-se sobre uma tradição comum nos mosteiros Zen, era conceder pernoite aos monges peregrinos, desde que eles participassem de um debate; se “vencesse”, o forasteiro poderia ficar por uma noite, senão, deviam continuar a jornada após ligeira refeição.

Havia um templo, cujo Monge Superior era um exemplo de Consciência e Compaixão; com ele estava seu irmão mais novo, que só enxergava o mundo com a perspectiva de um olho (pois tinha perdido o outro). O jovem, ao invés de se dedicar aos estudos e práticas, sempre ficava contado e relembrando a história de sua perda, ano após ano; com isto, não conseguia atingir o nível de seus colegas, permanecendo sempre preso a determinados conceitos.

Certo dia, um monge peregrino pediu para participar dos ciclos de ensinamentos e, após isto, pernoitar no local. O dia foi longo, mas o forasteiro estava entusiasmado com os ensinamentos do Monge Superior, sempre participativo. No final das palestras, ao anoitecer, o forasteiro pergunta pelo abrigo e, passa a conhecer a tradição do templo, o Monge Superior seria o responsável por tal tarefa. Como havia muito ainda por organizar no templo e para não ser indelicado com o visitante, o velho Superior resolve indicar o seu irmão para substituí-lo, assim não ofenderia o visitante (que não sabia da precária instrução do rapaz). Para tal, o Superior sugere que fosse um diálogo em silêncio, assim o irmão teria uma chance remota e o visitante nada perceberia.

Enviados ao jardim, ambos começam a caminhar lado a lado; dados poucos passos, retorna o visitante maravilhado, dizendo que vai partir muito feliz por ter encontrado mente tão sábia a derrotá-lo; seu coração vibra com a lição.
Muito sabiamente, o Monge Superior se reúne com cada um, em separado, para saber como tal fato aconteceu. Após os relatos, se revelou a percepção de cada um sobre a Existência. 

O Debate Silencioso:
Ambos caminham pelo jardim, o jovem encara o visitante, devido o problema de visão e, o visitante, pensando ser prática comum do templo, faz o mesmo.

“Serei cortês, retribuirei este profundo e sincero olhar no âmago do ser, belo gesto do rapaz”, pensa o visitante.

“Grosseiro, zomba do meu problema de visão, preconceituoso como os outros”, reage o rapaz.

1)O visitante eleva um dedo e mostra diante da face do outro, “O Buda”, pensa ele demonstrar com o gesto.

“Como tentas me humilhar, sinalizando que só tenho um olho”, reage o noviço.

2) Agora o rapaz mostrar dois dedos rapidamente na cara do outro, “Fazes escárnio por que tens dois olhos, não é?”, se contorcendo por dentro.

-“Incrível, este jovem demonstra prontamente que não devo me esquecer do Dharma (Ensinamentos, A Verdade Superior)”, é a lógica do peregrino.

3) O forasteiro responde prontamente elevando três dedos diante da face do outro, tentando dizer “Além disto tem a Sangha (Discipulos de Buda)”.

-“Mas muito arrogante, agora fazes gracejos, queres mostrar que um olho meu mais os dois teus, são três olhos. Vou acabar com isto agora, não levo desaforo para casa, mesmo aqui no Templo”, e pensando assim o jovem cerra o punho, colocando em frente ao rosto do visitante, que faz uma expressão de exclamação.

Epílogo: “Oh! Este sábio rapaz demonstra que eu não consigo ver que tudo é uma coisa só, Buda-Dharma-Sangha. Este gesto simboliza o Tao, a Unidade. Que eu viva este maravilhoso ensinamento conscientemente”, pensa humildemente o peregrino, que reverencia o gesto de sabedoria do outro, saindo dali com o coração pleno de alegria, para continuar sua jornada.

“Covarde, agora vens pedindo perdão, virando as costas e saindo. Podes ir, mesmo com dois olhos, não és oponente para mim”, deduz o noviço; passou a noite toda acreditando ter espantado o outro, mas alimentava, ainda,sua infelicidade.

O Monge Superior, após o "debate", ouviu os relatos de ambos em separado; primeiro o visitante e, mais tarde, seu jovem irmão. Ao final, de ambos relatos, apenas se curvava e agradecia ao interlocutor, pois muito tinha aprendido. Que mais poderia acrescentar? 

 Enquanto caminhava pelo corredor principal, o Monge Superior parou, sorriu e pensou: “1,2,3 e ......, assim é o que é.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Contos Zen e de Osho.

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