Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Impermanencia e Momento Presente














Certo dia, Sidarta falava aos seus discípulos, sob uma árvore, próximo ao Ganges; quando se aproxima um rapaz, dando-lhe um tapa no rosto.
Sidarta, massageando o rosto, pergunta ao rapaz:
“E agora? Que queres dizer?


O jovem fica confuso, pois a reação do Iluminado foi uma pergunta;nunca tinha passado por uma situação assim, não se recordava de nada igual. Todas as vezes em que agrediu ou insultou alguém, este alguém ficava com raiva e reagia; se fosse covarde, sorria e tentava afastá-lo com dinheiro.

Já aquele homem, que diziam ser santo não era nem uma coisa nem outra; não havia nem raiva, nem medo em seu semblante. Simplesmente disse, com um olhar repleto de sinceridade: "E agora?"


Os discípulos de Buda logo reagiram, demonstrando raiva e indignação; Ananda queria punir o rapaz com a ajuda dos outros, queria respeito ao mestre. Sidarta, falou alto, terminando com aquela confusão que se instalava:


“Quietos, todos!  
Este jovem não me ofendeu, mas vocês, sim, neste exato momento. Ele é um forasteiro jovem, e pode ter ouvido algo sobre mim através de outras pessoas, veio até aqui com um conceito feito a meu respeito. Ele não bateu em mim, mas nessa idéia pré-concebida, nessa idéia a meu respeito; se ele não me conhece, como pode me ofender? As pessoas podem ter falado que 'aquele homem é ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor'. Desta maneira, o forasteiro formou um conceito, logo ele bateu nesse conceito que está na sua mente.

Se vocês refletirem profundamente, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte da mente dele, mas sim a projeção que ele faz de mim. Vejo que este pobre rapaz tem algo a dizer; essa é uma maneira de dizer alguma coisa, ofender também é uma maneira de dizer algo. Muitas vezes se sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração.

Há momentos de grande intensidade em que a linguagem não consegue expressar o que sentimos; então precisamos fazer algo. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada? Não estão dizendo algo? Quando estão com uma raiva intensa e batem numa pessoa, ofendem ou cospem? Não estão dizendo algo?

Eu entendo esse rapaz, deve ter algo a dizer; daí a pergunta: - E agora?”

Enquanto o rapaz ficava sem ação e confuso; Buda se dirige aos seus discípulos, dizendo:

“Estou mais ofendido com vocês, me conhecem estão há anos comigo e ainda reagem desta maneira.

Atordoado, confuso, o rapaz voltou para casa e não consegue dormir naquela noite. Na manhã seguinte, retornando as proximidades do Ganges, o rapaz encontra Sidarta Gautama e atira-se aos pés, sem levantar o rosto.


-“E agora? Teu gesto quer dizer algo que não pode ser dito com palavras.”- perguntou-lhe Buda novamente. 
-“Ananda, este rapaz está tentando, novamente dizer algo, por isso retornou; é uma pessoa que tem emoções muito entranhadas.”- disse Buda, olhando para os discípulos.

O rapaz levanta a cabeça e, olhando para o Gautama, começa o seguinte diálogo:


-“Perdoe-me pelo que fiz ontem.”- fala o jovem. 


-“Perdoar? Mas não sou o mesmo homem que recebeu o tapa, ontem" - disse Buda, continuando a explicar ao jovem:


"O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges; todo homem é um rio. O homem em quem batestes não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; muitos fatos aconteceram daquele instante até agora. O Ganges já correu bastante. Não há o que perdoar, pois não tenho rancor ou mágoas. 

Percebo que não és o mesmo rapaz que veio aqui ontem, aquele que tinha muita raiva e indignação. O rapaz de ontem me bateu e o de hoje está aos meus pés; como pode ser o mesmo? Portanto, não há o que lembrar; quem bateu e quem recebeu o tapa, não estão mais presentes neste instante.
No momento presente, são duas pessoas completamente diferentes.
E agora, vamos conversar?” Esta foi a resposta do Buda.

Boa reflexão.

Oss

Baseado em artigos sobre o Zen e de Osho.

2 comentários:

  1. Buneos días Ricardo
    Muchas gracias por esta hermosa historia, que nos hace reflexionar sobre como evolucionamos nosotros y lo que está a nuestro alrededor,
    un abrazo

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    Respostas
    1. Buenos Dias, Carina,
      Si, es una bella enseñanza de Sidarta Gautama, un bello texto de Osho.
      Gracias por tu comentário.
      Abrazo.

      Excluir

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