Esta Arte Marcial tem por característica resgatar toda Tradição Marcial dos primórdios da civilização japonesa, quando o homem vivia perfeitamente integrado consigo mesmo e com o Universo. Neste conceito, através do treinamento captamos a energia do Grande Universo e depois passamos a utilizá-la, tendo o centro do corpo como área de difusão. Através da consciência do fluxo de energia tudo é possível e podemos esquecer o uso da força física. Com a meditação, esvaziamos a mente e com a prática do Shin’ei Taido também.

Com a mente e o interior pacificados, não há medo, nem raiva, nem angústia nem pânico; saímos das emoções e dos pensamentos. Se considerarmos isto como objetos do aprisionamento humano, entramos na dimensão da Consciencia, aonde nos conduz o Shin’ei Taido. Tanto homens, mulheres, pessoas de todas as idades podem se integrar nesta prática saudável.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Prática por Yagyu Renyasai Sensei














Figura lendária, com muitas citações em publicações (além de um filme sobre o mesmo), Yagyu Renyasai, foi um dos mais ilustres mestres da katana, do já famoso Clã Yagyu, no século XVII; seu pai era Yagyu Toshiyoshi Sensei.

Devemos lembrar, que o avô de Toshiyoshi Sensei, foi o criador do estilo Yagyu Shinkage Ryu, Yagyü Muneyoshi; logo Munemori Sensei, que fundou o Edo Yagyu era irmão de Yagyu Shingiro Toshitaku ( pai de Toshiyoshi Sensei). 


Toshiyaoshi (ou Hyogonosuke) Sensei, funda a Escola Owari Yagyu, criando outro ramo da Yagyu Shinkage Ryu; era tido como mestre famoso e conta-se uma lenda de que foi amigo do lendário Miyamoto Mushashi, que este ultimo havia sido convidado para residir um período no dojo dos Yagyu para estudar a técnica daquela prestigiosa Escola.

O menino nascido em 1625, Yagyu Renyasai, cresce neste ambiente e passa a ser treinado desde cedo pelo pai e seus tios; alguns contam que a vida de Miyamoto Mushashi exerceu certa influencia sobre o rapaz, já que ele nunca se casou para não ter sua atenção desviada do estudo da espada, por qualquer mulher (é o que conta a lenda). Renyasai Sensei só para de treinar e ministrar aulas, com mais de sessenta anos de idade, ingressando na vida monástica budista.

Depois de tantas décadas de prática, Yagyu Renyasai Sensei nos oferta com Os Sete Principios para a Prática do Budo:

1)Permanecer no Centro: seja no ambiente físico, seja no corpo, seja na mente;

2) A Espada Vazia: Mente Vazia, agora não existe nem longe nem perto e o Fluxo se faz: ação e contenção acontecem dentro de sua esfera;

3)Esqueça o Eu e Oponente:não ataque, não deseje ganhar, tal anseio vai de contra o Fluxo, pode haver derrota;

4)Harmonia Hara-Senaka: o corpo é uma única superfície e adquire uma movimentação rítmica, expressando a unidade;

5)Esqueça o corpo: não preste atenção a fadiga ou dores, não queira tomar posturas pré-determinadas o rígidas;

6)Cumprimente o oposto, que a vontade de ataque venha de fora, responda de maneira destemida, audaz e veloz: arrebate o espírito de agressão assim que ele entrar na sua esfera;

7)Praticar Sozinho: seja em pé, em Seiza, acordado ou não, acompanhado ou não. De manhã bem cedo e tarde da noite, utilize os seis princípios anteriores.

Termino com uma frase atribida a Renyasai Sensei, que faleceu em 1694: “Tenha Espírito Imutável: uma mente insensível à condições externas produz mobilidade corporal”.

Boa Prática a todos.

Oss.

Baseados em artigos sobre Budo, Yagyu Shinkage Ryu e Yagyu Renyasai Sensei.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Zen e a Não-Ação















Certo dia, um aprendiz pergunta ao mestre como seria a prática do Zen. Sem se virar, o mestre responde: 

“O Zen é o Agir sem Agir, é o Mui (Wei wu Wei, do Taoismo). Esta prática, diária, nos harmoniza com o Tao (Do), nos proporcionando um Regresso Precoce à Fonte. Este Caminho se faz serenamente, sem esforço, sem tensão, sem interferir com o fluxo dos fatos e acontecimentos. Wei wu Wei é uma ação Não-Dual.”

“Mas como posso fazer isto sem esforço?”, pergunta o rapaz.

“O principio do Tao é a ação do acontecer por si mesmo: é ser a prática e não praticante, ser musica e não músico, ser observação e não observador. O Tao é algo que não temos como desviar, se podemos desviar, então não é o Tao.” –continua o mestre. “Este principio, não pode ser ensinado através da palavra, apenas sendo a não-ação é possível compreende-la, assim colhemos seus benefícios.”

“Só você mesmo é que pode experimentar o que te aponto: esquece desejo, emoção, esforço; não se oponha ao Fluxo do Tao, a Natureza das coisas e eventos. O Desejo obstrui nossa capacidade de compreender o Caminho, então seja como um riacho caminhando em direção ao oceano, pacifico e aceitando ser o trajeto; ele vive o seu trajeto, cada momento mas não tenta antecipar vivenciar o oceano. O riacho não se move porque ele assim o deseja, é a sua natureza; assim como o riacho, deixe-se ir em direção ao Tao.”

O jovem novamente pergunta; “Mas Mestre, por que então o estudo e a prática?”

Olhando para o jovem ávido de aprender, o Mestre continua:

“Na verdade, tudo leva a uma caminhada, até o instante que você se descobre sendo o Caminho, então todas as oposições cessam e você deixa todas as memórias para traz. Tudo, aprendizado, estudo, é esquecido, até você mesmo; assim como o riacho se dissolve no oceano, você se dissolve no Tao. Tudo vem do Tao e para ele retorna, aliás, dele nunca saímos.

Então lembre-se, O Caminho que pode ser descrito, não é o Caminho: O Do só pode ser vivido e não há como descrevê-lo. Quem descreve o Caminho, jamais esteve nele; quem está Nele, reconhece quem está.”

Boa reflexão.

Oss.

Baseado nos artigos sobre Zen, Taoismo e Não-Dualidade.

sábado, 24 de setembro de 2011

Cântico Zazen por Mestre Hakuin





















Mestre Hakuin Ekaku ou Hakuin Zenji, atribui-se ter nascido em 19 de janeiro de1686 (outras fontes falam ser em 1685, devemos lembrar que existe uma diferença de calendários para época atual) na vila de Hara, próximo ao Monte Fuji. Certa vez, ao receberem a visita de um monge Nichiren, linhagem budista qual sua família era adepta, muito impressionado com o ensinamento sobre os “Oito Infernos Quentes”.

Tal impressão leva ao jovem decidir que a vida monástica lhe proporcionaria a resposta. A tradição relata que outro fator seria a grande compaixão que sua mãe demonstrava por todas as criaturas, além da devoção.

Ordenado aos 15 anos, aprofunda seus estudos, quando tem contato com a história da vida de Grande Mestre Ch’an Yantou Quanhuo, brutalmente assassinado por bandidos. Em seu interior começa a grande pergunta, de como pode buscar refúgio e cononrto, se mesmo um Grande Mestre não está a salvo de uma morte trágica?  Como meta, busca a iluminação para alcançar a resposta.

Após muitas buscas com Mestres, além da prática de caligrafia, poemas e desenhos Zen, alcança a Iluminação através do Sutra do Lótus. Tinha 41 anos, quando então, passa a se dedicar a que outras pessoas alcancem a Iluminação.

Conta-se que tinha habilidade pouco comum, de fazer grande numero de pessoas entenderem o significado do Zen; não importando qual a religião, classe social ou instrução.

Morre aos 83 anos, em sua vila natal, atribuindo-se a data em 18 de janeiro de 1769 (ou 1678, conforme a fonte consultada).  Abaixo, uma das traduções do Cântico Zazen, que lhe é atribuída.

"Todos os seres, por natureza, são Budas,

Assim como o gelo, por natureza, é água;

Fora da água, não há gelo,

Fora dos seres, não há Budas.

É triste que as pessoas ignorem a Verdade tão próxima

E a procurem tão longe;

Como alguém a chorar de sede no meio d'água,

Como a criança de um lar rico a vagar entre mendigos.

Perdidos nos caminhos obscuros da ignorância,

Vagamos pelos seis mundos,

De um caminho escuro para outro;

Quando nos libertaremos do nascimento e da morte?

Oh, o Zazen do Mahayana é o louvor mais elevado.

Devoção, Purificação, prática, os múltiplos Paramitas

Todos têm sua origem no Zazen

E ao Zazen retornam.

Mérito daqueles que praticam meditação, mesmo que apenas uma vez,

Purifica os incontáveis erros praticados no passado sem início;

Então, onde estão todos os caminhos obscuros?

A Terra Pura, mesmo, está próxima.

Aos que ouvirem esta verdade, mesmo uma vez,

E a recebem com um coração de gratidão,

Estimando-a, reverenciando-a,

Obterão méritos sem fim.

Além disso, aqueles que se voltam para o interior

E atestam a Própria Natureza,

A Própria Natureza que é a Não-Natureza,

Vão muito além do que mera doutrina.

Aqui, causa e efeito são idênticos, o Caminho não é dois nem três;

Com a forma que é a não-forma, indo e vindo, nunca estamos perdidos.

Com o pensamento que é o não-pensamento,

Cantar e dançar são a voz do Dharma.

Quão Ilimitado e livre é o Céu do Samadhi, quão brilhante é a lua cheia de Sabedoria;

Realmente, o que falta agora?

O Nirvana está bem aqui, diante de nossos olhos,

Este mesmo lugar, é a Terra do Lótus; este mesmo corpo, o Buda."

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Mestre Hakuin e Zazen Wasan

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Impermanencia e Momento Presente














Certo dia, Sidarta falava aos seus discípulos, sob uma árvore, próximo ao Ganges; quando se aproxima um rapaz, dando-lhe um tapa no rosto.
Sidarta, massageando o rosto, pergunta ao rapaz:
“E agora? Que queres dizer?


O jovem fica confuso, pois a reação do Iluminado foi uma pergunta;nunca tinha passado por uma situação assim, não se recordava de nada igual. Todas as vezes em que agrediu ou insultou alguém, este alguém ficava com raiva e reagia; se fosse covarde, sorria e tentava afastá-lo com dinheiro.

Já aquele homem, que diziam ser santo não era nem uma coisa nem outra; não havia nem raiva, nem medo em seu semblante. Simplesmente disse, com um olhar repleto de sinceridade: "E agora?"


Os discípulos de Buda logo reagiram, demonstrando raiva e indignação; Ananda queria punir o rapaz com a ajuda dos outros, queria respeito ao mestre. Sidarta, falou alto, terminando com aquela confusão que se instalava:


“Quietos, todos!  
Este jovem não me ofendeu, mas vocês, sim, neste exato momento. Ele é um forasteiro jovem, e pode ter ouvido algo sobre mim através de outras pessoas, veio até aqui com um conceito feito a meu respeito. Ele não bateu em mim, mas nessa idéia pré-concebida, nessa idéia a meu respeito; se ele não me conhece, como pode me ofender? As pessoas podem ter falado que 'aquele homem é ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor'. Desta maneira, o forasteiro formou um conceito, logo ele bateu nesse conceito que está na sua mente.

Se vocês refletirem profundamente, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte da mente dele, mas sim a projeção que ele faz de mim. Vejo que este pobre rapaz tem algo a dizer; essa é uma maneira de dizer alguma coisa, ofender também é uma maneira de dizer algo. Muitas vezes se sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração.

Há momentos de grande intensidade em que a linguagem não consegue expressar o que sentimos; então precisamos fazer algo. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada? Não estão dizendo algo? Quando estão com uma raiva intensa e batem numa pessoa, ofendem ou cospem? Não estão dizendo algo?

Eu entendo esse rapaz, deve ter algo a dizer; daí a pergunta: - E agora?”

Enquanto o rapaz ficava sem ação e confuso; Buda se dirige aos seus discípulos, dizendo:

“Estou mais ofendido com vocês, me conhecem estão há anos comigo e ainda reagem desta maneira.

Atordoado, confuso, o rapaz voltou para casa e não consegue dormir naquela noite. Na manhã seguinte, retornando as proximidades do Ganges, o rapaz encontra Sidarta Gautama e atira-se aos pés, sem levantar o rosto.


-“E agora? Teu gesto quer dizer algo que não pode ser dito com palavras.”- perguntou-lhe Buda novamente. 
-“Ananda, este rapaz está tentando, novamente dizer algo, por isso retornou; é uma pessoa que tem emoções muito entranhadas.”- disse Buda, olhando para os discípulos.

O rapaz levanta a cabeça e, olhando para o Gautama, começa o seguinte diálogo:


-“Perdoe-me pelo que fiz ontem.”- fala o jovem. 


-“Perdoar? Mas não sou o mesmo homem que recebeu o tapa, ontem" - disse Buda, continuando a explicar ao jovem:


"O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges; todo homem é um rio. O homem em quem batestes não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; muitos fatos aconteceram daquele instante até agora. O Ganges já correu bastante. Não há o que perdoar, pois não tenho rancor ou mágoas. 

Percebo que não és o mesmo rapaz que veio aqui ontem, aquele que tinha muita raiva e indignação. O rapaz de ontem me bateu e o de hoje está aos meus pés; como pode ser o mesmo? Portanto, não há o que lembrar; quem bateu e quem recebeu o tapa, não estão mais presentes neste instante.
No momento presente, são duas pessoas completamente diferentes.
E agora, vamos conversar?” Esta foi a resposta do Buda.

Boa reflexão.

Oss

Baseado em artigos sobre o Zen e de Osho.

domingo, 18 de setembro de 2011

O Caminho do Não-Dual e da Não-Espada


Yamaoka Tesshu Sensei escreveu este poema sobre o Caminho (Doka) através da prática não-dual com a espada. 

Após anos de prática do Kenjutsu e meditação Zazen, encontra o Caminho Não-Dual da Não-Espada, o “Não-Um Sendo”, conforme apontava seu Mestre.

Não existe praticante, oponente, raciocínio ou desejo; existe apenas a ação, o movimento espontâneo, o praticar. Como afirmava Inoue Sensei, a prática sincera, com mente vazia; o Fluxo da Realidade se fazendo por si.

Esta é uma das versões da tradução deste poema, que nos faz refletir sobre a nossa prática; conduz a prática da Espada da Não-Espada:

“O Caminho da Espada:
Eu não sou atingido,
nem meu oponente tocado.
movimento-me livremente
E chegamos ao final.
Contra a espada de um oponente
Assuma a não-atitude
e mantenha sua mente impassível.
Esse é o lugar de vitória.
Onde espadas se encontram
Jogue fora ilusão.
Abandone-se
E você vai pisar o caminho de vida.
Espírito, ágil
Mente, calma,
Corpo, luz
Olhos, claro
Técnica, decisivo!”

Boa reflexão e boa prática.

Oss.

Baseado em textos sobre os poemas de Yamaoka Sensei e artigos de Inoue Sensei.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Despertar de Yamaoka Tesshu Sensei



Tido como um dos maiores artistas marciais do século 19, é originário do Clã Samurai Ono ( do qual há relatos desde século 8). Nascido em 10 de junho de 1836, com o nome de Tetsutaro, começa a prática da espada aos 9 anos de idade, na tradição Kashima Shinden Jikishinkage Ryu. Mais tarde, ao mudar-se para Takayama, começa a pratica do Ona Ha Itto Ryu.


Aos 17 anos incorpora-se ao Instituto Militar Kobukan, sendo aceito com discípulo de Yamaoka Seizan Sensei, na Escola Yamaoka de Manejo de Lança. Seizan Sensei morre e Tetsutaro casa-se com a irmã do mestre, adquirindo o nome Yamaoka Tesshu para manter esta tradição marcial do Clã que o adotou. Com o tempo, passou a ter fama de Mestre Espadachim (conhecia quase todos os estilos) e Mestre Calígrafo; mas, também a fama de muito beber e dormir.

Aos 28 anos, é derrotado em duelo, por um Mestre Espadachim Zen, Azari Gimei, de quem se torna discípulo. Como Tesshu não era aplicada aos estudos, principalmente do Zen, Azari (mesmo sendo um homem pequeno) ficou conhecido por conduzir, durante os treinos, o discípulo até a porta de trás do dojo e jogá-lo na rua, fechando a porta na sua cara.

Tal fato aconteceu tantas vezes, que Tesshu começa a se aplicar nas técnicas e na meditação, se empenhando ao máximo. Mesmo quando comia ou dormia, só tinha as técnicas da esgrima em sua mente. Muitas vezes, acordava a noite e treinava com sua esposa as variações de técnicas, com as quais tinha sonhado. Ao mesmo tempo, praticava a meditação com afinco.

Ao mesmo tempo, como não conseguia entender o Koan Zen que Azari Sensei tinha lhe dado; confuso e por ter passado muito tempo tentando entender, solicita a ajuda do Mestre Ganno Zen, com quem estuda por um tempo. Koan: “Originalmente a Não Uma Vez Coisa existe”.

Certo dia, pela manhã, quando praticava o Zazen, Tesshu alcança a Iluminação e percebe que embora houvesse a prática da espada, com a Consciência devemos praticar a “não-espada”, pois não existe inimigo; só existe o “não-inimigo”, o “não-outro”, a percepção da Unidade (Não-Dual). Tesshu decide nada contar sobre sua experiência a Azari Sensei.

Ao chegar no dojo, Tesshu é olhado por Azari Sensei, que prontamente reconhece que o discípulo tinha encontrado a Iluminação, e diz: “Você chegou lá”. Azari Sensei disse nada mais tinha a ensinar, e que Yamaoka Sensei devia agora ter o seu próprio dojo para divulgar a “Técnica da Espada da Não-espada”.

Posteriormente, Yamaoka Sensei, tornou-se um dos preceptores do Imperador Meiji. Porem, devido a um câncer de fígado e estômago, sua vida termina em 1888, do mesmo jeito que alcançou a sua iluminação. Ao acordar, pela manhã, o mestre sente que já é hora de partir, escreve um poema, toma a postura de Zazen e fecha os olhos, aguardando para entrar na morte.

Boa Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre a vida de Yamaoka Tesshu Sensei

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Consciência e Budo por Takahashi Sensei




Takahashi Deishu Sensei (1835 – 1903), nascido no Clã samurai Yamaoka, com o nome e Masaaki, sendo mais conhecido com o nome de Kenzaburo. 

Segundo filho deste Clã, passa a ser adestrado no manejo da lança, atingindo exímia maestria. Ao casar-se, passa a ser o primogênito da família de sua esposa (tradição comum no Japão Feudal), adotando o nome do Clã Takahashi.

Takahashi Sensei era um dos instrutores marciais do Shogunato que precedeu a era Meiji. Ingressou, como instrutor, na Escola de Arte Militar aos 21 anos; tornou-se mestre aos 25 anos. Após um período, na frente das tropas leais ao Shogun, convence Tokgawa Yoshinobu a obedecer ao Imperador e cessarem os conflitos. 

Com a Restauração Meiji, em 1868, afasta-se da vida pública e se dedica a pinturas (principalmente sobre o Monte Fuji), a caligrafia e a composição de koans e poesias. Era seu cunhado Yamaoka Tesshū, famoso mestre espadachim, samurai fundador da Escola Itto Shoden Muto Ryu.

As obras de Takahashi Deishu Sensei, sempre foram muito apreciadas, fato que acontece até os dias de hoje. Até hoje, é conhecido como um dos Três Shü do período final do Shogunato Tokugawa, juntamente com Yamaoka Tesshū e Katsu Kaishu.

Trago aqui, uma das versões de um poema, onde Takahashi Sensei demonstra a Consciência atingida através da prática do Budo; em conformidade com o que Inoue Sensei ensinava:

“Não Temos um Corpo Divino
Mas a Compaixão concede um Corpo Divino.
Não temos o Poder Divino
Mas a Honestidade concede um Poder Divino.
Não temos a Inteligência Divina
Mas a Sabedoria concede uma Inteligência Divina.
Não podemos realizar Milagres
Mas não criando obstáculos, Milagres são realizados.
Não podemos salvar o mundo
Mas a Bondade nos torna aptos a salvar o mundo.”

Boa Reflexão.

Oss.

Baseado em artigos sobre Budo, Inoue Sensei e Takahashi Deishu Sensei.


domingo, 4 de setembro de 2011

Harmonia de Nage-Uke
























Inoue Sensei sempre ensinou que devemos nos harmonizarmos com o Universo (a Existência), pois tudo emana dali, pois todos somos expressões da mesma Fonte.

A representação da Unicidade é, na prática, o binômio “Nage-Uke”, as duas faces da mesma moeda. Este binômio complementar só existe quando existe ação e intenção. Os Mestres nos explicam que a Existência só pode experimentar a si mesma, através de seu reflexo; Uke é o reflexo de Nage e vice-versa, um só pode experimentar existindo o outro.

Esta aparência dual é que nos permite a pratica, mas essencialmente o que permanece é a Unicidade. Inoue Sensei dizia não existir Uke (o oposto) e sim Ukemi (a ação de cair ou de receber a técnica); ensinava que não existia um alguém, mas sim o movimento puro manifesto nas duas aparências (Nage-Uke). Este binômio demonstra a ação perfeita: Uke se oferece a Nage e logo Nage se torna Uke; e assim sucessivamente.

Só existe aprendizado, quando Uke colabora, sentindo o grau da evolução de Nage, nem facilitando nem dificultando a execução da técnica. Dificultando, não há evolução para ambas as partes, pois Uke nada está aproveitando, mesmo que tenha a ilusão que é melhor técnicamente. Tambem vale para a facilitação.

O mesmo vale para Nage, se ele tenta ser vigoroso para machucar Uke, demonstra que a mente não está pacificada, sempre receoso de uma agressão “exterior”; técnica sem empenho, também dificulta a evolução de ambos.

Tanto Inoue Sensei, como Martins Sensei falavam na prática sincera, porém sentindo e percebendo a outra face do binômio; quando isto é feito, não existem lesões. A prática sincera é para que ambos tomem consciência do medo, muitas vezes encoberto pela agressividade. Com o passar do tempo, a consciência vai se fazendo e as emoções e sentimentos deixam lugar para a energia do coração, com ensinava Ueshiba O-Sensei. Esta energia, o Amor, é a energia agregadora do Universo; neste instante, não existem mais adversários, não há mais fragmentos da Existência, é apenas Uma Só Ação (Isness).

Como não existe o “eu” e o “outro”, não existe adversário; esta ilusão só aparece quando a mente fragmenta. Vários Mestres sugerem nos concentrarmos no Seika no Tanden (Hara) e no Naka no Tanden (Shin), logo se fará a harmonização ou afinidade com o todo; o binômio Nage-Uke se torna o fluxo, a ação, o movimento. É apenas isto que existe, a ação da Existência experimentando a si mesma.
Esta é a prática: com a mente vazia (Mushin), somos ação, movimento, respiração e coração; somos fluxo, apenas isto. Assim nos ensinou Inoue Sensei.

Boa Prática.

Oss.

Baseado em artigos de Inoue Sensei, Ueshiba Sensei, Osho, Zen e Budo.

sábado, 3 de setembro de 2011

Monte Kurama e os Mestres



















Conforme a tradição japonesa, o Monte Kurama e outros montes, são locais de aprimoramento e busca da Iluminação (ou aperfeiçoamento, no caso de Mestres do Budo e Samurais). Neste monte, são incontáveis as histórias sobre personalidades da história do Japão.

Um relato do século 12 diz que os peregrinos, apesar do desejo de subir neste Monte, em busca da purificação, desistiam de fazê-lopor medo das figuras lendárias dos denominados Tengu. Um texto antigo relata que desde os tempos imemoriais, que este Monte é habitado por um grande numero destas figuras, tidas como demônios por uns e disciplinadores por outros. Existem, neste local, vários obstáculos naturais, além do perigo de ursos e cobras venenosas, que habitam no meio da floresta.

A fundação do templo, é atribuída a uma data posterior a 770DC, sendo que neste local, existem vários relatos de experiências de tomada de consciência com a figura de Senju Kannon ( Kuanin, A Deusa dos Mil Braços). Este templo já foi reconstruído várias vezes e várias Escolas budistas já passaram por este templo, sendo que desde 1945, temos um ramo do Tendai, a Escola Kurama Kôkyô.

Muitos vêm a este local para praticar a denominada Meditação da Estrela da Manhã (Vênus), quando lá estão no período de peregrinação, o que pode levar cerca de 21 a 22 dias; por isso existem as pequenas cabanas individuais espalhadas, para o peregrino pernoitar.

A tradição conta que, há seis milhões de anos, a figura mítica de Maôson, desceu de Vênus, através de sua luz, para o Monte Kurama. Muito tempo depois, foi lá que transmitiu seus conhecimentos ao monge Kantei (discípulo de Ganjin), em 770.

Interpreta-se que o simbolismo das três figuras míticas da trindade Sonten do Templo Kuramadera (Maôson, Bhishamonten e Senju Kannon) representariam a Alma Universal - Luz Gloriosa - Fluxo da Mente; para outros Poder – Luz – Amor respectivamente.

Conta-se, que os Tengu ensinaram as técnicas à grandes mestres espadachins e guerreiros, assim como aos ninjas. Muitos estudiosos, afirmam que o solo da floresta que lá existe (Kinone Michi), cheia de raízes expostas, faz com que a habilidade da pessoa na prática de técnicas marciais melhore muito, associado aos obstáculos naturais da floresta e das caminhadas, que vai aprimorando o praticante. As raízes expostas, vão melhorar muito o trabalho de pés, pernas e deslocamentos. Some-se a isto as práticas ascéticas, que melhoram muito a capacidade física. Outros vão relatar toda a perícia das figuras mitológicas e divinas que habitam o local.

O importante é ressaltar o que aconteceu no Monte Kurama e sua presença no desenvolvimento de várias Escolas, sejam marciais ou não. Entre muitas personalidades descritas em textos, podemos citar:
Minamoto no Yoshitsune, ( nascido em 1159 e falecido em 15 de junho de 1189) famoso general Samurai do Clã Minamoto, que recuperou o prestigioso do destroçado Clã e cuja história faz parte do folclore japonês, com muitos feitos históricos e legendários. Sua vida, tanto notável como trágica, já foi representada em obras clássicas e tradicionais da época como o Conto dos Heike (Heike Monogatari - relatos sobre a luta entre os clãs Minamoto e Taira, no final do século XII), em peças do Teatro Nô e Kabuki. 

Ainda encontramos a floresta aonde Yoshitune treinava e existe um santuário em sua homenagem. Conta a tradição, que após seu treinamento, pode enfrentar o famoso monge-guerreiro Benkei; ganhou a contenda por esgotar físicamente o adversário pela grande agilidade e saltos. Benkei tornou-se discípulo de Yoshitune pelo resto de sua vida.

Morihei Ueshiba O'Sensei, o fundador do Aikido, que durante um período de sua vida foi treinar nas florestas do Monte Kurama. Passava o dia todo a treinar com sua espada e emitia poderosos “kiai”. Após meses, as pessoas que habitavam os arredores, muitos peregrinos, chamaram as autoridades locais, pois tinha medo de ver O'Sensei manusear a katana no vazio, como se atacasse alguém que não existisse. Os soldados que foram chamados, logo reconheceram o grande Mestre e lhe solicitaram para parar, para não fazer mais aquilo. O'Sensei explicou-lhes que treinava com os Tengu, e que sua habilidade melhorava muito, a cada dia. O'Sensei sempre praticou meditação e outras práticas do Shugendô.

Mikao Usui, considerado o fundador do Teate (ou Reiki), grande estudioso das tradições e práticas japonesas, cujas pesquisou por anos. Usui Sensei subiu ao Monte Kurama para um retiro de 21 dias, onde ficou meditando (especula-se ser a Meditação da Estrela da Manhã). No final do vigésimo primeiro dia, diz ter visto uma claridade vindo da Estrela da Manhã (Vênus) entrou em transe. Foi assim que recebeu os ensinamentos, segundo ele, por Dainichi Nyorai. Autores afirmam que Usui Sensei já pesquisava praticas tradicionais de tratamento, mas foi a estada no Monte Kurama o ponto mais importante de seu aprimoramento.

Bom Fim de Semana.

Oss.

Baseado em artigos sobre o Monte Kurama, Mikao Usui Sensei, Morihei Ueshiba O'Sensei e Minamoto no Yoshitune.

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